Sendo este um espaço de marés, a inconstância delas reflectirá a intranquilidade do mundo.
Ficar-nos-á este imperativo de respirar o ar em grandes golfadas.
Sugestão para fim de férias (para quem as tenha tido e para os demais…) com poemas
Com Ana Patacho e de algum modo como início da nova «temporada», aqui deixo uma sugestão, com chá, amizade e poemas, pelo menos para aqueles de entre vós que se encontrem nas proximidades de Oeiras ou de Carcavelos.
Quinta-feira, dia 29 de Agosto, no Bule, pelas 22h00 iremos fazer Viajar as Palavras. Aceitam a boleia?
Passaremos por José Afonso, Vasco Graça Moura, Luís de Camões, Carlos Drummond de Andrade, António Lobo Antunes, Mário Henrique Leiria, Ary dos Santos, António Gedeão… uma viagem com etapas bem apelativas, como se pode ver.
Ana Rita Pereira – tinha 24 anos e uma vida por viver
Tinha 24 anos e morreu.
Deixou a vida quase toda por viver e, afinal, morreu… também para que eu viva.
Pertencia aos Bombeiros Voluntários de Alcabideche.
Chamava-se Rita Pereira. Tinha 24 anos e a vida quase toda por viver.
Agora já não temos que lhe fazer ao nome. Talvez uma lápide que nos apazigue as consciências.
Tinha 24 anos e morreu a combater um país incendiado. Claro que não foi um acidente!
Ela morreu em Tondela porque quis ir para lá combater um incêndio que alguém ateou. Foi, então, uma morte voluntária em nossa defesa.
Cara Ana Rita, aqui te deixo a minha gratidão sem tamanho por teres dado a tua vida para salvares as nossas. Uma gratidão tão grande como grande é a dimensão da vergonha por deixarmos arder Portugal e assassinar os seus filhos melhores sem emenda, sem punição… sem vergonha!
Sem um estremecimento da consciência nacional que imponha aos mandantes o cumprimento de zelarem pelo país condignamente sob pena de serem, eles também, responsabilizados por cada morte como a tua.
24 anos e uma vida quase toda por viver! Que pena, Ana Rita. E que vergonha!
quando Urbano Tavares Rodrigues morreu…
… Manuel Alegre enviou para o DN o poema que dedicou ao escritor e seu amigo.
Rodrigues
No dia 9 de Agosto de 2013
houve uma vaga de calor. De certo modo
ele morreu dentro de um seu romance-
Não foi notícia de abertura. Os telejornais
mostraram mulheres gordas em Carcavelos
e um sujeito pequenino (parece que ministro)
a falar de “cultura política nova.”
Mais tarde este dia será lembrado
como a data em que morreu
Urbano Tavares Rodrigues.
Manuel Alegre
Lisboa, 9/8/2013
Nos países subdesenvolvidos, a arte (literatura, pintura, escultura) entra quase sempre em conflito com as classes possidentes, com o poder instituído, com as normas de vida estabelecidas. Em revolta aberta, o artista, originário por via de regra da média e da pequena burguesia ou mais raramente das classes proletárias, contesta o statu quo, propõe soluções revolucionárias ou, quando estas não podem sequer divisar-se, limita-se a derruir (ou a tentar fazê-lo pela crítica, violenta ou irónica) o baluarte dos preconceitos, das defesas que os beneficiários do sistema de produção ergueram contra as aspirações da maioria. Nas sociedades industriais mais adiantadas, o artista pode permanecer numa atitude idêntica de inconformismo; porém, os resultados da sua actividade de criação e reflexão tornam-se matéria vendável e, nalguns casos, matéria integrável.
O consumo do objecto artístico, seja ele o livro, o quadro ou o disco, quando feito sob uma tutela de opinião,que os meios de comunicação de massa, em escala larguíssima , exercem, torna-se, senão totalmente inócuo, pelo menos parcialmente esvaziado do seu conteúdo crítico. Despotencializa-se. Amolece. É o que se verifica, por exemplo, em boa parte, nos Estados Unidos. A ideologia repressiva da liberdade no mundo capitalista monopolista torna-se tanto mais perigosa quanto aborve, ou procura absorver, as próprias formas políticas de exercício das liberdades ditas essenciais, quando aceita no seu seio o escritor, acusador iconoclasta por natureza, recuperando-o em banho asséptico, limando-lhe os dentes. Mas, entendamo-nos, nem sempre o artista se dá conta dessa operação, até porque nem sempre, de facto, é ele próprio o paciente da operação que lhe reduz a perigosidade, senão que o é, sim, a sua obra, a qual, pelo poder diminutivo de uma dada comercialização, se rectifica.
