Em 2012, a Câmara do Porto aceitou a doação da estátua “Amores de Camilo”. Essa doação foi aprovada pelo Executivo Municipal, motivo que impede que seja retirada (felizmente…).
«que terão eles visto na estátua que eu não vi nem viste tu? perturba-os a senhora nua ou o Camilo não estar nu?» – isto vai dizendo o Eça à Verdade que ele enlaça…
ah houvera quem vos dera no vosso alvar frontispício mesmo em retórico exercício senhores donos do pudor com um bronze ou um granito que vos esculpisse algum grito sem vos causar mal maior mas recentrando a esfera da cabeça… se a tivéreis
não sabeis vós que a nudez afinal foi quem vos fez? ou será que a vossa afronta vem de algo de pouca monta que sem força não ergueis – falo eu do argumentário que de frustre e passadista mais soa a reaccionário com presunção moralista
«olhai bem para o que eu digo não cuideis de quanto eu faço» diz o abade ao abrigo de seus filhos no regaço… não sejais tais sacripantas sacristas ou até eunucos tudo em redor conspurcando com seus aleivosos mucos
não frequentais vós as praias oh cruzados da moral? não vos perturbam as belas com tanto fio dental? que mostra mais do que esconde quanto na mulher avonde e é de si primordial?
deixai-vos lá dessas tretas ou armados em ascetas proibireis o areal?
Para memória futura, a nossa evocação/homenagem a Natália Correia, na Biblioteca Municipal de São Domingos de Rana (a quem se agradece o convite e a disponibilização das instalações), sessão que correu muito bem, sim, senhores, e que teve uma casa completamente cheia!
Apresentação de Irene Cardona
Canções por João Paulo Oliveira
Poemas por Jorge Castro
… e a presença constante de Natália Correia.
Fotografias de Lourdes Calmeiro e de Carlos Ricardo.
No dia em que se celebram os 100 anos do nascimento de Natália Correia quero aqui destacar dois aspectos que considero primordiais na sua vida e na sua obra: o inconformismo militante e a irreverência permanente.
Natália diz-nos, também, que o poeta deve ter uma intervenção política e, se olharmos atentamente, não foram raros os casos entre a plêiade de excelentes poetas portugueses do nosso século XX cuja intervenção na «res publica» foi o pilar maior do seu destaque, a par da sua mestria, e por isso se mantêm como referências duradouras.
Natália, seguramente, mas também Pessoa, O’Neill, Gomes Ferreira, Aleixo, Saramago, Mourão-Ferreira, Ary, até Cesário, entre tantos outros mais.
Pensemos, pois, nisso e que extraia cada um as suas ilacções.
E como, por vezes, ser ibérico não será pecado, Gabriel Celaya, cantado por Paco Ibañez, já nos dizia:
«(…) Maldigo la poesía concebida como un lujo
cultural por los neutrales
que, lavándose las manos, se desentienden y evaden(…)»
Apesar das dificuldades da chamada «interioridade», a cidade, mormente no seu núcleo histórico, tem tido artes de se modernizar oferecendo aos locais e aos visitantes o conforto que o século XXI nos pode proporcionar.
Mesmo correndo o risco da polémica por eventual favorecimento, deixo-vos com uma imagem do interior do restaurante da Balbina, ponto de paragem para mim obrigatório, de há longos anos, e de onde saio sempre satisfeito.
A avó Balbina faleceu mas o seu neto João agarrou o testemunho e não deixou créditos por mãos alheias. Mantendo-se o exterior inalterado, o interior é outra conversa.
Não me «castiguem» por não referir outros espaços de restauração que ombreiam, também em qualidade gastronómica, com o que refiro. E são vários. Mas nem isto é uma agência de publicidade, nem o espaço e o tempo são ilimitados. De outros se falará a seu tempo.
Miranda do Douro (7)
Lá está… depois de uma alheira de Miranda, grelhada à lareira e acompanhada por uma simples mas primordial e fresquíssima salada, com o bom sabor dos velhos tempos, eis que dá entrada um cordeiro churro (canhono mirandês) que nos redime de quantos pecados carreguemos…
Aqui fica o brinde, à vossa saúde. E seguindo os ditames de Camões, «melhor é experimentá-lo que julgá-lo; mas julgue-o quem não pode experimentá-lo».
Miranda do Douro (8)
Nada como um passeio nocturno, para desmoer…
Miranda do Douro (9)
Pormenor do interior da concatedral.
Miranda do Douro (10)
Dir-se-ia que, entre o sagrado e o profano, venha o Demo e escolha. Assim sendo, para o bem e para o mal, há outros «ex-libris» que marcam presença em Miranda.
Deste, com interpretações várias, um dos cachorros da casa na Rua da Costanilha, todas elas serão danadas para a brincadeira… mas que lá estão, lá estão!
No próximo dia 13 de Setembro, a partir das 18h30, Irene Cardona, João Paulo Oliveira e eu, com o apoio da Câmara Municipal de Cascais, estaremos na Biblioteca Municipal de São Domingos de Rana, em homenagem a Natália Correia.