Sendo este um  espaço de marés, a inconstância delas reflectirá a intranquilidade do mundo.
Ficar-nos-á este imperativo de respirar o ar em grandes golfadas.

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É sabido que os publicitários são uns exagerados. Mas quando deles se evola o pendor poético…. que dizer? Ora, pois, que amem e façam o que quiserem! 

Oscar Niemeyer

Nasceu em 15 de Dezembro de 1907. Morreu no dia 05 de Dezembro de 2012.
Passou pelo mundo todo por «retas e curvas entrelaçadas», que foi seu legado.

Um homem só e, no entanto, o  bater de asas da sua vida agitou  esse mundo todo. Um homem só, então, que se fez em multidão.

Não cairei no lugar comum de afirmar que o mundo nos ficou mais pobre, porque, afinal e bem vistas as coisas, ele deixou-nos esse mundo todo muito mais enriquecido!
– Fotografia obtida aqui

Autodefinição

Na folha branca de papel faço o meu risco.
Retas e curvas entrelaçadas.
E prossigo atento e tudo arrisco na procura das formas desejadas.
São templos e palácios soltos pelo ar, pássaros alados, o que você quiser.
Mas se os olhar um pouco devagar, encontrará, em todos,
os encantos da mulher.
Deixo de lado o sonho que sonhava.
A miséria do mundo me revolta.
Quero pouco, muito pouco, quase nada.
A arquitetura que faço não importa.
O que eu quero é a pobreza superada,
a vida mais feliz, a pátria mais amada.

Oscar Niemeyer

haiku – 43 Poemas a Lisboa

Por iniciativa e desafio de Ernesto Matos, com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa e da Embaixada do Japão, decorreu ontem, dia 01 de Dezembro de 2012, o lançamento de uma obra que congregou 43 autores com outros tantos haiku versando Lisboa: 
Um exemplo mais, junto a tantos outros, provando que, mal seja aprontada a nau, logo surge a equipagem e assim se há-de navegar.
Aqui fica a minha participação, sendo certo que a «respiração» de um modelo tão especioso de manifestação poética nos faz sentir algum inusitado desconforto ao percorrer tão longínqos caminhos: 

Ao Ernesto Matos o grato abraço, pelo desafio, pela perseverança e pela condução da nau
até este bom porto.
Aqui fica, também, o rol da equipagem: 

Algumas caras do evento:
– Jorge Castro

– Ernesto Matos

– Maria Maya

– António Graça de Abreu

– João Baptista Coelho

– Carlos Peres Feio

– Os representantes da Câmara Municipal de Lisboa e da Embaixada do Japão.

contas x contos x cantos e que +

Com edição da Gradiva, a minha madrinha de escrevinhações e amiga de todas as horas, Ana Paula Guimarães, com a colaboração de Adérito Araújo, lançaram à vida nossa de cada dia um livro de «cumplicidades entre Literatura e Matemática», coisa, afinal e q.e.d., nada rara de ocorrer.  
Honrou-me a Ana Paula com a inclusão de um poema de minha autoria nesta deliciosa obra.
E eu fico-me, assim, grato e envaidecido… ou orgulhoso, se desta guisa preferirem alguns mais puristas. 
Dos autores da obra – de que vos recomendo leitura voluntáriamente obrigatória – respigo:
Ana Paula Guimarães, professora associada, doutorada em Estudos Portugueses, especialidade de Literatura Oral e Tadicional. Criou e dirige o Instituto de Estudos de Literatura Tradicional (IELT) da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas – Universidade Nova de Lisboa.
–  Adérito Araújo, doutorado em Matemática Aplicada, professor auxiliar no Departamento de Matemática da Faculdade d Ciências e Tecnologia da Univesidade de Coimbra. 
E, já agora, recomendo, também vivamente, a leitura de parte da apresentação feita
por Ana Paula Guimarães, conforme contracapa do livro:

E cá fica o meu (agora) imortalizado poema…

Um Poema de Contar

um poema
dois sentires
três pedacinhos do céu
quatro versos
cinco enredos
seis voltas que o mundo deu
sete mares
oito aventuras
nove caminhos correu
e dos dez que tu procuras
fica um que to dou eu

um de contar uma história
dois de cantiga de amigo
três ao hino dessa glória
de quatro sermos abrigo
cinco da mão estendida
seis do final de um soneto
sete cânticos à Vida
oito mais que te prometo
a nove vai este abraço
dos dez mais que te darei
por sabermos dar o passo
que tu sabes e que eu sei

um poema feito abraço
com sabor a bolo rei
dois braços com que eu enlaço
quem faça da Vida lei
contra o medo e o cansaço
três estandartes erguei
da liberdade entre todos
da igualdade também
e fraternidade a rodos
que todos tivemos Mãe

e no conto de mil cores
que são as cores deste mundo
livres iguais e fraternos
de saber largo e profundo
seremos talvez maiores
seremos – quem sabe? – eternos.

