2014 também será muito o que fizermos dele…

Uma vez mais me intrometo nos vossos espaço e tempo, mas apenas para vos
manifestar que, independentemente de 2014 não ser coisa de rima fácil – o que
rimará, afinal, com catorze…? – , ele será, no entanto, um ano igual aos
outros E, por isso mesmo, completamente único.

De resto, uns quantos morrerão, uns quantos nascerão, mas há-de haver uma
data de nós que… vamos vivendo. Assim mesmo: vamos vivendo.

Sem jogo de palavras: vamos e vivendo. O que nos acarreta a
responsabilidade enorme de respirarmos, comermos, bebermos, criarmos… Vivendo,
enfim, em cada um dos 365 dias que se antevêem mais próximos .

De preferência, vivendo uns com os outros. De preferência, vivendo,
agradando-nos o que fazemos.

É só e é bastante.

Que 2014 seja, então, um bom ano para o concretizarmos.

E havemos de nos encontrar por aí, para um apetecido abraço. Basta
querermos. É isso o que eu tenho por mais certo.
– Jorge Castro

há sempre outros natais

do Natal perdi o jeito de o trazer junto ao peito
num abraço de família
dou por ele num canto estreito cheio de compras a eito
o que atrapalha a mobília

um Natal de facebook a desdobrar-se no truque
de ser fácil de gostar
gostar a torto e a direito clique dado a preceito
que nada custa a «clicar»

o Natal da hipocrisia onde damos demasia
para matarmos a fome a alguns só por um dia
que alimenta a mordomia
de quem tudo tem e come

o Natal primordial
raiz de cada reinício
das festas do solstício
esse sim será Natal

onde o eterno retorno
o culto da Terra-Mãe
com os amigos em torno
nos prova sermos alguém

Natal seja este o nosso brindado como quem diz
que sou feliz quanto posso
e sou feliz quanto quis de braço dado com o vosso
este meu Natal feliz.

Jorge Castro

com votos de boas festas
e alento novo para encarar 2014,
também o Natal é o que um poema trouxer…

Que seja, então este o meu melhor voto a quantos fazem o favor de me visitar: que tenham artes de reinventar o presente, alento e ânimo para encarar o futuro, sacudindo as funestas grilhetas dos medos e da inacção. O futuro vem aí, quer queiramos, quer não… Melhor, então, encará-lo de frente, mostrando que somos gente e, ainda mais do que isso, todos juntos somos nação.
 Por aqui e junto de tantos afectos, cumprimos a 92ª sessão das Noites com Poemas.
Como sempre, o abraço de boas vindas aos que se disponibilizaram a aceitar o convite para enriquecerem com a sua presença estes nossos encontros…
… e, desses, um especial abraço a José Colaço e com ele aos Estrelas do Guadiana com quem, em boa hora, temos vindo, uma e outra vez, a cruzar caminhos, dando corpo e voz às palavras na dolência única do cante alentejano.

Dolência que a todos embalou através da magia que nos transporta, intrépida por vezes, combativa, meiga tantas vezes, ou brejeira, de uma alegria contida a que, se me permitem a fraqueza de uma confissão, não encontro formas de resistir.

E, depois, a cadência fraternalmente abraçada, a entoar cânticos de muitas vozes unidas num só sentir… Ah, só nos faltou mesmo a paisagem alentejana em fundo. Ainda que, para quem quisesse semicerrar os olhos, nem isso lhe faltaria.

Logo a seguir, num contraste ainda assim preenchido pelas cumplicidades que a música acarreta, o violinista Luís Morais, acabadinho de chegar de Viena de Áustria, com a presença de quem já tivemos oportunidade de contar, sempre em inesqueciveis momentos, presenteou-nos com a sua mestria e virtuosismo, com trechos de música erudita.  

De personalidade simpática mas discreta, tanto quanto arrebatador é o seu desempenho, Luís Morais encheu a sala e preencheu-nos o espírito…
… escandalizando quem o ouviu pela primeira vez, por esse elementar facto, tão nosso conhecido, de não serem divulgados os grandes valores culturais do país. De facto, o desconhecimento da existência e da obra de gente portuguesa desta estirpe, só nos empobrece. E, por vezes, irremediavelmente!
Grande Luís! Por aqui, meu caro, terás sempre o tempo e o espaço que te são devidos… por nossa causa e para nosso gáudio.
Logo mais, alguns dos amigos mais fiéis e constantes, a dizerem presente, com o tal poema que nos trouxesse os diversos e desvairados modos do Natal:  
– João Baptista Coelho
– Carlos Pedro
– Tina
– Rosário Freitas
– Eduardo Martins
– Ana Freitas
Francisco José Lampreia
– Maria Maya
– José Colaço (Um abraço, grato, pela distinção…)
– Emília Azevedo
E, após outra notável audição da arte de Luís Morais, chegou a hora de anunciar encerramento da sessão, não sem que antes se cumprisse um passeio pelo bolo-rei e vinho do Porto, a compõr os corpos dos espíritos bem preenchidos.
Um passeio também por algumas originalidades editadas pela Apenas Livros e, como tantas vezes acontece nestas sessões…

… mesmo já passada a festança, permanece o convívio. Desta feita, com belas vozes na sala, rapidamente se organizou um despique de cantorias de encantar…

… e lá fomos ficando, sem vontade de terminar o que sempre começamos!

