Sendo este um  espaço de marés, a inconstância delas reflectirá a intranquilidade do mundo.
Ficar-nos-á este imperativo de respirar o ar em grandes golfadas.

dá-me o teu braço, meu amigo

(poema anti-orçamento e melancolias diversas e avulsas…)

dá-me o teu braço
meu amigo
vamos cantar
vamos dançar o desembaraço
de se mudar
este castigo de se não ser
e de se não estar
neste país que já foi o berço
e não é abrigo

porque é assim
meu amigo
há que mudar
o triste fado que nos enfada
por assim estar
de assim viver num desviver
quase castigo
quase destino de se viver
sem ter caminho

e cantaremos
meu amigo
o acontecer
que construirmos dia a dia
em desalinho
e cada dia há-de ser
o que ele trouxer
e o que fizermos só por sabermos
qual o caminho.

– poema de Jorge Castro

noites com poemas – Republiquemo-nos!

E lá fomos, em busca da República, essa senhora tão arredia dos nossos viveres nos dias que vão correndo. A viagem revelou-se profíqua, porquanto ela lá estava, aguardando-nos, patrocinando que pela sala perpassasse um frémito republicano…   

Sala republicanamente farta – porque participada activamente -, com bem recheado naipe de cidadãos, de cujos sentires todos pudemos livremente partilhar.

O professor Fernando Catarino, pedindo escusas pela saída antecipada, por imperativos familiares, mas ainda assim marcando presença e promovendo a reflexão colectiva.

Hoje deu-me, verde e rubro, para o comício. Falou-se dos valores da República até à apagada e vil tristeza do nosso quotidiano amorfo e atípico, contrariado apenas pelas bolsas de resistência, em prol da Democracia e da Liberdade, que os senhores da informação, contudo, ignoram ou omitem.  

Francília, a alegre combatividade

Ana, um caso sério de amor à arte

Francisco, republicano por dentro e por fora

Carlos – coadjuvado, à distância, pela Eli e por José Rodrigues Miguéis

O constante poema inesperado 

David, a determinação e a assertividade

A persistência, a contrariar enormes dificuldadesde saúde, mas que, ainda assim, ali parece recobrar novos alentos  

João, incansável combatente de adversidades

Os Jograis do Atlântico – Edite e Francisco

O encanto da palavra dita de cor(ação)

Oeiras Verde – Estefânia, Helena, Jorge, Ana, Mário e Magnólia  

Miguel, o intemporal

A amena cavaqueira que antecede os abraços até à próxima, por missão sempre por cumprir, levada a par e passo por todos quantos escolhem este espaço mensal num livre, democrático e, por isso, republicano modo de estar na vida!
– fotografias de Lídia Castro

noites com poemas – REPUBLIQUEMO-NOS!

A bem de todos, parece-me muito que é disso que se trata, no que toca a mudarmos de vida e contrariar esta «apagada e vil tristeza» em que vegetamos: REPUBLICARMO-NOS!
Esta próxima sessão das Noites Com Poemas, que terá lugar em 15 de Outubro de 2010 (sexta-feira), pelas 21h30, na Biblioteca Municipal de Cascais – São Domingos de Rana (Bairro Massapés, em Tires), não tendo convidado especial, contará tão só com a participação de cada um dos presentes. E será bastante. Com os bravos companheiros que constam do cartaz ali ao lado conto sempre. E contigo?
Democracia e Liberdade, os dois pilares mestres da República – que se comemora hoje e sempre – alicerçam-se e consubstanciam-se plenamente nesse exercício a que urge dedicarmo-nos: a Cidadania.
E se a participação do cidadão se reveste em modo e forma de poema, tanto melhor, porque nele há-de existir o sonho, o mais importante, esse que acontece com os olhos abertos e o espírito acordado.
Lá vos esperamos. Com um abraço,

Jorge Castro

Nota sempre importante: a autoria dos cartazes que anunciam cada sessão, como habitualmente, é de Alexandre Castro.

proposta de nova bandeira
para a República que há-de vir…

Com tanta cegueira, mais ou menos deliberada, que nos consome, parece-me bem
que surjam correspondências aos nossos anseios colectivos,
que nos identifiquem, também enquanto povo, com os símbolos da nação…

– fotocomposição de Jorge Castro

*

Entretanto, aproveite para ler o meu último artigo publicado na FreeZone
com o título

Esta é uma crónica moralista e algo conformada… 
– Porque é que, em Portugal, não se utilizam os «piscas»? 

– República de 100 anos
– Nação de 800 anos
– Povo de… milhares de anos

Não é na crispação que desponta a criatividade? Ora, adeus… E eu que pensava exactamente o contrário…!
A todos quantos, nas comemorações frustres dos 100 anos da República, advogaram a manutenção destas águas moles e paradas em que vivemos atolados – cujo contrário apelidaram de «crispação» – as minhas sentidas condolências.
A esses voluntários reféns dos ditames dos centros internacionais de decisão, para os quais a independência nacional é expressão que já não faz sentido – se é que, para eles, alguma vez o fez… – as minhas muito sinceras e sentidas condolências.
Mortos em vida, despojos inúteis esquecidos no caixote do lixo da História, empecilhos do futuro, deles nada restará senão ódio ou comiseração por tanta sabujice e miguel-vasconcelismo.
Crispemo-nos, pois, contra a adversidade construída, contra a constante mentira despudorada que nos entope o viver!

E nós, que já por cá singrámos há tantos anos, havemos de prosseguir. Há, decerto, novos mundos a descobrir. Naveguemos, pois.  

Vivamos a República!

