– Menir de Meada, do alto dos seus 7,15 metros de altura, uma impressiva representação do Neocalcolítico.
Numa passeata para distrair o pensamento (3)
– O Mosteiro da Flor da Rosa – magnífico!
Numa passeata para distrair o pensamento (4)
– Ammaia – uma importante cidade romana, fundada há cerca de dois mil anos, já dentro do território da Lusitânia, cuja investigação está a ser desenvolvida à portuguesa (curta… e morosa). O espaço museológico: excelente!
A fotografia publicada mostra, a negro, o extraordinário traçado da estrada actual para Portalegre que, distraída e/ou inconscientemente, foi construída, em 1920, sobre os relevantes vestígios da povoação.
Deixei um breve comentário no livro de visitas: «Desenterrem-me, porra!».
Ó autarcas da minha terra e demais mandantes, acordai… e agitai-vos um pouco em prol da cultura a sério, nem que seja como prova de vida!
Numa passeata para distrair o pensamento (5)
– Ainda a propósito de Ammaia: imaginem, através desta imagem, a dimensão e o interesse deste espaço. E, logo a seguir, pensem que o acesso aos vestígios desta cidade nem sequer estão perturbados por edificações posteriores…
Numa passeata para distrair o pensamento (6)
– Em Castelo de Vide, uma exposição por Abril, sempre!
Numa passeata para distrair o pensamento (7)
– Em Castelo de Vide – um jardim com rosas.
Numa passeata para distrair o pensamento ( 8 )
– Ermida de Nossa Senhora da Penha – vistas diurna e nocturna.
Numa passeata para distrair o pensamento (9)
– Núcleo museológico de Ammaia: pequeno e, no entanto, cheio de graça.
Numa passeata para distrair o pensamento (10)
– No claustro do Mosteiro da Flor da Rosa – uma Andorinha-das-rochas (Ptyonoprogne rupestris)
Nostálgico. É isso… Relembrando um daqueles momentos em que estive um pouco em companhia de mim mesmo.
MEMÓRIA DESCRITIVA
a noite descera serena e silente sobre o empedrado húmido da chuva aqui e ali uma azeda gritava numa teimosia a cor que brandia numa comissura breve do lajedo crescia em recanto a rubra papoila tão desvanecida pela noite descida talvez a aguardar a nova alvorada
era primavera em cada ruela onde a luz da lanterna tanto esmorecia e o casario fundia em fraguedos os seus alicerces contra a intrépida agrura de tanto abandono
não se via vivalma nem se pressentia só estes meus passos desassossegavam a quietude pasma do lugar perdido se houvera risos e ecos de passos passados do labor agreste do gado de volta ao sítio de abrigo do regato ao fundo bordejado a freixos marginado a plátanos que o vento tangia restou só a fala da água e da brisa nesta noite fresca sem ninguém à vista
há o coaxar teimoso das rãs há o pio surdo e nocturno de um mocho um grilo a cigarra a brisa nas ervas e algum bater breve de porta entreaberta saudosa de mãos a dar-lhe um destino
e naquele lameiro há anos sem uso avistado ao longe numa lua cheia as pedras dos muros que ainda o ladeiam estão de sentinela em missão cumprida.
quando olho para ti esses teus olhos lembram sempre aquele mar cheio de estrelas onde cedo aprendi a navegar nem era meus os caminhos eram delas reflectidas nessa ondulação do mar
sempre em vão me esforcei por entendê-las por trazê-las junto a mim ao meu lugar mas talvez por serem tão somente estrelas tão prementes tão belas tão distantes só as tive na carícia de um olhar.
porque o tempo é sempre feito de mudança as quimeras e utopias são reais muda o tempo muito mais que a vista alcança mas o sonho esse então nunca é demais
há-de ser sempre Abril este meu hino de lutar contra o pavor de ter amarras há-de ser de Abril decerto esse destino de fazer de negras noites manhãs claras
esse tempo tempo este o que virá onde tu e eu e nós gritamos sim contra muros a erguer penas e espadas e ao sair a vida à rua em dia assim vai trazer-nos boas novas e alvoradas
esse tempo tempo este o que virá feito urgente em cores da fraternidade a trazer ao peito o grito conhecido sempre urgente a relembrar toda a cidade que o povo unido nunca mais será vencido
esse tempo tempo este o que virá cravo-Abril sendo flor e temporã de acender este querer ser que em peito arde por mais que tarde já lá vem o amanhã porque Maio vai florir e nunca é tarde.
Dizem-me que houve, há dias, o dia do beijo. Ora, para o bem de nós, é melhor que nos beijemos sempre que apetecer.
E, por falar nisso, preparando uma sessão em que estarei, hoje, envolvido, tropecei com este meu poema, que vos deixo, e que já conta com uns anitos de ver a luz do dia. Espero que ele vos estimule o dia…
beijo
vês? chegámos de novo a Abril e os teus olhos abrem-me sempre novas madrugadas os teus seios de oferendas mil ensejos mil moradas
o teu ventre abre-se em flor e cruzas o tempo na promessa de um prazer que é quase dor ou quase sede de que abusas
e a tua pele quando me acolhe de veludo a maciez mas quase ardência nessa urgência em que eu pare e p’ra ti olhe e ao de leve te pressinta uma premência de ti um fremir quase ventura que estremece porque tanto me apetece dos teus lábios a suave comissura
a minha língua toca-a levemente e os teus lábios recebem-me e desenham-se em sorriso e afogam-me e bebem-me sem aviso e o tempo voa assim sem dor nem hora porque é feito de Abril o que em nós mora.