Sendo este um espaço de marés, a inconstância delas reflectirá a intranquilidade do mundo.
Ficar-nos-á este imperativo de respirar o ar em grandes golfadas.
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sugestão para hoje, na
Biblioteca Operária Oeirense
Oscar Niemeyer
Um homem só e, no entanto, o bater de asas da sua vida agitou esse mundo todo. Um homem só, então, que se fez em multidão.
Autodefinição
Na folha branca de papel faço o meu risco.
Retas e curvas entrelaçadas.
E prossigo atento e tudo arrisco na procura das formas desejadas.
São templos e palácios soltos pelo ar, pássaros alados, o que você quiser.
Mas se os olhar um pouco devagar, encontrará, em todos,
os encantos da mulher.
Deixo de lado o sonho que sonhava.
A miséria do mundo me revolta.
Quero pouco, muito pouco, quase nada.
A arquitetura que faço não importa.
O que eu quero é a pobreza superada,
a vida mais feliz, a pátria mais amada.
Oscar Niemeyer
haiku – 43 Poemas a Lisboa
contas x contos x cantos e que +
Um Poema de Contar
um poema
dois sentires
três pedacinhos do céu
quatro versos
cinco enredos
seis voltas que o mundo deu
sete mares
oito aventuras
nove caminhos correu
e dos dez que tu procuras
fica um que to dou eu
um de contar uma história
dois de cantiga de amigo
três ao hino dessa glória
de quatro sermos abrigo
cinco da mão estendida
seis do final de um soneto
sete cânticos à Vida
oito mais que te prometo
a nove vai este abraço
dos dez mais que te darei
por sabermos dar o passo
que tu sabes e que eu sei
um poema feito abraço
com sabor a bolo rei
dois braços com que eu enlaço
quem faça da Vida lei
contra o medo e o cansaço
três estandartes erguei
da liberdade entre todos
da igualdade também
e fraternidade a rodos
que todos tivemos Mãe
e no conto de mil cores
que são as cores deste mundo
livres iguais e fraternos
de saber largo e profundo
seremos talvez maiores
seremos – quem sabe? – eternos.
5 de Dezembro de 2010
a minha rua
em Coruche
no passado dia 17 de Novembro
António Vermelho do Corral
e os rituais e as tradições em Portugal
nas noites com poemas
noites com poemas
com António Vermelho do Corral
Tema: Rituais e Tradições de Portugal
Convidado: António Vermelho do Corral, com o apoio da Editora Apenas Livros;
Dados biográficos: Antropólogo. É dirigente da Associação de Arqueólogos Portugueses; na Sociedade de Geografia integra diversas secções (Antropologia, Etnografia, Estudos do Património História e Filosofia das Ciências).
É autor de três obras de referência:
– Medicina Popular Tradicional. Religião, Superstições na Cultura Ribacudana, 2 vols.
– Processo Ritual e Tradição em Portugal a Partir da Cultura da Zona de Riba Côa. Figueira de Castelo Rodrigo. 2 vols. (2º vol. a sair em 2013).
Sinopse: Em vias de desaparecimento total, os velhos costumes, rituais e tradições – que presidiram à vida dos portugueses desde o nascimento até à morte – constituem um património cultural imprescindível ao modo de ser português, que nenhum de nós deve desconhecer.
Eis, pois, mais um belíssimo e eficaz antídoto contra a crise que propomos a todos, cuja é – a crise, claro – a modos que uma gripe pandémica ainda sem vacina à vista, a não ser este SERMOS e ESTARMOS aqui e agora, lindos e grandes, por mais que vozes de burro nos queiram desmerecer.
aprouvera que me fosse mais fagueiro este tempo…
(Adiro à greve do dia 14 de Novembro, sim senhores. Porquê? Ora, ainda é preciso dizê-lo…? )
aprouvera que me fosse mais fagueiro
este tempo só de impostos e ameaças
que de tudo preservasse o costumeiro
e vivesse sem me cuidar de pirraças
que bastasse p’ra ter luz um candeeiro
que de protecção sobrassem as vidraças
e por dar cá uma palha ser inteiro
peito aberto aos ardores das arruaças
porque roubam tudo ao pobre esfomeado
tão esganado à míngua de um seco pão
quando a alguns sobra pão por todo o lado
e assim fazem de mim o refilão
truculento ferrabrás e desbocado
não calando a aleivosia do ladrão
nem ao rico lhe desculpo o exagero
de viver só na riqueza… e das misérias
ao colher benefício ao desespero
de quem vive sem viver e sem dar férias
à vontade de comer e sem tempero
só lhe darem p’ra comer algumas lérias
e é neste entretém feito fumaça
que medramos num talvez-não adverso
sem passarmos do cuidado que esvoaça
fracamente na candura de algum verso
e se a cor ou o ser nos é diverso
que se apure que o Sol nasce p’ra quem passa
e se é nosso o mar todo e o universo
fomos todos moldados na mesma massa.
– soneto e seu simétrico da autoria de Jorge Castro


























































































