Sendo este um espaço de marés, a inconstância delas reflectirá a intranquilidade do mundo.
Ficar-nos-á este imperativo de respirar o ar em grandes golfadas.
25 de Abril de 2014, no Largo do Carmo,
em homenagem a Salgueiro Maia
Este ano, o 25 de Abril teve lugar no Largo do Carmo. Fazíamos, todos, 40 primaveras.
Achei por bem não acrescentar comentários, pois as imagens valem mais e melhor do que quanto pudesse dizer.
Dito isto, apenas reafirmar que, no que respeita ao respectivo enquadramento, estou com a Associação 25 de Abril, obviamente.
– fotografias de Jorge Castro
Viva o 25 de Abril, sempre!
… e o 12 de Abril com poesia, nas Caldas da Rainha
era nada, quase nada e era Abril
urgente
repente
em punho
contido
destemido
testemunho
pátria era
estar à espera
clandestino
alma o menino
na alvorada
à estrada
ser inteiro
nevoeiro
verdade
espingarda
vozes mil
verde farda
de Abril.
coreografando o poema Rosas, de Sophia M. Breyner.
O 25 de Abril, hoje
com Vasco Lourenço
– Fotografias de Lourdes Calmeiro
noites com poemas
com Vasco Lourenço
e o 25 de Abril hoje
Quem, com o 25 de Abril de 1974, não sentiu libertar-se de uma opressão intensa no seu peito? Quem não cultiva desse Abril a liberdade de ser e de estar até então inexistente? A quem o devemos ou quanto dele incorporámos?
Entretanto, para aguçar engenhos ou estimular vontades, aqui fica o meu contributo:
era nada, quase nada e era Abril
sempre urgente
repente
em punho
contido
destemido
testemunho
pátria era
estar à espera
clandestino
na alvorada
à estrada
ser inteiro
nevoeiro
verdade
espingarda
vozes mil
verde farda
de Abril.
convites:
– no dia 11, em Coruche
– no dia 12 nas Caldas da Rainha
noites com poemas
com Regina Correia e amigos
Disse, depois, a autora, Regina Correia, de sua justiça, com amáveis palavras e com o levantar do véu do que a noite tinha ainda para nos trazer…
de Simon and Garfunkel e de tão boa memória…)
Uma menção muito para além de meramente honrosa ao acompanhamento cuidado, à guitarra clássica, que António F. Lima (Tonecas) e Heloisa Monteiro fizeram ao longo de todo este espaço sem tempo…
– Paula Martins
Pois, pois… acabada a festa, a festa continuou, que nisto das músicas, em havendo Cabo Verde por perto, a navegação não pára.
Para cúmulo, uns docinhos de Cabo Verde, um ponche, um moscatel… e, afinal, uma Biblioteca com vida a extravasar por todos os poros.
Talvez no dia se comemorasse a Poesia… Mas já era outro o dia e a Poesia continuava, uma hora mais, outra hora, comprovando que ela terá lugar sempre que um homem e/ou uma mulher assim o quiserem!
Outra mais, que ninguém nos tira. E já lá vão 96!
convite ainda a tempo
convite – noite com poemas
com Regina Correia e amigos
Biblioteca Municipal de Cascais – São Domingos de Rana -, teremos, como convidada, Regina Correia, que nos trará, com edição da Editora Alphabetum, o(s) livro(s) de poemas, de sua autoria, Sou Mercúrio, Já Fui Água (e Noite Andarilha – reeditado).
Angola durante a infância e a juventude, sendo a prosa e a poesia exemplos de mestiçagem, a nível do imaginário, da linguagem, da sintaxe e do ritmo».
Abílio Alves, Adalberto Fonseca, Alexandre Conceição (Xan), Carlota de Barros, Filomena Lubrano, Heloisa Monteiro (violão),
Luís Tomar, Jorge Rodrigues, Mário Piçarra (compositor/intérprete), Paula Martins,Teresa Noronha, Tonecas Lima (violão), Zenaida Chantre (mornas).
Lá vos esperamos. A presença de cada um, como sempre, será necessária e fará diferença.
é (será) dia de gerúndia poesia
Com que então, adeus e até 2035? Valha-nos a todos um gato esfolado, até ele miar… E o Dia Mundial da Poesia que já lá vem…
é dia da poesia
meus senhores quanta alegria
traz calor aos corações
e às unhas dos pés também
se chaminés de aflições
fumegam como convém
os dias são de maleitas
presentes mais que imperfeitas
e nós cá vamos ficando
mas as veredas estreitas
nem permitem que correndo
mas apenas vegetando
e assim lá vamos andando
sem sabermos os porquês
nem sabermos até quando
gratos a vossas mercês
se não morrermos de vez
no viver em lume brando
à proa – à proa gajeiro
vê lá se chegas primeiro
se te ajeitas em trepando
que nós voando baixinho
damos jeitos ao jeitinho
nos jeitos que vão calhando
é dia de poesia
meus senhores que bizarria
soltar o estro na praça
quanto menos se estremeça
menor será a desgraça
ou talvez nem aconteça
assim somos nós senhores
no mundo todo maiores
se menores não mais houvera
pioneiros seniores
damos ao mundo os melhores
e damos milho à quimera
esta quimera de pombos
que transportamos aos tombos
num pombal feito enxovia
onde se arvoram penachos
destinados aos borrachos
tendo cartas de alforria
houve uma ilha de amores
que premiou destemores
de quem ao mar fez caretas
hoje fazemos negaças
chiquelinas e umas tretas
em carnaval sem caraças
meu Portugal terra amada
sem saber porquê sem nada
que nos traga um acalanto
e eu pr’àqui sem saber
deste morrer-se a viver
o porquê de tanto pranto
é dia de poesia
meus senhores e esta azia
que não sai do meu caminho
neste meu país de espanto
p’ra ter por nação meu ninho
quanto eu dou… daria quanto…
– Jorge Castro







































































































































