Sendo este um  espaço de marés, a inconstância delas reflectirá a intranquilidade do mundo.
Ficar-nos-á este imperativo de respirar o ar em grandes golfadas.

convite
dia 16 de Dezembro, pelas 16 horas
na Livraria-Galeria Verney, em Oeiras

Eu sei que a oferta cultural, neste mês de Dezembro, é de grande intensidade… Mas para quem tenha interesse/disponibilidade e possa deslocar-se a Oeiras, teremos uma sessão de poemas com o tema Histórias Com Versos, na quinta-feira, dia 16 de Dezembro, pelas 16 horas, na Livraria-Galeria Municipal Verney, mesmo ali no centro histórico de Oeiras – não tem que enganar.
Fartinhos das histórias que nos vêm sendo contadas, acrisoladas e terríficas, contaremos por aí as de nossa lavra, naquilo que mais nos apraz chamar um círculo de amigos que entre si descobriram na poesia um modo de estarem próximos, desfrutando essa partilha com quantos queiram estar, também, connosco.
Para além de mim, o NÓS será constituído pelo Carlos Peres Feio, o David José Silva, a Estefânia Estevens, o Francisco José Lampreia, o João Baptista Coelho, a Maria Francília Pinheiro e o Oeiras Verde.
Venham, venham… E tragam um amigo, também!

 

o português Cristóvão Colon

Dia 11 de Dezembro, a partir das 15 horas, inauguração da Casa Museu Dr. Manuel Luciano da Silva, em reconhecimento ao notável investigador do «processo Colombo» com créditos internos e externos, inauguração que terá lugar em Cavião, Vale de Cambra.

Sucessivas e credibilizadas investigações – a que valores bem instalados se obstinam a não querer dar eco, nem sequer na lusa pátria… – apontam para a inevitabilidade de Cristóvão Colon (vulgo Colombo) ser portuguesíssimo, oriundo de Cuba, no Alentejo e da família dos Zarcos navegantes, em demanda do Novo Mundo a soldo dos reis de Castela mas, na realidade, ao serviço de D. João II, desviando atenções da descoberta da rota marítima das Índias, de capital importância para a coroa portuguesa.
Na Casa Museu Dr. Manuel Luciano da Silva ficará disponível o acervo literário coligido pelo investigador ao longo de 50 anos de actividade empenhada. Por lá estarei, de atenção bem desperta, e por lá direi o meu poema inédito numa linha indecisa do horizonte, dedicado ao navegador que a História «oficial» tão mal parece avaliar… por enquanto.
  
A CRISTÓVÃO COLÓN (SALVADOR GONÇALVES ZARCO?), ALENTEJANO DE CUBA, QUE TERÁ DEMANDADO AO NOVO MUNDO POR ORDENS DE EL-REI D. JOÃO II

numa linha indecisa do horizonte
navegante sob as cores da solidão
estremece e uma ruga cruza a fronte
de Cristóvão ido em ventos de feição
o madeiro feito nau vela por ele
o cordame geme breve quase embalo
o velame enfunado o mar impele
tal as ondas que parecem escutá-lo
nada mais o contém e lá navega
à procura de um destino ao rés do amargo
porque o sonho nem é seu nem o sossega
a quietude em que singra no mar largo
ter de si por missão destino incerto
o futuro iludindo no presente
que lhe traz a sua pátria bem mais perto
da lonjura em que vai ficando ausente
um futuro desenhado acidental
que cumpriu por julgar valer a pena
e se vai por Castela é Portugal
a guiá-lo pois el-rei assim ordena
e lobriga muito além junto ao sol posto
por acaso ou talvez saber profundo
em trejeito que é sorriso a contragosto
essa linha que anuncia o novo mundo
são também de marés tão ondeantes
as passagens de que se faz uma vida
e Cristóvão foi assim dos mareantes
navegantes da Utopia sem medida
se ao longe lhe avistamos esse jeito
que o mar dá que é faceiro e que é gingão
sendo Zarco é Cristóvão imperfeito
mas – que importa? – se é nascido neste chão.
– Jorge Castro
1 de Novembro de 2010

em jeito de homenagem, Thita, por teres dado origem a esta prolongada aventura…

15.12.2003

Uma prendinha de Natal para a OrCa. Oferecida por quem gosta de mim.


