maratona de poesia em Oeiras
– 21 de Março de 2018

Em 21 de Março decorrerá a Maratona de Poesia, em Oeiras, em que também participarei.

Assim, a partir das 18 horas desse dia haverá farta escolha, distribuída por diversos espaços culturais localizados no centro histórico de Oeiras.

Segue o quadro geral, com indicação de horários e respectivos locais, bem como indicação de participantes e temas a abordar.

Goa em Coruche com um poema na vila

Por motivos imprevistos, vi-me impedido de participar na sessão Contares e Cantares de Goa que Ana Freitas, com o grupo um poema na vila, na sua saga de mostrar outros mundos ao mundo, e com organização de João Coutinho, promoveu neste dia 10 de Dezembro.

Assim é. Nem sempre tudo se conjuga para conjugarmos tudo…

A título de «tenho-pena-mas-ficará-para-a-próxima» aqui deixo o meu poema de circunstância que tinha preparado para o evento, que conta, aliás e entre outras, com a qualificada participação de Elsa de Noronha e do Grupo EKVAT da Casa de Goa.

A GOA FOMOS

a Goa fomos
de lá viemos
e de tanto Portugal que lá vivemos
se finou Bocage
e de Camões soubemos
o naufrágio e o amor
da pátria amada
– ora ditosa
quanto ignorada

terra dos nove rios
e do Mandovi as trinta nascentes
com Albuquerque e mais trezentos
alguns corsários
e ais dos gentios
se fez portuguesa pelos de quinhentos

hoje é bruma
neblina da memória
essa história

mas Goa sobrevive
paraíso fértil
idolatrado e terreal
de sentirmos quanto vive
a oriente
Portugal…

Jorge Castro
– 07 de Dezembro de 2017

há um horizonte rasgado em chamas

– Em 2017 morreram mais de cem pessoas, em Portugal,
devido aos incêndios

há um horizonte rasgado em chamas
e um chão lavrado em lágrimas
há um clarão de noite falsa
e uma escuridão que o Sol não abre

há este torpor
esta modorra
de não saber porque se morra
assim
sem pressentir um alguém
que nos socorra

há este sangue a jorrar de forma inútil
em tons de cinza
e tanta angústia
há um pavor de fugir por ter de ser
e um terror só por ficar
e assim morrer

e cada árvore endémica
ou estrangeira
lança a estridência da seiva ardida
contra as nossas consciências permissivas
desatentas
e aborrecidas
com tanta ardência
num céu que se imaginara azul…

– Jorge Castro
17 de Outubro de 2017

há quanto tempo não publico um poema
quando tudo se incendeia…

Nem terra nem céu

nem terra nem céu
apenas cinza
só as pedras ardem sem rescaldo ou luto
e o chão estremece
sem sangue nem fruto

e o céu é de breu
do negro martírio
da brasa que foi
o mais tenro lírio
no homem crepita a vil labareda
que ateia o terror
em estreita vereda

e outro homem arde
em nexo de horror
nalgum fim de tarde

nem terra nem céu
apenas cinza

… e o homem sou eu!

– Jorge Castro
10 de Outubro de 2017