Uma amiga grande mas ternura, doce mas indómita, onde, sim, morava a utopia. A utopia lúcida, serena e inquebrantável. A utopia que nos faz falta e que nos alimenta. O futuro nela era sempre o momento presente. E o nosso Abril está hoje de luto. Saibamos celebrar e ser dignos do seu exemplo e que a sua memória nos inspire.
Aqui lhe deixo o poema de Abril que ela muito apreciou.
Exemplo maior de activista, integrava a Direcção da Associação 25 de Abril. Dela deixamos a nota de Vasco Lourenço, divulgada pela A25A, com a qual estamos solidários:
«A Associação 25 de Abril continua a ver partir alguns dos seus associados. É com profundo desgosto que comunicamos o falecimento da Maria do Rosário Freitas Rodrigues, membro suplente da Direcção da A25A. Isso torna-nos mais pobres, mas obriga-nos a reforçar os nossos esforços, para que a nossa Associação 25 de Abril continue na luta por manter Portugal com uma sociedade Livre, em Paz, mais Justa e Democrática. Foi essa, desde há muitos anos, a luta permanente em que a Maria do Rosário se envolveu, numa extraordinária militância, pelos valores de Abril. É essa a promessa que lhe fazemos, no momento da sua partida. Tendo uma intensa actividade no campo social, a Maria do Rosário nunca esmoreceu ou poupou esforços para, junto dos jovens, seu espaço preferido de intervenção, proclamar e pugnar pela actividade cívica, em prol do colectivo. “Temos de ajudar os jovens a abrir os olhos, a não se deixarem manipular, sendo fundamental incentivá-los à participação, na defesa dos seus interesses e valores”, foi um lema que sempre praticou, com alguns sucessos, que sempre a empolgaram. Idealista, por vezes pouco realista quanto às nossas capacidades, nomeadamente no que se refere à obtenção de resultados, com a partida da Maria do Rosário, parte também alguma da utopia que tão necessária é para que o ser humano se realize e alcance a Felicidade. Em nome da Associação 25 de Abril, quero manifestar o nosso reconhecimento à Maria do Rosário, pela sua entrega e a sua dádiva. Bem hajas, cara Amiga! Aos seus familiares, nomeadamente a sua filha Inês e aos seus irmãos Laura, Graça, Isabel, Carlos, José Eduardo, Teresa e João, tal como aos seus amigos, as nossas sinceras e profundas condolências e a nossa total solidariedade. Até sempre, cara Rosário! Um beijinho, grande e muito Amigo, de Abril Vasco Lourenço P. S. O corpo da Maria do Rosário estará na igreja de Almada, a partir das 17.00 horas do dia 19 de Dezembro. No dia 20, às 10.00 horas, depois de uma pequena cerimónia religiosa às 09.30 horas, o corpo partirá para o cemitério de Vale Flores, onde será cremado às 11.00 horas.»
Apenas como exercício mental ou de divulgação da nossa Literatura, ocorreu-me desenvolver quadras que me fossem suscitadas por títulos de obras de escritores portugueses, sendo que cada título deve rematar cada quadra. Enfim, podia dar-me para bem pior… Assim, para as primeiras impressões, cá ficam:
Luís de Sttau Monteiro
quando a Lua predomina num enredo junto ao mar é a vida que se anima pois FELIZMENTE HÁ LUAR
Vitorino Nemésio
era o vento agreste o vento um tormentoso sinal nesse mar fero lamento por MAU TEMPO NO CANAL
Fernando Pessoa
nas pessoas de Pessoa tais e quais de ego a ego é Soares quem nos entoa o LIVRO DO DESASSOSSEGO
José Cardoso Pires
não será só um cetáceo mas tenho cá para mim sentir algo mais coriáceo no enredo d’O DELFIM
Raul Brandão
valerá por mais razão saber porquês saber comos ao ler de Raul Brandão a obra maior – o HÚMUS
António Lobo Antunes
saber de cus? – bom sinal já que assim bem mais me ajudas pois que eu procuro afinal onde são OS CUS DE JUDAS
Herberto Hélder
das voltas que a vida dá em volta da vida à solta volta e meia volto lá a dar OS PASSOS EM VOLTA
Carlos de Oliveira
leio muito sem canseira e se o tino me não erra era Carlos de Oliveira o autor de FINISTERRA
Jorge de Sena
na sua escrita indócil não faz da escrita um jogo nem é de leitura fácil leiam-lhe OS SINAIS DE FOGO
Valter Hugo Mãe
há coisas estranhas também neste mundo em maus lençóis ser criada por um Mãe A MÁQUINA DE FAZER ESPANHÓIS
Lídia Jorge
da vida e do seu alforge retratando as almas nuas traz serena a Lídia Jorge O VENTO ASSOBIANDO NAS GRUAS
Afonso Cruz
se não sabeis sabereis não que se diga ou se veja mesmo ao contrário das leis JESUS CRISTO BEBIA CERVEJA
Ramalho Ortigão e Eça de Queirós
há um riso desabrido e ouço um soar de harpas quando leio embevecido um episódio d’AS FARPAS
Para os que estiverem por perto, na geografia ou nos afectos, divulgo, hoje, uma iniciativa em que participarei, no próximo dia 15 de Outubro (sábado), pelas 15 horas, na Biblioteca Municipal das Caldas da Rainha:
– Esta sessão, organizada pela Comunidade de Leitores das Caldas da Rainha, terá como objectivo a divulgação do meu recente livro «Isto, Agora, São Outros 70…».
