by OrCa | Out 30, 2020 | Opinião - pensamento crítico, Textos facebook |
Uma coisa assim, se calhar, de origem celta ou nem tanto, cultivada na Irlanda e Grã-Bretanha a partir de 600 ou 800 d.C. e exportada para os States, que lhe arrefinfaram o seu cunho peculiar e espaventoso, como é seu hábito, é reintroduzida na Europa por submissão despudorada à cultura anglo-saxónica, sem que haja um pingo de convergência cultural connosco… Faz sentido?
Ah, e houve muito bom professor(a) de Inglês que, à míngua de mais originalidade, teve por cá grandes responsabilidades na disseminação da praga. É que podia ter-lhes dado para a divulgação dos nossos cabeçudos, por exemplo. Mas não… E porquê? Ora, porque os cabeçudos não falam inglês.
Aliás, constou-me que, em Inglaterra, esta festarola era utilizada para que os protestantes pudessem sacanear os católicos sob o pretexto de que era tudo uma brincadeira… Ainda faz, por esta via e no que nos diz respeito, tão católicos apostólicos romanos que dizemos ser, mais sentido, como é óbvio!
Depois, como se disse, foi levada para os Estados Unidos pelos emigrantes que, aparentemente, no intervalo de limpar o sebo aos autóctones, tiveram artes de escavacar umas abóboras, com muitas fatiota alusiva associada e comércio à mistura, tendo resultado nesta coisa obscura que é… o Halloween, ou Dia das Bruxas, como dizem por cá para disfarçar.
Já agora, experimente-se perguntar a algum festarolês o que é que ele está a celebrar, só por graça.
Já para não referir que celebrar alguma coisa através do desperdício de comida, sempre me pareceu, no mundo em que vivemos, vá lá, estúpido.
São coisas destas que me fazem, de vez em quando, sentir o peso da idade…
by OrCa | Out 29, 2020 | Opinião - pensamento crítico, Textos facebook |
Não é a primeira vez que o digo, mas estou em crer que não é demais repetir. E mais SNS não significa, exclusivamente, mais instalações.
Significa, sim – e isso é de muito mais complexa criação -, uma muito mais justa retribuição aos profissionais que o integram, retribuição que torne apelativo para cada um desses profissionais da área integrar o mesmo Serviço Nacional de Saúde.
Os órgãos de «comunicação» matraqueiam-nos diariamente os ouvidos com «realidades» falaciosas que instilam o medo irracional, em função de uma agenda obscura que ninguém entende. Um exemplo só e muito recente:
– Um hospital de Lisboa «atingiu os 87% de ocupação nas Unidades de Cuidados Intensivos e nas Enfermarias». Disparate!
Primeiro porque uma coisa são as UCI e outra as Enfermarias e uma não tem nada a ver com a outra, pelo que não é legítimo «amontoá-las». Depois, porque se fala de 9 camas ocupadas num total… de 10.
Ora, se em vez de 10 camas num hospital de referência houvesse 100, qual seria a percentagem? Pois é… E até temos a logística. Então, o que nos falta? O capital humano.
Porque é que, no estado actual, ainda não se ouve falar de hospitais de campanha? E os que se criaram na chamada 1ª fase ficaram, praticamente às moscas. Se calhar porque é preciso haver profissionais qualificados para gerir essas camas. E, se calhar, outra vez, não os há.
Capital humano que foi para o Reino Unido, para os Emirados Árabes Unidos, para as Franças e Araganças para onde os levaram as desastrosas políticas remuneratórias e leis «laborais» praticadas há longos anos, em Portugal. E foram para esses países ganhar o dobro, quando não o décuplo (e não é exagero!) do que poderiam ganhar por cá… se tivessem emprego.
E foram, para cúmulo, disponibilizar os seus serviços de excelência cujas competências obtiveram em Portugal através dos impostos que cá se pagam, para além do esforço das respectivas famílias.
Efectivamente, «algo está podre no reino da Dinamarca», como dizia o poeta, e estou em crer que a boa saúde dos bancos – a que sempre se acorre nas diversas aflições de que vão sendo «vítimas» – não nos ajuda, em nada, a superar a pandemia.
