Sendo este um espaço de marés, a inconstância delas reflectirá a intranquilidade do mundo.
Ficar-nos-á este imperativo de respirar o ar em grandes golfadas.
105ª Sessão das Noites com Poemas com o escritor Júlio Conrado
(Conforme mensagem enviada por Rui Lemos)
A viagem continua. Cá vamos nós para mais uma sessão das Noites com Poemas, com o apoio da Câmara Municipal de Oeiras, debaixo da especial supervisão e organização do Jorge Castro que, como sempre, nos traz um convidado excelente e sempre bem acompanhado pelos poetas da casa que farão as suas intervenções.
Desta vez temos um sócio da EMACO, o escritor Júlio Conrado. Sigam as sábias palavras do Jorge:
No próximo dia 23 de Março (sexta-feira), pelas 21 horas, na Biblioteca Municipal de Oeiras, na próxima sessão das Noites com Poemas, contaremos, como convidado, com o escritor e crítico literário – simbiose de curiosa gestão e não isenta de risco… – Júlio Conrado.
Propõe-nos o convidado, como tema:
– Carcavelos nos 55 anos de carreira literária de Júlio Conrado
O Professor José d’Encarnação trará consigo, também, o seu testemunho amigo, sempre precioso, e alguns amigos mais preencherão o serão com poemas do autor e não apenas. Teremos, então, entre outros, Ana Freitas, Carlos Peres Feio, Eduardo Martins, Francisco José Lampreia… e por aí fora.
Carcavelos virá, também e necessariamente, à baila com poesia à mistura e, ainda, como elemento surpresa, um breve desempenho musical do Sexteto 5+1 (5 Clarinetes+1 Saxofone Tenor), com o apoio da Direcção da Sociedade de Instrução Musical e Recreio de A-dos-Francos (Caldas da Rainha) e da Junta de Freguesia da mesma localidade. Sim, porque isto anda tudo ligado… e mais não digo. Já sabem: o melhor é experimentá-lo.
Contamos, como sempre, com a vossa presença para que esta sessão plenamente se realize.

Perfil e bibliografia do autor:
Maratona de Poesia, em Oeiras
Uma excelente iniciativa, da autoria do amigo Josá Mendonça, no Dia Mundial da Poesia, em que também participarei:

há mar e mar… um que é de trazer areia, o outro de a levar
Por vezes, ele há um mar que não dá a mínima importância ao cuidado dos homens em manter uma praia com ar de ser sempre uma praia igual…

… e, depois, vem outro mar que desfaz o que o anterior fez, mostrando o que ele próprio esconde.

E, de súbito, desvenda a arriba fóssil que existe ali, em Carcavelos, e que muito poucas vezes está visível.

É uma espécie de sandes de conchas, como se em determinado momento longínquo, tudo o que fosse ostra à face da terra (ou quase) tivesse escolhido Carcavelos para residência definitiva. 


Os desígnios da Mãe Natureza são insondáveis e sempre misteriosos. O que terá acontecido ali? Terá ocorrido a existência, no local, de algum pólo universitário para ostras? Ou terão, tão-só, sido votadas ao ostracismo?
inquietação encalhada
O cargueiro encalhou no baixio junto ao Bugio. Para além da rima intempestiva, nada de novo a assinalar.

Mas a informação absolutamente colateral de que o cargueiro transportará areia para Marrocos deixa-me na maior das perplexidades:
- ou a minha ignorância tem transcendências insondáveis e, como se apura, inexploradas…
- ou uma questão terá certa relevância e apropósito: areia para Marrocos? Mas, então, o Sahara não fica ali tão perto…?
maratona de poesia em Oeiras
– 21 de Março de 2018
Em 21 de Março decorrerá a Maratona de Poesia, em Oeiras, em que também participarei.
Assim, a partir das 18 horas desse dia haverá farta escolha, distribuída por diversos espaços culturais localizados no centro histórico de Oeiras.
Segue o quadro geral, com indicação de horários e respectivos locais, bem como indicação de participantes e temas a abordar.

festival da eurovisão
Posso proferir uma frase lapidar? Então, lá vai: o festival da eurovisão é o que é e vale o que vale. Pronto! Está dito.
Posto isto, não falarei muito da canção mais votada, defendida pelo Diogo Piçarra, da qual não me agradou a pompa do seu anúncio contra os desconchavos da Humanidade para depois ver a expectativa frustrada através de um poema fruste.
De facto, tenho alguma dificuldade em entender o alcance, o nível poético, o impacto ou, até, a intenção de
Podem fazer muros/Mas não tapam a alma/Tu olhas para tudo/E não vês nada
Enfim, não acolhi, pois, com grande pesar a desistência de Diogo Piçarra por esta e outras razões.
Por outro lado, para mim, tendo perdido, já ganhou P’ra lá do rio, de Daniela Onís.

