Sendo este um espaço de marés, a inconstância delas reflectirá a intranquilidade do mundo.
Ficar-nos-á este imperativo de respirar o ar em grandes golfadas.
homenagem a José Leite de Vasconcelos
no Museu Nacional de Arqueologia (Lisboa)
na comemoração do 120º aniversário
do Museu Nacional de Arqueologia
Rogério Ribeiro (1950-2007)
O que me sugeriu, com a devida vénia, este desenvolvimento:
homenagem a Fernanda Frazão e Jorge Castro
pela Comunidade de Leitores e Cinéfilos
das Caldas da Rainha
Sequenciando esta apresentação, tivemos a intervenção dos poetas:
– fotografias de Lourdes Calmeiro
no dia mundial da Poesia
e noutro dia…
convite
sessão de poesia em homenagem a José Leite de Vasconcelos
no Museu Nacional de Arqueologia
A História como Memória Colectiva
trazida às noites com poemas por
João Paulo Oliveira e Costa
João Paulo Oliveira e Costa
nas Noites com Poemas
o grande problema do nosso governo
– pequena lição de política de bolso
o grande problema do nosso governo
é ter este povo que não foi eleito
é ter por defeito o não ser eterno
é viver no inferno de jamais ter jeito
ninguém lhe parece que lhe valha a pena
para além da corja que traz à ilharga
gentalha contada e à boca pequena
que come e que medra e que vive à larga
o grande problema do nosso governo
é ser da matriz dos biltres sem terra
que nunca beberam no leite materno
esse amor ao chão a que a raiz se aferra
à seiva do povo que a corja traiu
no meio do lodo tal qual sanguessuga
que mal se empanturra – ávida e febril –
abandona o barco – mísera trânsfuga
o grande problema do nossos governo
é não ser do povo nem dele ser guarida
mas se em cada dia lhe atiça o inferno
o dia virá da paga merecida
assassinam velhos – desprezam os novos
matam o presente – hipotecam futuros
e nós só cantando e atirando ovos
esperamos que caiam todos de maduros
Conclusão:
o grande problema que nós temos com este governo
é que enquanto aguardamos tranquilos que ele passe
o que acontece – como outrora se diria –
é que ele assumiu uma clara opção estratégica de classe…
– Jorge Castro
tu aqui não tens nada p’ra dizer…
pá
nem de ti tenho nada para ouvir
a palavra
esse dom de humanidade
e de livre pensamento
não se colhe no entulho da aldrabice
nem a queremos ver medrando entre a miséria e o lamento
com que tu e os teus pares nos vão cercando
sempre ao mando e ao desmando
e da pulhice
e não venhas com plangências democráticas
porque em ti tudo teu é fraco e falso
e nem mesmo de algumas almas erráticas
vais a tempo de fugir ao cadafalso
a palavra é um direito
é um dever
é o abraço que nos une e nos irmana
mas trânsfugas que o povo tomam de assalto
uma só me ocorre agora
e é «sacana»
e sacana é aquele que eu não quero nem ouvir
lobrigar sequer por perto
e assim sendo se falar queres
podes ir
p’ràs profundas mais remotas do deserto
aqui não
que não és tu cidadão
mas ladrão que me assalta a descoberto
e em ti cada palavra é a facada
que se paga sempre em sangue e agonia
nesse dia que constróis com injustiças
atropelos
violência
e vilania
e assim medras
tu e toda essa canalha
que na sede deste sangue te igualha
e se amanha no seu sinistro porvir
tu aqui não tens nada p’ra dizer
pá
nem de ti tenho nada para ouvir
nada tens afinal mais p’ra dizer
de ti já se ouviu toda a missa farta
e se vieres que seja só p’ra acontecer
a providência de um raio que te parta!
noites com poemas com
Maria Mamede e Sofia Barros
e a música e a voz de Rogério Charraz
Ainda a tempo e mal cabendo em mim, aqui vos deixo um mimo que Maria Mamede, entretanto, me remeteu:
























































































