reflexão natalícia (mas pouco…)

Assisto (assistimos) incrédulo ao afã com que inúmeras autarquias nos anunciam a queima do «madeiro do Natal ou do Ano Novo», como uma espécie de ex libris de engrandecimento da terra e respectivas gentes…

E, lá está, vemos, ouvimos e lemos e, se calhar por mau-feitio pouco esclarecido, percebemos mal. Pelo menos, eu não percebo mesmo nada.

Então, eles são os flagelos dos incêndios (sempre dantescos), ele é a emissão de carbono e de gases com efeito de estufa, ele é a salvaguarda do património florestal, elas são as famílias carenciadas sem lenha para se aquecerem, porque ao preço da electricidade não chegam, e os senhores autarcas a que temos direito o melhor que lhes ocorre é incendiarem um madeiro, durante dias a fio, para engrandecimento das terras?

Valha-nos um burro aos coices, como diria um velho professor que eu tive!

os cães e as vacas e alguma necessária racionalidade

Nada me move contra novas iniciativas partidárias, coisa (quase) sempre saudável, em Democracia, mormente se se trata de congregações que se predispõem a assumir o jogo democrático.

Mas o direito à opinião é um aspecto muito querido, também, deste jogo democrático. Vem a este propósito uma abordagem interessante que mão amiga me fez chegar e que aqui partilho, com a devida vénia, acerca de algumas abordagens algo peculiares que por aí circulam:

Já agora, acrescentaria eu que, ainda por cima, a grande generalidade das rações disponíveis no mercado são importadas, aspecto do qual a balança comercial decerto se ressentirá…

as eleições estão à porta…

(Ai, a pena que eu tenho de não ter tempo para me dedicar com mais e maior afinco a este meu cantinho, tão entregue ao abandono…)

Enfim, aí estão as eleições para a Assembleia da República. Votarei? Sempre! Acompanho a campanha? Nunca (com especial incidência no que se refere às diversas televisões)!

Mas com a arrogância que caracteriza aqueles que que presumem ter algumas convicções na vida, sempre vos digo que todos devemos votar. Nenhum cidadão é neutro. Isso é coisa que não existe.

Respiramos, comemos, bebemos… e tudo o mais que vos ocorra nós fazemos. E, mesmo quando presumimos o contrário, certo é que nunca o fazemos sozinhos. A montante ou a jusante dos nossos actos estão sempre os nossos semelhantes que, quando não partilham a execução dos nossos actos, colhem sempre o efeito dos mesmos.

Nenhum homem é uma ilha, não é verdade? Então, vote lá, se faz o favor. Não custa muito e vai ver que se sentirá, logo a seguir, um exemplar de homo sapiens muito mais livre.

O resto… é a vida, como dizia o outro.

nãoseinãotenhoideianãomelembronãotenhomemória

Há um novo tipo de indigência, neste mundo desigual em que vivemos, que reputo do mais confrangedor, pois mexe com aquilo que é tão único e distintivo no ser humano: a memória. Há quem a perca por sistema, quando, no demais, se apresenta a qualquer observador um aspecto saudável e escorreito. É, pois, um mal insidioso, não visível, e, não obstante, causador dos maiores constrangimentos, mormente para quem assiste à manifestação pública de tal doença. Os pacientes, esses, parecem não manifestar qualquer mal-estar ou desconforto, o que – convenhamos – motiva que não tenhamos pena dos pobres coitados. Vá lá…

Não sei se as bem-aventuranças contemplavam esta maleita quando se referiam aos «pobres de espírito», mas estou em crer que não.

Segue-se um vídeo cientificamente ilustrativo, para os mais incrédulos, da dimensão deste mal da civilização, socialmente tão pungente como o hemorroidal, tão tremendo como um crédito mal parado… 

afinal, em Portugal, falamos que língua?

Tenho um empenho antigo em Banda Desenhada. Nada difícil de explicar a quem partilhe este mesmo interesse, ainda que algo estranho para o resto do mundo, posso admitir.

Mas, por esse empenho, foi com alguma expectativa que acolhi o anúncio do lançamento, no passado mês de Março, de uma enorme (82 volumes) edição do Príncipe Valente sob patrocínio da Planeta deAgostini. Ei-la, com direito a publicidade gratuita e tudo.

Durou-me pouco o entusiasmo, pois logo após a aquisição do primeiro número tropecei com a seguinte informação:

«A Planeta deAgostini está a distribuir em Portugal a Colecção “Príncipe Valente” em português do Brasil, já a partir deste mês de Março.» (O itálico é meu).

Eu nem sei se é pela existência e pelas alegadas justificações do desconchavado «Acordo Ortográfico» que sempre me pareceu ser uma cedência envergonhada (e vergonhosa) ao tal «português do Brasil», que se me esverdeou mais a bílis…

Mas, em Portugal, berço da língua portuguesa, lançar uma publicação desta envergadura em «português do Brasil» levanta-me, de imediato e entre várias outras, uma pequena e mesquinha questão: quantas publicações já foram lançadas, no Brasil, pela Planeta deAgostini em português de Portugal?

Esta questão – que alguns rotularão apressadamente de xenófoba, sem que isso me preocupe, aliás – prende-se com aquela outra da existência de diversos repórteres de exteriores, nomeadamente da SIC, que, sendo cidadãos brasileiros, ostentam orgulhosamente o seu sotaque, mais ou menos cerrado, na produção de informação, ocasional, embora, mas em horário nobre.

Aqui, a questão que se me coloca – obviamente com a mesma dimensão de mesquinhês da anterior – é a seguinte: porque não ouço algum sotaque nortenho ou o alentejano ou, ainda, o mirandês – este por maioria de razão e direitos de cidadania, se assim se pode colocar a coisa… – nesta mesma estação televisiva?

Será que estamos em presença de um assumido movimento colonizador ou é apenas a mera parolice do costume, de subserviência perante «o que é de fora»? Tendo a considerar que se trata de uma mistura de ambos os componentes, em que ressalta a força do poder económica sobre tudo e sobre todos, onde as «quintas colunas» desempenham o seu papel do costume?

(Alguém se lembra, ainda, do que eram as «quintas colunas»? Eis mais uma prova de como estou a ficar antigo…)