os cães ladram… e Saramago passa

Já li muito Saramago. Não sou um incondicional fanático. Melhor é dizer que o leio com um interesse bem acima da minha média. Isto, para Saramago, serão amendoins, como dizem os americanos. Pouco se lhe dá a ele que eu o leia mais ou menos ou assim-assim…
Mas Saramago escreve. Muito. E há muito boa gente que gosta muito. Muita há que gosta assim-assim, com diversas gradações. E outros haverá que não podem nem vê-lo. Tenho para mim que a imensa maioria da população portuguesa não faz a mínima ideia.
Saramago foi para Lanzarote (Espanha). Vive com uma espanhola – e olé! Colecciona asneiras que o poder político português lhe atira, quais tomates estragados… – que, aliás, parece ser o que mais por aí abunda!
Saramago inaugura uma exposição em Lanzarote. O ministro da Cultura espanhol está presente. O português nem por isso. Diz que não o avisaram, lá da embaixada…
Eu penso que é mais pelas bocas que Saramago tem atirado acerca do iberismo. Ou então por ser ‘comuna’. Porque se a ausência de representação portuguesa, para além de um embaixador pouco à vontade, é por ressabiamento ou por distracção na agenda, por favor atirem-me este governo ao mar!
(Repararam que eu coloquei tanta pontuação? Foi mesmo de propósito! É raivinha!…)

Ao Porto – sugestões… e à Júlia Coutinho

Do meu amigo, excelente poeta e companheiro de múltiplos caminhos nas veredas e avenidas da poesia, que vai ao Porto, aqui deixo dois convites:
O Clube Fenianos Portuenses e o autor Jorge Casimiro têm o prazer de convidar V.Exa. e sua Exma. Família para a sessão de apresentação, a cargo do Dr. Júlio Couto, do livro “murmúrios ventos” e do CD “ternasalquimias“, com o momento musical da voz e guitarra de Carlos Andrade.
O evento decorrerá dia 1 de Dezembro, sábado, às 16 horas, na Rua Clube Fenianos, n.º 29, Porto.


Dia 5 de Dezembro, quarta feira, pelas 21,30, no Clube Literário do Porto, Rua Nova da Alfândega, 22, terá lugar a apresentação do Livro “murmúrios ventos” e CD “ternas alquimias“, do autor Jorge Casimiro.

A apresentação a cargo do Prof. Dr. Anthero Monteiro, com acompanhamento musical do Maestro Francisco Tavares e Carlos Andrade. Declamador Luís Carvalho.
*
Hoje, dia da Independência, a nossa amiga Júlia Coutinho rodeia-se de amigos para comemorar o 60º aniversário, ali pela Associação 25 de Abril, em Lisboa.Pessoa de convicções, de causas e de combates, parceira de blogs e outras aventuras, lá estarei nesse almoço de amizades. Lá lhe direi o poema que aqui lhe deixo:à Júlia Coutinho, nos sessenta aniversários

se esta Júlia se senta
é algo de calendário
que muito pelo contrário
sei dela que se levanta

nem será mais do que pausa
no alento solidário
ter um dia no diário
sem abraçar uma causa

será pois causa de afectos
este feito extraordinário
de juntar em relicário
avós pais filhos e netos

tal operário em construção
que diz não ao salafrário
não faz de lutas sacrário
mas vertical condição

alma nobre ímpeto ardente
cumpre então aniversário
no dia um sem fadário
de Dezembro independente

no torpor de mau caminho
ou do viver ordinário
brindemos ao modo vário
da nossa Júlia Coutinho. – poema de Jorge Castro

fotografando o dia (96)

caiu por fim a velha folha que tardava
junto à calçada debruada a cantaria
e de tão velha a velha folha demarcava
a pedra fria a provar-nos que existia

levou-a o vento a cumprir o seu caminho
moldou-a a chuva desfiando cada fibra
e amanhã no húmus que atapeta um ninho
ajuda a seiva que num outro corpo vibra

ali na pedra impressiva num tom seco
deixou sua marca uns dias mais de teimosia
assim como quem diz de si deixar um eco
como a provar-nos que há-de regressar um dia


– foto e poema de Jorge Castro

noites com poemas – porquê um poema?

Tendo José Jorge Letria como convidado, lá nos encontrámos, uma vez mais, numa revigorante sessão de poemas e de conversas em volta deles, na Biblioteca Municipal de São Domingos de Rana. Decerto não ficámos a saber a resposta à questão colocada mas, com a notável ajuda do nosso convidado, todos nos sentimos mais próximos do portão de entrada para aceder a essa aventura.

Deixo aqui o poema de minha autoria que me acompanhou nesta sessão:

porquê um poema
quando tudo vem das mãos
nesse arado pena-espada de teimar em semear?

será das penas de ser
ou tão apenas de estar?
ou é o leito de penas onde repousa o destino?

um poema é um imperfeito
um jeito meio sem jeito que surge em olhar felino
um jingar de andar varino numa candura de amar

mas é vento no sobredo
percorre campos de medo em cenas de velho enredo
que não deixam de crescer

nuvem de grossa procela
enchendo de prenhe a vela no incerto do apuro
da nau sem leme que somos

um poema não tem donos – é o pão do que não temos
voo apontado ao futuro
do caminhar que sonhamos

é uma agreste elegância
rosa de espinho acerado ferindo de bela o grito
colhendo em sangue a fragrância

um poema faz-se mito
de tanto o quanto acredito entre azuis de céu e mar
sem ter longe nem distância

é uma esfera armilar
onde os anéis que nos guiam se limitam no infinito
de um qualquer navegar.

– poema de Jorge Castro

porquê um poema?

A próxima sessão de Noites Com Poemas, na Biblioteca Municipal de Cascais, em São Domingos de Rana, terá lugar no dia 21 de Novembro, pelas 22 horas. Como convidado, contaremos com José Jorge Letria que nos falará de ‘Porquê um poema?‘.
Contaremos, também, com a participação de quantos entenderem aparecer, colaborando mais ou menos activamente, enriquecendo este espaço pela descoberta dos caminhos que se fazem caminhando.
Então? Ah, a chuva?… Ora,essa já fazia boa falta! E o futebol, a essa hora, já acabou.

fotografando o dia (95)

quando um sol se põe no Alentejo
nas planícies vazias
as sombras são mais tardias
o silêncio é mais profundo
talvez viva ali o ensejo
uma aventura
ou desejo
de ser princípio do mundo
– Foto e poema de Jorge Castro