Ao Porto – sugestões… e à Júlia Coutinho

Dia 5 de Dezembro, quarta feira, pelas 21,30, no Clube Literário do Porto, Rua Nova da Alfândega, 22, terá lugar a apresentação do Livro “murmúrios ventos” e CD “ternas alquimias“, do autor Jorge Casimiro.
A apresentação a cargo do Prof. Dr. Anthero Monteiro, com acompanhamento musical do Maestro Francisco Tavares e Carlos Andrade. Declamador Luís Carvalho.
*
Hoje, dia da Independência, a nossa amiga Júlia Coutinho rodeia-se de amigos para comemorar o 60º aniversário, ali pela Associação 25 de Abril, em Lisboa.Pessoa de convicções, de causas e de combates, parceira de blogs e outras aventuras, lá estarei nesse almoço de amizades. Lá lhe direi o poema que aqui lhe deixo:à Júlia Coutinho, nos sessenta aniversários
se esta Júlia se senta
é algo de calendário
que muito pelo contrário
sei dela que se levanta
nem será mais do que pausa
no alento solidário
ter um dia no diário
sem abraçar uma causa
será pois causa de afectos
este feito extraordinário
de juntar em relicário
avós pais filhos e netos
tal operário em construção
que diz não ao salafrário
não faz de lutas sacrário
mas vertical condição
alma nobre ímpeto ardente
cumpre então aniversário
no dia um sem fadário
de Dezembro independente
no torpor de mau caminho
ou do viver ordinário
brindemos ao modo vário
da nossa Júlia Coutinho. – poema de Jorge Castro
fotografando o dia (96)
junto à calçada debruada a cantaria
e de tão velha a velha folha demarcava
a pedra fria a provar-nos que existia
levou-a o vento a cumprir o seu caminho
moldou-a a chuva desfiando cada fibra
e amanhã no húmus que atapeta um ninho
ajuda a seiva que num outro corpo vibra
ali na pedra impressiva num tom seco
deixou sua marca uns dias mais de teimosia
assim como quem diz de si deixar um eco
como a provar-nos que há-de regressar um dia
noites com poemas – porquê um poema?
porquê um poema
quando tudo vem das mãos
nesse arado pena-espada de teimar em semear?
será das penas de ser
ou tão apenas de estar?
ou é o leito de penas onde repousa o destino?
um poema é um imperfeito
um jeito meio sem jeito que surge em olhar felino
um jingar de andar varino numa candura de amar
mas é vento no sobredo
percorre campos de medo em cenas de velho enredo
que não deixam de crescer
nuvem de grossa procela
enchendo de prenhe a vela no incerto do apuro
da nau sem leme que somos
um poema não tem donos – é o pão do que não temos
voo apontado ao futuro
do caminhar que sonhamos
é uma agreste elegância
rosa de espinho acerado ferindo de bela o grito
colhendo em sangue a fragrância
um poema faz-se mito
de tanto o quanto acredito entre azuis de céu e mar
sem ter longe nem distância
é uma esfera armilar
onde os anéis que nos guiam se limitam no infinito
de um qualquer navegar.
porquê um poema?
fotografando o dia (95)
nas planícies vazias
as sombras são mais tardias
o silêncio é mais profundo
talvez viva ali o ensejo
uma aventura
ou desejo
de ser princípio do mundo