Em qualquer caso e para não dizerem que falo do que não sei, vou tentar internar-me num qualquer banco, para fazer mais adequada investigação no terreno… e, depois, vos direi como a coisa se passou.
by OrCa | Out 27, 2020 | Opinião - pensamento crítico, Textos facebook |
Eu sei que muitos dos meus círculos de relações mais próximos estão danados com o Bloco de Esquerda pela sua anunciada votação contra o orçamento de estado. E lá terão as suas razões, porventura detendo mais informação do que aquela que eu tenho.
Chegam alguns ao ponto de equipararem o Bloco ao Chega e demais direitolas nesse voto «contra» o governo. O que me parece excessivo, mas é só a minha opinião, sendo que só me tenho na conta de livre pensador.
De facto, qualquer de nós pode não estar de acordo com o orçamento actual pelas mais diametralmente opostas razões. E umas bem mais ponderosas que outras. Mas, em termos de voto para definir a posição, só existe o voto contra ou a abstenção, sendo que esta tem sempre muito de táctica política. Ou não é assim?
E a «união das esquerdas» é um dos partos mais difíceis que apareceram na sala de Ginecologia da História.
Talvez convenha, entretanto, aqui recordar que, ao contrário do que muitos dizem, foi Catarina Martins a primeira a propor a criação daquilo que viria a chamar-se a geringonça, lá por 2015 e num debate televisivo com António Costa a que assistiu quem quis e pôde.
Agora, também me parece muito visível é que o desidério primeiro de António Costa e do PS é conduzir à arreata os seus «parceiros de coligação», o que, convenhamos, não será o melhor exercício democrático, mas tem tudo a ver com o exercício do poder.
Falar de chantagem por parte do Bloco de Esquerda em relação ao PS faz-me lembrar muito o poema do Brecht: «Do rio que tudo arrasta se diz que é violento; mas ninguém diz violentas as margens que o oprimem».
E o Bloco de Esquerda decidiu votar contra quando já se tinha apurado que o orçamento passava… Taticismo político? Claro, como o de todos. E, afinal, o orçamento passa, na mesma.
Aguardemos, serenamente, os próximos episódios, porque o mundo ainda não acaba hoje…
by OrCa | Out 23, 2020 | Opinião - pensamento crítico, Textos facebook |
Note-se que sou daqueles que alinha com Jorge Torgal quando nos diz que, em Portugal, os resultados no combate à pandemia têm sido bastante positivos, nomeadamente, em comparação com muitos outros países europeus.
Dito isto, não deixo de me sentir perturbado, enquanto cidadão, com algumas – vamos chamar-lhes assim – «emanações» pontuais das diversas autoridades, a começar pelo governo… e por aí abaixo, onde são exorbitadas as competências definidas na lei.
Refiro-me, agora, especificamente ao enclausuramento concelhio obrigatório entre os próximos dias 30 de Outubro e 03 de Novembro, sem invocação de razão nenhuma de especial monta, a não ser a putativa romagem aos cemitérios (?).
Neste contexto, decretar o dia 02 de Novembro como dia de luto nacional para prestar homenagem «a todos os falecidos», em particular às vítimas mortais da covid-19, até soa a hipocrisiazinha de mau gosto.
Não vou atenazar-vos a paciência com matéria já tão submetida aos mais desvairados comentários. Deixo, apenas, para apreciação, um bocadinho da Constituição que nos rege, a mim, a si e aos governantes, também:
Artigo 19.º
Suspensão do exercício de direitos
1. Os órgãos de soberania não podem, conjunta ou separadamente, suspender o exercício dos direitos, liberdades e garantias, salvo em caso de estado de sítio ou de estado de emergência, declarados na forma prevista na Constituição.
Artigo 44.º
Direito de deslocação e de emigração
1. A todos os cidadãos é garantido o direito de se deslocarem e fixarem livremente em qualquer parte do território nacional.
