a história do hidroavião revisitada…

Então, quer-se dizer (linguagem popular), um hidroavião cai, em França, e provoca um incêndio… e eu fico sem electricidade durante cerca de duas horas, em Cascais?

Para além de todas as conjecturas que possamos fazer, uma coisa me parece evidente: quando alguém fala em soberania nacional deve estar sempre no domínio da ficção. Ou, colocado de outra maneira, quantos portugueses sabiam que esta ocorrência era, sequer, possível?

Ah, em certos momentos, a electricidade que consumimos vem de França e até é muito mais barata porque eles têm diversas centrais nucleares. Ora, aí está: por isso é que passámos a pagar a electricidade muito mais barata, não é, meninas e meninos? Ou talvez não. Eu imagino, só os custos do transporte daquele energia toda, de lá tão longe. E, se calhar, é em pó, com camiões TIR e tudo… Isto quando se andava com estas coisas de burro saía muito mais em conta.

Melhor do que isso, só mesmo a electricidade que compramos a Marrocos, produzida em centrais idênticas à de Sines – que encerrámos – mas que não têm, nem de perto nem de longe, os pruridos ambientais que a nossa tinha. Como é diferente a energia, em Portugal!

Nota a posteriori – Felizes os tempos em que os apagões nacionais se deviam ao jacto de dejectos lançado por uma cegonha. Sempre era um animal já nosso afeiçoado, residente, que nem emigrava, dado o clima ameno. Imaginem, agora, o que será quando, num futuro próximo, algum panda, lá na longínqua China, se chatear com um CEO eléctrico qualquer, aqui em Portugal… É que isto anda mesmo tudo ligado… e não é só à corrente.

Helena Matos e a desinformação

Helena Matos dixit, no Observador, em 11 de Julho, p.p.: «Quando a SIDA apareceu nos anos 80 não se proibiu nada a ninguém. Em 2020, quando chegou o COVID proibiu-se quase tudo a toda a gente. Somos as cobaias de uma nova forma de governar: o social-sanitarismo»

Eu tendo a sentir muita consideração por todo e qualquer ser vivente e pondero sempre evitar meter-me nas tamanquinhas de cada um, até por razões profiláticas. Mas quando alguém partilha uma opinião, o mínimo que se espera é o seu eco, a ressonância produzida.

Assim sendo, quando alguém que se arvora em jornalista publica um artigo de opinião assume o que vulgarmente se chama responsabilidade social acrescida.

Ora, Helena Matos ao pretender comparar a SIDA, nos idos de 80, à actual COVID, para defender uma agenda política que é muito sua, comete, em meu entender, vários pecados indefensáveis:

  1. Confunde – e tenho de admitir que o faz deliberadamente, tal a monumentalidade do disparate – duas realidades cientificamente distintas, muito especialmente no que à relação entre seres humanos respeita e, portanto, à transmissibilidade da doença.
  2. Ignora, também deliberadamente, a dimensão comparada do impacto social entre ambas as maleitas… (Veja-se o exemplo da necessidade do teletrabalho: no que respeita à SIDA – e se me é permitida alguma ironia – apenas se justificaria em relação às equipas de produção de filmes pornográficos ou naqueles casos em que um ambiente de trabalho se revelasse muito promíscuo para além das tarefas do dia-a-dia, com vários «bodystorming» sobre as secretárias, maquinas de costura, etc…).
  3. Promove, concomitantemente, a desinformação num momento histórico em que o comum cidadão se debate no mar de informações contraditórias ou antagónicas que colocam em causa a sua própria sobrevivência.

Poder-se-ia continuar, mas não vale a pena. Helena Matos, como tantos «jornalistas» a que vamos tendo direito, não é tanto jornalista mas mais uma opinativista – o que, se calhar, até é um neologismo covidiano. Talvez por isso conceitos como a deontologia não se lhe aplicam nem há ordem profissional que a sustenha.

O bêbedo da aldeia não teceria melhor comentário, entre dois copos de três.

O Observador paga-lhe por isto ou para isto? É que até isso fará diferença…

isto é que é qualidade de vida!

Houve um grande incêndio numa estação de tratamento de resíduos sólidos, em Trajouce, concelho de Cascais, no dia 10 de Julho de 2021.

Ver localização em:
https://www.google.com/…/data=!3m1!1e3!4m5!3m4!1s0x0…

O fogo foi considerado extinto por volta das 18 horas do mesmo dia… ainda que pela meia noite, 150 operacionais estivessem a combater as chamas.

A coluna de fumo espesso e escuro espalhou-se intensamente pelos concelhos de Cascais e de Oeiras.

Ouvi apenas uma tímida recomendação para que os habitantes de Oeiras e Cascais não saíssem de suas casas e, dentro delas, usassem máscara. Fora e dentro de casa, o cheiro extremamente desagradável e intenso, hoje, dia 11, pelas 10h45, continua a fazer-se sentir, intenso e incomodativo.

Estações de tratamento de resíduos urbanos em meio urbano, com grande parte dos produtos da recolha a céu aberto, onde os ventos dominantes espalham os eflúvios exactamente sobre as zonas mais densamente povoadas… não será de pensar, sei lá, que talvez esta localização e os respectivos equipamentos sejam de remodelar? Se calhar, até com urgência, digo eu. Creio que já o Mário Soares enquanto presidente da república disse isso mesmo aquando de uma visita às instalações… e já lá vão uns anitos, mais propriamente, em 1992).

Julgo ser oportuno acrescentar que o problema principal do mal de que vamos padecendo incide, especialmente, nas vias respiratórias. Além disso, o sol que se esperava para hoje, desapareceu.

O Serviço Municipal de Protecção Civil já disse alguma coisa?

