Sendo este um  espaço de marés, a inconstância delas reflectirá a intranquilidade do mundo.
Ficar-nos-á este imperativo de respirar o ar em grandes golfadas.

CONVITE para cantar as Janeiras com o CRAMOL

Amigas e Amigos
VAMOS CANTAR AS JANEIRAS
dia 06 de Janeiro de 2013 às 16h
Na IGREJA MATRIZ de OEIRAS
Com a participação do CRAMOL
e do
GRUPO CORAL da Portela
Entrada livre
Contamos convosco para sair da Igreja a cantar
e não será a mesma coisa sem as vossas VOZES.

Aniversário do Sete Mares – pequeno balanço…

Mais um ano se passou neste espaço. Inaugurado oficialmente em 01 de Janeiro de 2004, ainda que o o seu nascimento físico date de 15 de Dezembro de 2003 – olá, madrinha Thita! -, leva então oito anos de rodagem.
Ponto de encontro e assumido cartão de visita, nele se vai sedimentando uma parte significativa da vida deste seu autor.  
A média regular de cerca de trinta mil visitantes por ano, o que perfaz cerca de oitenta visitas diárias, leva-me a assumir a sua importância na relatividade do concerto deste mundo. E, também, a perseverar.
Deveria, talvez, actualizar-lhe o aspecto, recompor conteúdos laterais… Mas a verdade é que o tempo é escasso e a forma nem sempre condiciona o conteúdo.
A todos os afectos que, com o seu apoio, ajudam a manter acesa esta pequena e bruxuleante chama, o meu forte abraço e a promessa de que o que tenho de mais certo é vir comemorar aqui o próximo aniversário.   

E, ainda assim, um novo dia desponta…
Bom ano de 2013!

Poderia citar incontáveis casos concretos para cada circunstância que sustenta o que vou dizer, mas não o faço para não expor ainda mais às vicissitudes do mau poder as vítimas desse caso grave de vilanagem em que se vai transformando o Estado, que somos nós (ou que assim deveria ser), mas tão deficientemente representados. Então, que cada um acredite ou não na matéria exposta e que o leve à simples conta de desabafo, como imperativo necessário e urgente para criar equilíbrios mentais, tão necessários como qualquer outro suporte de vida.

Muito para além do bombardeamento constante da promoção da insanidade a que todos somos sujeitos por parte de (des)governantes, acolitados pela intoxicação – dir-se-ia militantemente empenhada – dos assim-ditos órgãos da comunicação social, ocorre por todo o País uma desumanização institucional que, insidiosamente, se vem instalando e que degenera num cerco ao cidadão que o manieta na sua capacidade de bom cumprimento da cidadania, na perspectiva do colectivo em que se integra, bem como do seu livre arbítrio, enquanto indivíduo.

Matéria pouco ventilada, talvez porque dela não ocorra, directa e espectacularmente, sangue derramado, mas porque apenas provoca o definhar gradual da individualidade e do seu inestimável livre pensamento, a relação entre o Estado e o cidadão, nos múltiplos aspectos (públicos ou semiprivados) em que ela incide, assume, hoje em dia, uma inextrincável teia de iniquidades, de desvarios, de perdas de tempo, de incomodidades, das quais já ninguém sabe, sequer, apontar responsáveis ou eventual cura e, menos ainda, lobrigar cara ou costados visíveis onde assentar merecido bofetão ou incontestável bengalada.

Certo é que a vida do cidadão se vai infernizando com a constante angústia existencial por não ter sabido preencher adequadamente qualquer obscuro formulário, no fisco, na (in)Segurança Social, no contrato do telemóvel, ou do fornecimento eléctrico, ou da seguradora; que não tenha assumido, em tempo devido, o prazo para a entrega de declaração, qualquer que ela seja, tendo-se verificado benefício ou usufruto ou não, mas que, em qualquer caso, cuja omissão faz impender sobre o mesmo desgraçado as penas mais penosas dos purgatórios sociais, em forma de taxa e de coima e de multa, criadas e recriadas a um ritmo impossível de seguir por quem faça, de facto, alguma coisa na vida e careça de tempo para isso.

