Sendo este um espaço de marés, a inconstância delas reflectirá a intranquilidade do mundo.
Ficar-nos-á este imperativo de respirar o ar em grandes golfadas.
fotografando o dia (143)
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A tempo, amanhã, dia 11, pelas 16 horas, na Igreja Matriz de Oeiras, a não perder:
WikiLeaks
– lembrei-me, de súbito, da canção «Universal Soldier» do Donovan…
No fundo, aparentemente apenas um «pequeno» equívoco de soldados – leia-se aqui gente anormalmente perturbada – do qual resultaram doze mortes entre vulgares cidadãos que transportavam, alguns deles, máquinas fotográficas – seriam repórteres da Reuters – as quais foram confundidas com metralhadoras AK-47…
Tudo lamentável, como, logo de seguida, as mortes de outros seres viventes que, numa carrinha, tentaram prestar auxílio aos feridos e que foram, por sua vez, sequencialmente abatidos.Calçada Portuguesa de Macau
Habituado como estou à qualidade da sua obra, não tenho dúvidas em assegurar-vos de que não dareis o tempo por mal empregue.
28 de Março – exposição de pintura
na Sociedade Recreativa Musical de Carcavelos
Ao descobrir que muitos deles andavam por aí a entreter o tempo, preenchendo telas atrás de telas, assim como quem convida amigos para um econtro de afectos, ele lançou-lhes o desafio de lhe trazerem umas quantas delas (das telas, bem entendido…), e foi assim que 20 artistas se encontraram na Sociedade Recreativa Musical de Carcavelos, no passado dia 28 de Março.
Aqui ficam alguma imagens, para memória futura, daquilo que foi (e ainda está a ser) uma excelente alternativa – a todos os níveis – ao cinzentismo dos dias formatados pelo não-ser. Aqui todos se inscreveram (ver José Gil), de alma e sorriso abertos.
Se quiserem, um cordão humano, de gente que sabe ou procura intensamente um sentido para a Vida.
Para além dos particpantes, não faltaram as amizades que compõem esse bouquet de que a Vida é feita.
Um grupo de promissoras jovens formadas na Escola de Música da Sociedade Recreativa Musical de Carcavelos, ensaiadas pelo Maestro Nogueira, abriu oficialmente a exposição.
O professor José d’Encarnação interpretou o sentido profundo da iniciativa numa emotiva alocução.
Depois, os poemas que a pintura inspira…
… rematados pelo nosso anfitrião e mentor da iniciativa.
Quino – uma perspectiva crítica sempre actual
exposição colectiva de pintura
dos amigos de Carlos Peres Feio
e pinto
e pintando
eu lanço na tela o que há de melhor em mim
e a tela
sempre ela
estrebucha
barafusta
e não quer que eu pinte assim
ah
no calor da refrega
em que eu brado
e ela estrafega
e o quadro não é pintado
no desespero de vê-la
tão assim fora de si
como eu estou fora de mim
vou-me a ela desvairado
e não pinto mais assim
… mas pinto assado!
novo artigo na Free Zone
FREE ZONE – http://www.freezone.pt/
quotidiano delirante (6)
sempre espantou o saber de alguns fecundos senhores
uns que se chamam doutores outros o que Deus quiser
mas que são maiores que o Mundo
outros que a Vida maiores e cultivam tais valores
são donos de tais saberes
que eu de pasmo me inundo
que eu de pasmo arregalo o meu olhar vagabundo
por esse saber maior
por esse saber profundo
que me leva em doce embalo até à Ursa Menor
assim sim vestido de urso já darei de mim melhor
por trazer vestido um curso com fitas de muita cor
curso fino com ciência
e dos pais a paciência p’ra fazer filho doutor
mas o destino aziago ou quiçá a conjuntura
recusou-me doce afago de perseguir tal ventura
e estou p’ràqui desolado de saber feito e candura
a dar troco a quanto pago numa infeliz urdidura
se faz num supermercado.
A Senhora de Ofiúsa
– resumo de uma apresentação animada
Valham-nos as (pouquíssimas, ainda que ingentes) Gabrielas Morais e Fernandas Frazões que empunham este estandarte, contra ventos de acomodações e marés de ignorância.
Destaque ainda para as participações do jovem acordeonista João Bernardino, do Conservatório das Caldas da Rainha, e dos Jograis do Canto Sénior, cujas participações, pela música e pela poesia, trouxeram mais riqueza, ainda, a uma sessão bem animada.
as Noites e a Ti Miséria
… com a sala bem preenchida, sem lugares sentados disponíveis…
… e com o conforto de mutas amizades pesentes…
Da alocução e apresentação iniciais, a cargo de quem tem a função de dinamizar…
… passou-se a palavra para Carlos Augusto Ribeiro, ilustrador do projecto e que nos contou como decorreu a sua génese…
De seguida, Joaninha Duarte mostrou, bem ao vivo e a cores, como sói dizer-se, como se conta um conto, acrescentando-lhe um ponto e coreografias várias…
Ignacio Vilariño, o «parteiro» do projecto, não deixando créditos por mãos alheias na arte de fazer reviver um conto…
A audiênca participativa, colaborante, interessada e bem humorada.
… não lhe faltando motivos para que tal fosse estimulado…
Depois, as vozes que já são da casa, mas que trazem sempre outro maior conforto…
… e alegria, de cada vez que marcam presença.
E se o enlevo é o esperado, para quem vem de novo, a surpresa é sempre grande.
Depois, também como matriz destes encontros, o apelo às participações de quantos se afoitam a trazer-nos as palavras que enchem a alma e podem dar outro sentido à vida…
… o que, obviamente, a todos gratifica.
Contámos com participações várias…
… de gente nova, que ali está por vontade própria, no ensaio, ousado ou tímido, de novas artes da vida…
… o que não pode deixar de ser sublinhado e nos proporciona, a par de responsabilidades acrescidas, um gozo enorme…
… pela consciência de estarmos a contribuir para as tais pontes com que o futuro se constrói…
… no tempo presente, também pelos caminhos da poesia – com recursos tecnológicos que nem são avessos à modernidade, pois cada um deve escolher os seus caminhos.
E chega ao ponto de um professor assumir o mérito de também acolher lições dos seus alunos, numa partilha que é criativa e inspiradora.
No círculo do eterno retorno, assistentes e convidados vão-se revezando na partilha de palavras e experiências, «segredo» desvendado da afluência a estes nossos encontros…
… onde a diversidade campeia e se assume não como factor de divergência…
… mas de mútuo enriquecimento.
Sem idade, pois que cada um traz de si o que a vida, mais ou menos extensa, mais ou menos intensa a sua vivência, o impele a partilhar, integrando e integrando-se na comunidade…
… e sedimentando outras lógicas relacionais que nos andam arredias, mas que é cada vez mais urgente restabelecer.
E, assim, a resultante necessária, o corolário evidente: talvez não a felicidade, mas a oportunidade imperdível de se criar um momento feliz.
A Ti Miséria, com quadras minhas e ilustrações do Carlos Augusto Ribeiro, o livro-folheto, desdobrável, comunhão de vontades e de saberes, exemplo palpável do que ficou dito e que o IELT – Instituto e Estudos de Literatura Tradicional apadrinhou, desapareceu num ápice…
– Fotografias de Lídia Castro e Lourdes Cameiro.


















