Sendo este um espaço de marés, a inconstância delas reflectirá a intranquilidade do mundo.
Ficar-nos-á este imperativo de respirar o ar em grandes golfadas.
o que há para se fazer terá de ser feito hoje
o que há para se fazer terá de ser feito hoje
e se puder feito já e feito já nesta hora
não por pressa nem demora que o tempo nunca nos foge
mas fugimos nós ao tempo julgando que vá embora
algum tempo em contratempo onde a amargura se aloje
ou se anoje a desventura de esperar sempre amanhãs
que não cantam nem sorriem se não dermos corpo ao grito
emudecido e aflito nas dormências tão malsãs
em que se escoam os dias e as esperanças sem fito
que ele há um tempo de searas e outro tempo de romãs
e nas campinas papoilas dão seu brado sem ter medo
de que o seu sangue vermelho marque a diferença no chão
que nem por isso se esconde esse azul do céu enredo
nem ficará pelo meio da Lua uma translação
de criar marés e dias e os ventos no arvoredo
o que há para se fazer terá de ser feito hoje
que o amanhã tem por certo o ser-nos um tempo incerto
e não nos ficar por perto o ontem que já passou
o que há para se fazer terá de ser feito hoje
corpo de uma esperança aflita ou de um sonho que voou.
a um dos que sabem que o sonho comanda a vida…
Para todos quantos a Liberdade não é uma palavra vã, saibamos manter erguidos testemunho e bandeira.
madrigal
não peça chorando
o que dou sorrindo
nem de vez em quando
nem se já estou indo
não vá embarcando
pelo lago infindo
mesmo lago brando
pôr de sol fugindo
seja assim andando
seja assim dormindo
jamais perturbando
algum sonho lindo
e nem mesmo quando
não há flor florindo
não peça chorando
o que dou sorrindo
mensagem de ano bem bom – nova crónica no blog Persuacção
ano 2011, dia 1, mês Janeiro – sete anos de Sete Mares
… mais 15 dias em favor da Thita
nova colaboração em Persuacção – o blog
que 2011…
tenho o meu caminho aceso
entre margens de incerteza
entre ventos de passagem
entre véus de montes pardos
do norte não trago pressas
nem do sul o mar reclamo
de leste me prendem cravos
no sol poente enredados
seja de mãos o futuro
seja de sangue este grito
que do pouco se faz tudo
do nada que a vida leva
resta-me um canto de terra
debruçado sobre o mar
é neste chão que me atardo
é nele que vou semear
festas e festinhas das boas, para quantos por aqui passem,
são os votos do OrCa
NATAL 2010 – SE EU FIZESSE DO NATAL…
se eu fizesse do Natal o que apetece fazer
teria de viajar ao mais longe que souber
comeria a aletria com desenhos de canela
rapava com alegria o fundo de uma panela
onde sobrara a doçura dos doces da consoada
e correria a provar a primeira rabanada
a saber a leite doce e àquele vinho do Porto
que enchia a casa toda de calor e de conforto
se eu fizesse do Natal o que apetece saber
chamaria alguns amigos aos lugares a preencher
de quantos lugares vazios em redor da nossa mesa
pudesse eu encher de afectos para guardar a certeza
de que ausência nenhuma se revelasse maior
mas brilhasse na memória e nos trouxesse o melhor
que a vida toda nos trouxe do amor ou da amizade
se eu fizesse do Natal um Natal com mais verdade
se eu fizesse do Natal um Natal com estas mãos
em redor daquela mesa seriam todos irmãos
presépio onde os saberes de mãos dadas com sabores
fariam saber ao mundo de que há mundos bem melhores…




































