2023. Este foi o ano que passámos e no qual imprimimos a nossa marca, efémera, imprecisa, de relevância sempre subjectiva. Mas nossa e única.
A Terra girou sobre si mesma e em redor do Sol como sempre o fez, antes do nosso aparecimento. E assim se manterá depois de, inevitavelmente, abandonarmos esta nossa presente materialidade.
2024, o novo ano, aí vem. No fundo, nada se alterará significativamente no plano universal. Apenas os nossos actos poderão ser diversos e qualitativamente diferentes, assim nos valha o livre arbítrio.
Para quê? Ora, cada um saberá do seu caminho. Mas se o trilhar de mãos dadas com o seu semelhante, estou em crer que essa transcendência fica bem encaminhada.
Então, aqui ficam os meus votos de um bom ano novo para todos os humanos de boa vontade!
Vai este meu arremedo de poema ao vosso encontro, esperando encontrar-vos de boa e duradoura saúde e com a força anímica necessária e suficiente para fazer da vida o que ela tenha de melhor para vos (nos) oferecer.
Para memória futura, a nossa evocação/homenagem a Natália Correia, na Biblioteca Municipal de São Domingos de Rana (a quem se agradece o convite e a disponibilização das instalações), sessão que correu muito bem, sim, senhores, e que teve uma casa completamente cheia!
Apresentação de Irene Cardona
Canções por João Paulo Oliveira
Poemas por Jorge Castro
… e a presença constante de Natália Correia.
Fotografias de Lourdes Calmeiro e de Carlos Ricardo.
No dia em que se celebram os 100 anos do nascimento de Natália Correia quero aqui destacar dois aspectos que considero primordiais na sua vida e na sua obra: o inconformismo militante e a irreverência permanente.
Natália diz-nos, também, que o poeta deve ter uma intervenção política e, se olharmos atentamente, não foram raros os casos entre a plêiade de excelentes poetas portugueses do nosso século XX cuja intervenção na «res publica» foi o pilar maior do seu destaque, a par da sua mestria, e por isso se mantêm como referências duradouras.
Natália, seguramente, mas também Pessoa, O’Neill, Gomes Ferreira, Aleixo, Saramago, Mourão-Ferreira, Ary, até Cesário, entre tantos outros mais.
Pensemos, pois, nisso e que extraia cada um as suas ilacções.
E como, por vezes, ser ibérico não será pecado, Gabriel Celaya, cantado por Paco Ibañez, já nos dizia:
«(…) Maldigo la poesía concebida como un lujo
cultural por los neutrales
que, lavándose las manos, se desentienden y evaden(…)»
No próximo dia 13 de Setembro, a partir das 18h30, Irene Cardona, João Paulo Oliveira e eu, com o apoio da Câmara Municipal de Cascais, estaremos na Biblioteca Municipal de São Domingos de Rana, em homenagem a Natália Correia.