o verdadeiro Capitão Gancho era português… – mas alguém duvidaria…?

Fui, há dias, em visita à muito interessante exposição Entre a Cruz e o Crescente – o resgate de cativos, patente na Torre do Tombo, em Lisboa, e associada à evocação dos 800 anos da fundação do Convento da Trindade de Lisboa,  que recomendo vivamente, pois dá elaborado testemunho de uma circunstância histórica muito pouco divulgada: o resgate dos captivos, que se revela, muito para além de mero exercício de soberania em conflitos vários entre países, mais como um lucrativo negócio, institucionalizado em diversos momentos da História.

A exposição desenvolve-se em torno dos seguintes temas:

  • A Ordem da Santíssima Trindade – a presença em Portugal
  • Um negócio piedoso – a apreensão de captivos
  • Uma obra mui nobre e pia – o resgate de captivos
  • O Convento da Santíssima Trindade de Lisboa – 800 anos de História

E assim foi que, nesta exposição, descobri a existência de um captivo – nascido lá pelos idos de 1656, no lugar da Ribeira dos Flamengos, ilha do Faial, nos Açores – de sua graça José Cardoso, em prestação de serviço como tripulante em nau portuguesa, que fora aprisionado  por navio pirata de Argel, com a idade de 18 anos.

Aos 42 anos, após uma vida repleta de aventuras mais ou menos desgraçadas – foi de escravo a capitão de embarcação pirata, e tendo, entretanto, adoptado o nome de Mustafá Gancho, esse mesmo! -, acaba nas mãos da nossa Santa Inquisição, após captura da embarcação que, na altura, capitaneava, acusado de ter aderido à fé muçulmana…

O nome estranho seria proveniente do senhor turco a quem fora vendido como escravo (Mustafá) e o Gancho estaria associado a uma deformação na mão direita, resultante de ferida em combate, pelo qual passou a ser conhecido.

Mas há lá alguma costura do mundo onde não tenha estado um português a meter o nariz? Até o Capitão Gancho!!!

E quantas aventuras cinematograficamente desperdiçadas! À consideração do Presidente Marcelo, a eventualidade do resgate da sua imagem aventureira…

Se subsistirem dúvidas nos vossos espíritos, podem sempre consultar as fontes:

http://arlindo-correia.com/100513.hotmail

http://wwlw.rtp.pt/acores/graciosa-online/o-pirata-dos-flamengos_51019

NOTA FINAL – Eu sei que o folheto da exposição refere «o resgate dos cativos». Mas não consigo habituar-me à ideia de que esses tais «cativos» possam tê-lo sido através de alguma «catura»… Assim, pois, CAPTIVOS, vítimas, sim, de uma eposódica CAPTURA.

 

finalmente, a caminho da imortalidade!

Como já lá dizia o outro, a vitória é difícil mas há-de ser sempre nossa!

Hoje, em momento de raríssima e inusitada elevação, no excelso e imorredoiro programa televisivo chamado de O Preço Certo e quando nele tropeçámos em zapping exploratório (que, afinal, ele há coincidências…!), um concorrente oferta ao apresentador Fernando Mendes, com proveniência da Junta de Freguesia de São Domingos de Rana, nada mais, nada menos do que… AQUELE livro, exposto, logo mais, com galhardia ostentatória!

Ó deuses das coisas pequenas, aqueles que não cessam de se espantar saúdam-vos!

E aqui vos deixo testemunho, para memória futura (não, não se trata de nenhuma montagem fotográfica):