Artigo 137.º
(Competência para a prática de actos próprios)
Compete ao Presidente da República, na prática de actos próprios:
d) Declarar o estado de sítio ou o estado de emergência, observado o disposto nos artigos 19.º e 141.º
Assim, ou o presidente Marcelo volta a promulgar o estado de emergência ou o primeiro-ministro Costa não pode decretar o impedimento de circulação ou não estamos, assumidamente, num estado de direito.
Uma de três e, permanecendo em democracia, temos pena, mas não fica alternativa!
A prática reiterada deste tipo de atropelos, que enveredam pela lógica de que os fins justificam os meios, apenas fragiliza a Liberdade e a Democracia. Haja disso a consciência!
by OrCa | Abr 24, 2020 | Crónicas, Opinião - pensamento crítico |
Isto é só para quem estiver com MUUUITA paciência para me aturar. Trata-se dos meus comentários a um texto publicado por Helena Matos, no Observador, a propósito de qualquer coisa em volta do 25 de Abril, que reputo de… inqualificável.
Como toda a gente diz o que lhe apetece ou pagam para dizer, resolvi também efectuar uma análise crítica ao texto, por ser direito que me assiste. Assim, para quem tiver a tal paciência, aqui vai o guia de leitura: entre aspas e a negrito estão as palavras publicadas pelo Observador da autoria de Helena Matos. Em contraponto, parágrafo a parágrafo, as minhas considerações vão antecedidas de um travessão.
Texto de Helena Matos, publicado no Observador, em 19 de Abril de 2020, tempo de Covid.
«O fim do tempo que disseram nosso»
«As celebrações do 25 de Abril de 2020 são a cerimónia da brigada do reumático do regime instituído em 1974. Agora, tal como há 46 anos, o país está bloqueado e a situação é a normalidade.»
19 abr 2020, 08:1713
«Aqui estamos em 2020 de volta à casa da partida: o regime nascido em 1974 está a passar à História. O impacto da epidemia acabou a expor quase obscenamente uma classe política de tal forma alienada e anquilosada que já nem vê como é ofensivo ir celebrar a liberdade e a igualdade numa cerimónia em que os participantes fazem tudo aquilo que foi proibido aos demais portugueses.»
– Este é o pressuposto do qual Helena Matos (HM) parte para os parágrafos seguintes. Mas ele é meramente opinativo. Não se baseia em realidade nenhuma a não ser a do «achismo» e maledicência. Ela «acha» que… Primeiro porque, se olharmos aos resultados da epidemia em Portugal, reconhecidos internacionalmente, rapidamente se concluirá que a tal classe política de que a HM fala, afinal, não andará tão alienada assim. Depois, volta a insistir na tecla já sobejamente desmontada de que estarão a fazer na Assembleia o que está vedado «aos demais portugueses». Aqui, direi que não é falácia. É mentira. Há muitas centenas de milhares de portugueses que continuam a trabalhar nos seus locais de trabalho e outros tantos em casa. E, como também tem sido sobejamente dito, a Assembleia da República nunca cessou funções, nem o devia fazer, como órgão da soberania que é.
– Além disso, não consta em lado nenhum a não ser no «veneno» de HM, que os participantes na sessão vão fazer «aquilo que foi proibido aos demais portugueses». Vão fazer o quê? Beijar-se e abraçar-se na Assembleia? Cuspir sobre os oponentes? Entrar às cavalitas uns dos outros?
– Esta atitude falaciosa relembra-me sempre aquele silogismo que aprendíamos nas antigas aulas de Filosofia: como é que provas que uma mesa toca guitarra? É fácil: uma mesa tem pernas; quem tem pernas, tem pés; quem tem pés tem dedos; quem tem dedos tem unhas. Como é sabido que quem tem unhas toca guitarra, uma mesa pode tocar guitarra…
«Eles, os donos do que dizem ser o nosso tempo, nem percebem como reproduzem, passo por passo, os tiques do regime cujo final querem celebrar: depois de anos, décadas, quase meio século a troçarem da cerimónia da brigada a que chamaram do reumático (a 14 de Março de 1974, oficiais-generais dos três ramos das Forças Armadas mostraram o seu apoio a Marcelo Caetano numa cerimónia em que sobressaíram as ausências de Spínola e Costa Gomes) também eles estão transformados numa brigada do reumático e reivindicam a sua cerimónia como se ela fosse um amuleto.»