Invariavelmente ouço queixas e lamentos – quando não de mim próprio e tantas elas são… – por haver que pagar a tal taxa, ou coima, a multa, a disfunção, a falta de acesso a uma expectável benesse, porque falhou um «pisco» num formulário, que até pode ser electronicamente preenchido, ou tão-só pelo simples atraso de entrega – cuja multa, por esse lapso, pode ser indetermináveis vezes superior ao benefício usufruído, etc., etc., etc.,…

Assim se mantém toda uma população – fala-se aqui da laboriosa, da pagadora, da que tem da vida uma noção do social, que não da «outra» – refém de um esquema generalizado de terror de onde, por muito estranho que pareça – ou talvez não – apenas passam incólumes os grandes barões, burlões e outros tubarões da sociedade que todos fomos criando ou deixando criar-se.

Assim vamos, pois, tão pseudo-iludidos em vilanezas de troikas e de Passos incertos, como de Sócrates vorazes e de serôdias filosofias.

Assim vamos, ainda que o suposto garante supremo da Constituição da República – que jurou cumprir e fazer cumprir – dê primazia a uma mão-cheia de sebentas universitárias onde ele próprio e os seus pares brincam aos deuses e aos monopólios do nosso descontentamento.

Mas o certo é que vamos. E sempre fomos. E iremos, claro. Sempre em frente e até ao fim do mundo, qualquer que seja o calendário, qualquer que seja o algoz, qualquer que seja a maleita.

Este é o legado que te deixo, meu filho: a nossa ancestralidade, a nossa sobrevivência, inestimáveis patrimónios imateriais da Humanidade.

E quando, na rua, me cruzar com algum daqueles que não têm amor à terra que os pariu, que pretendem fazer da nação a enxovia de onde sugam os seus interesses indizíveis, os vendilhões e os vendidos deste templo que é de todos e em partes iguais, a esses enfrentarei com o olhar sereno e determinado.

Mas se alguma perturbação me pressentires, tratar-se-á apenas da súbita vontade de lhes fazer pagar, aqui e agora, o seu desvario, a sua concupiscência à custa do seu semelhante e a traição à Vida que em cada dia cometem.

E só assim serei capaz de te desejar um feliz ano de 2013, sabendo também que posso contar contigo deste lado do mundo!

do Natal que nós fizermos

Amizades,
Cá somos chegados a mais uma época natalícia. Ou, se melhor quisermos, a uma nova celebração do solstício de inverno, onde tudo e todos se aprestam a um novo recomeço ou ao eterno retorno da espiral de Vida onde vamos viajando…

Do novo ano, quando ele findar, queremos esperar que, apesar das incertezas e, porventura ainda mais, das certezas – que sabemos, entretanto, sempre efémeras – nos deixe saudades e felizes recordações.

No fundo e pelo meio da conversa abstrusa da desesperança que nos é «vendida» por tão elevado preço, que nos fique a garantia de sermos quem somos. E isso, como é óbvio, depende muito de cada um de nós.

O meu contributo para esta comemoração do solstício aí vai. Fiz-me acompanhar pelo grupo mirandês Trasga, com o seu tema Al Absedo… – e para quem melhor quiser apurar o sentido da coisa, sempre lhes digo que «l absedo ye ua lhadeira birada a norte, adonde, ne ls meses de ambierno, nun bate l sol. Yé ne l absedo que nácen i se dan melhor ls buxos, ls anguelgues e las urzes, madeiras que prodúzen un eicelente sonido e con que son construídos ls strumentos musicales ousados por Trasga»:

Jorge Castro – Natal de 2012
(ficheiro de som – mp3)

Com um forte abraço, os meus votos de boas festas, então. E um ano 2013 memorável e, se possível, pelas melhores razões.

percorrendo os sete mares
com Deana Barroqueiro

Da saga sobre a personagem que foi Fernão Mendes Pinto, aproximada ao século XXI, com o rigor de investigação cada vez maior que as novas tecnologias proporcionam, mas a que não é nada alheio o empenho e o rigor de quem investiga, eis o desafio proposto para esta sessão das Noites com Poemas, com Deana Barroqueiro e a sua obra mais recente:
 O Corsário dos Sete Mares – Fernão Mendes Pinto.

