Sendo este um  espaço de marés, a inconstância delas reflectirá a intranquilidade do mundo.
Ficar-nos-á este imperativo de respirar o ar em grandes golfadas.

No próximo dia 16 de Dezembro de 2011, pelas 21h30, na Biblioteca Municipal de Cascais, em São Domingos de Rana, as magníficas vozes femininas do CRAMOL enriquecerão a nossa sessão das Noites com Poemas… sobre o Natal, evidentemente.
Quem não conhece, ainda, estas vozes e o seu trabalho, vozes da Mãe-Terra, permitam-me esclarecer que tal desconhecimento é imperdoável. Terão, então, oportunidade para colmatar agora essa temível brecha do vosso conhecimento sobre algo que é muito nosso neste nosso informal espaço.
Para os que já conhecem o CRAMOL… está tudo dito! Falta, tão-só ouvi-las de novo e outra vez e outra, até nos convencermos da grandeza e grandiosidade deste maltratado recanto, que é Portugal. E não se esqueçam de trazer os amigos. Principalmente aqueles que ainda não as conhecem… Mas os outros, também.
Durante a sessão, haverá ainda uma breve apresentação do livro Crónicas do Avô Chico, da autoria de Pedro Jardim. Talvez uma boa sugestão para uma prenda natalícia.
Haverá, ainda, disponíveis para aquisição, cd do CRAMOL e livros vários de desvairados autores presentes.
Nós por lá estaremos, ajudando à festa.
Aos que não puderem estar presentes pelas mais momentosas circunstâncias, aqui ficam, desde já os meus votos da maior coragem e voluntarismo no combate à «crise dos outros», que a fazem nossa, para este novo ano vindouro e as melhores festas que o orçamento pessoal ou familiar permita.

 

(Como elemento de referência, anexa-se o cartaz de anterior apresentação do livro de Pedro Jardim)

 



Vinte Poemas por Amor e Uma Canção Inesperada
com muitos afectos

Para memória futura. Como não me orgulhar?
A noite gelada propiciava muito mais a proximidade da lareira do que alguma deslocação com acompanhamento por devaneios mais ou menos líricos…

… mas, ainda assim, havia que dar bom cumprimento aos compromissos estabelecidos, antecipando, de caminho, alguma imprecação contra os deuses das intempéries, tão useiros e vezeiros em estragar as festas. 

Valter Amaral, enquanto anfitrião da Biblioteca,  honrou-me com uma muito simpática e amável introdução da sessão.

Fernanda Frazão esqueceu-se de ser a responsável da Editora Apenas Livros, para se remeter «apenas» ao papel de excelente amiga, em sala repleta de amizades.

A mim coube-me então falar do meu próprio livro, apresentando-o. O que cumpri através da leitura de vários dos poemas nele contidos. 

Mário Piçarra, companheiro de muitas estradas, presenteou-nos com criações musicais de sua autoria sobre poemas meus, revelando-se a muitos dos presentes como o óptimo compositor que é.  

Venha de lá esse cd que a amostra deixou-nos com água na boca…

Fechei o programa com a leitura de mais alguns poemas deste livro, que colheram farto aplauso, o que levo à conta da sala estar, como disse, muitíssimo bem preenchida de amizades de diversos quadrantes.

Ia a noite alta e ainda chegaram a tempo algumas imprescindíveis personagens, para o meu estado de graça mais se ampliar…

Leitura acompanhada, na verdadeira acepção do termo, que propicia uma maior comunhão entre quem diz, o que é dito e quem o recepciona.

Por fim, a inevitável «tendinite» dos autógrafos… e lá se foi a primeira tiragem, amiga Fernanda! 
– fotografias de Lourdes Calmeiro e de Lídia Castro

Deixo-vos com o soneto de abertura:
perdi tempo por demais na minha vida
perdi tempo por demais na minha vida
para não olhar agora para a flor
para agora me prender no desamor
de passar toda a vida mal vivida
olho e vejo tudo quanto em meu redor
me seduz ou conforta na corrida
me perturba ou magoa qual ferida        
mas transforma o porvir em bem maior
perdi tempo em desamor – em desatino
perdi tempo demais que tanto falta
neste andar sem ter norte – peregrino
e agora quero o tempo em maré alta
esse tempo da cor breve do destino
que por ser azul demais me sobressalta. 