– Mais conversa venenosa da treta, de diz-que-disse, sem consistência nem rigor de análise. Aquilo que se chama falatar… Vejamos: a «brigada do reumático» foi um indecoroso acto voluntário (ainda que orquestrado) de vassalagem de altas patentes militares que ocorreu no anterior regime, um beija-mão indecoroso para que o «patrão» não cuidasse que eles alinhavam com os arruaceiro, com a tropa da ralé.
– Fazer um paralelismo entre este acto e a comemoração de uma efeméride como o 25 de Abril, acto matricial que, entre muitas outras coisas, permite a HM escrever o que escreve em total desrespeito deliberado pelas mais altas instituições do País, é, no mínimo, uma aleivosia.
– Já agora, como é que a «analista» classifica e enquadra, neste contexto, as ausências de Spínola e de Costa Gomes, que refere?
– E se vão estar presentes convidados que já são de idade avançada, também estarão presentes deputados mais jovens. Onde é que está aqui o paralelismo? A evidência escapa-me…
«Sem soluções para o futuro, agarrados à vacuidade das palavras tantas vezes ditas e cansadas pelo confronto com uma realidade que se tornou escarninha, precisam de celebrar a data fundadora do regime já não como uma vitória sobre o passado, ou de exaltação do presente mas sim como um exorcismo face a um futuro que temem e para o qual não têm propostas. O combate aos fascismos futuros cumpre agora o papel retórico de anos de evocações e recriações dos fascismos passados: iludir o momento em que alguém faça o balanço entre o prometido a 25 de Abril de 1974 e o concretizado nos anos seguintes.»
– Claro, depois trata-se de cavalgar os pressupostos anteriormente «explicitados». A HM dirige estas suas «reflexões» a quem? Ao governo de António Costa – que está em estado de graça perante os seus parceiros europeus, o que nunca aconteceu com Passos Coelho, apesar de ter sido tão «bom aluno»? Ou será a Marcelo Rebelo de Sousa que, sendo o que é e como é, colhe o consenso esmagador da maioria dos portugueses (excepto, talvez, o de HM, mas ela não tem coragem de pôs os nomes aos bois)?
– No contexto do palavrório de HM também não se entende o que ela pretende referir como «realidade escarninha». Se bem se entende e traduzindo: HM refere os tais seres anquilosados «agarrados à vacuidade das palavras… pelo confronto com uma realidade que se tornou escarninha». Ora, se a realidade se tornou escarninha (leia-se, que revela escárnio ou mal-dizer), em contexto de pandemia como aquele que vivemos, há que afirmar que a realidade deve estar, ela sim, a pobre, imbuída de estupidez agravada. Bom, a HM, se calhar, não era bem isto que queria dizer, mas terá construído mal a frase.
– Por fim, quando ela refere o «exorcismo face a um futuro que temem e para o qual não têm propostas» estará a falar de António Costa ou de Rui Rio?
– Falar do combate a fascismos futuros como mera retórica é, em meu entender, indecoroso, se considerarmos a evolução de movimentos ultra-direitistas um pouco por toda a Europa. Também não a entendo quando ela refere as «evocações e recriações de fascismos passados». De que «recriações» é que a senhora fala? Se alguém, nesta matéria, anda a «recriar» alguma coisa são aqueles que pretendem negar a existência de Auschwitz…
– Também não lhe fica bem falar do balanço entre o prometido a 25 de Abril de 1974 e o concretizado, pois lá teríamos de lhe lembrar (uma vez mais e sempre) a taxa de escolaridade, a Segurança Social, a diminuição da taxa de mortalidade de recém-nascidos, o Serviço Nacional de Saúde, a possibilidade de ela escrever as maledicências que lhe terão encomendado sem sofrer consequências, etc., etc., etc. Quanto ao que falta, ainda, concretizar, receio bem que não se possa contar com HM para o efeito.
