pão caseiro confinado

Hoje está a dar-me mais para o serviço público. E, assim sendo, publico algo que vimos fazendo cá por casa… pelo menos até que os açambarcadores não limpem a farinha toda dos mercados. Segue imagem do produto final, que aperfeiçoamos a cada dia que passa e que está ao alcance de (quase) todas as bolsas. Apresento, também, a receita, em forma de exercício «enquadrado». Trata-se então do PÃO CASEIRO CONFINADO:

ontem eu fiz um pãozinho
hoje um pãozinho farei
e amanhã devagarinho
faço o pão como eu cá sei

junto à farinha algum sal
junto ao sal algum fermento
e misturo o farinhal
amassando a meu contento

e depois de levedar
ponho o chouriço e o toucinho
embrulho tipo folar
e espero um bocadinho

o bocado já passado
toca de ir para o forno
que não esteja assanhado
p’ra não queimar o contorno

passada uma meia horita
e depois de arrefecer
um tintol que me espevita
… e então é só comer!

Jorge Castro
06 de Abril de 2020

NOTA DO AUTOR – Pode, até, distribuir-se pela vizinhança, atirando-o de janela a janela. Para tal, deve moldar-se a massa em forma de disco voador, como quem brinca na praia…

uma pequena vaidade…

Há alguns meses atrás fui contactado por uma plataforma de educação brasileira, o SAS Iconografia (https://jobs.kenoby.com/saseducacao), que me solicitou permissão para integrar um poema de minha autoria (poesia visual) numa sua publicação didáctica.

Autorização concedida, eis que me chega o meu poema e a página onde se encontra publicado. Pela sua curiosidade e pelo interessante conjunto de questões formuladas no mesmo, aqui fica, como razoável exercício de vaidade… e não só.

participação no livro
Manual – Principiantes de Pau-Luta – Arte Marcial Portuguesa

Por entre as diversas participações em que muito me honra ter o meu nome associado, desta feita surge uma obra, de há longo tempo esperada e que daqui saúdo, como primoroso exemplo de mais uma manifestação cultural muito portuguesa: Manual – Principiantes da Pau-Luta – Arte Marcial Portuguesa.

Da autoria de Manuel Monteiro e de Álvaro Santos Pato, este último antigo conhecimento das lides da Poesia Vadia, na Livraria Ler Devagar, ao Bairro Alto, que em boa hora me sugeriu a criação de um poema para integrar esta obra, tão original quanto necessária e que foi lançada ontem, dia 04 de Maio, na Cinemateca, em Lisboa.

capa sobre pintura de Dinara Slonimskaya

Respigo do texto de apresentação: Este manual de ensino foi concebido como um instrumento de trabalho elaborado fundamentalmente para quem quer aprender ou aperfeiçoar a técnica do manejo do pau.

A arte, tão genuinamente portuguesa, da luta do pau na qual, como em tantas outras coisas, parece muito pouco termos a aprender com «os de fora», e cujas origens se perdem nos tempos primordiais da pastorícia…

E, já agora, uma pequena curiosidade: sabem qual o nome da árvore que fornece a matéria-prima para os paus? Pois trata-se do lódão ou lódão-bastardo (celtis australis L.), árvore comum em Portugal. E, já agora, resistente ao fogo…

desperdiçados de todo o mundo, uni-vos!

Pois é… Nas deambulações matinais no esplêndido areal de Carcavelos, hoje, deu-me para a recolha de desperdícios que o mar traz à costa. E são tantos, senhores, que a melhor boa vontade se revela, rapidamente, incapaz de capaz cumprimento!

Mas, enfim, o lixo que eu retire não fica lá, como diria algum avisado senhor de la Palice. E assim foi que recolhi tanto quanto um providencial saquinho – de plástico, também, claro –  me permitiu.

Pazinhas, baldinhos, brinquedinhos – como me ocorre de um pregão que ouvia na infância balnear -, tudo por ali pulula, ponteado profusamente por tampinhas, restinhos de redes e fiozinhos de pesca e miríades de pauzinhos de cotonetezinhas. Um verdadeiro bazar a céu aberto, do qual se diria que apetece basar quanto mais depressa melhor…

Chegado a casa, despejado o espólio da caçada de uma escassa meia-hora passada no areal, falta, ainda, separar os lixos vários, mormente as tampinhas que servirão, talvez e numa lógica assaz inconsistente, mas que lá vou cumprindo, para adquirir cadeirinhas de rodinhas para instituiçõezinhas que estejam mal instituídas, coitadinhas, mas que precisem para os seus eventuais utentes.

Ainda assim e mal por mal, sempre é coisa mais coerente do que o banquinho alimentarzinho da Isabel Jonetezinha, onde, como alguns sabem e outros fazem por não pensar nisso, quem mais ganha são as grandes superficiezinhas.

convites
– exposição de aguarelas de Eduardo Barata
– espectáculo do MALTA Grupo de Teatro

Caríssimos, aqui ficam duas sugestões para o próximo dia 02 de Novembro e seguintes (ainda que não coincidentes no tempo) em que estão envolvidos dois amigos – Eduardo Barata e Miguel Partidário – que me merecem confiança e consideração e cuja evolução tenho acompanhado com agrado. Os respectivos cartazes contêm a informação necessária para vos levar a bom porto. Se puderem, apareçam. Creio bem que, num caso como no outro, não dareis por mal empregue o tempo:

qual gourmet qual carapuça…!

Então, a coisa é assim:

Sardinha da boa – sim, que neste altura é muito melhor do que nos santos…. – grelhada a preceito, isto é, sem nada mais do que uma pitada de sal e bastando-lhe duas voltas na grelha.

O vinho pode ser verde branco, estupidamente gelado, como se diz na canção.

O preceito da sardinha recomenda, sem imposições, que o animal repouse em fatia de pão (saloio, de forno a lenha e sem os imensos buracos que se tornaram hábito…) no momento da degustação. Assim, o faneco vai ficando impregnado do mais suculento que a sardinha nos reserva, bicho após bicho.

Trata-se, após a última sardinha, de levarmos o pão aos restos do grelhador e deixá-lo, por lá, alguns minutos, até adquirir a consistência de uma torradinha matinal.

Depois, com a maior volúpia  e o que resta do vinho verde, fazer-lhe as devidas honras. Gourmet para quê?

Foi, decerto e também, a pensar num faneco assim afeiçoado que o Camões nos disse que melhor é experimentá-lo que julgá-lo