by OrCa | Nov 11, 2007 | Sem categoria |
… ainda que fosse preferível dar a esta entrada, como título, ‘Carta Aberta aos Portugueses’.
Ontem, acompanhei Gabriela Morais e Fernanda Frazão, a primeira como autora e a segunda como editora, tendo eu o grato prazer de mais depressa as chamar de amigas e gente de muitos saberes, ao Cromeleque dos Almendres e à Anta Grande do Zambujeiro, ambos monumentos megalíticos situados nos arredores de Évora.

Tínhamos, como pretexto, o lançamento do mais recente livro da Gabriela, ‘
A Senhora de Ofiúsa’, que congregou a presença de umas largas dezenas de pessoas. Leitura altamente recomendável, mas de que não falarei agora. Aos interessados, aconselho um clique na
Apenas Livros, para aquisição da obra, pois que nem sequer o amor vive só de ar e vento.

Aqui, lamentar-me-ei do facto de me ter sido necessário percorrer metade de uma vida para ter chegado ao conhecimento directo destas tão antigas edificações. Delas temos, em geral, um homérico desconhecimento. Nem a sua imponência, nem a sua ancestralidade, parecem constituir elementos suficientes ou bastantes para sensibilizar os grandes centros de decisão ou, até, qualquer um de nós.

Há por lá tão só umas placas toscas, uns carreiros em terra batida, que nos conduzem… ao abandono – ver fotografias
aqui.
Deslumbramo-nos, embasbacados, com Stonehenge, com os seus cerca de 4.500 anos de idade, esquecendo ou menosprezando, aqui, ao virar da esquina, 7.000, 8.000 anos de História – ou mais! Edificações monumentais que constituem prova indesmentível – ainda que desafiante por nos deixar tantas novas pistas – de uma ancestralidade que nos dignifica e assombra e cujo aprofundamento do estudo nos pode levar a revolucionar muitos dos ‘dados adquiridos’ que nos têm sido apresentados, até agora, como ‘verdades absolutas’ neste domínio e, afinal, muito longe de o serem.
Não cabendo neste espaço uma abordagem científica ou académica destas evidências, fico-me por aquilo que está ao alcance da minha obrigação: contribuir para a divulgação, promoção e, sobretudo, preservação URGENTE destes nossos tesouros do conhecimento.
Se um razoável estado de conservação do Recinto Megalítico dos Almendres, constituído por cerca de noventa monólitos, alguns com relevos ou gravuras, me anima, esse optimismo não pode fazer-me esquecer os actos de vandalismo – inconscientes ou não – que por lá pululam, tão propiciados pelo abandono e isolamento a que aquele recinto está votado. E, em contraponto, a situação de degradação da monumental Anta Grande do Zambujeiro é algo que devo adjectivar como incompreensível, estúpida e brutal.