«(A propósito das declarações de Ferro Rodrigues sobre a celebração do 25 de Abril na AR– “A Assembleia da República não saiu do terreno da vida política democrática com a pandemia, o estado de emergência ou a pressão de saudosistas, anti-parlamentares ou seguidores de fake news“ – alguém consegue na muito longa carreira do actual presidente da Assembleia da República descobrir um pensamento, uma frase ou uma ideia que se elevem um pouco acima do constrangedor?)»
– Por acaso, eu – que nem sou nem fui do PS – até sou capaz de me lembrar de inúmeras frases ou ideias emitidas por Ferro Rodrigues. Como destacado mancebo da crise de Mafra, como fundador do MES, como tribuno na Assembleia da República, como como Ministro da Solidariedade e Segurança Social e, depois, Ministro do Trabalho e Solidariedade do provável melhor elenco governamental que o PS alguma vez constituiu e que viu a sua carreira política destroçada por uma palhaçada indecorosa como foi (e continua a ser) o «caso dos pedófilos», onde alguns dos principais libelos «acusatórios» saíram exactamente das fileiras do PS – lembremo-nos de quem ascendeu, depois à ribalta do poder.
– Mas a HM, comentadora vivendo à sombra da res política, alega que não lhe conhece um pensamento, uma frase ou uma ideia… A HM tem andado, da política, distraída. E, curiosamente, estou eu com dificuldade em reconhecer-lhe a ela, um pensamento válido, uma frase coerente, uma ideia original. Lembro-me, a este propósito, de uma anedota que circulava nos corredores da Faculdade de Direito, quando, num exame oral, certo professor, político conhecido, se dirigiu ao examinando e lhe disse: «- As suas ideias são boas e originais. Só que as originais não são boas e as boas não são originais».
«Mas o Covid expôs mais. Expôs na DGS uma administração pública cada vez mais servil perante o poder político e menos apta para servir o povo. Expôs uma comunicação social mais interessada em provar as suas teses sobre o mundo do que em informar: assim os mesmos jornais portugueses que detalham com afinco o falhanço da administração norte-americana no combate ao Covid-19 não conseguem produzir uma notícia que seja sobre um país aqui bem próximo onde uma catástrofe está a acontecer perante a indiferença geral: a Bélgica. A Bélgica tem uma população semelhante à portuguesa, fez muitos menos testes, tem duas vezes mais casos e o número de mortos é quase sete vezes superior ao português. Como é isto possível? E como é possível que não seja destacado?»
– Aqui, reconheço a minha incapacidade em seguir o raciocínio da cronista. O que é que HM pretende? A DGS não tem estado a servir o povo e é servil em relação ao poder político? Mas, espera aí, a DGS não é um organismo estatal? HM pretende que a DGS solte o Grito do Ipiranga e declare as Berlengas como zona libertada?
– Ah, não, espera aí… HM queixa-se é de que a «comunicação social» está toda voltada para o «falhanço da administração norte-americana» e não se fala da desgraça que está a ocorrer na Bélgica. Realmente! Entendo a angústia de HM em tentar proteger, ainda que canhestramente, o seu farol-guia: a excelsa democracia e liberdade dos EUA, mesmo que sob o penteado «trumpeiro». O peso da Bélgica no concerto das nações, lamentavelmente, não lhe dá muito tempo de antena, pelo menos até que a CMTV descubra alguns cadáveres em putrefacção no meio de alguma rua belga. Essa é uma triste realidade. Mas é a imprensa que acolhe a HM – dirija a sua reclamação à direcção do Observador. E, pelo caminho, refira, também, o problema da pandemia em África. Pode começar por Angola e Moçambique, por exemplo.
«A pandemia expôs também uma fractura que não tem parado de crescer na sociedade portuguesa: as desigualdades crescentes entre o país do partido-Estado, de que falava Medina Carreira, (esse país não só se adaptou muito bem às medidas de confinamento como não lhe parece inviável vivermos em quarentena enquanto existir um caso de Covid-19) e o outro país, o do sector privado, muito particularmente esse sector privado que o estatismo-socialista detesta: os micro e pequenos empresários que ficaram privados de rendimento e agora ficam também fora dos planos de apoio anunciados pelo Governo.»
