O Mar em Nós apresentado nas Caldas da Rainha
– algumas imagens

Por convite e com organização da Comunidade de Leitores e de Cinéfilos das Caldas da Rainha apresentei, no passado sábado, dia 13 de Outubro, o meu livro O Mar em Nós, na Biblioteca Municipal das Caldas da Rainha.


Palmira Gaspar inicia a sessão e apresenta o seu programa geral. 

De seguida, Carlos Gaspar apresenta, perante uma sala muito confortavelmente preenchida, o grupo musical Sexteto 5+1, de A-dos-Francos, constituído por cinco clarinetes e um saxofone, sendo as suas jovens intérpretes a Rafaela Esteves, a Margarida Lourenço, a Beatriz Estêvão, a Ana Rita Louro, a Sara Lourenço e a Mafalda Filipe.

Não foi esta a primeira vez que contei com a companhia deste grupo – que integra, também, a Orquestra Juvenil de A-dos-Francos, dirigida pelo Maestro Diogo Esteves – e espero bem que não seja a última, não só pelo nível de execução, mas até pelo claro sinal de esperança e vitalidade que representam.

Destaco, dos números interpretados, a versão do Summertime (Porgy and Bess), de George Gershwin, que me encheu as medidas.

De imediato passámos à apresentação de O Mar em Nós, anunciado por Palmira Gaspar

… que anunciou David Silva, o qual, por sua vez, fez uma dissertação sobre a obra e o autor indissociável, conforme as suas palavras, da relação de amizade que nos une já de longa data. Não me competindo ser juiz em causa própria, direi apenas que me terá surgido um brilhozinho nos olhos e o Sérgio Godinho nem estava presente…

Passei, então, à leitura de poemas, após algumas considerações sumárias acerca dessa mania incontrolável de se escrever um poema, através de alguns porquês que me parece terem recebido acolhimento muito favorável pela assistência.

E, pronto, assim se cumpriu mais uma jornada neste caminhar, com a costumeira sessão de autógrafos, entretanto sempre renovada pelas circunstâncias específicas que rodeiam cada apresentação. Venham de lá mais…

  • Fotografias de Lourdes Calmeiro e de Lídia Castro

convite – O Mar em Nós – o meu novo livro de poemas
– 106ª sessão das Noites com Poemas

Não sei – não sabe ninguém, como se diz no fado… – para que serve escrever um poema. Sei, apenas, dessa pulsão íntima. Sei, depois, do imperativo da partilha.

Dos bons humores de cada receptor vou coleccionando os ecos.

E reincido.Daí o nascimento de um meu novo livro de poemas, seguindo anteriores pegadas. Desta feita, trata-se de Um Mar em Nós – poemas de outro cantar -, uma vez mais com edição da Apenas Livros, algo assim como para cima de 250 poemas, que me foram sendo suscitados pelo lastro dos dias, ditos aqui e ali e que estavam por publicar…

O seu lançamento terá lugar no próximo dia 25 de Maio (sexta-feira), pelas 21 horas, no Centro Cultural Palácio do Egipto, em Oeiras (no centro histórico, junto à Igreja Matriz e ao quartel dos Bombeiros), integrando a iniciativa Noites com Poemas, que venho coordenando desde 2005. Nesta 106ª sessão serei, pois, eu o meu convidado.

O evento contará, como sempre, com a organização da Espaço e Memória – Associação Cultural de Oeiras e terá o apoio da Câmara Municipal de Oeiras.

Mário Piçarra levar-nos-á canções que compôs sobre poemas de minha autoria. Alguns amigos dirão, também, de sua justiça e a propósito… Mas conto com a presença de todos, claro, sem os quais a poesia dita perde a sua graça.

No entanto, para todos aqueles outros, dos meus círculos de afectos, que, por temperamento, pela distância… enfim, por indizíveis razões, mesmo não estando presentes, estejam interessados em obter esta minha nova obra, por favor, dêem-me conhecimento de tal, através do endereço jc.orca@gmail.com,  e haveremos de encontrar modo expedito de resolver o assunto.

Nota final – Para quem não possa (mas gostaria de) comparecer na sexta-feira, estarei, também, no dia 26 de Maio (sábado), pelas 21h30, no Chá da Barra, também em Oeiras (logo ali ao lado), em iniciativa proposta por Francisca PatrícioJosé Mendonça… e que também andará em volta dos meus poemas. Apresento, ainda, as minhas desculpas pelo tardio deste convite, motivado por imponderáveis que me transcendem… mas que se nos impõem ao arrepio de lógicas.

Até já. Até lá. Até sempre.

Abraços,

Jorge Castro

maratona de poesia em Oeiras
– 21 de Março de 2018

Em 21 de Março decorrerá a Maratona de Poesia, em Oeiras, em que também participarei.

Assim, a partir das 18 horas desse dia haverá farta escolha, distribuída por diversos espaços culturais localizados no centro histórico de Oeiras.

Segue o quadro geral, com indicação de horários e respectivos locais, bem como indicação de participantes e temas a abordar.

Goa em Coruche com um poema na vila

Por motivos imprevistos, vi-me impedido de participar na sessão Contares e Cantares de Goa que Ana Freitas, com o grupo um poema na vila, na sua saga de mostrar outros mundos ao mundo, e com organização de João Coutinho, promoveu neste dia 10 de Dezembro.

Assim é. Nem sempre tudo se conjuga para conjugarmos tudo…

A título de «tenho-pena-mas-ficará-para-a-próxima» aqui deixo o meu poema de circunstância que tinha preparado para o evento, que conta, aliás e entre outras, com a qualificada participação de Elsa de Noronha e do Grupo EKVAT da Casa de Goa.

A GOA FOMOS

a Goa fomos
de lá viemos
e de tanto Portugal que lá vivemos
se finou Bocage
e de Camões soubemos
o naufrágio e o amor
da pátria amada
– ora ditosa
quanto ignorada

terra dos nove rios
e do Mandovi as trinta nascentes
com Albuquerque e mais trezentos
alguns corsários
e ais dos gentios
se fez portuguesa pelos de quinhentos

hoje é bruma
neblina da memória
essa história

mas Goa sobrevive
paraíso fértil
idolatrado e terreal
de sentirmos quanto vive
a oriente
Portugal…

Jorge Castro
– 07 de Dezembro de 2017

há um horizonte rasgado em chamas

– Em 2017 morreram mais de cem pessoas, em Portugal,
devido aos incêndios

há um horizonte rasgado em chamas
e um chão lavrado em lágrimas
há um clarão de noite falsa
e uma escuridão que o Sol não abre

há este torpor
esta modorra
de não saber porque se morra
assim
sem pressentir um alguém
que nos socorra

há este sangue a jorrar de forma inútil
em tons de cinza
e tanta angústia
há um pavor de fugir por ter de ser
e um terror só por ficar
e assim morrer

e cada árvore endémica
ou estrangeira
lança a estridência da seiva ardida
contra as nossas consciências permissivas
desatentas
e aborrecidas
com tanta ardência
num céu que se imaginara azul…

– Jorge Castro
17 de Outubro de 2017