Por muito ‘progresso’ ou indiferença que por aí campeiem, qualquer país da Europa – já não querendo ir mais longe – teria um monumento deste quilate guindado a ex-libris, centro de aprofundados estudos e, seguramente, foco de atracção de turismo cultural de primeiríssima água.
Aqui, no Portugal do séc. XXI, perante a magestade e imponência de um tal recinto, o que temos nós? Um abarracamento decrépito e inestético, ‘obras de sustentação’ – talvez bem intencionadas mas completamente desadequadas – com tijolo e barrotes de madeira à vista, megalitos recém-quebrados para aproveitamento da pedra, passando pela ausência total de placas identificativas ou esclarecedoras, a par de restos de práticas de ‘cultos’ da treta, com velas, enxofre e sal, criando, em todos os presentes, um sentimento de revolta, a par de uma indizível angústia e incontrolada vergonha, e provando à saciedade que, com muito poucas excepções dignas de registo, temos vindo a ser, por dezenas (centenas?) de anos a fio, (des)governados por uma cambada de energúmenos ignorantes, patos-bravos da ‘cultura’ dos estádios de futebol e das floribelas, que urge banir para respirarmos e para nos tentarmos reerguer e sonhar, outra vez, enquanto povo!
E quando digo banir, digo-o no sentido mais lato do termo, que tem subjacente para cada um no seu no seu local de trabalho ou de estudo, no seu círculo de amizades, no testemunho legado aos filhos, um combate diário e sem quartel aos demagogos do défice, que descuram o Homem enquanto elemento central da Humanidade – por muito redundante que tal possa parecer – condição de vida que é por eles liminarmente ignorada.
Um combate, ainda, que passa pela dignificação da nossa identidade, contra interesses privados mesquinhos e imediatos, e que não se consubstancia nas bandeiras desbotadas dos futebóis, mas que enraiza, sim, em algo bem mais profundo e que ainda tem o condão de nos fazer erguer, aqui e ali, com o ímpeto de um povo.
Sugiro, para maior informação, e a título de exemplo:
by OrCa | Nov 6, 2007 | Sem categoria |
Encontramo-nos nos Almendres?
Perto de Évora, no próximo dia 10 de Novembro, pelas 12 horas, a minha amiga Gabriela Morais e a editora Apenas Livros vão apresentar, junto ao cromeleque dos Almendres, o seu livro ‘A Senhora de Ofiúsa’ e convidam-nos a beber um Poejo de honra. Ah! Dizem, também, para levarem as crianças…
Creio bem não vos enganar se vos disser que estou a propor-vos algo de desafiante, de inusitado, de marcante. O cenário será cúmplice, participando na história…
Sem querer alongar-me muito, deixo-vos com algumas sugestões expressas no convite:
Vimos convidá-lo para um sábado diferente e para um lançamento sui-generis num dos cenários da história que se conta, uma aventura na nossa pré-história, recheada de maravilhoso, fantástico e… real, na qual a autora dá vida aos nossos antepassados mais longínquos, aos seus objectos e às suas conquistas culturais.
Segundo Maria Teresa Meireles, que foi lendo o «manuscrito», trata-se de ‘uma forma inteligente, imaginativa e encantatória de viajar pelo tempo no espaço português, dando a conhecer o que as mais recentes investigações ensinam sobre as nossas invulgares e curiosas raízes culturais’.
Porque houve mais vida para lá dos Afonsinhos e dos Viriatos, digo eu, parece-me esta coisa muito digna de se ver e de saber. Lá estarei, pois, caidinho.
Itinerário a seguir: Indo pela A6, após a área de serviço de Montemor-o-Novo saia na direcção de Évora (N114) e vire à direita para Guadalupe. Depois, é só seguir as setas para os Almendres.
by OrCa | Nov 5, 2007 | Sem categoria |
Darfur é uma palavra. Uma terra longínqua num mundo onde tudo é tão próximo.
O que acontece em Darfur mal faz estremecer algumas consciências – que são as nossas – e que presumem que já tudo viram e tanto sabem que nada lhes causa estranheza ou um leve repúdio; aqui e ali um vago gesto de enfado; mais rara, ainda, uma revolta.
Olhos há, entretanto, a quem a novidade do horror ainda marca, cicatriz de ferro em brasa para toda a vida. São esses os olhos das crianças, vítimas das nossas consciências acomodadas.

Pode ler-se em BBC.Brasil: Centenas de desenhos de crianças em acampamentos no Chade recolhidos pela ONG britânica Waging Peace (Fomentando a Paz, em tradução livre) mostram a realidade de violência em Darfur para crianças refugiadas.Veja a galeria de fotos A organização afirma que encaminhou os desenhos para o Tribunal Penal Internacional da ONU, que vai analisar possíveis atrocidades cometidas em Darfur, no Sudão, e quer que eles sejam considerados evidência de atrocidades.
by OrCa | Nov 1, 2007 | Sem categoria |