Depois, o Atlântico, de Sophia de Mello Breyner Andresen:

Mar
Metade da minha alma é feita de maresia

postado por: OrCa 12:15 PM Comments: 7

Pois foi assim… Exactamente assim! Em 15 de Dezembro de 2003, depois de uma intensa e diária participação em comentários no desafiante blog Provérbios, de uma muito jovem Inês e de seu pai – obviamente o Pai da Inês -, uma das regulares comentadoras, a Thita – outra muito promissora jovem -, achou por bem que eu também deveria ter um blog meu onde assumisse responsabilidades para além dos meros comentários em blogues alheios. E assim nasceu o SETE MARES, uma notável prenda de Natal, e com denominação sugerida pela Thita, que acabara de ver o filme com esse título e porque um OrCa é condigno que cruze mares. 
No Provérbios congregou-se uma comunidade que se me revelou de uma consistência pelo caminho dos afectos que eu estaria longe de imaginar nesses primeiros passos da blogosfera. E deles muito me apraz registar que ainda andam por aqui, com «personalidades bloguísticas» sobejamente conhecidas: a Gotinha, o Santa Cita, o Morfeu, para além das já invocadas… e eu próprio.
Depois, em 1 de Janeiro de 2004, o Sete Mares assumiu o aspecto que, genericamente, ainda hoje mantém, oficial, portanto, com criação integral do meu filho Alexandre, rapaz já então muito dado a estas vidas informáticas e que me dá preciosas ajudas em momentos de desvarios diversos nestes caminhos de escolhos e melindres técnicos.
Três jovens estiveram, então, na génese desta aventura para a qual me impeliram e que, também por eles, venho mantendo. A minha gratidão pelo incentivo e para sempre. 

fotografando o dia (162)

não há andorinhas verdes
nem céu azul sem senão
na fábula se és gato perdes
por seres barro… também não
elas voam bem maduras
mas não caem do beiral
e o gato vendo-as seguras
olha-as bem mas não faz mal
– fotografia e poema de Jorge Castro
– exposição sobre Bordalo Pinheiro de Joana Vaconcelos no Museu da Cidade, em Lisboa

jantar de outono
ou de como, entre várias e desvairadas outras coisas, somos os maiores à mesa

Sábado, dia 26 de Novembro de 2010. Local, Caldas da Rainha – Restaurante Maratona…

Do folheto de apresentação, respigo: «Um jantar que reaviva a memória colectiva, da reunião em torno da fogueira, do cheiro do alecrim, do fumo e da erva doce.
Uma farândola de sabores onde de mãos dadas bailam o tradicional e o sofisticado, valorizando o que de melhor nos dá a terra nesta época de Outono
Um projecto de Inês Milagres, licenciada em design industrial, tendo desenvolvido o seu trabalho em Food Design – ver em www.moscardo.org.

Na recepção, jeropiga e cartucho com castanhas assadas

Um Vale Zias, da Estremadura, para nos acompanhar noite dentro…

Nas entradas, da direita para a esquerda, creme de abóbora e pevides, batata assada com alecrim e bacon, morcela com marmelada e rodela de batata doce assada

Como prato principal, também da direita para a esquerda, batata doce e roxa fritas, rolo de carne com cogumelos portobello e bacon crocante, rolo de carne com puré de castanha confitado em azeite de alecrim e pimenta rosa com cama de azeitonas de Elvas, rolo de carne com espargo e redução de figos secos, e grelos salteados com pérolas de romã…

No ar, produzindo ambiências outonais, imagens dos bons sabores dos velhos tempos… 

À sobremesa, mesmo antes do café, coisa sublime como um fondant de chocolate com gelado de castanhas e tangerina.

Se vos dissesse o preço corria o risco de estragar a poesia do momento, mas sempre vou avançando que foi coisa muito em conta pois que, em se privilegiando a razão, há razões que a tudo se impõem. 
Aqui fica o testemunho, com farto aplauso, de uma noite bem passada, capaz de suscitar inveja – estou certo – a quem não pôde lá estar… Mas, como dizia o poeta, julgue-a quem não pôde experimentá-la! 

o lado inaudível das coisas
de Edite Gil

No passado dia 20 de Novembro – ainda fresquinho, portanto – Edite Gil publicou o seu livro de poemas O Lado Inaudível das Coisas, todo ele feito, muito contrariamente ao título, de coisas muito audíveis.

Aqui se recomenda a sua leitura, cuidada e atenta, como nos cumpre em se tratando de poesia 

E, para tanto e outro mais, nada como lhe falar, para aceder a este seu livro. Aqui fica o endereço: edite.gil@gmail.com
Quero regressar
àquela idade em que acreditava
que as ondas beijavam a areia
e que mar bramia
por não poder brincar comigo…

eu adiro à greve geral!

