by OrCa | Mar 15, 2018 | Breve reflexão, Reflexão, Sítios |
Por vezes, ele há um mar que não dá a mínima importância ao cuidado dos homens em manter uma praia com ar de ser sempre uma praia igual…

… e, depois, vem outro mar que desfaz o que o anterior fez, mostrando o que ele próprio esconde.

E, de súbito, desvenda a arriba fóssil que existe ali, em Carcavelos, e que muito poucas vezes está visível.

É uma espécie de sandes de conchas, como se em determinado momento longínquo, tudo o que fosse ostra à face da terra (ou quase) tivesse escolhido Carcavelos para residência definitiva. 


Os desígnios da Mãe Natureza são insondáveis e sempre misteriosos. O que terá acontecido ali? Terá ocorrido a existência, no local, de algum pólo universitário para ostras? Ou terão, tão-só, sido votadas ao ostracismo?
by OrCa | Fev 19, 2018 | Lazer, Sítios, Sugestão |
Basta ter olhos de ver. Ter olhos de sentir. E a realidade transmuta-se nesse olhar. Ela, que sempre ali esteve, reapresenta-se: eis-me aqui. O que queres de mim? Ora, aprecia-me, vista daqui deste lado…
o repouso episódico entre voos e mergulhos

um olhar austero

à sombra da neblina

e o Bugio aqui tão perto

vestígios rupestres na areia com pegadas aleatórias

a navegação sempre atraiu as atenções

o corre-corre diário pelo sustento

todos os passos vão dar à neblina

quatro mosqueteiros com fortaleza ao fundo

há mais castelos na areia

olhos de água alienígenas

o que fica das águas passadas

malhas que a maré tece

impressão reflexiva

esculturas bidimensionais

uma cascata mais pequena do que eu

um só olho de água – será outro Ciclope?

escultura arenosa com árvores ao fundo

uma baleia? e porque não?
- fotografias de Jorge Castro
by OrCa | Ago 24, 2017 | Crónicas, Sítios |
Nos passados dias 17 e 18 de Agosto,
voltei a Miranda do Douro para o convívio anual dos Alunos do Externato de São José. Uma vez mais e sempre, lá me ficou a ideia, de novo remoçada, de que Miranda yê la mie tiêrra e, contra isso, nada feito.
A Sé que nos aguarda…
… a cidade que nos acolhe…
… a brejeirice que nos acena…
… as tradições que se nos impõem.
O passeio nocturno revela segredos…
… que na longínqua meninice apenas se poderiam imaginar.
Depois, numa arruada integrada nas comemorações locais a Santa Bárbara – de quem nos lembramos quer troveje quer não -, um grupo inusitado de pauliteiras.
Confesso-vos que a quebra da tradição tende a perturbar-me um pouco…
… mas a elegância assertiva da coreografia…
… aliada à inegável beleza das participantes e seus trajares…
… me deixaram rendido e convencido.
Ângelo Arribas, de Freixiosa, antigo conhecimento, sempre activo e devotado artista…
… figura carismática das terras mirandesas que tem artes de se rodear de gente boa e de todas as idades, com o condão de nos recriar ambientes de antanho, por mais que a actualidade se nos imponha.
E a barraije lá permanece, ocupando o «canhão» mirandês, mentora de mudanças a que o Douro teve de se afeiçoar… porque sim ou, se quisermos e como nos diria o poeta, Deus quer, o homem sonha, a obra nasce. E o rio, queira ou não, tem de se acostumar à ideia e ser assim domado.
O fotógrafo lá estava, também posando…
… que, entre o volume da água e a dimensão das arribas, não há quem resista à imponência da paisagem.
Na Biblioteca Municipal, relembrando referências da minha vida, percorri os percursos de António Maria Mourinho, meu antigo professor e o grande cultor do Mirandês, que teve artes de guindar a língua oficial.
Visita às referências patrimoniais.
E, como habitualmente, a recepção oficial da comitiva de antigos alunos no salão nobre da Câmara Municipal…
… presidida pelo actual Presidente, Artur Nunes, muito bem acompanhado por
La Comisson Ourganizadora de l Ancontro de ls Antigos Alunos de l Sternato de S. Jesé, constituída, para que conste e em homenagem ao bom trabalho feito, por Adelaide Monteiro, Maria Joaquina Aguiar, Eduardo Domingues e José Manuel Alves.
Algumas amigas presentes, onde a amizade não tem idade.
A belíssima surpresa de termos contado com a presença da Sra. D. Odete – ai, se ela me ouve… – a nossa professora de Inglês e de Francês, por quem a idade parece não passar
– Artur Nunes
De seguida, com a presença do incontornável Ângelo Arribas,
visita às instalações do novo grupo produtivo da
Central Hidroeléctrica do Barrocal do Douro (Picote), recentemente construído pela EDP…
… com a correspondente visita guiada.
Três graças que por lá vi, diria eu…
José Franco explanando a evocação que arquitectou…
… recorrendo a memórias diversas que condensou em filme que nos exibiu
E quando mestre Arribas toca, logo a malta dança, claro!
O espelho do Barrocal…
… sobrevoado pelos grifos, estranhando porventura a inusitada agitação na coroa da barragem.
Aqui se separa, convencionalmente, Portugal de Espanha.
A Junta de Freguesia de Picote, em colaboração com a Comissão Organizadora, organizou um lanche encostadinho a Espanha que, como se pode observar, foi muito participado…
… e, em boa hora, na pouca sombra exterior disponível, que o sol era de molde a grelhar-nos a todos e sem ser em lume brando
À noite, o jantar, animado – adivinhem lá por quem… –
Todos satisfeitos com o repasto, tempo de colocar conversas em dia, trocar ou revitalizar contactos…
… e de se promover a passagem de testemunho para eventos vindouros.
Não vos falei da muito interessante e bem participada exposição de Pintura da autoria de muitos dos presentes. Mas aqui deixo apenas esse apontamento escrito, para vos suscitar o interesse em, para a próxima, irem lá vê-la com os próprios olhos, pois estas coisas têm sempre mais graça com gente dentro!
Também não vos falei da gastronomia, das conversas, das festas que por lá houve… Mas nunca é bom falar de tudo. Talvez nalgum futuro romance…