by OrCa | Fev 14, 2008 | Sem categoria |
ó tu
que turbas o conceito democrático
em pantanal de iniquidades
tão errático
que te escachas ao lombo da maioria
sobre caixas e outros bancos
de alquimia
e se ao longe divisares duas verdades
dás à sola num restolho
de tamancos
ó tu
que te dizes
contradizes
e desdizes
num espanto de fazer crescer narizes
que chegaste ao topete
tão idiota
de pintares de Alcochete as cores da Ota
que percorres bailarino em corridinhas
um país
desfazendo-o em mezinhas
que cozinhas
a recato
e com batota
com a seita que se ajeita em louvaminhas
bem me lembras o pior que já se viu
e que a avozinha tanto me repetiu:
“- querido neto,
não sirvas a quem serviu!…”
quanto ao mais
na escassez do fino trato
tal qual Botas ‘inda que posto a contrato
lá vais dando futebol
ao desbarato
feito rol
de país caca de gato
que se faz todo de mar
todo de sol
onde tudo já deu o que tinha a dar
e baixamos sem querer o colesterol
em dietas de sopinha e um rissol…
by OrCa | Fev 11, 2008 | Sem categoria |
Dia 13 de Fevereiro, 21 horas, na FNAC de Cascais
CRAMOL – Um grupo de mulheres canta, num cordão de vozes e postura, polifonias tradicionais do nosso país. Vozes da terra, uterinas, timbres de arrepio e folgança, de lamento e regozijo, que nos enchem a alma.
O CRAMOL, formado em 1979, encontra-se ligado a uma associação cultural – a Biblioteca Operária Oeirense – e desenvolve o seu repertório em peças musicais de tradição popular, de grande fidelidade a essa tradição, transportando-nos, pelo seu canto, para além do tempo.
Acabaram de lançar um duplo cd – Vozes de Nós – que poderá ser adquirido pelos interessados através de pedido dirigido à Biblioteca Operária Oeirense (Rua Cândido dos Reis, 109, 2780-214 Oeiras) – telefone 214426691 ou pelo e-mail
biblio-op-oeirense@mail.telepac.pt
CRAMOL, corruptela do termo “clamor”, é grito a não perder por quem se ganha em conhecer a cultura que nos distingue. Quem nunca as tiver ouvido, prepare-se para uma experiência única, que a nenhum deixará indiferente.
*
No próximo sábado, dia 16 de Fevereiro, pelas 16 horas, a Junta de Freguesia de Carcavelos convida todas aqueles que tenham uma história para contar sobre Carcavelos, suas gentes e seus lugares, para tomarem conhecimento de um projecto de recolha desses testemunhos. A riqueza do projecto dependerá exclusivamente da participação de todos os interessados, combatendo a displicência dos dias e o esquecimento do tempo.

by OrCa | Fev 7, 2008 | Sem categoria |
Há momentos em que a minha tacanhez de espírito até a mim próprio me surpreende e incomoda!…
Isto, claro, a propósito da votação que hoje teve lugar na Assembleia da República quanto ao fazer-se ou não um referendo ao Tratado da União Europeia, que já não é Constituição, mas também não é bem tratado e, se há poucas dúvidas quanto a ser Europeia, há algumas certezas quanto a não ser União…
Para além dos malabarismos socráticos para dar o dito (na campanha eleitoral) pelo não-dito (aquando da recente presidência da União), a verdade é que havia, em tempos que já lá vão, coisas que se chamavam honestidade, seriedade, honra à palavra dada e outras minudências, de que os políticos trampolineiros que nos calham em sorte (e em quem alguns votam, valha a verdade) nem querem ouvir falar.
Daí decorre que não referendar o que, por promessa eleitoral, era altamente referendável, para além da quebra à palavra dada, é uma ostensiva prova de que Sócrates – e Meneses, é bom que se diga! – não estão nada seguros do chão que pisam, nem do povo que, em alternância, (des)governam. Não estão seguros, deve ler-se receiam profunda e fundadamente que o Zé-votante, farto da barriga vazia e das manobras atribiliárias da pandilha que cerca o Estado, fizesse, pelo referendo, pagar o eventual justo – a Europa – pelo descarado pecador – o nosso querido bloco central.
Ora, se entre partes que haviam de estar tão chegadas, como um governo e os seus governados, há esta desconfiança patológica, a questão que se me impõe é esta: urgindo alterar este estado de coisas, quem deverá, então, ser mudado: o governo ou o povo?
Eu cá acho que devia ser o povo, habituado que já está por centenas de anos de diáspora. Nem havia de lhe causar grande transtorno. Ala, tudo daqui para fora e estes mafarricos que se engalfinhem uns com os outros, mas que nos larguem da mão e vão cobrar impostos ao Camões!
Eu, até que se me dava em ir para o Canadá… Não me perguntem porquê, mas talvez porque lá ainda há ursos a sério.
Quando a saudade apertasse muito, haveríamos de regressar, como de costume. Aí veríamos, sem surpresa, a descendência de Sócrates povoando os campos de golfe como transportadores de tacos e a de Meneses frequentando restaurantes finaços como empregados de mesa. Mas tudo já licenciado, claro!!!…
*
A propósito da necessidade de denunciar tantas trapalhices, trapalhadas e trampolineiros, convido-vos a uma visita a
Crítica de Música/Crítica Musical, de Álvaro Sílvio Teixeira. Que a voz não nos esmoreça!
by OrCa | Fev 5, 2008 | Sem categoria |

serás tu
ó máscara dupla-face em que me faço de façanhudo farsante a riso alvar de palhaço? e passo saltimbanco cabeçudo pelo Terreiro do Paço aos terreiros do Entrudo que vale tudo seja por bem ou por mal tanta vez assim-assim outras vezes Carnaval sem fim
– foto e poema de Jorge Castro
by OrCa | Fev 2, 2008 | Sem categoria |

Não sei se do frio das pedras. Não sei se do tom do boneco. Não sei se das mantas ao monte. Não sei se do cordão das peúgas. Não sei se da fronte caída. Não sei se das mãos sem carícia. Não sei se da nossa indiferença. Não sei se da aragem do dia. Não sei se de tal desperdício. Não sei se de impostos perdidos. Não sei se das marés da vida. Não sei se de cair no vício. Não sei se respira por hábito. Não sei se cão ao abandono. Não sei se destino traído.
Não sei porque não pede esmola. Não sei porque a terá pedido.
Não sei o que teria sido. Não sei até onde iria. Não sei porque em toda a cidade há assim tanto corpo caído.
Não sei.
*
Ontem, dia 01 de Fevereiro de 2008, uma querida amiga foi avó, pela primeira vez, o que faz dela mãe duas vezes. No brilho do olhar transborda o orgulho e a alegria.
Nasceu um Guilherme. A ele o futuro.
Não sendo muito auspicioso o mundo que lhe estamos a construir, havemos de tentar emendar a nossa mão, de forma a que o Guilherme receba um mundo inteiro onde valha a pena ser humano.
À Rita e ao Pedro um grande abraço. Um filho é o melhor que fazemos na Vida. Façam sempre porque a Vida o mereça, merecendo ele a Vida.
*
Professores de todo o país, uni-vos! Por estranho que soe, talvez faça mais sentido do que possa parecer à primeira vista. Apontem ao
Anomalias e tomem alento.
by OrCa | Jan 31, 2008 | Sem categoria |

Hoje, dia 31 de Janeiro, pelas 16 horas
na Livraria-Galeria Municipal Verney, em Oeiras,
poemas meus de bem dizer e mal dizer.