Maratona de Poesia, em Oeiras
Uma excelente iniciativa, da autoria do amigo Josá Mendonça, no Dia Mundial da Poesia, em que também participarei:

Uma excelente iniciativa, da autoria do amigo Josá Mendonça, no Dia Mundial da Poesia, em que também participarei:

Em 21 de Março decorrerá a Maratona de Poesia, em Oeiras, em que também participarei.
Assim, a partir das 18 horas desse dia haverá farta escolha, distribuída por diversos espaços culturais localizados no centro histórico de Oeiras.
Segue o quadro geral, com indicação de horários e respectivos locais, bem como indicação de participantes e temas a abordar.

Por motivos imprevistos, vi-me impedido de participar na sessão Contares e Cantares de Goa que Ana Freitas, com o grupo um poema na vila, na sua saga de mostrar outros mundos ao mundo, e com organização de João Coutinho, promoveu neste dia 10 de Dezembro.
Assim é. Nem sempre tudo se conjuga para conjugarmos tudo…
A título de «tenho-pena-mas-ficará-para-a-próxima» aqui deixo o meu poema de circunstância que tinha preparado para o evento, que conta, aliás e entre outras, com a qualificada participação de Elsa de Noronha e do Grupo EKVAT da Casa de Goa.
A GOA FOMOS
a Goa fomos
de lá viemos
e de tanto Portugal que lá vivemos
se finou Bocage
e de Camões soubemos
o naufrágio e o amor
da pátria amada
– ora ditosa
quanto ignorada
terra dos nove rios
e do Mandovi as trinta nascentes
com Albuquerque e mais trezentos
alguns corsários
e ais dos gentios
se fez portuguesa pelos de quinhentos
hoje é bruma
neblina da memória
essa história
mas Goa sobrevive
paraíso fértil
idolatrado e terreal
de sentirmos quanto vive
a oriente
Portugal…
Jorge Castro
– 07 de Dezembro de 2017
– Em 2017 morreram mais de cem pessoas, em Portugal,
devido aos incêndios
há um horizonte rasgado em chamas
e um chão lavrado em lágrimas
há um clarão de noite falsa
e uma escuridão que o Sol não abre
há este torpor
esta modorra
de não saber porque se morra
assim
sem pressentir um alguém
que nos socorra
há este sangue a jorrar de forma inútil
em tons de cinza
e tanta angústia
há um pavor de fugir por ter de ser
e um terror só por ficar
e assim morrer
e cada árvore endémica
ou estrangeira
lança a estridência da seiva ardida
contra as nossas consciências permissivas
desatentas
e aborrecidas
com tanta ardência
num céu que se imaginara azul…
– Jorge Castro
17 de Outubro de 2017
Nem terra nem céu
nem terra nem céu
apenas cinza
só as pedras ardem sem rescaldo ou luto
e o chão estremece
sem sangue nem fruto
e o céu é de breu
do negro martírio
da brasa que foi
o mais tenro lírio
no homem crepita a vil labareda
que ateia o terror
em estreita vereda
e outro homem arde
em nexo de horror
nalgum fim de tarde
nem terra nem céu
apenas cinza
– Jorge Castro
10 de Outubro de 2017