Semana da Poesia

Semana pródiga, esta, em homenagear poetas e seus poemas.

Já para amanhã, dia 20, pelas 18 horas, no bar Beer Hunter, em Oeiras (junto à estação de comboios), o grupo habitual dos encontros neste local, confraternizará em torno da figura do companheiro e amigo que recentemente nos deixou: Mário Piçarra.

Depois, no dia 21, terá lugar a segunda Maratona de Poesia de Oeiras, que ocorrerá em vários espaços culturais do centro histórico de Oeiras, em mais de 50 eventos, a partir das 18 horas e até às 24 horas, com organização de José Mendonça – ver mais detalhes em http://www.espacoememoria.org/21-de-marcomaratona-da-poesia-de-oeiras-2019/.

No dia 23, nas Caldas da Rainha, pelas 15 horas, também em comemoração do Dia Mundial da Poesia, terá lugar, na Biblioteca Municipal das Caldas da Rainha e com organização da Comunidade de Leitores e Cinéfilos das Caldas da Rainha um encontro de que anexo respectivo programa: 

Mário Piçarra(1947-2019)

Mário Piçarra, amigo querido de longa data deixou-nos. Concluíra, recentemente, um cd com 12 temas, que dedicara a seu pai, o conhecido tenor Luís Piçarra, e à sua tia, Maria José Ramil Figueiredo, bióloga e poetisa, que teve um papel fundamental para o seu regresso à música e às canções, cd esse com o título genérico de CLARIDADE, documento primordial para apreciarmos e entendermos as suas vertentes de compositor e intérprete.

Claridade era, também, uma obra que Mário Piçarra dedicara à sua filha Clara e às duas netas, Sara e Maria, os encantos dos seus dias.

Tive a honra de escrever um dos preâmbulos deste cd, que aqui vos deixo:

Ao Mário Piçarra 

De frente para o mar, num sol poente onde a linha do horizonte escurecia, de olhos postos na lonjura e na distância, uma vida atrás do olhar se embevecia.

E sorvia de uma brisa um vendaval, em cada onda o fragor de uma utopia, de um sargaço a sugestão de algum abraço e, assim, ao rés do mar, acontecia.

O Mário e o mar, de onde lhe chegam os ecos do mundo todo, sonoridades de guitarra portuguesa em simbiose com dolências crioulas, envolvidas por fragrâncias campesinas e rumores de regato montanhoso, a evocar uma canção de protesto ou um grito de humanidade.

Os amigos amou e, daí, tantas vozes se pressentirem entrecruzando a sua, melodia a melodia, poema a poema, em cadências, entoações, e sempre livre…

Eis o homem, de olhar atento e em cada dia voltando a nascer, teimosa e porfiadamente, com um novo alento de CLARIDADE.

– Jorge Castro

E se um homem é imortal enquanto a sua memória, nalgum lugar, for invocada por alguém, em nós permanecerá, então, esse preito de amizade e reconhecimento.

outro dia de aniversário

olha

fiz 67

– mas que frete!

 

eu pr’àqui tão no meu canto

e assim

de supetão

o calendário

quebra o encanto

e vira o meu dia ao contrário

 

a partir de certa altura

a criatura

ganha pouco ou quase nada

em ficar dura

enrugada

anquilosada e sem viço

 

o melhor

para o que venha

é não se pensar mais nisso…

 

– Jorge Castro

24 de Fevereiro de 2019

Venezuela – outro modo de ver a crise

Perdido (ou quase) na informação a que querem que tenhamos direito, por entre derivas autoritárias e autoproclamações mais do que duvidosas, aqui divulgo um comentário acabado de chegar ao meu conhecimento que enriquece o caleidoscópio informativo. E, talvez até, nos ajude a ter outro modo de ver. Com a devida vénia e sem comentários (desnecessários):

Tradução  para português:
ESQUECIMENTOS
O presidente francês, Emmanuel Macron, intimou Nicolas Maduro  para que não reprima a oposição, MAS ESQUECE-SE das 3.300 prisões e dos 2.000 feridos resultantes da repressão do movimento dos coletes amarelos.
O presidente do governo espanhol, Pedro Sanchez, deu 8 dias a Nicolas Maduro para organizar eleições, MAS ESQUECE-SE que deve o seu posto a uma moção de censura e não a eleições livres.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusa Nicolas Maduro de não ser o presidente legítimo porque foi apenas eleito por 30,45% dos eleitores inscritos, MAS ESQUECE-SE que foi escolhido somente por 27,20% dos eleitores dos USA.
O presidente da Colômbia, Ivan Duque, berra contra a “narco-ditadura venezuelana”, MAS ESQUECE-SE que 65% da cocaína mundial é fabricada na Colômbia, beneficiando da complacência das autoridades do país. 
O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, está preocupado com os direitos humanos na Venezuela, MAS ESQUECE-SE que declarou que os movimentos sociais que se oponham às suas políticas seriam considerados como organizações terroristas.
 O presidente argentino, Maurício Macri, acusa Nicolas Maduro de ser um corrupto, MAS ESQUECE-SE que só o seu nome aparece nos Panama Papers e não o do presidente venezuelano.
Portugal deplora a crise venezuelana que, segundo a ONU, levou 7.2% dos Venezuelanos a emigrar, MAS ESQUECE-SE que 21% dos portugueses tiveram que abandonar o seu país e vivem no estrangeiro, segundo as mesmas fontes.
O presidente do Peru, Martin Vizcarra, berra contra a ditadura na Venezuela, MAS ESQUECE-SE que foi nomeado sem um único voto popular, em substituição do presidente anterior, destituído por corrupção.
No Reino Unido, os dirigentes denunciam os ataques à liberdade de expressão na Venezuela, MAS ESQUECEM-SE que mantêm, sem algum motivo válido, o jornalista Julian Assange em reclusão.
A Bélgica alarma-se da situação da economia venezuelana, MAS ESQUECE-SE que em Bruxelas, a empresa Euroclear retém 1.25 bilião de dólares que pertencem ao Estado venezuelano.
Estas acusações invertidas, próprias a esta “escola do mundo ao contrário” descrita por Eduardo Galeano, fazem parte do mudus operandi da propaganda contra a Venezuela. Elas visam a preparar a opinião pública internacional à legitimidade de uma ação violenta contra o Povo Venezuelano.
As bombas mediáticas já começaram a chover.

Romain MIGUS

amanhã, nas Caldas da Rainha,com Maria Portugal

Amanhã, dia 26 de Janeiro (sábado), na Biblioteca Municipal das Caldas da Rainha, pelas 15 horas, com o apoio da Comunidade de Leitores e Cinéfilos das Caldas da Rainha, farei a apresentação do livro Uma Palavra à Solta, de Maria Portugal.

Podem ver mais pormenores, aqui: