Sendo este um  espaço de marés, a inconstância delas reflectirá a intranquilidade do mundo.
Ficar-nos-á este imperativo de respirar o ar em grandes golfadas.

não consegui resistir… ;-)»

Direitinhas da minha caixa de correio para aqui:
*
Como querem que me porte bem depois dos 40…???

Se em criança via oTarzan que andava nú,
A Gata Borralheira que chegava a casa à meia noite,
O Pinóquio que mentia a cada instante,
O Batman que conduzia a 320 km/h,
A Bela Adormecida que era uma grande preguiçosa,
ABranca de Neve que vivia com 7 anões,
O Capuchinho Vermelho que não ligava nenhuma ao que lhe dizia a mãe,
A Betty Boop que andava vestida como uma prostituta,
O Polegarzinho que espalhava migalhas por todos os lados,
e …
O Popeye que fumava erva !!!!!!

Vá lá… não me lixem… muito bons saímos nós!!!

dia mundial da poesia
na Escola Secundária de Coruche

Não que o tempo recue e menos ainda por eventual falta de assunto – que, felizmente, disso por cá não há carência – mas porque o realce faz sentido, hoje e sempre, aqui fica, documentado em forma de imagens, o evento que teve lugar em 21 de Março de 2012, integrado em actividade da rede de Bibliotecas Escolares, na Biblioteca da Escola Secundária de Coruche, englobando vários graus de ensino (do 2º ano ao 12º), e aberta à comunidade local.      
Um grupo de poetas convidados, rumando de longe, ajudou à festa, que interessava ser composta essencialmente pela fina prata da casa. O convite chegou-nos pela professora e poetisa Ana Freitas, que acumulou funções com parte significativa, também, na organização do evento. 

Da troca de poemas, que saltaram de mão em mão, surpresas foram mais do que muitas, quer da parte de quem estava como de quem chegou de fora. 
Por razões de costumeiras cautelas e precavendo-nos de sensibilidades mais… sensíveis, escusámo-nos à publicação de imagens dos participantes mais novos, que os houve, com empenhamento e em significativo número, em sala que se revelou pequena para tamanha afluência.
Poesia para todos, enfim, no ninho de saberes que há-de ser uma escola e, nela, nessa janela para o mundo e para a vida que deve ser uma biblioteca       
– Fotografias de Lourdes Calmeiro e de Jorge Castro

Dia Mundial da Poesia
nas Caldas da Rainha

Como vem sendo já tradição, com organização da Comunidade de Leitores das Caldas da Rainha, o Dia Mundial da Poesia aconchega-se ao sábado seguinte do calendário, a bem das disponibilidades de todos.
Também este ano, como sempre com um ambicioso programa, rumámos às Caldas da Rainha, em intercâmbio de colaborações e de afectos.
Teve início a sessão com uma justíssima homenagem, por parte da Comunidade de Leitores a Isabel Gouveia, nome literário da escritora e poetisa Isabel Pereira Mendes, que me perdoará o quase despautério de a nomear como companheira destas lides, pelas Caldas da Rainha e no mundo dos poemas, desde os meus incipientes passos pelos mares das escrevinhações. 
Senhora de extensa, multifacetada, polivalente e muito interessante obra, nada mais justo, pois, que o reconhecimento público do mérito se impusesse.

Para tanto e em abertura de sessão, Palmira Gaspar, da Comunidade de Leitores, fez a apresentação da autora, enunciando intenso currículo de vida e obra.

Seguida de apreciação apologética a cargo do ensaísta e crítico José Fernando Tavares, que dissertou  sobre a obra de Isabel Gouveia, com especial realce para a sua vertente poética.
Foi, então, chegada a altura de dar voz aos poemas da homenageada, para o que uniram forças:

Ana Freitas

David José Silva

Francisco José Lampreia

João Baptista Coelho

Jorge Castro

Perante um público vasto, atento e interessado, integrou, também, esta homenagem, emprestando a sua voz à obra da homenageada…

Sinde Filipe, conhecido autor e uma excelente voz de dizer poesia, o que aliou à sua qualidade de amigo pessoal da autora e que nos trouxe um bouquet de poemas da autora, em encadeado criteriosamente seleccionado. 

