azulejos da estação de comboios de
Duas Igrejas (Trás-os-Montes)

No Nordeste Transmontano, com a incúria a que estamos tão (mal) habituados, jaz morta e arrefece a estação de comboios de Duas Igrejas.

Terminal da linha férrea de Trás-os-Montes, quedou-se esta por Duas Igrejas – não chegando a Miranda do Douro por meia dúzia de escassos quilómetros -, por ser ali o local dos silos cerealíferos da conhecida «campanha do trigo» do Estado Novo – sim, que também ocorreu em Trás-os-Montes e não apenas no Alentejo. Enfim, levar pessoas até à capital do concelho não faria falta… Bastava alcançar os cereais.

Por estas e outras razões que a razão vai desconhecendo, antes como agora fazem-se coisas estranhas que se deixam, depois, desfazer estranhamente sem que, entre esses dois tempos, o cidadão se sinta envolvido, participante ou cúmplice.

Chamo a vossa atenção para o curioso do cartaz afixado e para a circunstância de todo o interior do edifício estar a ameaçar ruína. Ou seja, o eventual roubo está acautelado; a mais que provável derrocada, não sabemos… Sem mais comentários, aqui ficam as imagens:

escultura a propósito da actual situação no Brasil

Fantástica escultura do artista dinamarquês  JENS GALSCHIOT. Uma justiça obesa, ociosa e parasita,  sustentada  pelo povo miserável e quebrado com sofrimento. Nenhuma imagem  conseguira  retratar, de forma tão fiel como essa, o Judiciário brasileiro. Deveria haver uma réplica em frente ao STF*, em Brasília.

  * Supremo Tribunal Federal

Será apenas no Brasil…?

inquietação encalhada

O cargueiro encalhou no baixio junto ao Bugio. Para além da rima intempestiva, nada de novo a assinalar.

Mas a informação absolutamente colateral de que o cargueiro transportará areia para Marrocos deixa-me na maior das perplexidades:

  • ou a minha ignorância tem transcendências insondáveis e, como se apura, inexploradas…
  • ou uma questão terá certa relevância e apropósito: areia para Marrocos? Mas, então, o Sahara não fica ali tão perto…?

festival da eurovisão

Posso proferir uma frase lapidar? Então, lá vai: o festival da eurovisão é o que é e vale o que vale. Pronto! Está dito.

Posto isto, não falarei muito da canção mais votada, defendida pelo Diogo Piçarra, da qual não me agradou a pompa do seu anúncio contra os desconchavos da Humanidade para depois ver a expectativa frustrada através de um poema fruste.

De facto, tenho alguma dificuldade em entender o alcance, o nível poético, o impacto ou, até, a intenção de

Podem fazer muros/Mas não tapam a alma/Tu olhas para tudo/E não vês nada   

Enfim, não acolhi, pois, com grande pesar a desistência de Diogo Piçarra por esta e outras razões.

Por outro lado, para mim, tendo perdido, já ganhou P’ra lá do rio, de Daniela Onís.

Qualidade poética, tema prontamente assimilável, boa interpretação e boa presença…

Deve ser um fado meu simpatizar ou escolher sempre quem perde. Ou é de mim ou será dos júris… Ainda que com tanta gente esclarecida que por aí anda, não sei…

ele há coisas que a gente nem percebe…

Existia, em Oeiras, fronteiro ao Forte de São Julião da Barra e em terrenos que se tornaram pertença da NATO, um monumento sóbrio, discreto, ainda que digno, que celebrava Gomes Freire de Andrade, herói dos ideais liberais, figura grande de quem, em Portugal, pugna pela Liberdade.

Herói vítima de circunstancialismos históricos, condenado à morte em circunstâncias trágicas, às mãos de um torcionário, ocorrência que, alegadamente, teria tido lugar no local onde estava erigido o monumento/cruzeiro.  

Recomendo, aos interessados, para um mais cabal e ilustrado conhecimento do assunto, a leitura de Felizmente há Luar, de Luís Sttau Monteiro. E, também, Raul Brandão, Vida e Morte de Gomes Freire de Andrade, 4.ª ed., Lisboa, Alfa («Testemunhos Contemporâneos, 14»)  1990 – que podem ler em 

http://www.arqnet.pt/exercito/freire.html.

Também darão o tempo por bem empregue através da consulta à Wikipédia, em 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Gomes_Freire_de_Andrade.

Estão a ver aquele cantinho, no centro da fotografia aérea acima? Pois é, nunca percebi porque carga de água um monumento nacional sobre um herói português pôde, em algum momento, encontrar-se num local restrito e de acesso absolutamente condicionado.  Coisas…

Como se não bastasse, por força das impertinentes lógicas do extraordinário pato-bravismo reinante (apesar de em plena República…), um conjunto de «vontades» (ia dizer de interesses, mas…) decidiu que aquele pequeno espaço era absolutamente fundamental para erigir um mostrengo qualquer. E vai de trasladar o monumento sem que as forças vivas coniventes ou responsáveis prestassem contas a quem quer que fosse por  tal desmando municipal e nacional.

Pouco depois, do outro lado da via, a caminho de uma carruagem-bar, porventura com vergonha pela estultícia dos homens, o pobre monumento reaparece, escondido entre uns arbustos e, mais parecendo mera lápide funerária desviada de cemitério, depois dos tratos de polé infligidos àquele que o monumento homenageia, ficou como se pode ver, sequenciando (e, aparentemento, legitimando) o desmando do acima referido torcionário:

Alguém, avisado e informado, saberá dizer-me das razões profundas para tal despautério? Ou tratar-se-á apenas de um ligeiro período de hibernação até que ares mais saudáveis lhe devolvam a dignidade perdida?

Aqui fica, à consideração da Câmara Municipal de Oeiras, o testemunho de um português perplexo.

apenas uma mensagem enfastiada…

O País foi agitado por uma não-notícia. Isto, o País, agita-se quase sempre por muito pouco. Enfim, se calhar ninguém saberá de que país se fala, mas lá que parece perturbar-se, lá isso parece.
O jornal (?) Expresso fala, há dias, de um relatório sobre o «caso de Tancos». O País estremece e entreolha-se, temeroso.
Há um Coelho e demais elementos da lura que rejubilam. Pedem a cabeça do ministro da tutela e, de caminho, de todo o resto da geringonça.
Há outros que «a-ver-vamos», mais prudentes…
Agora, sabe-se que a notícia é falsa e que não há relatório nenhum.
Eu sei que isto, no meio de tantas telenovelas da programação diária, entremeadas por futebol, não vale nada nem tem importância nenhuma, nesta espécie de disneylândia em que se vai transformando Portugal.
Mas não iremos ainda a tempo de esperar de alguma entidade oficial que mova, sei lá, um processozito por falta de verdade jornalística (?) deliberada e por promoção de distúrbio social ao jornal  Expresso ou, vá lá, ao rato mickey responsável por aquela notícia (?)?