convite
vinte poemas por amor e uma canção inesperada

Dei por ele, por aí, espantado com o estado de sítio das coisas. De Neruda se fala. Alguma amena cavaqueira depois, pedi-lhe autorização para abusar da sua inspiração e lancei-me por estes meus 
Vinte Poemas por Amor e Uma Canção Inesperada
passeando-me por reflexões várias sobre essa partícula curiosa, desvairada, polivalente e multifacetada do Universo a que convencionou chamar-se Ser Humano, muito particularmente este que vive entalado entre a História e o mar, em busca da Europa e para cá da Utopia. Europa de que, afinal, foi parteiro, se não o próprio pai.
E criei cada um destes poemas para não pasmar eu também, em constrangimentos respiratórios, num tempo que nos fazem perturbado. Dou-me a agitar as águas com as pedradas que posso, criando as metáforas nos círculos de afectos por onde me sabe bem correr os dias.
Com a amizade da Editora Apenas Livros e a vossa condescendência apresentar-vos-ei, então, este meu novo livro de cordel, no próximo dia 09 de Dezembro de 2011 (sexta-feira), pelas 21h30, no salão da Biblioteca Municipal de Cascais, em São Domingos de Rana, da qual aproveito para realçar a amável e constante disponibilidade.
Eu estarei por lá, com bons amigos e alguns poemas (quem sabe cantados…), à vossa espera.    
Com um forte abraço,
Jorge Castro

fado – património imaterial da Humanidade

Em 27 de Novembro de 2011, no passado domingo, em Bali, na Indonésia, o Fado foi proclamado Património Cultural Imaterial da Humanidade pelo VI Comité Inter-Governamental da UNESCO, a Organização das Nações Unidas para a Ciência, Educação e Cultura.
Por todo um conjunto de razões. mais positivas umas do que outras mas, ainda assim, porque todas elas enformarão um carácter identitário português, as diversas manifestações do fado são uma imagem muito fiel e autêntica do ser português.
Razão esta bastante, se mais não houvesse, para eu me congratular, associar a e identificar com este galardão, agora e em boa hora atribuído. 

as pontes que não sabemos construir

Não se trata já sequer de indignação, de desprezo ou de asco. Trata-se, talvez, de uma mescla de tudo isso e muito mais que configura o que, com mais propriedade, chamaria raiva.
Ultrapassei, pois, a fase de ser mais um mero indignado, para acrescentar a componente activa e passar a considerar-me enraivecido. Enfim, as palavras valem o que valem…
Mas mal ouço falar em «pontes», como elemento perturbador da produtividade nacional, não posso deixar de sentir vontade de comprar uma funda.
Mas logo que me falam em prestação de mais meia-hora de trabalho a troco de nada, como factor preponderante para a competitividade das empresas, não deixa de me ocorrer um ímpeto de me munir com uma moca.
– ver crónica completa no blog PERSUACÇÃO – 

sugestão para amanhã, dia 26

Para residentes de Oeiras e Cascais, preferencialmente, aqui vos deixo uma sugestão de umas horas bem passadas, tomando contacto com as Crónicas do Avô Chico, de Pedro Jardim que, com determinação, percorre os espaços que se lhe deparem para divulgar esta peregrinação pelos afectos

este blog hoje está de greve!

 
Porque é de mim que se trata, mas de ti, também. Do meu filho, como do teu. Das nossas famílias. Da nossa dignidade. Da nossa capacidade para enfrentar a adversidade e de lhe dar luta e resposta. De cantar já hoje pelos amanhãs que todos queremos que cantem. Porque devemos assumir a consciência de sermos essa montanha de espírito com gente dentro. Porque não basta a indignação e a revolta se elas não se traduzirem em mudanças de atitude.  
Faço greve, sim, porque HOJE é este o modo de manifestar o meu profundo desagrado pelo rumo que Portugal tomou.
Faço greve, sim, do mesmo modo que adquirirei os produtos da SICASAL como apoio ao empresário e aos trabalhadores que estão a dar um exemplo notável de ânimo, solidariedade e resistência contra a adversidade, mas partilhada por todos e para todos.
Faço greve, também, por aquele trabalhador que há quinze anos é subcontratado, com ordenado de miséria, a fazer trabalho desqualificado, em violação flagrante com tudo o que é legislação laboral e a que nenhum governo tem prestado atenção nenhuma.
Faço greve, ainda, por quantos se vêem caídos no desemprego e são constrangidos a estender a mão ao mais abjecto e hipócrita «apoio social», para matarem a sua fome e a dos seus.
Eu, felizmente, por enquanto estou bem, obrigado. Mas… e os outros? Muito melhor do que qualquer outro arrazoado e infindáveis razões que me poderiam ocorrer, deixo-vos com Brecht:     

Bertolt Brecht
A indiferença
Primeiro levaram os comunistas,
Mas eu não me importei
Porque não era nada comigo.
Em seguida levaram alguns operários,
Mas a mim não me afectou
Porque eu não sou operário.
Depois prenderam os sindicalistas,
Mas eu não me incomodei
Porque nunca fui sindicalista.
Logo a seguir chegou a vez
De alguns padres, mas como
Nunca fui religioso, também não liguei.
Agora levaram-me a mim
E quando percebi,
Já era tarde.