Pelo nosso futuro, por mim, pelo meu filho, por um País e um povo a perder a sua identidade e a sua independência, em cada dia, às mãos de uma corja infame que mascara o desgoverno em que lança esta nação, sob o manto enganador e pulha de alegadas «preocupações sociais», enquanto promove e protege sem barreiras de qualquer ordem, éticas e quantitativas, uma escassa minoria.
Contra a hipocrisia vigente de uma cáfila de verdadeiros traidores à pátria que se governam à custa da expansão da miséria e do sofrimento alheios, de onde colhem proventos, com o beneplácito dos sucessivos governos do «centrão».  
A favor da criação de uma Associação de Luta Contra a Riqueza – já que em luta contra a pobreza parece haver instituições que avonde… -, quando aquela se encontra desmesurada, oculta, opaca. E que os seus fautores sejam remetidos para o único alojamento que lhes é condigno: a cadeia.

Pela reabilitação urgente do tecido produtivo de Portugal, da indústria à agricultura, passando pelas pescas. Pela reabilitação, também urgente, do nosso património edificado, da malha urbana habitacional aos monumentos de que se fez a nossa História. Contra os ditames de Bruxelas, da Alemanha, dos Estados Unidos, da China, dos «mercados» ou do Diabo a sete, que transformam os nossos políticos em simples marionetas de interesses que nos são alheios. 

Amanhã, dia 24 de Novembro, é o dia e a oportunidade rara de voltarmos a encontrar-nos com o nosso destino. E isso pelas nossas mãos. 
Contra aqueles que dizem que a greve para nada servirá, pois tudo ficará na mesma, lembremos-lhes Abril de 1974. O dia em que o nada nos serviu para tudo!
Não hesites! É dia de se ouvir a tua voz da forma mais clara: em actos!
A greve é um direito que cabe aos descontentes. Não é uma obrigação porque há-de ser apenas a tua consciência a comandá-la. O seu contrário, por muita justificação que aparente ter, assume apenas um nome: medo.  
E o teu medo não fará História. Nem a falta de solidariedade que manifestes, sustentada em razões menores, dará as bases a um mundo melhor.

os Poetas Portugueses na Voz de Amália
com Rui Ferreira
e outros amigos…

«Amália foi a última caravela portuguesa», esta a afirmação de Rui Ferreira, sob a égide da qual decorreu uma excelentíssima  e concorridíssima sessão das nossas Noites Com Poemas, como habitualmente na Biblioteca Municipal de Cascais, em São Domingos de Rana.
Como habitualmente, também, coube-me dar as boas-vindas e fazer a apresentação dos convidados e a proposta de desenvolvimento da sessão – nada mais do que a proposta, pois a adaptação a cada circunstância dá sempre prioridade a um grande espaço de liberdade para todos os participantes…

Em jeito de homenagem ao nosso convidado, Rui Ferreira, a ronda prosseguiu com os jograis Oeiras Verde, através da interpretação de três poemas de grandes poetas, cantados por Amália – da esquerda para a direita, Estefânia Estevens, Helena Xavier, Jorge Castro, Ana Patacho (a maestrina do grupo), Magnólia Filipe e Lurdes Pereira.

Uma especial menção para a voz avassaladora – é o melhor termo que me ocorre – de Estefânia Estevens, nas partes cantadas e o espanto patente nas caras dos circunstantes…

De seguida, João Baptista Coelho com a atenção e o cuidado a que associa a mestria no uso da palavra em forma de poema…
Maria Francília Pinheiro e a intensidade inusitada da sua poesia…
… os Jograis do Atlântico (Edite Gil e Francisco Félix Machado), singrando marés com leme firme…
Joaquim Costa, a emocionar-se em afectos sem nome mas com uma temporalidade urgente e necessária…

Francisco José Lampreia e os seus contos exemplares…

David José Silva com a sua aguda ironia…

… e Clementina, que no deve-haver dos afectos nunca deixa de nos surpreender.
Chegada a altura do convidado, Rui Ferreira brindou-nos com um excelente texto apologético sobre Amália Rodrigues, dito todo ele com uma rara capacidade de comunicação e sapiência muito para além dos lugares comuns consabidos sobre a cantora-embaixatriz de Portugal.

Acompanhado à guitarra por Manuel Gomes
… e à viola de fado por Fernando Gomes
… passou Rui Ferreira a uma sessão de fados de Amália, onde os poemas de tantos poetas portugueses maiores se entreteceram na guitarra e na viola para se transformarem em hinos onde tantos de nós se reconhecem e se encontram…

Senhor de um poder de comunicação, de uma originalidade interpretativa e de uma entrega e empenhamento notáveis, o nosso convidado «agarrou» a assistência da primeira à última nota, sem remissão ou pecado!

Também Rogério do Carmo, poeta convidado do nosso convidado, o acompanhou brindando-nos com duas superiores interpretações poéticas: Foi Por Vontade de Deus e O Grito, introduzindo ambos os fados, logo depois interpretados por Rui Ferreira, numa interessante conjugação de modelos.
Por fim, a indispensável sessão de autógrafos, pois o livro de Rui Ferreira – Amália – A divina voz dos poetas de Portugal – apareceu logo nas mãos da grande maioria dos presentes, por todas as razões e mais alguma… e tenho para mim que com plena justificação. 

