não há festa como esta – no 50º aniversário da Festa do Avante

Contra os canhões, marchar, marchar, sempre me pareceu uma ideia pouco razoável e de resultados duvidosos.

Mas contra os aldrabões já me parece mais sensato haver festa como esta…

Porque considero que cada testemunho é útil, cá fica para memória futura:

– Estive, sim senhor, na comemoração dos 50 anos da Festa do Avante. Por males meus não pude estar a tempo inteiro, apesar de ter desfrutado tanto quanto pude da minha entrada permanente. Consegui, então e ainda assim, marcar presença nos três dias.

E nem vos conto o que por lá vi. Quem lá foi, sabe. Quem não foi e gostaria de ter ido… para o ano há mais. Para os imbecis que criticam sem conhecerem, recorrendo até à mesquinhez do preço da entrada, esses podem, no mínimo e em minha modesta opinião, ir lamber sabão.

Para mim foi um papinho cheio. Houve momentos em que me pareceu estar no meio de Woodstock; logo a seguir, subia ao Largo do Carmo a vitoriar Abril; corri pela irreverência de Ney, pela lhaneza de Tim, pela mestria de Pedro Jóia ou pela emoção de J.P. Simões. Vibrei com as batucadeiras da Quinta da Princesa. João Vieira evocou Cuba e Mário Laginha espantou o piano.

Gente? Público? Participantes? Tomem lá nota: para cima de largas dezenas de milhares em cada dia. E quem disser o contrário mente.

As ruas da Quinta da Atalaia rivalizavam com as ruas do São João do Porto, mas sem martelinhos. Mas que foram substituídos por um espírito solidário que ressaltou, aos meus olhos, em inúmeras situações. E num corrupio entre palcos, entre iniciativas, entre exposições e sei lá que mais. Sem pimbas, nem lantejoulas, enfim, sem merdas.

Também por lá divisei o Pais Mamede, o Galopim de Carvalho, gente que gosto de ouvir porque sabem do que falam e fazem-se bem entender.

E, a par dos imensos idosos – tantos deles velhos militantes com muita história para contar -, um não menor mar de gente nova, aos saltos, no namoro, no improvável acompanhamento de temas que nasceram muito antes deles…

Claro que não sou do PCP. E depois? Certo, certo é que não há festa como esta!

Ainda a propósito dela, para a qual não resisti e tive de levar máquina fotográfica – pois nem todos os dias se celebram 50 anos – aqui partilho uma mão cheia de imagens, ainda que muito, muito longe de serem fiéis a tudo quanto vi e ouvi, para além daquilo que já não consegui alcançar…

Celebração do 52º Aniversário do 25 de Abril de 1974 – outras iniciativas com a Espaço e Memória – Associação Cultural de Oeiras

Nas diversas iniciativas promovidas pela Espaço e Memória, articuladas com a minha exposição fotográfica, 25 de Abril ’74 – 52 Anos, teve lugar, em 09 de Maio de 2026, na Casa da Malta (Oeiras). uma visita guiada dedicada à Rede de Cidadania de Oeiras (RCO).

Visita muito participada, para além do autor contei também com o João Paulo Oliveira que cantou Abril, através de poemas de minha autoria. José Fanha brindou-nos, também, com bons momentos alusivos a esta nossa iniciativa.

Algumas imagens, da autoria de Lourdes Calmeiro:

25 de Abril, sempre!

Celebrando Abril, o de 74, evidentemente, será inaugurada uma exposição de fotografias, de minha autoria, na sede da ESPAÇO E MEMÓRIA – Associação Cultural de Oeiras, de que se anexa cartaz-convite:

Também por Abril e a 25 sempre me nasce um poema. Cá ficam quatro quadras de 2026:

Outras quadras de Abril

lançada à terra a semente

de onde um cravo brotaria

fez-se da semente gente

brotando dela a alegria

era a manhã de algum dia

nascido de outra maneira

de Sophia a poesia

de rubro cravo a bandeira

e a alegria de ser livre

de trazer outra verdade

de trazer um novo alento

de o tempo ser liberdade

também floriu a campina

o monte o vale o esquecido

e ouviu-se gritar nas ruas

o povo unido jamais será vencido!

– Jorge Castro

25 de Abril de 2026

Algumas imagens da inauguração, da autoria de Lourdes Calmeiro:

Algumas imagens, da autoria de Carlos Ricardo:

2026 – votos de feliz e fecundo ano novo

Dedicado às minhas amizades… e, já agora, às demais também, que têm direito à vida – ainda que, por vezes, não tanto ao que fazem dela:

– Tal como o Sol que faz o obséquio de nos nascer todos os dias, assim a esperança, assim cada novo ano.

Assim a expectativa, para cada um, de que vá melhorar tudo aquilo que – como nos diz o canto tradicional – «para melhor está bem, está bem, para pior já basta assim»… Haja saúde, busque-se a alegria, alimente-se a esperança, contrarie-se a acomodação, se doentia.

Como me disse um velho combatente em prol da Humanidade, fazendo votos de um bom e fecundo ano de 2026 (que torno extensivo a todos vós) e a que acrescento a evocação de Manuel Alegre, «mesmo na noite mais triste», a luta continua!

Nota – a fotografia, de minha autoria, que aqui se publica, traz-nos um pequeno exemplo do Sol e da falta de sentido dos actos que alguns, debaixo dele, perpetram.