Qualidade poética, tema prontamente assimilável, boa interpretação e boa presença…
Deve ser um fado meu simpatizar ou escolher sempre quem perde. Ou é de mim ou será dos júris… Ainda que com tanta gente esclarecida que por aí anda, não sei…
paisagística efémera II
Aparentemente infindável a capacidade de a beira-mar se mostrar beira-vida, nessa imensa diversidade…

espaço dunar I

espaço dunar II

espaço dunar III

desfocagem virtual

o efémero incongruente (ou a rampa de lançamento ao chão…)

um português, aqui

o equilíbrio sempre possível a-ver-o-mar

chuveirinho intervencionado
-
fotografias de Jorge Castro
paisagística efémera
Basta ter olhos de ver. Ter olhos de sentir. E a realidade transmuta-se nesse olhar. Ela, que sempre ali esteve, reapresenta-se: eis-me aqui. O que queres de mim? Ora, aprecia-me, vista daqui deste lado…
o repouso episódico entre voos e mergulhos

um olhar austero

à sombra da neblina

e o Bugio aqui tão perto

vestígios rupestres na areia com pegadas aleatórias

a navegação sempre atraiu as atenções

o corre-corre diário pelo sustento

todos os passos vão dar à neblina

quatro mosqueteiros com fortaleza ao fundo

há mais castelos na areia

olhos de água alienígenas

o que fica das águas passadas

malhas que a maré tece

impressão reflexiva

esculturas bidimensionais

uma cascata mais pequena do que eu

um só olho de água – será outro Ciclope?

escultura arenosa com árvores ao fundo

uma baleia? e porque não?
- fotografias de Jorge Castro
national geographic de trazer por casa
Das alterações climatéricas cada um se vai dando conta. Dos desvarios urbanos em carência extrema de zonas verdes e de mais ou menos frondosas árvores, também.
Cá por casa, a conjugação destes factores tem efeitos inesperados: por um lado, uma videira de uvas americanas, assim chamadas, que nos conforta com uma esplêndida sombra em tempos de Verão, tem evoluído, ano após ano, para uma sequência de produção de uvas, desfasadas no tempo, que prolonga a existência desses frutos até Fevereiro (!) de cada ano; por outro, dispondo de um pequeno mas muito verde espaço – que dá água pela barba a este cidadão muito urbano mas, principalmente, à minha-senhora-de-mim – conto com a visita diária de uma plêiade de vizinhos alados, que se servem à tripa-forra dos escassos bens que ali dispomos, mas que nos presenteia, ao mesmo tempo, com os seus cantos e encantos.
E os nossos pequenos-almoços ficaram largamente enriquecidos. As migalhas do pão que nos sobram complementam dietas, em tempos de maiores carências da invernia. Assim a modos que um toma-lá-dá-cá.
Para quem duvidar possa, aqui deixo uma pequena amostra, colhida apenas num dia – 02 de Fevereiro de 2018 -, sem grandes preocupações na qualidade da imagem, porque se privilegia o testemunho, e, sim, uma singela fatia de felicidade inesperada, mas, agora, de repetição sempre ansiada… pelo menos enquanto houver uvas:











Claro que há sempre, em todas as coisas da vida, as abordagens subjectivas. A nossa gata, por exemplo, pratica os mais desvairados desportos radicais para conseguir desfrutar de outros prazeres para além dos que estes nossos vizinhos emplumados nos proporcionam a nós, humanos.

Mas também ela acede, por essa via – invariavelmente tentada e nunca atingida – a outra espécie de felicidade que o remanso da lareira no Inverno não lhe traz. E desespera-se para sair, em cada manhã, para a sua caçada, sempre perseguida e, salvo raríssima situação, nunca alcançada.
Mas, lá está, o caminho faz-se caminhando e a cada um o que a sua natureza lhe conceda.
ele há coisas que a gente nem percebe…
Existia, em Oeiras, fronteiro ao Forte de São Julião da Barra e em terrenos que se tornaram pertença da NATO, um monumento sóbrio, discreto, ainda que digno, que celebrava Gomes Freire de Andrade, herói dos ideais liberais, figura grande de quem, em Portugal, pugna pela Liberdade.
Herói vítima de circunstancialismos históricos, condenado à morte em circunstâncias trágicas, às mãos de um torcionário, ocorrência que, alegadamente, teria tido lugar no local onde estava erigido o monumento/cruzeiro.
Recomendo, aos interessados, para um mais cabal e ilustrado conhecimento do assunto, a leitura de Felizmente há Luar, de Luís Sttau Monteiro. E, também, Raul Brandão, Vida e Morte de Gomes Freire de Andrade, 4.ª ed., Lisboa, Alfa («Testemunhos Contemporâneos, 14») 1990 – que podem ler em
http://www.arqnet.pt/exercito/freire.html.
Também darão o tempo por bem empregue através da consulta à Wikipédia, em
Estão a ver aquele cantinho, no centro da fotografia aérea acima? Pois é, nunca percebi porque carga de água um monumento nacional sobre um herói português pôde, em algum momento, encontrar-se num local restrito e de acesso absolutamente condicionado. Coisas…
Como se não bastasse, por força das impertinentes lógicas do extraordinário pato-bravismo reinante (apesar de em plena República…), um conjunto de «vontades» (ia dizer de interesses, mas…) decidiu que aquele pequeno espaço era absolutamente fundamental para erigir um mostrengo qualquer. E vai de trasladar o monumento sem que as forças vivas coniventes ou responsáveis prestassem contas a quem quer que fosse por tal desmando municipal e nacional.
Pouco depois, do outro lado da via, a caminho de uma carruagem-bar, porventura com vergonha pela estultícia dos homens, o pobre monumento reaparece, escondido entre uns arbustos e, mais parecendo mera lápide funerária desviada de cemitério, depois dos tratos de polé infligidos àquele que o monumento homenageia, ficou como se pode ver, sequenciando (e, aparentemento, legitimando) o desmando do acima referido torcionário:
Alguém, avisado e informado, saberá dizer-me das razões profundas para tal despautério? Ou tratar-se-á apenas de um ligeiro período de hibernação até que ares mais saudáveis lhe devolvam a dignidade perdida?
Aqui fica, à consideração da Câmara Municipal de Oeiras, o testemunho de um português perplexo.





