A vida tem muito daquilo que quisermos fazer dela.
Hoje, por exemplo, para aqui limitados e constrangidos, recebi de mão amiga uma sugestão para os aficionados dos fogos de artifício que estão tristes por não poderem sair à rua para deitar fora o ano velho e receber o ano novo.
Aqui a partilho, com a devida vénia, com os votos de que 2021 seja um ano pleno de criatividade e bom humor, com saudinha da boa à mistura.
Após exaustivos estudos no universo doméstico, inquirida que foi para cima de uma pessoa, concluiu-se, sem qualquer margem para dúvidas, de que na exacta proporção em que a pandemia nos confina, mais se expande a indústria doméstica de panificação.
Só não vos convido a servirem-se porque, embora alguns ainda não o saibam, o convívio nas «redes sociais» apresenta algumas limitações… O recheio (não visível): enchidos vários, presunto, leitão.
Enfim, como dizia o poeta, «melhor é experimentá-lo que julgá-lo, mas julgue-o quem não pode experimentá-lo».
… após leitura de poemas de «autores consagrados» que li aqui e ali – alguns de vós entendereis melhor o alcance da proovocaçãozinha, mas nem todas as cumplicidades podem ser do mesmo tamanho.
Se, em tempos, escrevi um «pastiche» de José Saramago que mereceu um comentário elogioso do próprio – e acreditem porque sou eu a dizê-lo! – porque não enveredar por caminhos poéticos algo diversos dos que me são habituais? Ora, lede e vede:
A modos que um poema pós-moderno vejo-me daqui ali sem sair de onde estou as cadeiras em meu redor despertam o silêncio dançando um tema de Gardel numa esgrima de pernas tentacular em amontoados de mobília sem sentido o som dolente do tango funde-se numa valsa estranhamente austríaca onde os violinos são como gôndolas venezianas mergulhadas em glaucos abismos de estridências vibrantes e eu e tu sozinhos sob uma aurora boreal pressentimos o desejo do solstício
ah se uma gaivota portuguesmente voasse nos céus de Phuket outro galo nos cantaria na urbanidade de Auckland onde pai e mãe me afagam na derradeira carícia antes da tempestade
somos tão poucos a voar que parecemos todos pequenos vistos da lonjura de estarmos aqui e ali sem sairmos de onde estamos…
Porque em situações adversas a criatividade pode ser salutar, aqui fica uma sugestão e um apelo à indústria nacional: que tal criar e produzir massivamente uma protecção para o imperioso distanciamento social como aquele que se apresenta na imagem anexa? Já viram o impacto que teria nos transportes públicos, nas idas aos mercados… eu sei lá! E, passado o vírus, poderia ser utilizado como casota para o cão, galinheiro, casinha de brincar para os filhotes, etc., etc.,,,
Houve, até, quem me sugerisse que poderia ser electrificada!
Porque isto anda tudo ligado, aqui fica uma prova irrefutável de que a Banda Desenhada é uma arte superior, com plenos direitos de cidadania, no mundo das artes e não só…
Em 2017, continuando a saga do Astérix, agora pela mão de Jean-Yves Ferri e de Didier Conrad, foi lançado o livro Astérix e a Transitálica.
E o nome do condutor misterioso era…? E passava-se o enredo em…?
página 14
página 16
página 41
Digam-me lá se isto não é absolutamente extraordinário…!
(Cansado, muito cansado com o matraqueamento viral a que vimos estando sujeitos, dei por mim a escrever disparates, que é uma terapia de equilíbrio mental que muito prezo e muito me ajuda a sobreviver…)
– para ser cantarolado com a popular modinha Meninas, vamos ao vira…