Munida de extraordinária panóplia recolhida nos lugares por onde terá andado este nosso aventureiro, que acompanha e ilustra, de algum modo, o rico fio narrativo da autora…

… pouco resta ao apresentador do que remeter-se ao singelo ofício de fazer apenas o que lhe compete: apresentar, se possível, com o engenho e a arte de desencadear um sorriso. 

Foi dada a palavra à editora, Marta Ramires, da Casa das Letras, que arrostou com este imenso projecto, navegando através da maré de exigência da autora e que bem me pareceu ter chegado ao bom porto da satisfação de todas as partes envolvidas.  

Depois, a palavra à autora, Deana Barroqueiro, singrando mar afora, com artes de chamar ventos de feição, em curso pleno na chamada velocidade de cruzeiro, com a obra concluída, apontando já outros horizontes temporais… 

Excelente comunicadora, une a fluência do seu claro discurso, não apenas aos saberes partilhados com o auditório…

… como a uma natural e constante empatia com todos aqueles que a ouvem…

… que ficam conscientemente cientes – se me permitem a sobrecarga palratória – de que, se perdem pitada, são eles que saem a perder.

Uma sala muito confortavelmente preenchida – aquele único lugar temporariamente vazio é o da nossa senhora das imagens -, mesmo em vésperas de Natal e anúncios de fim do mundo, faz-me sempre sentir que pela poesia é que vamos

Logo mais, entrando na «segunda volta» da sessão, cumpriu-nos «pagar» à autora, dir-se-ia, com língua de palmo e em forma de poesia, como sempre ocorre nestas nossas sessões.  

– Francisco José Lampreia

– Maria Maya

– Carlos Pedro

– Eduardo Martins

– Ana Freitas

– Emília Azevedo

– Rosário Freitas

– Sofia Barros

– Tina

– Virgílio Ramos…

… que cantou, encantando e proporcionando, até, um pezinho de dança, que logo há quem se afoite.

E tudo regadinho a Porto e Moscatel de Setúbal, houve bolo-rei e broas doces e, até do Corsário dos Sete Mares recebemos uns belíssimos borrachões da Iria Pereira e umas broas de mel à Pêro da Covilhã, pois Natal é quando a boa gente quiser…
Pois é… e bem foi. Melhor é sempre experimentá-lo que julgá-lo, mas julgue-o quem não pôde experimentá-lo, como diria, a propósito, o Luís Vaz. 
     

– Fotografias de Lourdes Calmeiro

noites com poemas com Deana Barroqueiro
e Fernão Mendes Pinto

No próximo dia 21 de Dezembro (sexta-feira), pelas 21h30, na Biblioteca Municipal de Cascais, em São Domingos de Rana, teremos, de novo, como convidada Deana Barroqueiro que, cumprindo o que já nos prometera em Maio do corrente ano, nos traz e seu Corsário dos Sete Mares – Fernão Mendes Pinto, com edição da Casa das Letras (grupo Leya), porventura agora com outras vivências, passado que foi o Cabo das Tormentas do processo de investigação e criativo e aportando já ao Porto Salvo da obra publicada.
Como elemento estimulante, deixo-vos uma sinopse da obra:
Fernão Mendes Pinto é o exemplo vivo do aventureiro português do século XVI, que embarcava para o Oriente com o fito de enriquecer. Curioso, inteligente, ardiloso e hábil, capaz de todas as manhas para sobreviver, vai tornar-se num homem dos sete ofícios, sendo embaixador, mercador, médico, mercenário, marinheiro, descobridor e corsário dos sete mares – Roxo, da Arábia, Samatra, China, Japão, Java e Sião – por onde, durante vinte anos, navegou e naufragou, ganhou e perdeu verdadeiros tesouros, fez-se senhor e escravo, amou e foi amado, temido e odiado. Herói polémico e marginalizado, Fernão participa em campanhas de paz e guerra, da Etiópia à China, sendo também um dos primeiros portugueses a visitar o Japão, onde introduz os mosquetes ali desconhecidos e fica nas crónicas locais como o noivo do primeiro matrimónio de uma japonesa com um ocidental. Através de Fernão Mendes Pinto e dos testemunhos das personagens com quem se cruza, na sua peregrinação pelo Oriente longínquo, a autora faz ainda a narrativa dos principais episódios da grande saga dos Descobrimentos Portugueses, como as conquistas de Goa e Malaca, o heróico cerco de Diu ou as campanhas do Preste João na Etiópia. Em sete mares se divide o romance, por onde o leitor, na pele das personagens, fará uma intrigante viagem no Tempo, ao encontro de si próprio e de mundos e povos antigos, tão diferentes e ao mesmo tempo tão semelhantes, uma peregrinação na busca incessante de fortuna, encarnada na demanda da mítica Ilha do Ouro.
Neste País tão conturbado entre «navegações à vista» e naus sem leme, decerto este é um vento de feição que nos faz regressar a outos conceitos de identidade e afirmação. E, por favor, não me digam que isto não é poético!
Cá vos esperamos, a caminho do Natal, símbolo ainda de eternos recomeços ou de novos ciclos de vida. Integremos, então, esta nossa sessão nas festividades solsticiais… e afoitemo-nos a navegar.