António Cacho – colega e amigo da autora

Fátima Tomé (Os Pimpões)

Orêncio Nunes (Os Pimpões)
Algumas outras vozes, outras amizades, quiseram associar-se a esta homenagem a Isabel Gouveia; em primeiro lugar, duas jovens premiadas em concurso de poesia do Colégio Rainha D. Leonor, das Caldas da Rainha, 

Joana Franco – 2ª classificada, com o poema O que é a vida 

Joana Cavaco – 1ª classificada, com o poema O Sonho de Alice
Duas jovens vencedoras locais em concursos escolares de poesia deram o seu contributo no sentido de se estabelecerem as pontes sempre necessárias e urgentes entre gerações, como modo elementar de se manter acesa a chama.   
O Grupo Coral dos Pimpões, aqui apresentado por Carlos Gaspar da Comunidade de Leitores, e…

… o Maestro Joaquim António Silva surpreenderam-nos com a sua interpretação de uma belíssima série de composições de Fernando Lopes Graça, que dão corpo a outros tantos poemas de grandes poetas portugueses. .  

Um nome mais que tende a ser deixado cair no esquecimento por quem tem da nossa cultura uma espécie de «alergia» idiota… e verdadeiramente inculta. Bem haja, então, quem assuma a coragem de seleccionar tal repertório, ainda para mais com a graça complementar de ter sido aluno do mestre Fernando Lopes Graça. 

O Grupo Coral Os Pimpões foi acompanhado pelo pianista Robert Patten. Valha-nos, então, a existência de não-portugueses a quem sabe bem deixar-se cativar pelo que se faz bem feito nesta charneira do mundo.  

Os Pimpões colheram, naturalmente, forte aplauso da plateia.

Margarida Rézio, da Comunidade de Leitores encerra a homenagem com um poema de Isabel Gouveia.

Mena Santos

Nova ronda de poemas, desta feita originais de cada um dos autores presentes, que culminou com a entrega a Isabel Gouveia das flores do nosso contentamento. 

Coube-me, por fim, apresentar o meu mais recente livro Vinte Poemas por Amor e Uma Canção Inesperada

… no que contei com a preciosa colaboração de Estefânia Estevens, em périplo magnífico pelos Jardins do Nunca…


… que sequenciei com a leitura de vários poemas deste meu livro, com notável acolhimento por parte de público presente, que resistiu, interessado e interessante, a todo o decorrer da sessão.

A Dra. Aida Reis, directora da Biblioteca Municipal das Caldas da Rainha, a quem ficamos devedores por tão afável acolhimento, encerrou a sessão, já com votos de que mais sessões ocorram.  

A costumeira sessão de autógrafos… que, convenhamos, apesar da promoção de eventuais tendinites, nos enche a alminha de contentamento. 
– Fotografias de Lídia Castro e de Lourdes Calmeiro

dia mundial da poesia
que não há
… mas vai havendo

fado da esperança
através de uma guitarra
que mão de fado dedilha
singra muito além da barra
um coração feito ilha
e nas ondas alterosas
dos mares que nos deram vida
tecemos cravos e rosas
sem chegada nem partida
adeus hinos que nos mintam
benvindos ventos da sorte
venham vontades que sintam
haver na vida outro norte.

– quadras de Jorge Castro

letras com cores
noites com poemas
poemas coloridos

Isabel Nunes trouxe à Biblioteca Municipal de Cascais, em São Domingos de Rana, uma soberba representação da sua obra, que disponibilizou em desafio de criatividade para que um grupo de poetas  interpretasse cada quadro em forma de palavras.

