Sendo este um espaço de marés, a inconstância delas reflectirá a intranquilidade do mundo.
Ficar-nos-á este imperativo de respirar o ar em grandes golfadas.
CONVITE para cantar as Janeiras com o CRAMOL
Aniversário do Sete Mares – pequeno balanço…
E, ainda assim, um novo dia desponta…
Bom ano de 2013!
Muito para além do bombardeamento constante da promoção da insanidade a que todos somos sujeitos por parte de (des)governantes, acolitados pela intoxicação – dir-se-ia militantemente empenhada – dos assim-ditos órgãos da comunicação social, ocorre por todo o País uma desumanização institucional que, insidiosamente, se vem instalando e que degenera num cerco ao cidadão que o manieta na sua capacidade de bom cumprimento da cidadania, na perspectiva do colectivo em que se integra, bem como do seu livre arbítrio, enquanto indivíduo.
Certo é que a vida do cidadão se vai infernizando com a constante angústia existencial por não ter sabido preencher adequadamente qualquer obscuro formulário, no fisco, na (in)Segurança Social, no contrato do telemóvel, ou do fornecimento eléctrico, ou da seguradora; que não tenha assumido, em tempo devido, o prazo para a entrega de declaração, qualquer que ela seja, tendo-se verificado benefício ou usufruto ou não, mas que, em qualquer caso, cuja omissão faz impender sobre o mesmo desgraçado as penas mais penosas dos purgatórios sociais, em forma de taxa e de coima e de multa, criadas e recriadas a um ritmo impossível de seguir por quem faça, de facto, alguma coisa na vida e careça de tempo para isso.
Invariavelmente ouço queixas e lamentos – quando não de mim próprio e tantas elas são… – por haver que pagar a tal taxa, ou coima, a multa, a disfunção, a falta de acesso a uma expectável benesse, porque falhou um «pisco» num formulário, que até pode ser electronicamente preenchido, ou tão-só pelo simples atraso de entrega – cuja multa, por esse lapso, pode ser indetermináveis vezes superior ao benefício usufruído, etc., etc., etc.,…
Assim se mantém toda uma população – fala-se aqui da laboriosa, da pagadora, da que tem da vida uma noção do social, que não da «outra» – refém de um esquema generalizado de terror de onde, por muito estranho que pareça – ou talvez não – apenas passam incólumes os grandes barões, burlões e outros tubarões da sociedade que todos fomos criando ou deixando criar-se.
Assim vamos, pois, tão pseudo-iludidos em vilanezas de troikas e de Passos incertos, como de Sócrates vorazes e de serôdias filosofias.
Assim vamos, ainda que o suposto garante supremo da Constituição da República – que jurou cumprir e fazer cumprir – dê primazia a uma mão-cheia de sebentas universitárias onde ele próprio e os seus pares brincam aos deuses e aos monopólios do nosso descontentamento.
Este é o legado que te deixo, meu filho: a nossa ancestralidade, a nossa sobrevivência, inestimáveis patrimónios imateriais da Humanidade.
E quando, na rua, me cruzar com algum daqueles que não têm amor à terra que os pariu, que pretendem fazer da nação a enxovia de onde sugam os seus interesses indizíveis, os vendilhões e os vendidos deste templo que é de todos e em partes iguais, a esses enfrentarei com o olhar sereno e determinado.
Mas se alguma perturbação me pressentires, tratar-se-á apenas da súbita vontade de lhes fazer pagar, aqui e agora, o seu desvario, a sua concupiscência à custa do seu semelhante e a traição à Vida que em cada dia cometem.
E só assim serei capaz de te desejar um feliz ano de 2013, sabendo também que posso contar contigo deste lado do mundo!
do Natal que nós fizermos
Jorge Castro – Natal de 2012
(ficheiro de som – mp3)
Com um forte abraço, os meus votos de boas festas, então. E um ano 2013 memorável e, se possível, pelas melhores razões.
percorrendo os sete mares
com Deana Barroqueiro
noites com poemas com Deana Barroqueiro
e Fernão Mendes Pinto
como diria o amigo Fanha, eu sou português aqui…
de que será que o sindicato do céu está à espera para promover uma acção de desagravo contra esta exorbitância?
NOTA: Se dividirmos 83 € por 4 semanas, atingiremos as 48 horas de trabalho semanal; se dividirmos os mesmos 83 € por 30 (!) dias – sábados, domingos e feriados, tudo incluído -, teremos um total de 6 horas e meia de trabalho diário… Que palavras dizer?
Note-se que, se é certo que considero avilante esta exploração, os agentes desse aviltamento são, como não pode deixar de ser considerado, os que contratam e assim pagam o tempo (a vida?) dos contratados e apenas sobre eles incide o ónus do adjectivo.
E quando o trabalho é remunerado como esmola, algo está definitivamente podre neste reino, que urge expurgar com carácter de urgência!


