Algumas imagens elucidativas, respectivamente de Rodrigo Antunes, Paulo Cunha/LUSA e LUSA:

um copo de água não se nega a ninguém.

Estou a pensar que isto de viver num concelho que ganhou a fama de ser o mais chique de Portugal – ainda se lembram do termo? – tem, no entanto e nos entrefolhos dos interesses instalados, muito que se lhe diga e nem tudo é abonatório do estatuto.

Seria longa e fastidiosa a conversa, por isso vou encurtar. Falemos de água ou, mais exactamente, da facturação das Águas de Cascais, S.A., que é uma daquelas empresas privadas vá lá a gente saber porquê.

Nem tecerei grandes comentários. Deixo apenas um extracto da última factura recebida. Consumo real, lido e facturado, correspondendo a 60 dias: 3 metros cúbicos. Valor a pagar 36,11 €.

Estou a pensar muito seriamente em fazer um contrato de abastecimento com uma empresa de água mineral.
A chatice é que, alegadamente, no interesse da saúde pública e pela letra da lei, sou obrigado a ter um contrato com as Águas de Cascais.

Por acaso ou por razões de mau feitio, uma legislação que me obriga a ter um contrato com uma empresa privada, sem concorrência, também é uma história para a qual ainda hei-de pedir a um entendido que me faça um desenho para perceber melhor o conceito, que isto da idade anda a tirar-me muito discernimento…

Deixo-vos, então, o tal extracto que é um tratado de fintas e malabarismos dignos de um Cirque du Soleil.

reflexões avulsas entre uma denúncia à embaixada russa e as expectativas do euro 2020, em 2021

Eu, por acaso, cada vez percebo menos de tudo, aproximando-me, a passadas largas, do estadio do só sei que nada sei.
Mas a cena da divulgação dos dados dos elementos alegadamente russos que organizaram uma manifestação legal, em Portugal, não será, entre muitas outras coisas, uma grosseira violação à legislação da protecção de dados?
Ah, pois, claro… a legislação só obriga os cidadãos. As instituições são superiores a essas minudências.

Dia 10 de Junho, ainda versejando a propósito:
tão grandioso e medonho
um Portugal adiado
que o Sol a meio eclipse
deu lugar e vez ao sonho
e em jeito de apocalipse
foi brilhar para outro lado…

Pedimos desculpa por esta interrupção da capacidade de raciocinar. Portugal segue dentro de momentos.

Atenção aos incautos: aproxima-se aí uma vaga de patrioteirismo futebolístico que pode causar danos cerebrais irreversíveis.
Tente manter o seu cérebro em actividade autónoma… nem que seja só durante os intervalos dos jogos.

Pequeno conto tão ficcionado que até parece verdade, mas não é:
Funcionário de uma câmara municipal em modo queixinhas e com problemas de afirmação:
«- Oh, sotor, aquele menino diz que o sotor anda a bater nos meninos…»
O pai do menino funcionário diz que se trata de uma atitude errada e, para castigo, vai nomeá-lo para um cargo qualquer de direcção de qualquer coisa. E o pimpolho acabou por ser nomeado director de turma.
Assim se reconhecem e punem os erros úteis, a bem desta e de outras «nações».

SINTRA – Cascatas e Lapiás
(Parte III)

Rumámos, depois, ao terceiro destino programado para este passeio: a cascata de Anços (ou cascata do Mourão).

Um cabo dos trabalhos para localizar placas indicativas, como é norma. Quando, finalmente e após muitas manobras em vias estreitíssimas, julgámos ter chegado a bom porto, estou convencido de que descobrimos, afinal, o caminho mais árduo e penoso para atingir o nosso destino.

Uma pequena chamada de atenção para os serviços das autarquias: já consideraram o potencial turístico – e refiro-me ao turismo interno – que estes pequenos recantos poderiam representar para o comércio local? E, de seguida, já pensaram que os cidadãos mais «antigos», aqueles que ainda tenham algum poder de compra, têm, por outro lado, aquelas maldades que a idade nos traz: articulações cansadas, capacidade pulmonar e cardíaca que já conheceram melhores dias, etc., etc.?

Se já pensaram nisso, porque é que oferecem estas pavorosas vias de acesso aos vossos lugares de encanto? Ainda por cima, sem uma ambulância do INEM ali à mão para as mais que prováveis ocorrências… Por acaso, o nosso grupo sentiu-lhe a falta, à força de um incidente ocorrido mas, como desenrascados que sempre somos, lá nos safámos.

Enfim, a cascata. Outro lugar magnífico. Ao contrário da água da cascata de Fervença, esta corria límpida. As cabeleiras de limos, saudáveis e viçosos, albergavam os habitantes do costume, rãs, sapos, e bicharada miúda que íamos divisando no correr da água.


Aqui e ali, ainda um saco de plástico que algum parvo-maior por lá deixou ficar, como depósito de lixo mas, ainda assim, sem grande impacto na paisagem.

Também deparámos com um cidadão, com um canzarrão monumental, que considerou que o melhor do seu esplendor cívico era entreter-se a atirar ramos de árvore para a lagoa que a cascata forma, a fim de que o animalzinho de estimação os fosse buscar. E foi, sim senhor, muito bem mandado e com grande estardalhaço e reboliço da tal água límpida que, assim, deixou momentaneamente de o ser.

Mas isso, como é bom de ver, não foi culpa da paisagem… Nem as rãs ou os sapos são seres muito dados a reivindicações de qualidade de vida e outras minudências.

(nota de rodapé – é extraordinária a quantidade de vezes que, nos dias que vão correndo e em espaços de utilização pública, tropeçamos com um qualquer cidadão agindo como se tivesse a presunção de que o mundo foi feito só para ele…)