Feitas que foram, como habitualmente, as honras da casa, a própria Pintora… 

… nos fez a apresentação sumária mas vívida da sua obra…

… em percurso que, a ter algum reparo, apenas se lamentaria o ser de exposição tão breve, por tanta cor que haveria a dizer.

Valeu, então, Isabel Lousada, que estabeleceu, através de Florbela Espanca… 

… a ligação entre a poesia de Florbela e a pintura de Isabel Nunes…

…. recorrendo ao que eu chamaria de coreografia entre a imagem e a palavra.

Ilustra essa coreografia, chamando a participação de Luís Perdigão

… de quem, em boa hora, tivera conhecimento recente e que, uma vez mais, provou ser este, contra ventos e marés menos propícios, o país dos poetas que procuramos. De que carecemos.

No círculo de afectos que estas sessões sempre propiciam, chegou a vez de Isabel Figueiredo

… nos brindar com Florbela cantada em tom de fado, com sentida interpretação e a dificuldade acrescida de o fazer a capella, mas deixando-nos bem cientes de que a música – sempre fazendo falta – no momento não seria relevante.
Depois, os enlaces da palavra e da cor, de cada poema com cada pintura, na partilha da fusão proposta. 
Ana Freitas, com Chinoiseries


David José Silva com As Tentações de Eva   

Eduardo Martins com Violeta

Francisco José Lampreia, muito Fashion 

O Vinho, em libações repartidas entre Isabel Figueiredo, Ana Freitas, que deu voz a poema de Carlos Peres Feio, e eu próprio…

… tendo todos sido surpreendidos por uma excelente réplica ao desafio suscitado pelo Senhor Vinho, de Amália, através da claríssima voz de Isabelinha Costa que, segundo julgo saber, vai tendo créditos firmados como fadista e estabeleceu aqui uma bela ponte entre gerações.

Um brinde a quatro, que assim se propagou de imediato a toda a sala.

Coube-me, também, «defender as cores» d’O Biombo

A João Baptista Coelho

… uma muito interessante introdução à sua abordagem poética feita ao quadro (A)Feições

Verde em Sol&Lua…

… com Ana Patacho e José Proença, proporcionando mais cor às palavras, através de poemas inspirados em Kuei-Li

Todo o ramalhete rematado em fita de ouro, com Isabel Figueiredo interpretando Pedro Homem de Melo e o já de todos nós Povo que Lavas no Rio

Era chegada a hora de dar voz, como sempre, aos presentes, transmutados então em participantes, devolvendo às nossas convidadas o quanto de melhor cada um terá para oferecer e que lhe é suscitado pelo desafio lançado em cada sessão.   

Emília Gonçalves

Tina

David José Silva

Luís Perdigão

David Zink

Feliz Soares

De novo e uma vez mais, uma sala cheia, um ambiente cordial, interessado e interessante…

… participativo e bem humorado, com o apoio de provas secas ou cegas, relevando-se de tudo quanto ali ocorreu esse conceito subjacente de nação, que nos é tão caro, tão entranhado e tão cioso da sua infinita diversidade enriquecedora.
– Fotografias de Lídia Castro e de Lourdes Calmeiro

