uma provocaçãozinha, em modo poético…


… após leitura de poemas de «autores consagrados» que li aqui e ali – alguns de vós entendereis melhor o alcance da proovocaçãozinha, mas nem todas as cumplicidades podem ser do mesmo tamanho.


Se, em tempos, escrevi um «pastiche» de José Saramago que mereceu um comentário elogioso do próprio – e acreditem porque sou eu a dizê-lo! – porque não enveredar por caminhos poéticos algo diversos dos que me são habituais? Ora, lede e vede:


A modos que um poema pós-moderno
vejo-me daqui ali sem sair de onde estou
as cadeiras em meu redor despertam o silêncio
dançando um tema de Gardel
numa esgrima de pernas tentacular
em amontoados de mobília sem sentido
o som dolente do tango
funde-se numa valsa estranhamente austríaca
onde os violinos são como gôndolas venezianas
mergulhadas em glaucos abismos
de estridências vibrantes
e eu e tu sozinhos sob uma aurora boreal
pressentimos o desejo do solstício


ah se uma gaivota portuguesmente voasse nos céus de Phuket
outro galo nos cantaria
na urbanidade de Auckland
onde pai e mãe me afagam na derradeira carícia
antes da tempestade

somos tão poucos a voar que parecemos todos
pequenos
vistos da lonjura
de estarmos aqui e ali sem sairmos de onde estamos…

  • Jorge Castro
    10 de Outubro de 2020

a propósito do distanciamento social

Porque em situações adversas a criatividade pode ser salutar, aqui fica uma sugestão e um apelo à indústria nacional: que tal criar e produzir massivamente uma protecção para o imperioso distanciamento social como aquele que se apresenta na imagem anexa? Já viram o impacto que teria nos transportes públicos, nas idas aos mercados… eu sei lá! E, passado o vírus, poderia ser utilizado como casota para o cão, galinheiro, casinha de brincar para os filhotes, etc., etc.,,,

Houve, até, quem me sugerisse que poderia ser electrificada!

premonições…

Porque isto anda tudo ligado, aqui fica uma prova irrefutável de que a Banda Desenhada é uma arte superior, com plenos direitos de cidadania, no mundo das artes e não só…

Em 2017, continuando a saga do Astérix, agora pela mão de Jean-Yves Ferri e de Didier Conrad, foi lançado o livro Astérix e a Transitálica.

E o nome do condutor misterioso era…? E passava-se o enredo em…?

 
página 14
página 16
página 41

Digam-me lá se isto não é absolutamente extraordinário…!

meninos, vamos ao vírus…

(Cansado, muito cansado com o matraqueamento viral a que vimos estando sujeitos, dei por mim a escrever disparates, que é uma terapia de equilíbrio mental que muito prezo e muito me ajuda a sobreviver…)

– para ser cantarolado com a popular modinha Meninas, vamos ao vira…

meninos

vamos ao vírus

ai

que o vírus anda em Lisboa

constou-me que já o viram

ai

às voltas pl’a Madragoa

os vírus são giros

estão cá p’ra ficar

apanhamos vírus

que eles andam no ar

umas vezes dados

sem pedir ninguém

outras emprestados

por meio vintém

se me espirras para cima

ó ai

vais dar comigo em doente

espirra então para o ar

ó ai

que contaminas mais gente

uns tipos matreiros

outros folgazões

poucos verdadeiros

muitos aldrabões

maldições, desgraças

e males de pasmar

que por mais que faças

vais ter de apanhar

não me digas que é de Marte

ó ai

que nos vem a virulência

vais ver que é daquela parte

ó ai

onde falece a ciência

são vírus de porcos

de vacas também

e o das avezinhas

não poupa ninguém

fico duvidoso

de tanta maleita

parece que o demo

anda à minha espreita

e no fim de tudo

iremos morrer

se não for do vírus

é por ter de ser! 

Pum, pum…!

– Jorge Castro, em 04 de Março de 2020

nãoseinãotenhoideianãomelembronãotenhomemória

Há um novo tipo de indigência, neste mundo desigual em que vivemos, que reputo do mais confrangedor, pois mexe com aquilo que é tão único e distintivo no ser humano: a memória. Há quem a perca por sistema, quando, no demais, se apresenta a qualquer observador um aspecto saudável e escorreito. É, pois, um mal insidioso, não visível, e, não obstante, causador dos maiores constrangimentos, mormente para quem assiste à manifestação pública de tal doença. Os pacientes, esses, parecem não manifestar qualquer mal-estar ou desconforto, o que – convenhamos – motiva que não tenhamos pena dos pobres coitados. Vá lá…

Não sei se as bem-aventuranças contemplavam esta maleita quando se referiam aos «pobres de espírito», mas estou em crer que não.

Segue-se um vídeo cientificamente ilustrativo, para os mais incrédulos, da dimensão deste mal da civilização, socialmente tão pungente como o hemorroidal, tão tremendo como um crédito mal parado… 

fui (fomos) reclassificado(s)… (?)

Presumo tratar-se de anedota… ou, talvez, não. Mas atendendo à sua laracha, aqui fica. Na verdade, fui, ao longo da vida, recebendo reclassificações profissionais, nomeadamente, que quase nunca fizeram grande sentido. Porque não mais esta?

OMS reclassifica conceito de jovem / idoso

Anteriormente, uma instituição Inglesa (Friendly Society Act) definiu, em 1875, que idosos eram indivíduos a partir de 50 anos…

A Organização Mundial de Saúde (OMS), terá feito uma nova avaliação do conceito de «ser jovem, ter meia idade e ser velho»…

01) menor de idade: 0 a 17 anos (alguns de 17, na verdade, parecem… – felizmente, nem todos);

02) jovens: 18 a 65 anos (este «alargamento» deixa-me cheio de um contentamento pueril ainda que inconsequente);

03) meia idade: 66 a 79 anos (exactamente onde se encontra a virtude: no meio! Lamentavelmente, nesse mesmo «meio» muitas outras coisas se vão perdendo…);

04) idosos: 80 a 99 anos (coitados…!);

05) idosos de longa vida: maiores de 100 anos (poderia sugerir-se a designação de idosos p.c. ou, até, gestores do tempo séniores, sei lá…).

  • Os itálicos são de minha responsabilidade.