viva o 1º de Maio!

No primeiro 1º de Maio após o «dia inicial, inteiro e limpo» também lá estive…

era o 1º de Maio de 74
e Abril fluía pelas ruas como nunca visto
e eu vi
senti
fiz parte do acto
e por assim ser ainda bem que existo!

(fotografias de Jorge Castro)

do quotidiano delirante de Miguelanxo Prado ao incomensurável delírio em que vivemos hoje

Uma confidência: gosto muito de banda desenhada. Boa ou má, será meu o critério. Há, entretanto, um autor que aprecio sobremaneira: o galego Miguelanxo Prado.
Tem um trabalho que me caiu especialmente no goto: Quotidiano Delirante. Conhecem? Se não, tentem não perder.

E vem isto a propósito de quê? Do quotidiano delirante que colho na leitura de notícias frescas, em que nos apercebemos de desequilíbrios estranhos no mundo em que vivemos e em que ficamos com suspeitas de que há para aí uns tipos a injectar substâncias proibidas. Ora vejam quatro exemplos… que nem vou comentar, por desnecessário:

  • A Diocese de Angra, na Ilha Terceira, Açores, decidiu colocar os funcionários e alguns padres que dependam em exclusivo dos rendimentos das suas paróquias no regime de lay-off devido à crise provocada pela pandemia de covid-19.
  • “Se houver quem ponha aquele espaço a funcionar como uma câmara de gás, eu pago o gás”. Foi com esta “piadola” que um coordenador da Câmara da Trofa terminou um post sobre as comemorações do 25 de Abril na Assembleia da República. Entre os 17 “gostos” estava o presidente da Câmara, Sérgio Humberto.
  • De Espanha chega uma notícia inesperada. As autoridades de Zahara de los Atunes, em Cadiz, decidiu desinfetar dois quilómetros de praia com doses de lixivia.
    O objectivo seria tornar o areal seguro para os passeios com as crianças que finalmente puderam sair de casa. Porém a desinfeção colocou em risco as dunas e matou muitas espécies marinhas.A decisão já foi considerada uma aberração ambiental e a autarquia já admitiu o erro e apresentou um pedido de desculpas.
  • Patrões propõem entrada do Estado para segurar empresas durante a crise.
    CIP defende criação de um fundo que, à semelhança do capital de risco, ajude as empresas em dificuldade. A ideia é complementar o crédito, que está a esgotar-se.
    O tecido empresarial português nunca gostou muito do capital de risco. Mas “entre a vida e a morte, as opiniões mudam”, atalha António Saraiva, cuja direcção ainda está a trabalhar na proposta que pretende pôr em cima da mesa na próxima semana.

Gostaram? Querem mais? Em qualquer periódico junto de si! Mas tentem proteger-se destes efeitos colaterais maléficos.

Carlos Alberto Ferreira

– não deixo de me comover com a imagem deste herói solitário, descendo a Avenida da Liberdade, em 25 de Abril de 2020…

Carlos Alberto Ferreira
assim mesmo
sem mais ser
desce a Avenida liberto
e a Liberdade é seu nome
é o que tem de mais certo
que assim se fez ao nascer

desce a passo compassado
leva com ele o pendão
que dá nome a uma nação
e sobre os ombros transporta

leva o pendão em penhor
de um destino maior
futuro que mais importa

Carlos Alberto Ferreira
desce trajado a rigor
a Avenida
e é senhor
da verde e rubra bandeira
que nas suas mãos é a flor
de em Abril florescer
para uma nação inteira.

  • Jorge Castro – 28 de Abril de 2020

(fotografia da autoria de José Sena Goulão, publicada pela Associação 25 de Abril)

25 de Abril de 2020 – 46 anos depois da Revolução

QUADRAS DE ABRIL – 2020

deste Abril eu sei o mar
de esperançosas caravelas
sei de Abril o ser e o estar
de brumas ou mar de estrelas

sei de Abril o amanhecer
como se em palco um ensaio
nos fizesse aperceber
os fulgores do mês de Maio

sei de Abril quanto é de nós
sentir da terra o alento
de se ouvir a nossa voz
p’ra onde a levar o vento

sei de Abril quanto é de mim
sentir da terra os fulgores
que me fazem ser assim
entre ódios colher amores

e entre as quatro paredes
do quarto onde me confino
lanço ao mar as minhas redes
e faço de Abril um hino

sei desse Abril na clausura
como nasce uma vontade
de pressentir a aventura
na ânsia de liberdade

e saber de um mundo novo
mesmo ao alcance da mão
saber que ali entre o povo
é que mora o meu irmão

já vejo a florir um cravo
rubro verde e senhoril
haja acalmia ou mar bravo
porque Abril é sempre Abril!

Jorge Castro
25 de Abril de 2020