Sendo este um  espaço de marés, a inconstância delas reflectirá a intranquilidade do mundo.
Ficar-nos-á este imperativo de respirar o ar em grandes golfadas.

fotografando o dia (144)

há ali
qualquer coisa de Dali
se bem o vejo daqui

há um céu
e um rebéubeu
tanto quanto vejo eu

a força que dá a terra
que naquele corpo se encerra
e a Vida toda descerra…

– fotografia e poema de Jorge Castro

ventos de Maio

vou de porta em porta em Maio
buscando o florir das flores
vou e percebo um desmaio
qual arco-íris sem cores
nos passos do meu caminho
sinto a moleza do dia
como se o tonel de vinho
vertesse só água fria
perde-se a gotas o gosto
que o saber da vida empresta
perde-se o vinho e o mosto
é tudo quanto nos resta
e na modorra parada
da jornada que em mim corra
quando ficar já sem nada
fica da vida a masmorra
há que mudar de querena
se o vento vier usai-o
que há-de valer sempre a pena
singrar em ventos de Maio

– quadras de Jorge Castro

visitas papais, pontes a mais e outras coisas anormais
na FreeZone

É entrar, senhorias, a ver o que lá escrevo… na

 
o meu mais recente artigo:
Entre visitas papais, pontes a mais e outras coisas anormais…


Pelo meio de todas estas virtualidades pouco ou nada virtuosas, onde nos fica a problemática da couve portuguesa? Sim, isso mesmo, aquela que nos enriquece o cozido.

É que à força de ouvir tantos gurus do mercado a venderem a nova (?) banha-da-cobra, sem açúcar nem afecto, desestabilizando-nos o dia com o tormento da catástrofe de bancarrotas anunciadas dia-sim, dia-não, dou por mim sem saber se o nosso querido cozido à portuguesa há-de levar a bela couvinha ou, pelo contrário, face à crise não será de o fazer acompanhar, por monomania dos tais imperativos de mercado, com o movimento bolsista, ou com um novo diktat de uma qualquer agência especializada em rating…

… O restante por lá fica, se vocências quiserem dar-se ao trabalho de me honrar com a vossa leitura.

outras aventuras…

No passado dia 24 de Abril, teve lugar o lançamento, na Fortaleza de São Julião da Barra, em Oeiras, o livro Encontros de História e Património 1 – Diálogos em Noites de Verão, da Associação Espaço e Memória, de Oeiras, a que muito me honra pertencer.
Oportunidade rara, também, para visitar o interessante interior da Fortaleza, bem como excelente pretexto para reencontrar amigos… mesmo a ver navios, em fundo… (A propósito, Francisco, desta vez não deixo aqui o teu «boneco» com a Estefânia, pois uma passante interpôs-se no exacto momento da captação da imagem… Alguma alma invejosa, se calhar…)

 

Depois, por razões de saúde que privaram, episodicamente, os jograis Oeiras Verde da sua voz masculina, acedi ao amável e simpático convite da Ana Patacho para «fazer uma perninha», contribuindo assim para que não falhassem espectáculos já programados.

Como estas companheiras de enredos não fazem a coisa por menos, logo um dos primeiros calhou a ter lugar no Paláco das Galveias, em Lisboa, integrado na comemoração dos 25 anos da Associação dos Poetas Portugueses, com uma sala onde não couberam todos os interessados.
Uma experiência muito interessante e que, tanto quanto chegou ao nosso conhecimento, foi de grande agrado por parte da assistência, até pela óptima selecção de poemas interpretados.

A tempo, para quem possa e queira, teremos uma sessão no dia 29 de Abril, no Santiago Alquimista (à Sé), em Lisboa, pelas 18 horas.

E cá me vai ficando mais uma aventura para o currículo mas, principalmente, para a arte de viver que, como fica uma vez mais provado, não tem limite de idade. É só Vida, mesmo! E talvez passe por estas alquimias o elixir da longa vida, já que pedras filosofais abundam.