Que as nossas vozes, enfim, nunca nos doam nestes caminhos fraternos.

– Fotografias de Lourdes Calmeiro

Por fim… não comprei nada este Natal e, ainda assim, vou oferecendo sempre qualquer coisa, o que me traz invariavelmente riquezas acumuladas, que nem sei onde guardar no armário dos afectos. Felizmente, não tem portas este armário…

Votos meus, para quantos por aqui passem, de boas festas e de um ano de 2014 em que saibamos sempre de nós, quem somos e porque somos, celebrando a vida também pela voz do poeta José Gomes Ferreira ao dizer-nos que penso nos outros, logo existo.

Quanto ao mais, rabanadas, filhós e azevinho, feitas e colhido pelas nossas mãos, mais presépio menos presépio, alguns minutos dedicados a acender as nossas memórias, principalmente as que nos chegam dos lugares não preenchidos em redor das nossas mesas, com um brinde a todos… de preferência com um vinho português, pois que não há-de haver gosto como o nosso!

no 10º aniversário destes Sete Mares
Natal é o que um poema trouxer…

Pois é verdade, pela mão da uma jovem amiga, a inesquecível Thita, que considerava ser eu um sujeito que devia blogar e que me ofereceu, perto do Natal de 2003, íamos pelo seu dia 15 de Dezembro, o blog Sete Mares prontinho a usar, eu fui na conversa dela… e bloguei! Até hoje, partilhando um pouco de tudo com quem me visita no que continuo a considerar ser um enorme espaço de liberdade. Grato sempre pelas vossas visitas e nelas irremediavelmente interessado.

Um grande abraço a todos, natalício também, como é da época, com votos de um novo ano em que os nossos passos nos levem por melhores caminhos que os Passos que têm sido dados…

E, em jeito de prenda, cá fica o meu convite para a próxima Noite com Poemas:

Natal é (também) quando o poema quiser ou, até, quando um poema o disser.

Como habitualmente, na Biblioteca Municipal de Cascais – São Domingos de Rana (Bairro Massapés, em Tires), no dia 20 de Dezembro de 2013 (sexta-feira), pelas 21h30. 

Contaremos com o já nosso bem conhecido grupo de cante alentejano Estrelas do Guadiana, com cânticos de Natal, cheios de sotaque, afecto e intenção, para nosso encanto.

Contaremos com o violinista Luís Morais, também já nosso bem conhecido, desta feita em interpretação a solo, que no curto espaço disponível de uma sua passagem por Lisboa e de regresso a Viena, se disponibiliza, muito amavelmente, para nos trazer esta magnífica prenda natalícia.

Poemas, desta feita «apenas» terão cabimento os que nos trouxerem um qualquer Natal. Mas queremos contar com quantos amigos nos animam com a sua presença.

Depois, haverá um bolo-rei e alguma bebida cheia de espírito, a acompanhar e a conjugar-se com este convívio, contrariando o expectável frio da noite e dos dias. O abraço é garantido e complementará a nossa costumeira arte do encontro.
Nós esperamos sempre e contamos com todos, advertindo, entretanto, que a riqueza deste nosso espaço depende em absoluto do contributo de cada um. Mas isso já todos sabem…

a Nelson Mandela

o dia da libertação de Nelson Mandela

Madiba – mais além da morte impura
Além mais da tua vida que ofereceste
Nada é maior que tu nessa aventura
Do exemplo tão maior que nos legaste
Em tuas mãos nasce enfim um homem novo
Liberdade foi o nome que lhe deste
A Humanidade toda una e um só povo!

– Jorge Castro, em 05 de Dezembro de 2013

 

as canções da nossa liberdade

– um outro poema de referências, como agradecimento a João Balula Cid e aos seus (nossos) amigos em sessão memorável das Noites com Poemas

as canções da nossa liberdade
são da cor das madrugadas da vida
no acaso tanta vez feito vontade
por valer uma esperança enfim cumprida

são da cor de um olhar ao mar aceso
são o brilho desse olhar na noite escura
são raiz do pensamento enfim coeso
são as mãos da paz da guerra e da aventura

as canções da nossa liberdade
são aquelas soltas no vento que passa
alvoroço contra o medo e sem idade
de haver sempre uma candeia na desgraç
uma luz algum farol o olhar ardente
essa bola entre as mãos de uma criança
que saltita alegre e viva à nossa frente
e por saber ser assim livre é cor da esperança

hão-de ser para alguns um leme inteiro
o velame que impele a nau premente
esse grito que nos rasga o nevoeiro
quando o tempo de mudança é mais urgente

as canções da nossa liberdade
são a carne viva feita de emoções
cada nota cada estrofe que em nós arde
incendeia aqui e agora os corações
a crescer entre o peito e a garganta
a valer de pena e espada que acontece
quando a noite se finou e amanhece
nesse querer voar que sempre se agiganta
na invenção do amor que nunca é tarde
inteiro e limpo
o dia que enfim canta
as canções da nossa liberdade

e por ser assim
e assim nos valer a pena
nas canções da nossa liberdade
o povo é quem mais ordena.

– poema de Jorge Castro