Urbano Tavares
Rodrigues, in “Ensaios de Escreviver”
Claro que um espírito assim só pode fazer-nos falta. Uma incomensurável falta…
a tradição, tal como muitos políticos, afinal não muda… quando muito, adapta-se…
algumas destas não lembram ao Diabo…
Os JUÍZES e a CES
A CES (Contribuição Especial Solidariedade) não se aplica aos juízes !
JUSTIÇA (???) feita…a preceito! Mais um capítulo para a grande história da pulhice humana.
Os JUÍZES do TC e a CES..(contribuição especial de solidariedade)
É inacreditável!!… Esta gente já beneficia (não sei por que razão?) com a indexação das suas pensões aos trabalhadores no activo!!
Regalia dos JUBILADOS?!!!!
E agora, outra benesse: – não pagam CES!!!
Recebem as reformas por inteiro em caso de incapacidade por doença do foro psiquiátrico.
Auferem subsídio de renda de casa, no valor mensal de 750,00, mesmo morando em casa própria.
E depois vêm falar de equidade, justiça social, etc. e tal?
Isto só numa república das bananas!!
Espalhem pelos vossos contactos. Isto é serviço público!!
INACREDITÁVEL!!! COMO É POSSÍVEL!!! Que gente esta!!!
Eis a explicação para o “NÃO CHUMBO” da CES. Protegem-se a todos os azimutes e armadilham tudo à volta. E o Governo alinha.
Juízes e diplomatas não pagam CES sobre pensões
Escreveu o Jornal de Negócios que nem todos os reformados com pensões elevadas saem a perder com a decisão do Tribunal Constitucional (TC).
Os juízes e os diplomatas jubilados não são afectados pela polémica contribuição extraordinária de solidariedade (CES), viabilizada pelos juízes do TC.
E com a decisão do TC passam também, como qualquer funcionário público, a ter direito a subsídio de férias.
Estes pensionistas estão teoricamente equiparados aos funcionários públicos.
A CES não se aplica às suas pensões devido a uma norma do Orçamento do Estado que abre uma excepção para as “pensões e subvenções automaticamente actualizadas por indexação à remuneração de trabalhadores no activo”.
Claro,como água da fonte.
Se não fosse esta norma oportunissimamente introduzida na Lei do Orçamento, a CES teria sido certamente chumbada.
Chamem-lhes o que quiserem, mas eles estão-se todos borrifando…
E certamente riem-se … (final da mensagem recebida)
os poetas da Apenas e Coruche na 88ª sessão das Noites com Poemas
mías,
nuestros corazones
universo
colores de las palabras.
–
in Aurora de fulgor (2005-2007)
Ou assistir a esta bela entrada no YouTube:
http://www.youtube.com/watch?v=9wqhTUEb6Vo
– a propósito do iminente encerramento da centenária Livraria Sá da Costa, em Lisboa
– seguida de um refrescamento da memória proposto por Daniel Abrunheiro
Neste tempo em que desaparecem as abelhas, ver fenecer (às nossas mãos…?) assim, tristemente, mais uma colmeia, faz-nos pensar que muito em breve não será possível verificar-se a polinização tão necessária e imperiosa a que as ideias sejam fecundas.
Façamos, então, o que está nas nossas mãos para contrariar este estado de coisas!
visão é mais-que-perfeita como um pretérito longe feito perto hoje, não todavia suficiente para me fazer
esquecer, ante todo este espúrio e estupefaciente carnaval de crocodilas
lágrimas antecipadas pró-pré-morte de Nelson Mandela, que em 1987 (há meros 26
anos, portanto), reunida a Assembleia Geral das Nações (alegadamente) Unidas,
ia a moção plenária um apelo à libertação incondicional desse gigante
sul-africano. Votaram a favor 129 países. Três votaram contra: os EUA, então
tragicomicamente rendidos ao Reagan, a Grã-Bretanha, da Thatcher, e um tal
Portugal dum tal… Cavaco. (o sublinhado é meu)
quem viola é preso, nem quem é violado esquece. A nossa amnésia
carneirinho-multitudinária persiste em procrastinar (isto é, adiar; isto é,
odiar) o evidente. E o evidente é a quinta de porcos do velho Orwell, que a
tudo e todos, filósofos de Café de bairro incluídos, pretende terr’arrasar.(…)(fim da citação)
na aula magna (Lisboa), no passado dia 20
CONVITE
as contas que contam – prosaico poema
vamos lá a contas. Contas de nós tão mal prontas que nos sufocam a voz…
tu, aí, que me contas? Eu que venho desse tempo em que se pagava em contos as
contas que alguém fazia. E não era nada bom mas o que de mau havia tinha rosto,
cara à vela, e nem usava à lapela bandeiras de fantasia… ou de lata que, também,
se bem virmos, vendo bem, há gente desta que avonde e vem nem se sabe de onde,
a caminho de Belém.