Carlos Nogueira e a Sátira Portuguesa
nas noites com poemas

Talvez as condições climatéricas não estivessem de feição – prova elementar (pelo menos, no que aos elementos concerne) quanto às adversidades que perseguem a cultura, em Portugal, se nos desse para estarmos para aqui com ladainhas lamentosas.
Mas, ainda assim, perante uma assistência de gloriosos resistentes, Carlos Nogueira brindou-nos com uma amena, ainda que muito bem condimentada, e revigorante dissertação acerca da Sátira na poesia portuguesa, esse modo tão bem  e extensamente cultivado por tantos dos nossos poetas e que, apesar das imensas marés de adversidades, sempre sabe reinventar os caminhos e veredas por onde ressurge e se faz ouvir e sentir, como manifestação de identidade e de cidadania.     

Foi destacada a circunstância do nosso convidado ter calcorreado distâncias entre Porto e Lisboa propositadamente para nos agradar com a sua presença, bem como o apoio que o IELT proporcionou a esta nossa aventura, conjugação de vontades que sempre move montanhas. 

Os «poetas residentes» – que hão-de permitir-me este abuso – brindaram o nosso convidado e os demais presentes com os mais interessantes ares das suas respectivas graças, complemento determinante do interesse sempre renovado destas nossas sessões…   

… onde o convívio e a arte do encontro são elementos primordiais de insuspeitáveis quão profíquos desenlaces.
Dizer mais desta sessão, depois de tanto adjectivo? Pois, que decorreu excelentemente, apesar da intempérie e, como é já argumento redundante, que muito «melhor é experimentá-lo que julgá-lo». Assim, para quem perdeu esta sessão, que lhe fique o consolo da próxima.
Pelo caminho, procure nas boas livrarias a obra de Carlos Nogueira, mormente a sua  Sátira na Poesia Portuguesa, que dará tal acto e decorrente leitura por muitíssimo bem empregues. 

convite
Carlos Nogueira e a Sátira Portuguesa
nas Noites com Poemas

Autor de A Sátira na Poesia Portuguesa – e a Poesia Satírica de Nicolau Tolentino, Guerra Junqueiro e Alexandre O’Neil (Edição da Fundação Calouste Gulbenkian e Fundação para a Ciência e a Tecnologia, integrando a série bibliográfica Textos Universitários de Ciências Sociais e Humanas, propõe-nos Carlos Nogueira, também com o apoio do Instituto de Estudos de Literatura Tradicional (IELT), o seguinte desafio para a próxima sessão das Noites com Poemas:
Diz-se que Portugal é o país do Fado e da melancolia. Mas não é também o país da sátira? E o que é a sátira, em que formas se expressa, que fins se propõe atingir? Cruzando perspectivas, olhares e diferentes discursos satíricos, propomo-nos discutir se há uma sátira especificamente portuguesa.
Carlos Nogueira (IELT, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa) é doutorado em Literatura Portuguesa na Faculdade de Letras da Universidade do Porto (2008), onde detém também um mestrado em Estudos Portugueses e Brasileiros (1999) e licenciatura em Línguas e Literaturas Modernas (1994). Lecciona sobretudo Literatura Oral Tradicional, Introdução aos Estudos Literários e Literatura Portuguesa e realiza investigação no Centro de Tradições Populares Portuguesas da Universidade de Lisboa.
Isto apurei eu, que da parte de Carlos Nogueira não me foi encomendado tal sermão, em momento algum. Mas ainda muitos casos há em que os títulos nos titilam o espírito e nos aguçam a curiosidade. Mas, acima de tudo, têm razões para ser invocados. E eu estou em crer que este é bem um desses casos.
Das Conclusões da sua obra acima referida, cito: «A História portuguesa não se fez, não se faz, sem poesia satírica, mas dela não rezam, ou rezam muito pouco, a história, a teoria e a crítica literárias. Neste estudo, assumindo esse esquecimento e essa desvalorização, quisemos pelo menos libertar alguns textos da marginalização em que preconceitos ou circunstâncias de vários tipos os colocaram...». Ora, não vos parece este desafio bastante?
No próximo dia 18 de Novembro de 2011, pelas 21h30, na Biblioteca Municipal de Cascais, em São Domingos de Rana, como sempre.
E, como sempre também, contando com todos.
Todas as coisas têm o seu mistério
e a poesia
é o mistério de todas as coisas
– Federico García Lorca

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