uma casa branca junto ao mar
onde as cores do poente desfalecem
no fundo onde tantos queriam estar
não houvesse os temporais que acontecem
– foto e poema de Jorge Castro
Praia do Moinho – Carcavelos
*
Não, senhor! Não sou adepto de ‘correntes’, a não ser aquelas em que me quero deixar levar. Mas porque somos seres eminentemente contraditórios, resolvi alinhar numa que me foi proposta pela minha amiga Pessoana, do
blog Belgavista.
O desafio: Qual é a frase que se encontra na 5.ª linha da página 161 do livro que andas a ler?
Para que conste, aqui fica, expandindo-me um pouco para que se faça luz: (Esta importante dis-)tinção entre ubiquidade e omnipresença não era clara (para a Igreja Medieval…) – in Dicionário do Diabo, pág. 161, 4ª, 5ª e 6ª linhas de Ambrose Bierce, ed. Tinta da China.
Um cromo difícil, cínico como as coisas cínicas, que nos desafia com definições deste calibre:
“AMADOR – Um transtorno público que não conhece a diferença entre gosto e habilidade, e confunde a sua ambição com a sua capacidade”.
Ou, falando do “AMOR – Demência temporária que se cura com o casamento…”.
De um ARADO diz ser “Um instrumento que clama por mãos habituadas à caneta”; e de um ASSALTANTE diz ser “Um homem de negócios sincero”.
Outro modo de ver o mundo, sem dúvida. E bem estimulante.
Sem qualquer compromisso ou obrigatoriedade, sugiro a sequência para o
Herético, a
São Rosas, o
Morfeu e a
SeiLá. Qual é, então, a frase que se encontra na 5.ª linha da página 161 do livro que andais a ler?
by OrCa | Out 30, 2007 | Sem categoria |
Hoje, também não vos deixo um poema. Estive três horas numa fila de trânsito e a veia secou-se-me todinha!
Mas aproveitei para ouvir noticiários, estação de rádio a estação de rádio, para ser mais completo o meu suplício, a minha provação. E o que ouvi?
Ora, pois bem, há quase uma semana que vimos sendo bombardeados, por jornais, rádio e tv, com aquela história da fusão do BPI e do BCP. Caramba, eu tenho pena dos jornalistazinhos, obrigados a discorrer (mal) e escrever (muito e, as mais das vezes, mal também) do fenómeno, sinal gritante de que ‘algo está podre no reino da Dinamarca’… E porquê?
Ora, porque duas empresas privadas ensaiam uma fusão. Muito bem! O que é que o cidadão dito comum tem a ver com isso? E em que exacta medida é que isso contribui para a nossa felicidade? Desde quando e onde é que já se viu este despautério, em plena via pública, perante duas empresas que se fundem, ou que se federam, ou o que quer que seja que lhes dê na gana?
Irá tal facto contribuir para o enriquecimento nacional? Para a diminuição do endividamento das famílias que têm vindo a cair no logro que entidades bancárias como aquelas lhes estendem? Para uma melhor qualidade e mais baixo preço dos ‘produtos’ que aquelas instituições fornecem? Nada disso! Então, para quê, senhores, tanta propaganda gratuita a fazer de conta que é notícia?
Ele há muita sabujicezinha! Ele há muito fretezinho! Ele há muita falta de vergonha! Ou, então, ele anda por aí muito parolo à solta neste Portugal dos pequenitos!
by OrCa | Out 28, 2007 | Sem categoria |
Ainda passeando pelos arredores, observando conceitos de estética e divertimento… Todos eles muito respeitáveis, ou talvez não.
Carcavelos tem, sem margem para grandes dúvidas, o mais belo, extenso e aprazível areal de todo o concelho de Cascais.
Lugar convidativo a passeios outonais e invernosos, à beira-mar, para namorados, respeitáveis casais, solteiros com cão, focas surfistas, papagaios diversos, enfim, uma larga panóplia de privilegiados em que me incluo, com indizível prazer e com máquina fotográfica sempre à mão, pois entre a Natureza e os humanos que dela desfrutam surgem sempre infindáveis olhares dignos de crédito.
Os seus (nossos) pores-do-sol dias há – e não são raros – em que, por si sós, são capazes de nos redimir com o mundo.
Ouve-se o mar e o vento. Na extensão do areal, diluem-se os gritos dos mais agressivos ou nervosos, que não chegam, assim, a perturbar a tranquilidade da paisagem ou algum protesto desgarrado de gaivota, mesmo em raros dias de improvável vendaval.
Recentemente, foram iniciadas obras nos seus acessos, que tardavam dezenas de anos e que aplaudo freneticamente.
Mas… – sempre este malfadado mas – desataram também a crescer e a multiplicar-se, quais cogumelos plastificados em terreno adubado a lucros, abarracamentos de novo tipo que gritam estridências de cor e mau gosto no concerto da paisagem, supostamente associados a actividades desportivas parvamente chamadas ‘radicais’, às quais se injectam, à força e sem nexo, conceitos de estética (?) plastificada à ‘morangos com açúcar’…
O mundo é belo, senhores. A Mãe-Natureza sabe o que anda a fazer. Integrem-se nela, que diabo! Não é com plástico que os olhos riem nem o coração respira!