Para além da apresentação, a meu cargo, com projecção simultânea das imagens que constituem o livro, a sessão será iniciada por um concerto do Quinteto de Sopros de A-dos-Francos (integrado por elementos da Banda Filarmónica de A-dos-Francos).
De seguida e com a sempre muito prestimosa colaboração do cantor e meu amigo João Paulo Oliveira, faremos ambos uma homenagem a Adriano Correia de Oliveira, entre poesia e canto.
Aos que puderem, quiserem e, assim, aparecerem… lá vos espero. Para todos, esses e os outros, cá fica o meu abraço.
Recordareis, decerto, a polémica de 2013, quando o deputado Carlos Peixoto, do PSD, em artigo de opinião no jornal «I», de 10 de Janeiro daquele ano, se referiu com notável falta de sentido de oportunidade à expressão «peste grisalha», com que alguns «iluminatti» das eras modernas se referem ao envelhecimento da população, mormente no concelebrado «mundo ocidental», como flagelo sobre o exemplaríssimo mundo da alta finança.
Tropecei, recentemente, com um vídeo da COS.TV que refere, a este propósito mais três personalidades cujas afirmações afinam pelo mesmo diapasão: Dan Patrick (vice-governador do Texas), Christine Lagarde (gerente do Banco Central Europeu)e Taro Aso (Ministro das Finanças Japonês).
Aqui partilho este vídeo, cujo autor desconheço, mas em relação às palavras do qual subscrevo, com especial relevo para a afirmação de carácter literário com que encerra o referido vídeo.
apelo despudorado deste povo hospitaleiro muito alegre e estouvado mas carente de dinheiro
entre entre senhor Turista tome assento faça vista pois se o senhor não vier vamos de mal a pior nem haverá gente aqui nem aqui nem acolá com todos ao deus-dará sem saber o que fazer neste país de aluguer onde o destino de tantos é buscar pelo mundo afora alguns cantos e recantos onde ganhe a vida à hora já que por cá só a perde e encontrá-la… demora
se não vier com presteza cá lhe deixo uma certeza: o governo ruirá tribunais – outros que tais o parlamento um tormento e presidente outro mais todos quais baratas tontas sem saber o que fazer com as tantas soltas pontas deste país a encolher e se o senhor não vier se faltar a sua ajuda vai ser um deus-nos-acuda ou pior se-deus-quiser
venha lá senhor Turista traga o euro e a alpista que a pardalada tem fome pois ele há muito olival fruta avulsa amendoal mas ninguém lhes sabe o nome entre estufas escondidos como outrora alguns bandidos se escondiam no arvoredo desses não há pois coitados por tanto incêndio assolados estão expostos demais … ou então esturricados como os outros animais
venha ao golfe ao futebol às praias com pôr do sol e à noite cheia de estrelas venha ver as caravelas que fazemos no chinês e se não lhe bastar isso ainda terá na paisagem o baloiço o passadiço a sardinha o arraial que dizem por sua vez muito made in Portugal
venha ao magote às carradas à molhada em dasatino que ele há cerveja às litradas ou um Porto de honra fino à espera de tal hoste para que não se desgoste e connosco se confunda
venha lá mas não abuse pois com tal peso não aposte que este país não se afunda…