Sendo este um espaço de marés, a inconstância delas reflectirá a intranquilidade do mundo.
Ficar-nos-á este imperativo de respirar o ar em grandes golfadas.
convite
vinte poemas por amor e uma canção inesperada
Dei por ele, por aí, espantado com o estado de sítio das coisas. De Neruda se fala. Alguma amena cavaqueira depois, pedi-lhe autorização para abusar da sua inspiração e lancei-me por estes meus
Vinte Poemas por Amor e Uma Canção Inesperada
passeando-me por reflexões várias sobre essa partícula curiosa, desvairada, polivalente e multifacetada do Universo a que convencionou chamar-se Ser Humano, muito particularmente este que vive entalado entre a História e o mar, em busca da Europa e para cá da Utopia. Europa de que, afinal, foi parteiro, se não o próprio pai.
E criei cada um destes poemas para não pasmar eu também, em constrangimentos respiratórios, num tempo que nos fazem perturbado. Dou-me a agitar as águas com as pedradas que posso, criando as metáforas nos círculos de afectos por onde me sabe bem correr os dias.
Com a amizade da Editora Apenas Livros e a vossa condescendência apresentar-vos-ei, então, este meu novo livro de cordel, no próximo dia 09 de Dezembro de 2011 (sexta-feira), pelas 21h30, no salão da Biblioteca Municipal de Cascais, em São Domingos de Rana, da qual aproveito para realçar a amável e constante disponibilidade.
Eu estarei por lá, com bons amigos e alguns poemas (quem sabe cantados…), à vossa espera.
Com um forte abraço,
Jorge Castro
fado – património imaterial da Humanidade
Em 27 de Novembro de 2011, no passado domingo, em Bali, na Indonésia, o Fado foi proclamado Património Cultural Imaterial da Humanidade pelo VI Comité Inter-Governamental da UNESCO, a Organização das Nações Unidas para a Ciência, Educação e Cultura.
Por todo um conjunto de razões. mais positivas umas do que outras mas, ainda assim, porque todas elas enformarão um carácter identitário português, as diversas manifestações do fado são uma imagem muito fiel e autêntica do ser português.
Razão esta bastante, se mais não houvesse, para eu me congratular, associar a e identificar com este galardão, agora e em boa hora atribuído.
as pontes que não sabemos construir
Não se trata já sequer de indignação, de desprezo ou de asco. Trata-se, talvez, de uma mescla de tudo isso e muito mais que configura o que, com mais propriedade, chamaria raiva.
Ultrapassei, pois, a fase de ser mais um mero indignado, para acrescentar a componente activa e passar a considerar-me enraivecido. Enfim, as palavras valem o que valem…
Mas mal ouço falar em «pontes», como elemento perturbador da produtividade nacional, não posso deixar de sentir vontade de comprar uma funda.
Mas logo que me falam em prestação de mais meia-hora de trabalho a troco de nada, como factor preponderante para a competitividade das empresas, não deixa de me ocorrer um ímpeto de me munir com uma moca.
– ver crónica completa no blog PERSUACÇÃO –
sugestão para amanhã, dia 26
este blog hoje está de greve!
Porque é de mim que se trata, mas de ti, também. Do meu filho, como do teu. Das nossas famílias. Da nossa dignidade. Da nossa capacidade para enfrentar a adversidade e de lhe dar luta e resposta. De cantar já hoje pelos amanhãs que todos queremos que cantem. Porque devemos assumir a consciência de sermos essa montanha de espírito com gente dentro. Porque não basta a indignação e a revolta se elas não se traduzirem em mudanças de atitude.
Faço greve, sim, porque HOJE é este o modo de manifestar o meu profundo desagrado pelo rumo que Portugal tomou.
Faço greve, sim, do mesmo modo que adquirirei os produtos da SICASAL como apoio ao empresário e aos trabalhadores que estão a dar um exemplo notável de ânimo, solidariedade e resistência contra a adversidade, mas partilhada por todos e para todos.
Faço greve, também, por aquele trabalhador que há quinze anos é subcontratado, com ordenado de miséria, a fazer trabalho desqualificado, em violação flagrante com tudo o que é legislação laboral e a que nenhum governo tem prestado atenção nenhuma.
Faço greve, ainda, por quantos se vêem caídos no desemprego e são constrangidos a estender a mão ao mais abjecto e hipócrita «apoio social», para matarem a sua fome e a dos seus.
Eu, felizmente, por enquanto estou bem, obrigado. Mas… e os outros? Muito melhor do que qualquer outro arrazoado e infindáveis razões que me poderiam ocorrer, deixo-vos com Brecht:
Bertolt Brecht
A indiferença
Primeiro levaram os comunistas,
Mas eu não me importei
Porque não era nada comigo.
Porque não era nada comigo.
Em seguida levaram alguns operários,
Mas a mim não me afectou
Porque eu não sou operário.
Mas a mim não me afectou
Porque eu não sou operário.
Depois prenderam os sindicalistas,
Mas eu não me incomodei
Porque nunca fui sindicalista.
Mas eu não me incomodei
Porque nunca fui sindicalista.
Logo a seguir chegou a vez
De alguns padres, mas como
Nunca fui religioso, também não liguei.
De alguns padres, mas como
Nunca fui religioso, também não liguei.
Agora levaram-me a mim
E quando percebi,
Já era tarde.
E quando percebi,
Já era tarde.
uma proposta para 25 de Novembro
Carlos Nogueira e a Sátira Portuguesa
nas noites com poemas
Talvez as condições climatéricas não estivessem de feição – prova elementar (pelo menos, no que aos elementos concerne) quanto às adversidades que perseguem a cultura, em Portugal, se nos desse para estarmos para aqui com ladainhas lamentosas.