como diria o amigo Fanha, eu sou português aqui…

Apenas para mudar o tom geral de azedume que se desprende da espuma dos dias, aqui partilho uma singela imagem colhida por mim, há muito poucos dias, em passeio pelas Caldas da Rainha. 
Portugal também é assim magnífico. Apesar daqueles edifícios, ao fundo, estarem votados ao mais desgraçado abandono e consequente desperdício…  – e lá vem, outra vez, o azedume!

de que será que o sindicato do céu está à espera para promover uma acção de desagravo contra esta exorbitância?

Para registar e ver com olhos de ver:
A Associação Empresarial de Penafiel contratou quatro desempregados a 43 cêntimos à hora para se vestirem de Pai Natal. Segundo o Jornal de Notícias desta quarta-feira, os animadores, operários da construção civil, recebem 83 euros por 30 dias, mais subsídios de transporte e alimentação.

A Associação Empresarial de Penafiel pretendia, para o período compreendido entre 1 e 31 dezembro, quatro pessoas para o «desenvolvimento e promoção de ações de animação do comércio local no Centro Histórico de Penafiel, durante o período natalício e apoio à equipa existente», explica Graça Castro, diretora do Gabinete de Comunicação e Relações Externas do IEFP – Instituto do Emprego e Formação Profissional, I.P.
«Dos candidatos presentes oito aceitaram voluntariamente a participação neste projeto e foram encaminhados para a entidade (Associação Empresarial de Penafiel), destas foram selecionadas 4 (quatro), de acordo com o número indicado na candidatura», explicou Graça Castro. (in http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=606179

NOTA: Se dividirmos 83 € por 4 semanas, atingiremos as 48 horas de trabalho semanal; se dividirmos os mesmos 83 € por 30 (!) dias – sábados, domingos e feriados, tudo incluído -, teremos um total de 6 horas e meia de trabalho diário… Que palavras dizer? 

Muito para lá da ironia amarga do título que escolhi para esta entrada, há, na verdade, qualquer coisa de miserável naquilo que os mandantes andam a fazer contra a nação portuguesa.

 

Há, afinal, qualquer coisa de miserável nesses mandantes.

 

E porque 43 cêntimos por hora de trabalho é qualquer coisa a que não se pode chamar remuneração, nem honorários, por ser aviltante e explorar a carência de tudo, só podemos estar em presença de mais uma manifestação hipócrita da «caridadezinha» que apregoam as Jonets do nosso descontentamento.

Note-se que, se é certo que considero avilante esta exploração, os agentes desse aviltamento são, como não pode deixar de ser considerado, os que contratam e assim pagam o tempo (a vida?) dos contratados e apenas sobre eles incide o ónus do adjectivo. 

E quando o trabalho é remunerado como esmola, algo está definitivamente podre neste reino, que urge expurgar com carácter de urgência!

caridade versus solidariedade… ou o apagado e vil discernimento

O autor deste blog, após os últimos chorrilhos de dislates que vieram a público, passou a considerar a personalidade Isabel Jonet como persona non grata do seu círculo de relações e criatura pouco recomendável tendo em vista o saneamento preciso, imperioso e urgente de que Portugal tanto carece.   
Ver a minha crónica  AQUI.
Sim e parafraseando alguém, acrescento mesmo: porque não te calas?
Todas as coisas têm o seu mistério
e a poesia
é o mistério de todas as coisas
– Federico García Lorca

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