ele há coisas que a gente nem percebe…

Existia, em Oeiras, fronteiro ao Forte de São Julião da Barra e em terrenos que se tornaram pertença da NATO, um monumento sóbrio, discreto, ainda que digno, que celebrava Gomes Freire de Andrade, herói dos ideais liberais, figura grande de quem, em Portugal, pugna pela Liberdade.

Herói vítima de circunstancialismos históricos, condenado à morte em circunstâncias trágicas, às mãos de um torcionário, ocorrência que, alegadamente, teria tido lugar no local onde estava erigido o monumento/cruzeiro.  

Recomendo, aos interessados, para um mais cabal e ilustrado conhecimento do assunto, a leitura de Felizmente há Luar, de Luís Sttau Monteiro. E, também, Raul Brandão, Vida e Morte de Gomes Freire de Andrade, 4.ª ed., Lisboa, Alfa («Testemunhos Contemporâneos, 14»)  1990 – que podem ler em 

http://www.arqnet.pt/exercito/freire.html.

Também darão o tempo por bem empregue através da consulta à Wikipédia, em 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Gomes_Freire_de_Andrade.

Estão a ver aquele cantinho, no centro da fotografia aérea acima? Pois é, nunca percebi porque carga de água um monumento nacional sobre um herói português pôde, em algum momento, encontrar-se num local restrito e de acesso absolutamente condicionado.  Coisas…

Como se não bastasse, por força das impertinentes lógicas do extraordinário pato-bravismo reinante (apesar de em plena República…), um conjunto de «vontades» (ia dizer de interesses, mas…) decidiu que aquele pequeno espaço era absolutamente fundamental para erigir um mostrengo qualquer. E vai de trasladar o monumento sem que as forças vivas coniventes ou responsáveis prestassem contas a quem quer que fosse por  tal desmando municipal e nacional.

Pouco depois, do outro lado da via, a caminho de uma carruagem-bar, porventura com vergonha pela estultícia dos homens, o pobre monumento reaparece, escondido entre uns arbustos e, mais parecendo mera lápide funerária desviada de cemitério, depois dos tratos de polé infligidos àquele que o monumento homenageia, ficou como se pode ver, sequenciando (e, aparentemento, legitimando) o desmando do acima referido torcionário:

Alguém, avisado e informado, saberá dizer-me das razões profundas para tal despautério? Ou tratar-se-á apenas de um ligeiro período de hibernação até que ares mais saudáveis lhe devolvam a dignidade perdida?

Aqui fica, à consideração da Câmara Municipal de Oeiras, o testemunho de um português perplexo.

querido diário

O tempo. A falta dele. Esparso e inseguro.
Mas há-de haver mais. Um destes dias.
Ou «posto» novidades, trabalhando imagens e discorrendo ideias afora, ou me dedico a refrescar cada actividade em que me envolvo. Sempre intensamente. Sem intensidade, nem é.
Está um momento de viragem a chegar. Estou, pois, em fase de acolhimento.
E já lá dizia o «outro»: mesmo se soubesse que o mundo iria acabar amanhã, ainda assim plantaria uma macieira…
Vou até ali amanhar o terreno e já volto.