– fotografias de Lourdes Calmeiro
NOTA – Uma menção final de reconhecimento pela sugestão e envolvimento de Júlia Franco, graças à qual foi possível conjugar vontades para que esta sessão se realizasse.  

noites com poemas
os poetas portugueses na voz de Amália
com Rui Ferreira

– cartaz de Alexandre Castro
Eis a próxima sessão das Noites com Poemas, na Biblioteca Municipal de Cascais – São Domingos de Rana, no dia 19 de Novembro (sexta-feira), pelas 21h30.
Com Rui Ferreira, nosso convidado, autor do livro – também disponível nesta nossa próxima noite, com sessão de autógrafos – Amália, A Divina Voz dos Poetas de Portugal, autor que irá ilustrar-nos acerca dessa ousadia de Amália de trazer grandes nomes da nossa poesia ao fado, transformada em arte maior através de uma voz que se arvorou em identidade nacional.
União fecunda, que percorre Camões, Alexandre O’Neil, David Mourão-Ferreira, Ary dos Santos, Alberto Janes e tantos outros, de que resultaram benefícios para o próprio fado, para a poesia e, afinal, para nós todos.
Rui Ferreira vai trazer-nos, então, Amália e os nossos poetas, falando e cantando, no que será acompanhado por Manuel Gomes (guitarra portuguesa) e Fernando Gomes (viola de fado).
Entretanto, várias outras surpresas são esperadas para esta sessão. Bem como algumas certezas.
Como sempre, nós lá estaremos a contar com quantos queiram juntar à nossa a sua voz… ou, tão simplesmente, com a sua importante presença, que nos garante o quanto estas acções fazem sentido.
Entretanto. algum trabalho de casa…
E SE TUDO NÃO FOR SÓ UM FADO?
e se tudo o quanto nos sucede não for só um fado?
e se tudo for só o acaso de algum breve olhar?
e se tudo pelas nossas mãos é quase pecado?
e se tudo que é feito de nada for só quase mar?
e se tudo tiver essa graça de estar sempre em festa?
e se tudo traz um fado em si mas já livre voa?
e se tudo é brisa que passa e assim nos refresca?
e se tudo em alto mar da vida alteia a sua proa?

e se tudo o quanto diverge integra uma rota?
e se tudo como algum sem-fim se faz recomeço?
e se tudo ao passar por mim é fado ou gaivota?
e se tudo é feito de tudo e do seu avesso ?
e se tudo for o quase nada que dizem ser fado?
e se tudo for o lado a lado de algum breve olhar?
e se tudo no fim não passar de assim ser pecado?
e se tudo por fim for assim por ser quase mar?
– poema de Jorge Castro

publicidade gratuita e com gosto à DELTA

Por uma ocorrência fortuita – avaria insanável da minha máquina de café – vi-me compelido a adquirir uma nova, que o cafezinho caseiro, principalmente de fim de semana, é coisa sem a qual não é bom viver.
Dirigi-me à grande superfície mais à mão, destinado à aquisição de produto nacional – porque cá em casa somos desses, dos que dão primazia à produção nacional… desde sempre.
E porque a vida não é feita – muito pelo contrário – de tudo quanto nos corre mal, aqui fica uma referência elogiosa: tropecei numa campanha da marca Delta… e acabei por aderir ao café em cápsulas. E porquê? Porque fui cativado pelo empenho simpático, eficiente e eficaz de três jovens que, sem me imporem nada – eu falei mais do que eles… – me convenceram  irremediavelmente de que estava a dar um bom passo na minha vida.
O meu chapéu a eles: Filipa Nunes, António Segurado e Gonçalo Fonseca Lopes. Caro amigo Nabeiro, o meu cumprimento pelos seus excelentes colaboradores.  
Pelo caminho, a circunstância de adquirir uma máquina de café (de fabrico inteiramente nacional), ainda para mais personalizada:    

Desenho ou tema à escolha. Pois logo ali improvisei uma quadrazinha a preceito que o artista de serviço pintou (!) no corpo do aparelho, tornando-o modelo único, em três penadas.
No lado oposto, a par de um grãozinho de café, alusivo, a caricatura e o autógrafo do autor.
De mestre, amigo Nabeiro! Vendeu-me uma máquina de café especial e personalizada, assegura a minha aquisição do seu produto preferencial e, pelo caminho, cria três postos de trabalho chamemos-lhes colaterais, que porventura outro empresário consideraria supérfluos… Consigo sinto-me bem a preferir marca nacional!  
Todas as coisas têm o seu mistério
e a poesia
é o mistério de todas as coisas
– Federico García Lorca

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