NOS 100 ANOS DA REPÚBLICA PORTUGUESA
eu fui um dia à República a ver o que lá havia
vi gente de vário trato mas a grande maioria
tinha mão cheia de nada – de quase tudo vazia
e por República ser irmã da Democracia
perguntei a um cartola que ostentava a demasia
porque havia nele tanto que à miséria carecia
que não! – que não! grita pronto com ferida fidalguia
– o que tu chamas miséria mais não é que a mordomia
de quem só vive de manhas que o estado subsidia
eu cá sou pilar do mundo sem mim nem dia nascia
sem mim o povo ia ao fundo – a Humanidade ruía
nem haveria no mundo a sagrada Economia…
a seu lado afadigado um jovem casal corria
quis saber da pressa tanta e daquele ar de agonia
– entre o emprego e os filhos era o tempo que fugia
e a seu lado um pedinte que trabalhar não podia
e outro mais que queria mas de emprego não sabia
outro ainda que o tendo só o tinha por um dia
e estando todos sofrendo era um só que sorria
e de todo o sofrimento de quem tanto assim sofria
era esse que do pranto e da miséria vivia
*
verde e rubra esta bandeira com a esfera armilar
que deu volta à terra inteira pelos caminhos do mar
e se foi da cor do céu com que um dia se pintou
foi com os braços do povo que cada nau navegou
e passaram tantos anos que já ninguém recordava
ser o primado do Homem que à República interessava
sendo irmãos concidadãos entre si de modos vários
mas um por todos à vez todos por um solidários
que a República se fez p’ra cada um e por todos
fraterna urgente e ufana de dar liberdade a rodos
e não para dois ou três fulanos sem terra ou ninho
que só cuidam do viver explorando o seu vizinho
e que medram no esterco da desgraça que exaltam
sugando p’ra si proventos que a tantos tanto faltam
não é privada a República com as mãos de todos feita
urge então as mãos nos darmos para banirmos tal seita
sermos de novo este povo de ter fado sem amarras
e de cumprir o seu sonho qual Paredes nas guitarras
as mãos bem firmes no leme cuja rota ao mar aponte
mas com raízes na terra e a Vida por horizonte!

viva a República!

Ontem, dia 2 de Outubro de 2010 foi comemorado o 1º aniversário da Casa da Achada – Centro Mário Dionísio, em Lisboa.

Fui um dos afortunados presentes que assistiram às exibições do CRAMOL e do CORO DA ACHADA.
Aqui vos deixo duas das peças interpretadas em conjunto pelos dois grupos corais, que me levam a gritar bem alto:

VIVA A REPÚBLICA!

e não vir um raio que parta esta corja mandante…
já que nós não a partimos!

Não tenho vergonha de ser Português. Sou-o e pronto! Assumo-o e e tento fazer da minha vida um modo de nela estar portuguesmente.
Aqui e ali sinto dificuldades para definir o conceito mas, curiosamente, dou por mim a pensar sempre em português, a respirar este ar que me rodeia e a ver sempre a vida com a luz que ilumina primorosamente este pequeno rectângulo do mundo.
Considero-me, portanto, um caso irremediável de portugalidade. Hasteio-a como bandeira e orgulho-me disso de uma forma que raia o inconsciente.
Mas estou para aqui cheio de raiva por ser Português, ah, isso estou! E com uma imperiosa e incontinente vontade de atirar pela janela mais alta que houver a récua de mandantes que tem assolado este nosso País.
O estado de calamidade pública a que os sucessivos governos do «centrão» nos conduziram com a destruição deliberada e sistemática do tecido produtivo nacional atingiu um novo cume de sem-vergonha ontem, com o anúncio de novo e despudorado assalto à mão armada levado a cabo pela seita no poder para uma outra vez encher os bolsos aos seus patrões, essa entidade freérica que detém o grande capital no mundo.
Há cem anos implantou-se a República. É mais do que tempo de todos e cada um nos republicarmos, cidadãos!

pouca vergonha ou sem-vergonha absoluta

OCDE, Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Económico, é ou não é?

Um senhor mexicano e secretário geral da OCDE, José Ángel Gurría Treviño, decidiu vir a Portugal cumprir um frete: da desgraça, dizer-nos o que já estamos fartos de saber; das soluções preconizadas, o que José Sócrates tem andado a dizer – com os notáveis efeitos visíveis na sociedade portuguesa – há uma data de tempo.

Em terra de tanto guru economista, mais um ou menos um nem seria coisa demais, pois o território é pequeno mas muito acolhedor. No entanto, este, porventura alcandorado na arrogância de se presumir  sustentado por uma organização de tal gabarito como a OCDE – que é e faz o quê? – , achou por bem, ainda, tecer considerações quanto às atitudes comportamentais e relacionais que os diversos partidos portugueses devem manter entre si.

Em bom português, isto chama-se, liminarmente, ingerência nos assuntos internos de um país e alguém devia providenciar em meter o senhor na ordem, no mínimo com queixa sumária e pública à tal OCDE, pela indecorosa intromissão. Ah, e a OCDE é o quê e faz o quê…?

Se não fosse a hipócrita mania de alguns portugas de se armarem em moralistas no que ao livre linguajar se refere (veja-se o recente caso dos dicionários com palavrões – que horror!), e eu estaria capaz de recomendar a esta sumidade, como a minha avozinha transmontana faria, que metesse a língua no cu e fosse à vida dele, deixando-nos tratar da nossa, com a independência que um País com tanta História deveria ter, mas não pratica…

Não há paciência! 

Todas as coisas têm o seu mistério
e a poesia
é o mistério de todas as coisas
– Federico García Lorca

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