Dedicado às minhas amizades… e, já agora, às demais também, que têm direito à vida – ainda que, por vezes, não tanto ao que fazem dela:
– Tal como o Sol que faz o obséquio de nos nascer todos os dias, assim a esperança, assim cada novo ano.
Assim a expectativa, para cada um, de que vá melhorar tudo aquilo que – como nos diz o canto tradicional – «para melhor está bem, está bem, para pior já basta assim»… Haja saúde, busque-se a alegria, alimente-se a esperança, contrarie-se a acomodação, se doentia.
Como me disse um velho combatente em prol da Humanidade, fazendo votos de um bom e fecundo ano de 2026 (que torno extensivo a todos vós) e a que acrescento a evocação de Manuel Alegre, «mesmo na noite mais triste», a luta continua!
Nota – a fotografia, de minha autoria, que aqui se publica, traz-nos um pequeno exemplo do Sol e da falta de sentido dos actos que alguns, debaixo dele, perpetram.
Aqui ficam, sob a forma de um poema, os meus votos de Boas Festas e o desejo de que, para todos, o ano de 2026 se revele auspicioso e seja, afinal, uma janela aberta para a esperança, a liberdade e a democracia num mundo – que é o nosso – onde a paz impere e cada ser humano entenda mais e melhor o valor da fraternidade e do ser solidário.
NATAL 2025 – UTOPIA
há esse Natal de bombas morticínios e indiferenças alienação e intolerâncias e corpos amortalhados
há esse Natal cruel das cidades destruídas e campos armadilhados pedra a pedra – vida a vida nesse presépio funesto onde nada sobrevive nem há verde na paisagem nem assombro de horizontes
há um Natal de mentiras de sofismas e falácias da soez deturpação de qualquer humanidade e do primado do lucro insensato e sem pudor
mas o Natal que procuro tem artes de partilhar feito um presente futuro que nos apraz recordar sem sapatinho à lareira nem a prenda de revenda sem Pai Natal na carteira nem presépio de encomenda
ameno de tolerância recoberta pelo afecto onde não cabe a ganância e ninguém vive sem tecto um Natal de mil abraços contra a guerra e pela paz onde daremos os passos da Vida que nos apraz
um Natal feito de quadras sem ser quadrado afinal onde valem as palavras que nos dão cor ao Natal que nos lembre a Utopia ao nascer uma criança e deixe antever o dia com a luz de nova esperança.
«No prosseguimento das diversas iniciativas desenvolvidas em torno da exposição com o mesmo nome, a Espaço e Memória – Associação Cultural de Oeiras tem a honra de convidar os seus associados e amigos para esta apresentação do livro «Há Sempre Alguém Que Diz Não – A Oposição Estudantil à Ditadura no Ensino Secundário de Lisboa – 1970/1974», que ocorrerá na Torre do Tombo, em Lisboa, no próximo dia 18 de Junho, pelas 17h30.»
E lá estarei, contribuindo para que não se apague a memória…
Hoje, deixou este meio terreno Eduardo Gageiro, fotógrafo maior.
Não me ocorreu melhor homenagem do que chamar à colação um outro fotógrafo, este ainda bem entre nós, e que tenho a sorte de conhecer, o José Alex Gandum, (https://www.facebook.com/josealexgandum?locale=pt_PT), dele a autoria do expressivo retrato de Eduardo Gageiro que aqui se publica.
Estou em crer que nada como uma grande fotografia para homenagear (evocar) um grande fotógrafo. Do Eduardo Gageiro e da sua excelência enquanto fotógrafo já muito se disse, ainda que outro tanto haverá a dizer.
Mas olhando para o seu retrato, da autoria de José Alex Gandum, ficamos com a certeza certa de que o seu exemplo frutificou. E essa é, quanto a mim, a melhor memória a preservar desse exemplo maior da arte de «ver com olhos de ver» que cada fotógrafo, mais ou menos amador, mais ou menos profissional, persegue.