Abril sempre
com saudades do futuro

ABRIL – HOJE
Abril
é hoje
esta sombra que nos foge
por trás de foscas vidraças
algo em nós que se descobre
mas que é manto que nos cobre
num espanto
de mordaças
Abril
é hoje
esse jeito de trazer preso no peito
desencantos sem esperança
algo em nós que abandonámos
sob um manto de promessa
entre mágoas desenganos
e canções
feitas à pressa

mas Abril
é hoje
sim
porque Abril te quero assim
sempre num cravo a florir
num peito aberto à loucura
num grito feito aventura
esse o Abril
da lonjura
futuro mais que perfeito
esse o Abril
hoje feito
Abril que se há-de cumprir.
– poema e composição fotográfica de Jorge Castro


Porque Abril se confunde, nas minhas memórias, com as canções do Zeca, constituindo um todo indissociável e simbiótico, aqui fica o fundo musical necessário… e urgente.

Ver/ouvir AQUI

*
Vejam, também, AQUI o artigo de Pedro Laranjeira, na FreeZone, com fotografias minhas, inéditas, de 25 de Abril de 1974. 

no Dia Mundial do Livro
V aniversário da
Biblioteca Municipal de Cascais
de São Domingos de Rana

Nascemos quase em simultâneo, a Biblioteca Municipal de Cascais, de São Domingos de Rana, o grupo das Noites com Poemas e a Comunidade de Leitores.
Cultivando, desde o primeiro momento, o fértil terreno da comunhão de interesses, estabeleceram-se os pólos de profícuas sementeiras e de colheitas em redor da arte das palavras e dos afectos.
Cinco anos estão já cumpridos. Comemorados no Dia Mundial do Livro, como se de propósito fora. De parabéns estamos todos pela fruição de um espaço que é mantido com desvelo e com o mesmo desvelo nos acolhe, sem peias nem conhecidas dificuldades inventadas.
Assim é que vamos todos crescendo em torno da arte, também, de nos procurarmos e, depois, descobrirmos e sabermos próximos.

Prova do que fica dito, a presença da senhora vereadora da Cultura da Câmara de Cascais, Dra. Ana Clara Justino, que fez questão de estar presente na efeméride, bem como os demais responsáveis da Biblioteca.  Houve bolo e velas, claro. E cantaram-se os parabéns, obviamente. E as prendas foram os livros gratuitamente distribuídos, alimento dos espíritos mas também da materialidade que nos enforma.
E parece que estamos todos dispostos a enfrentar os anos vindouros. 
Quanto aos livros e à sua leitura, os livros trazem-nos, vida fora, quase tudo o que somos sob a nossa pele. Muita da cor da vida e a arte de descobrirmos os caminhos a trilhar, se nos perdermos nalgum ermo dos dias. E mesmo quando os amigos nos falham por algum destempero de circunstância, os livros ali estão, prontos para nos acompanharem na nova jornada. Terapia, acompanhamento e bússola: isso são os livros. Bem aventurados os que lêem.  

comemorações do dia mundial do livro

Recomendo vivamente:

PESSOAS COM ESTÓRIAS
Serão especial de poemas e outras leituras
integrado no
5º Aniversário
da Biblioteca Municipal de Cascais
– São Domingos de Rana,
no dia 23 de Abril, pelas 21 horas.
Um ponto de encontro para o desencontro desta vida!