Mas, ainda assim, perante uma assistência de gloriosos resistentes, Carlos Nogueira brindou-nos com uma amena, ainda que muito bem condimentada, e revigorante dissertação acerca da Sátira na poesia portuguesa, esse modo tão bem e extensamente cultivado por tantos dos nossos poetas e que, apesar das imensas marés de adversidades, sempre sabe reinventar os caminhos e veredas por onde ressurge e se faz ouvir e sentir, como manifestação de identidade e de cidadania.
Foi destacada a circunstância do nosso convidado ter calcorreado distâncias entre Porto e Lisboa propositadamente para nos agradar com a sua presença, bem como o apoio que o IELT proporcionou a esta nossa aventura, conjugação de vontades que sempre move montanhas.
Os «poetas residentes» – que hão-de permitir-me este abuso – brindaram o nosso convidado e os demais presentes com os mais interessantes ares das suas respectivas graças, complemento determinante do interesse sempre renovado destas nossas sessões…
… onde o convívio e a arte do encontro são elementos primordiais de insuspeitáveis quão profíquos desenlaces.
Dizer mais desta sessão, depois de tanto adjectivo? Pois, que decorreu excelentemente, apesar da intempérie e, como é já argumento redundante, que muito «melhor é experimentá-lo que julgá-lo». Assim, para quem perdeu esta sessão, que lhe fique o consolo da próxima.
Pelo caminho, procure nas boas livrarias a obra de Carlos Nogueira, mormente a sua Sátira na Poesia Portuguesa, que dará tal acto e decorrente leitura por muitíssimo bem empregues.
convite
Carlos Nogueira e a Sátira Portuguesa
nas Noites com Poemas
Autor de A Sátira na Poesia Portuguesa – e a Poesia Satírica de Nicolau Tolentino, Guerra Junqueiro e Alexandre O’Neil (Edição da Fundação Calouste Gulbenkian e Fundação para a Ciência e a Tecnologia, integrando a série bibliográfica Textos Universitários de Ciências Sociais e Humanas, propõe-nos Carlos Nogueira, também com o apoio do Instituto de Estudos de Literatura Tradicional (IELT), o seguinte desafio para a próxima sessão das Noites com Poemas:
Diz-se que Portugal é o país do Fado e da melancolia. Mas não é também o país da sátira? E o que é a sátira, em que formas se expressa, que fins se propõe atingir? Cruzando perspectivas, olhares e diferentes discursos satíricos, propomo-nos discutir se há uma sátira especificamente portuguesa.
Carlos Nogueira (IELT, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa) é doutorado em Literatura Portuguesa na Faculdade de Letras da Universidade do Porto (2008), onde detém também um mestrado em Estudos Portugueses e Brasileiros (1999) e licenciatura em Línguas e Literaturas Modernas (1994). Lecciona sobretudo Literatura Oral Tradicional, Introdução aos Estudos Literários e Literatura Portuguesa e realiza investigação no Centro de Tradições Populares Portuguesas da Universidade de Lisboa.
Isto apurei eu, que da parte de Carlos Nogueira não me foi encomendado tal sermão, em momento algum. Mas ainda muitos casos há em que os títulos nos titilam o espírito e nos aguçam a curiosidade. Mas, acima de tudo, têm razões para ser invocados. E eu estou em crer que este é bem um desses casos.
Das Conclusões da sua obra acima referida, cito: «A História portuguesa não se fez, não se faz, sem poesia satírica, mas dela não rezam, ou rezam muito pouco, a história, a teoria e a crítica literárias. Neste estudo, assumindo esse esquecimento e essa desvalorização, quisemos pelo menos libertar alguns textos da marginalização em que preconceitos ou circunstâncias de vários tipos os colocaram...». Ora, não vos parece este desafio bastante?
No próximo dia 18 de Novembro de 2011, pelas 21h30, na Biblioteca Municipal de Cascais, em São Domingos de Rana, como sempre.
E, como sempre também, contando com todos.
enormíssimo intervalo para as coisas importantes
– a crise segue dentro de momentos
(Pode lá haver crise quando este é o nosso património!
Proponho-vos um momento breve de silêncio contemplativo…)
Do olhar de uma Suzana muito amiga directamente para os vossos corações,
aqui vai uma pequena amostra da beleza do Douro no fim do mês de Outubro.
– Terras em redor da aldeia de Santa Eugénia, concelho de Alijó, distrito de Vila Real, Trás-os-Montes e Alto-Douro
Saudações outonais.
RENando contra a naré…
Expurgada da EDP pela cavacal figura aquando da privatização desta empresa, lá pelos idos de 90, a REN (Rede Eléctrica Nacional) sempre saltitou entre o público e o privado numa lógica sem qualquer espécie de lógica que não fosse o maná que pode constituir uma empresa de tal modo estratégica, como ela é.
Lembremo-nos, por exemplo, de que naquela fúria privatizadora inicial, também ela foi privatizada, vindo pouco tempo depois a ser «recomprada» pelo Estado, em mais um negócio de milhões onde muitos ganharam mas perdeu o país, pela liminar razão de se ter assumido que uma empresa daquele calibre e interesse estratégico não poderia estar em mãos de privados.
Sem entrar em minudências, aliás sempre muito pouco claras nestas artimanhas politico-financeiras, acompanhei com alguma curiosidade a evolução deste disparate, idêntico a muitos outros que têm vindo a ser perpetrados por todos os vendilhões que se têm entretido a delapidar este país e a que a nossa falta de bom senso se acostumou a chamar de «governantes».
(Ler esta crónica completa no blog Persuacção)