noites com poemas
– a pintura de Isabel Nunes
e as Letras com Cor

– cartaz de Alexandre Castro

No próximo dia 16 de Março de 2012, pelas 21h30, na Biblioteca Municipal de Cascais, em São Domingos de Rana (Bº Massapés – Tires), teremos a nossa 73ª sessão das Noites com Poemas. 
Desta feita, a nossa convidada é a pintora Isabel Nunes que, amavelmente, disponibilizou uma dezena de exemplares da sua obra – que se encontram em exposição na Biblioteca, para fruição de todos – a fim de que alguns dos «poetas residentes» elaborassem a sua interpretação da obra feita. De algum modo, este desafio articula-se com o que nos dizia Picasso: A pintura nunca é prosa. É poesia que se escreve com versos de rima plástica.
A sessão contará com uma exposição oral de Isabel Nunes referindo a sua já extensa obra. Contará ainda com abordagens diversas da temática (e de outras), a cargo dos Historiadores Isabel Lousada e Joel Moedas Miguel. De seguida, Isabel Figueiredo irá trazer-nos o Fado, articulado, uma vez mais, com a temática da exposição ou das obras expostas.
Depois, Ana Freitas, Carlos Peres Feio, David José Silva, Eduardo Martins, Francisco José Lampreia, Jorge Castro, João Baptista Coelho, Maria Francília Pinheiro, Verde em Sol&Lua (Ana Patacho e José Proença) trarão o seu olhar e o seu sentir, no que poderemos chamar de interpretação em forma de palavra acerca de cada pintura exposta.
Haverá, ainda tempo, para ouvir quantas achegas nos cheguem dos assistentes, que são para nós sempre também participantes, matriz que queremos sublinhada a indelével traço nestas nossas sessões.
Contamos com cada um de vós, como sempre!

homenagem aos que porfiam

No Clube Desportivo do Arneiro (Arneiro – Cascais), celebra-se, porfiadamente de há dezoito anos a esta parte, o Dia Internacional da Mulher. Simpática iniciativa que conta com a militância empenhada de Manuel Machado, ela é uma festa dirigida à comunidade…
… a quem Manuel se lembrou de brindar, para além das iniciativas habituais em colectividades congéneres – onde pontua a prata da casa, da melhor qualidade, aliás – com uma evocação especial, em forma de poesia, à Mulher. Para tanto, ano, após ano, tem vindo a ser convidado um poeta da região para homenagear essa componente determinante da Humanidade. Teve-se, desta feita, até a presença do presidente da Câmara, para além da costumeira presença da presidente da Junta de Freguesia de Carcavelos. 

Este ano calhou a vez ao nosso amigo e companheiro de lides Carlos Peres Feio, que aqui ostenta orgulhosamente bem disposto o galardão com que Manuel Machado sempre brinda cada autor.
A sessão poética contou também com a minha participação e com a dos Jograis do Atlântico (Edite Gil e Francisco Félix Machado), contribuindo, assim, para um diferente tom no evento, que muito me apraz registar ter colhido forte aplauso das centenas de pessoas presentes.
Como se tornou tradição, o poema de cada ano forra as paredes da sala, acessível a quem dele se queira aproximar mais.
E, como diria alguém de todos bem conhecido: assim acontece!

outro dia intencional da Mulher

a mulher
que coisa doce
que parte macia trouxe
o mistério do universo
e como querem que a deixe
neste espaço sem espaço
na pobreza de algum verso?

das roliças
das magrinhas
das altas
das pequeninas
cada uma tem seu quê
umas e outras mais belas
cintilantes quais estrelas
ao olhar de quem as vê

já nos trazia um poeta
a mulher amante
amiga
a mãe que nos aconchega
a irmã que nos abriga
mas há outras mulheres mais
a que nos mói a cabeça
a que nos dói que aconteça
a que nos traz na barriga
a que é melhor que anoiteça
a que nos lava a fadiga
a que nos suporta os ais

a mulher
sempre sublime
quando algum peso oprime
um homem com dores demais…

– Jorge Castro

reflexão (algo mórbida, convenhamos…)

Da Lusa, em 02 de Fevereiro:
Mortes em excesso “por todas as causas” ultrapassaram as seis mil em duas semanas.
Será caso para se apurar se, em Portugal. se está a morrer «custe o que custar»?  
Porque à míngua de quase tudo para tantos e com a Saúde inacessível a tantas bolsas, haverá talvez aqui uma mórbida relação de causa-efeito que nos amesquinha o viver…

Restará aos sobreviventes apurar, também, quando o processo histórico o permitir ou aconselhar, se depois de salvos os anéis, não teremos todos ficado manetas.

Todas as coisas têm o seu mistério
e a poesia
é o mistério de todas as coisas
– Federico García Lorca

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