há semanas assim…

Pois é, ele há semanas assim…
Primeiro, as nossas Noites Com Poemas, no dia 15, com dois grupos de jovens jograis, os Kábulas e Us Malvados, apoiado pela Edite Gil e pela professora Manuela Ribeiro…
… que decorreu às mil maravilhas, tanto mais gratificante quanto mais valeu a participação de gente mais nova já com muita arte para manter a chama viva.
Um sublinhado muito especial para o cuidado havido em homenagear vários dos poetas presentes…  
Onde, se podemos imaginar mãozinha de quem organizou, não é de deixar de realçar o empenhamento patenteado pelos mais novos, nas referências feitas aos mais velhos.
Por meio de outras cábulas e malvadezas lá fomos passando a noite, em tom de festa entre poemas, e houve momentos de espanto pela mestria na difícil arte de «jogralar»…  
Os «residentes» não quiseram deixar créditos por mãos alheias e uma vez mais fomos surpreendidos… e gostámos de o ter sido. 
Depois, comemorando o Dia Mundial da Voz, no dia 16, o rumo foi Setúbal e a Escola Secundária Dom Manuel Martins, pela mão de um velho amigo de muitas andanças, que organizou um excelente sarau, perante uma sala que mostrava uma inusitada mobilização da comunidade envolvente: pais, alunos e professores. Para cima de umas 300 pessoas, a premiar e dar créditos àqueles que, como o Rui Malheiros, ainda consideram que baixar os braços não é solução…  
Depressa, alguém que me faça chegar o nome desta senhora professora, que nos ofereceu um magistral espectáculo de representação!
Dia 17, exposição da exposição de escultura de Alberto Simões de Almeida, no seu Eden (atelier/galeria), à Rua do Giestal, em Lisboa. Coisa fina de ver e uma afabilidade, por parte do autor, não muito usual, a colocar as suas amizades no centro de um mundo que é feito para pensar.
O seu diálogo com materiais reaproveitados intriga-nos e estimula outros enlaces com os objectos que nos rodeiam.
E, no mesmo dia, melhor dizendo, noite fora, agora na colectividade Os Leões de Porto Salvo, a convite dos Jograis do Atlântico, vi-me ensarilhado com o grupo de jograis Oeiras Verde, a quem faltou o elemento masculino à última hora, por motivos de força maior. Havia um Jorge Castro à mão, que não desdenhou mais esta experiência pelos caminhos da poesia, dizendo poemas de Abril, que acompanharam canções, e lá fui…
E como a coisa correu de feição, palavras não eram ditas, mas logo foram logo repetidas no Palácio das Galveias, no dia 18, de novo integrando os jograis Oeiras Verde, na comemoração do 25º Aniversário da Associação de Poetas Portugueses  
(Ufff… Ocorreu-me uma laracha que um amigo costumava soltar em momento oportuno: – Ainda bem que amanhã é dia de trabalho… – amanhã, não. Já daqui a pouquinho.
Boa noite, sim?  E façam o grande favor de ser felizes…

noites com poemas – jogralitando…

No próximo dia 15 de Abril, quinta-feira, pelas 21h30, na Biblioteca Municipal de Cascais- São Domingos de Rana teremos mais uma Noite Com Poemas.
Desta feita contando, como convidados, com dois grupos de jovens jograis cuja génese e orientação ficam a dever-se a Edite Gil e a Manuela Ribeiro. São eles:
Us Kábulas“: Guilherme Pinto Duarte – 13 anos; Lukénia Amália de Carvalho Alexandrino – 15 anos; Nuno Miguel Lucas Gonçalves – 15 anos; Rita de Carvalho Aguiã do Espirito Santo – 14 anos
Us Malvados“: Ana Rita Augusto Silva -16 anos; Davide Baptista Menezes – 15 anos; Pedro Taylor Pegado de Almeida -15 anos; Rita Isabel Vassalo dos Santos – 16 anos
Mantendo a tradição destes encontros, jograis seremos também todos os demais presentes… mesmo que o sejamos a solo.
Já sabes, contas sempre com um lugar reservado. Mas se trouxeres um amigo, verás que nunca somos demais.
Além disso, é Abril. Tempo de tornar mais vivas as cores das nossas vidas… e cada momento que se perde, é momento desperdiçado.
Abraços e até lá.
 
Jorge Castro
Todas as coisas têm o seu mistério
e a poesia
é o mistério de todas as coisas
– Federico García Lorca

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