Sendo este um  espaço de marés, a inconstância delas reflectirá a intranquilidade do mundo.
Ficar-nos-á este imperativo de respirar o ar em grandes golfadas.

noites com poemas
com Manuel Freire
-Versos com Reverso

– cartaz de Alexandre Castro – 
Direis que tudo isto que irei dizer já foi dito, ouvido, revisto e, porventura, arquivado… Mas quem sabe em que beco esconso se ocultará, hoje, aquele casal que inventava o amor nos idos de 60? Porque há coisas que atravessam o tempo, cumprindo ciclos de esquecimento mas, ao mesmo tempo, de permanente renovação.
É assim, também, o sonho, essa «constante da vida, tão concreta e definida como outra coisa qualquer» no poema de António Gedeão a que Manuel Freire um dia deu voz e inscreveram ambos, assim, para sempre – pelo menos enquanto a tanto chegar a memória colectiva alertada por algum bardo inquieto e incómodo -, entranhadas na nossa pele como algo identitário, as palavras tão leves quanto leve brisa mas contendo em si o peso do universo.
No próximo dia 16 de Setembro de 2011 (sexta-feira), pelas 21h30, na Biblioteca Municipal de Cascais, em São Domingos de Rana, teremos, então, como convidado Manuel Freire. Vai trazer-nos, neste tempo adverso, Versos com Reverso.
E mais não vos direi, pois que adiantaria ao mundo e ao Manuel mais alguma louvaminha? Não, senhores. A ele interessa dar voz e ouvi-lo. Teremos essa oportunidade na data anunciada.
Esperamos por todos, claro… E, tal como vai correndo o mundo, todos poderemos não ser demais.
Até lá, um abraço.
Jorge Castro

sessões com a Associação Espaço e Memória (Oeiras) – II

Nova visita ao Forte de São Julião da Barra. Desta feita, com visita guiada por José Meco…  

… que trouxe novos olhares a uma realidade que, apesar de anteriores muito interessantes e esclarecedoras visitas…

… geralmente com visita guiada a cargo de Joaquim Boiça, não deixou de nos revelar mais um pouco da complexidade que subjaz a um património que, lamentavelmente…

… e, porventura, contrariando até alguma lógica aparentemente evidente, está muito longe de ser do domínio público.

sessões com a Associação Espaço e Memória (Oeiras) – I

Com uma notável programação, esta associação cultural, a que tenho a sorte e o gosto de pertencer, tem vindo a preencher este meu Verão com visitas memoráveis:

Lá por finais de Julho, a visita, jantar e palestra no Forte das Maias, ali no final da praia de Oeiras, fortificação em recuperação e restauro – cuja cor escolhida para o mesmo, bastante mais rosada do que aquela que eu aqui aplico, levou algém a dizer que «há quem escolha cores para estes edifícios históricos como quem escolhe cuecas»… – não deixa, entretanto, de ser coisa notável de ser vista. Ainda que eu partilhe a opinião atrás vertida.

Com belos espaços que virão a ser orienatados para actividades culturais, aí está uma Oeiras para se recomendar.

«As viagens cruzadas de Fernão Mendes Pinto», palestra a cargo de Jaime Ramalhete Neves, condimentou o jantar, partilhado entre os sócios da Espaço e Memória e os Rotários de Oeiras, que o espaço dá bem para muitos..

Depois, rumando ao farol do Bugio, onde Joaquim Boiça sempre nos prende nos caminhos entre o seu saber e o seu sentimento, por ser ele filho de um dos últimos faroleiros e ser essa uma vertente da vida que desfralda qual bandeira, de que traz cada uma das cores no coração.  

É aquele um lugar mágico ou encantatório, ali semi-perdido, semi-esquecido, a meio do rio Tejo, testemunha de pedra à espera de maior sageza dos homens… E tal me sugeriu, no local, a circunstância:
entre o Tejo e o mar
ao sabor do encontro das águas
flutua um farol por desvendar
feito de sonhos e de mágoas
povoado de fantasmas sós
de maré-cheia – maré-vasa
aponta ao céu a sua voz
no grito que lhe traga o golpe de asa
e se nos serviu sempre e nos deu colo
sem receio das águas – sem ter sono
hoje o rio e o mar só lhe dão consolo
entre as praias distantes do abandono…
– poema e desenhações de Jorge Castro

nem tudo o que luz é oiro…

– Antes de mais: fala-se, nesta crónica, das arrebatadas razões esgrimidas por um jovem num dos recentes Prós e Contras da RTP, coisa que poderá ser vista aqui, para melhor esclarecimento.

Pronto! Depois de muito batalhar a ouvir o que um Miguel Gonçalves disse no programa Prós e Contras e que circula por aí como exemplo de nova militância obreira, acabei de concluir que o rapaz, embora possa até estar imbuído das melhores intenções, não passa, objectivamente, de assumir o papel de vendedor da banha da cobra dos tempos modernos.

E por variadíssima ordem de razões. Desde logo porque parte, sem medo, de uma série de pressupostos que, por muito má sorte nossa, não existem.

Não existe isso de tentar uma solução de vida uma vez e outra e mais outra e outra ainda, sem que todos os dias, enquanto se vai tentando, haja necessidade de comer – o que, por si só, condiciona a abordagem ao «mercado».