paga-se em histórias, dá-se de troco umas lérias quando há demais demasia. Será
isto Literatura de braço dado à Matemática, alto voo de cultura? Ou laparoto na
lura, cheio de manha e de astúcia, contrariando a urdidura?
vão dando ao BPN, ao BCP, ao BANIF, a um patife que lhes dê a palha e o bom
sustento. Dão às PPP, ao vento, dão tanto que nem aguento contar contas de
rosário quando tanto salafrário vive à custa de salário com o qual mal me
governo pois vai todo para o governo, sem haver qualquer retorno nesta vida
feita inferno.
mandante a tempo inteiro, papagaio garganeiro, vai de ministro a banqueiro e de
banqueiro a ministro, sempre num jogo sinistro, sempre em dourado poleiro e,
perdoem-me se insisto, à custa do meu provento – que digo eu? – do nosso, que
estou pr’àqui que nem posso, de bolsos cheios de vento.
viste? Fizeste as contas? Soma lá esses milhões e, sem mais ideias tontas,
apura o quanto a ganância desses tais senhores do mundo te afasta, aos
tropeções, p’ra tão longe da abundância, a este abismo sem fundo.
contos de encanto, em cantochão, desencanto de ouvirmos tanto poltrão em
matraqueio de socos. E debaixo do colchão voltei a guardar uns trocos, poucochinhos,
só uns poucos, uns centavos taralhoucos, para dias de aflição, pois eu, com tais
saltimbancos, já nem confio nos bancos, em perpétuos solavancos, sem saber para
onde vão.
redor lá cresce a fome, adição vil e sem nome, que subtrai o viver. E a divisão
que fazem multiplica esta maleita da vida feita a morrer.
aqui a outra, a caridosa esmoler, a dar quanto se quiser ao pedinte e à
desgraça. Mas, antes, a encher bem a carteira desse alguém que é o dono da
praça… E quem precisa lá come o pão que o Diabo amassa, pois tem a fome dos
filhos numa urgência que não passa.
só nos faltará ouvir que tanta gente a pedir por uma côdea de pão assim é
porque Deus quer mas, que o diga quem souber, sempre a bem da nação.
dias somam imposto, taxa, coima sem ter rosto, espécie de fogo posto sem nos
dar margem de fuga, sequer de respiração. E o portuga lá vai, cordeiro, manso,
tal cão a dar ao rabo ao serão, sem um ai e sem tostão; um ai de nós ou de
peito, de tanto estarmos a jeito deste fado violento:
meu Deus, que não me aguento!
patrão, e o meu sustento?
ó mãe, quem nos acode?
voltar a ser cão mas aquele que bem sacode, que coça, morde e escorraça a pulga
como a carraça, à dentada e à unhada, a ver se a coceira passa.
avô ao filho dá e o filho dá ao neto e, se hoje há, amanhã já vivem todos sem
tecto. E tantas necessidades, vos digo em pobre rima, porque uns quantos se amanham, quanto mais
alto se apanham, muito além e muito acima das nossas possibilidades.
vamos lá a contas…?
lá tu que remontas a passados de eleição, dos Lusíadas de antanho, com quantos
cantos faremos, hoje em dia, o nosso amanho?
será que já só contas, que só és de corpo inteiro, quando, fugindo de afrontas,
das maleitas destas seitas, és português no estrangeiro?
eu cá te conto, por fim, não ser dado a equações que não passem de travões à
vida que é tão nossa. Assim sendo, aqui declaro que não é nosso este fado nem a
letra é confiável. Porque ele há um mar arável e uma terra ondulada onde o
porvir é fecundo e neles – vê lá bem, por todo o lado – há uma rede, um arado,
que deram mundos ao mundo.
desgoverno aos vilões, tal como nos diz Junqueiro, em preceito que se aplica à
cáfila de aldrabões que assola o mundo inteiro, à «truculenta manada obesa de hipopótamos, ó
Humanidade, enxota-mos!».
em ti, em mim, em nós darmos a volta outra vez criando outro mundo novo, onde a
História de alguns é coisa de pouca monta e bem vista pouco conta.
vale a História do povo.
nela, somados todos, abriremos a janela para entrar o Sol a rodos!
conclui-se a equação mesmo que a solução contra esta praga daninha, muito mais do que a galinha, para criar homem
novo esteja ainda no ovo…










































