– Então, aqui, expõe-se um chorrilho de aldrabices, embrulhado numa pretensa dicotomia que não existe. HM pretende contrapor o país do «partido-Estado» – a que só lhe falta rotulá-lo de estalinista, para o discurso direitista patego e serôdio ficar completo – ao país dos micro e pequenos empresários (a quem o «estatismo-socialista» repudia). A HM terá alguma noção sobre o que é o tecido social português? Sobre quem é a massa eleitoral do PS? Ela não saberá, a pobre, que quando um dono de um restaurante se vê obrigado a encerrá-lo é todo o estado português que estremece?
– HM não se recorda da maravilha fiscal perpetrada por Passos Coelho e Vítor Gaspar, por exemplo, ao atirarem o IVA da restauração para os 23%? Ou ela também inclui estas personagens na lógica do «estatismo-socialista»?
– E o que é que a faz correr ao dizer que os micro e pequenos empresários «ficam também fora dos planos de apoio anunciados pelo Governo», quando todos sabemos que isso não é verdade?
«E sobretudo os tempos da pandemia mostraram-nos o que já sabíamos: não é necessário que existam censura ou polícia política para que na sociedade portuguesa se crie um pensamento único, basta que o poder seja de esquerda. Quarenta e seis anos depois do 25 de Abril aqui estamos presos naquela patética armadilha em que discordar do governo ou criticá-lo não é discordar do governo ou criticar o governo mas sim criticar o país e estar contra Portugal. Noutros tempos chamou-se a isto a situação. E agora será cidadania?»
– Cidadania que HM, no final de quarenta e seis anos, ainda não aprendeu a exercer. Ela escreve o que lhe apetece. Utiliza, em meu modesto entender e que tentei desmontar ao longo de todo este arrazoado: falsidades, falácias, malevolências e verdadeiras aldrabices, publica-as e, logo a seguir, queixa-se da existência de uma putativa censura regimental… (lá dizia a formiga ao elefante: «- Já viste a poeirada que estamos a levantar…?»).
– Quanto ao chorrilho de barbaridades que meio mundo anda a proferir, impunemente, em Portugal, em relação à comemoração do 25 de Abril na Assembleia da República, HM desconhece-o, embora afine pelo mesmo diapasão. Será caso para consolar a senhora e dizer-lhe que não está só, lamentavelmente, nessa espécie de circo opinativo que está montado?
– É que uma coisa é o direito à opinião, que todos temos… e o feicebuque é pródigo nisso. Tenho, aliás, vários amigos (a sério) que têm opinião diversa da minha, que não posso senão respeitar, se fundamentadas. Outra, muito diversa, é influenciar a opinião dos outros com aldrabices rasteiras.
– Em qualquer caso, HM está (q.e.d) contra a Presidência da República do Estado Português eleito democraticamente. Está, também, contra a Assembleia da República do Estado Português, eleita democraticamente. Está, ainda, contra o Governo do Estado Português constituído democraticamente após eleições democráticas. Restam à HM poucas alternativas:
– ou organiza uma revolução, coisa sempre plausível, ainda que não necessariamente saudável num regime democrático;
– ou emigra, eventualmente para os EUA, aliás seguindo directivas de Passos Coelho no que toca à abertura de novas janelas de oportunidades;
– ou continua a destilar, impune e alegremente, os seus pareceres ou achismos, com que intoxica os cidadão incautos e pouco críticos, até umas próximas eleições «redentoras» que lhe dêem acesso a um lugar ao sol.
Sabem o que vos digo? Já perdi tempo demais na minha vida de cidadão a comentar o textículo desta senhora.
NOTA – Tentei centrar a minha crítica muito mais numa perspectiva de análise de coerência intrínseca do texto do que numa sempre possível carga ideológica… ainda que tudo seja ideologia, como sabemos. Mas, se fosse por aí, a carga crítica seria, porventura, muitíssimo mais acintosa.