Não existe isso de «oferecer a mais-valia que o empresário procura» na traineira que sai para a pesca, pelo menos na perspectiva modernaça que o jovem Miguel lhe quer atribuir, sob pena do jovem em início de laboração na pesca ser lançado borda fora, no máximo, ao segundo dia, pelo mestre.

Não existe isso da criatividade exacerbada e sempre à frente quando se trata de fazer uma recolha diária de lixo municipal ou providenciar a limpeza de dejectos de cão na via pública.

Não existe também essa capacidade de perseverança quando a vergonha e/ou a penúria em casa obrigam um jovem licenciado a inscrever-se como caixa do supermercado, como forma liminar de prover ao sustento do dia-a-dia.
 

Ver a crónica completa no blog PERSUACÇÃO

Publicidade despudoradada ou crónica de bem-dizer

Sabem o que mais me alegra num faustoso repasto, bem regado de amigos e bom vinho? A arte do dono da casa bem como dos seus empregados de bem acolher cada comensal, que vai, assim, para além do mero cliente, e pode atingir verdadeiros cumes da amizade.

Vem isto a propósito, claro está, de experiências várias de vida, ainda fresquinhas, ocorridas neste fugaz período de férias que gozei.

E, sem distinções que pecariam por maçadoras, aqui vos deixo três referências algarvias, que são outras tantas provas da minha consideração elevada por todos vós, improváveis leitores, já que pequei e repequei e voltaria a pecar, no que à gula concerne, em cada um desses notáveis lugares onde, à excelência dos manjares, se aliou de forma rara, a magnificência do acolhimento. E a ordem é arbitrária, ainda que alfabética:

Âncora – restaurante na aldeia de Burgau;
O Cantinho do Mar – restaurante na cidade de Lagos;
Ribeira do Poço – restaurante em Vila do Bispo.

Ver crónica completa AQUI

(ainda) um postal de férias

(…)

Como será sabido por alguns, fui-me até ao Algarve, a banhos de sol e salsas ondas para um velho lugarejo piscatório, ali entalado a caminho de Sagres…
Piscatório que já foi, pois agora a coisa resume-se a uma escassíssima mão-cheia de muito velhos pescadores, teimosos e empedernidos, que encontram um sentido para a Vida nessa diária busca de sustento, em barquitos de escassos dois metros, alguns ainda movidos a força de remos.
Assistindo, em certa madrugada, à sua chegada a terra, vindos da faina nocturna, ainda com mar em estertores de levante, e no meio dos ingentes trabalhos necessários para acostar e deixar em porto seguro os frágeis botes, fiquei no meio da dúvida se aqueles sexagenários, septuagenários e octogenários assumiam a dimensão da poesia ou padeciam de alguma enfermidade mental ainda não catalogada. (…)

 

Leia a crónica completa AQUI (blog PersuAcção)

férias 2011 em alguns desenhos

– Burgau, aldeia algarvia de pescadores já quase sem pescadores… –

– mas cheia de recantos entre os meandros das suas ruelas –

– Um passeio ao longo da falésia… –

– a vista da janela do quarto –

– o aparelho de um moinho semidestruído – 

– um velho forte, mais envelhecido pelo desmazelo do homem, ainda que com localização de excelência –

– a falésia, à direita de quem se vira para o mar – 

– os efeitos benéficos do levante –

– em Lagos, antigas nevegações, feitas novas –

– a recuperação da ermida de Nossa Senhora de Guadalupe – gótico, séc. XIII -,  local de romagem onde os antigos navegantes esperavam bons augúrios antes da partida –

– outra antiga casa do Burgau –

– personagens da praia –

– os velhos pescadores – restarão uns seis ou sete… – na sua faina artesanal, obrigados a levarem o pouco pescado à lota de Lagos (…?…) –

– outro trecho do Burgau –

– ouvindo um excelente intérprete numa rua de Lagos –

– e para o ano há-de haver mais… –

em férias

Sabem onde fica? Não interessa. É lá mesmo, em simpática localidade que a pesca fez nascer…

… ainda longe da pressão costumeira dos urbanos carentes de sol e mar, que se esquecem, entretanto, ou fazem por esquecer, que viver como sardinha em lata, mesmo junto ao mar, não será um grande objectivo de vida. 

Convive-se, ainda, com alguma tranquilidade ambiental, digo eu, pouco habituado a ver andorinhas poisadas a três metros escassos de distância, em descanso breve entre predações.

Aperceber as maravilhas agrestes da Natureza…

… e tantas outras nada agrestes, mas belas também. 

E deixar planar o espírito até à «nova época» que se avizinha em passo de corrida acelerado e, lamewntavelmente, sem novidades dignas de realce.
Até lá, é viver-lhe!

desenhações (5) – A gata adormecida…

… ou a gata que dorme, como só os felinos que se prezam sabem dormir, numa bola de aconchego auto-sustentado, ainda que não enjeitem as condições que a fortuna lhes propicia mas que, muito para além disso, sempre sabem cumular de uma estética que sempre surpreende…
Todas as coisas têm o seu mistério
e a poesia
é o mistério de todas as coisas
– Federico García Lorca

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