– Jorge Castro
5 de Dezembro de 2010

a minha rua
em Coruche
no passado dia 17 de Novembro

Em Coruche e pela mão orientadora de Ana Freitas que teve o condão de agrupar uma bela mão-cheia de amizades, têm decorrido, desde Fevereiro do corrente ano, regulares sessões de poesia, iniciativa a que foi dado o nome  um poema na vila.
De pequena passada a passo de gigante, eis que nasce e se desenvolve o projecto, com crescente número de seguidores e com um nível de participação tal que justificou o lançamento, pela mão da editora Apenas Livros, de um livro que congrega o conjunto de poemas que dezassete autores levaram a uma sessão temática, a quinta desta iniciativa, com o mesmo nome: A Minha Rua.

 Ora, no passado dia 17 de Novembro, no espaço disponibilizado pela Biblioteca Municipal de Coruche, denominado Mercado Cultural de Coruche, teve lugar o seu lançamento, em evento a que não chegam palavras para descrever.
Para reportagem mais completa e eucidativa de quanto por lá se passou, recomendo uma visita a:
– Bruno Dinis e Ana Freitas

– Ana Freitas

– Fernanda Frazão

– Carlos Peres Feio

– Jorge Castro

– Clara Pereira

– Alzira Carrilho

– Rosário Freitas

– Eduardo Martins

– Arlindo Pirralho

– Jorge Castro

– Juvenália Pereira 

– Ana Taxa 

– Idália Silva

– Maria Augusta Ambrósio

– Ernesto Fonseca

– Francisco José Lampreia

– Manuela Cabecinhas

– José Cordeiro 

– Gracinda Maia
– Rosa Pais
– Augusta Santos

– Ana Flausino

– Joaquim Laranjo

– Estefânia Estevens
Decorria, também, naquele espaço, uma exposição temática – Arquitecturas da Paisagem Vinhateira do Douro – que levou todos os presentes a um passeio pelos doces néctares que pelo Douro se produzem… E – quem sabe? – tal foi a produção, que ainda teremos aí outra obra de tão bela colheita!
Assim se faz. Assim se cresce.
– Fotografias de Lídia Castro e de Lourdes Calmeiro

António Vermelho do Corral
e os rituais e as tradições em Portugal
nas noites com poemas

Acontece invariavelmente a emoção quando nos aprontamos a escutar a voz de quem tem muito para dizer, por saberes, por percursos de vida, onde se entrecruzam afectos, vivências mil, penhoradas no interesse pelo próximo, seu concidadão e vizinho.
Essa  a sensação que ressalta da palestra conduzida pelo nosso mais recente convidado das Noites com Poemas…

… o professor António Vermelho do Corral…

… uma vida em prol do saber e da tentativa inesgotável de entender o ser humano, na sua maior plenitude e abrangência, quer na sua individualidade, quer integrado numa comunidade, onde cresce e se desenvolve com e por causa do «outro»…

… como se lhe referiu Fernanda Frazão, da editora Apenas Livros, falando de coração da sua experiência seja como editora, seja pelo caminho iluminado dos afectos…

… onde a «nossa» editora manifesta e demonstra, também, essa enorme capacidade de interligar aspectos que outros tanto gostam de manter em águas separadas.

Assim, pelas tradições e pelos rituais fomos, servindo-se o professor António Vermelho do Corral das suas vivências próprias para documentar cada asserção das muitas e diversificadas áreas do conhecimento do ser humano por onde nos levou de passeio… 

… com uma segurança cheia de modéstia e simplicidade, características apenas encontradiças em quem de si nos sabe dar o mundo…

… ainda que sem contemplações ou concessões a facilidades que nem existem na teia estreita das relações humanas.

Numa sala muito razoavelmente preenchida, atendendo ao tempo agreste e à intempérie – saudações especiais, aqui, aos indómitos resistentes! -, tomámos conhecimento de uma parte da obra deste emérito investigador.

Partimos, depois, para a corrente de poemas, com que sempre brindamos os nossos convidados.
Aqui, para além das minhas honras da casa e prerrogativas outras de anfitrião, contámos…

com a Estefânia Estevens,

com o Francisco José Lampreia,

com o Eduardo Martins

e com a Emília Azevedo

Seguiu-se a sessão de autógrafos e de outros galhardetes, pois cada um dos presentes colheu uma palavra afável de resposta, de apoio e de incentivo, quando não de elogio. 

Local de encontros, também, estas Noites com Poemas, onde velhas amizades se entrecruzam com outras mais recentes, nesse encadeado de abraços de que se faz o mundo e que sempre muitos nos apraz registar em cada sessão das nossas Noites com Poemas.
E assim se cumpriu a nossa 80ª sessão!

– Fotografias de Lídia Castro e de Lourdes Calmeiro

noites com poemas
com António Vermelho do Corral

– cartaz de Alexandre Castro

Avançando sem medos para mais uma sessão das nossas Noites com Poemas – a 80ª, como sabem já -, na Biblioteca Municipal de Cascais, em São Domingos de Rana, no próximo dia 16 de Novembro pelas 21h30, cá vos deixo informação a propósito:

Tema: Rituais e Tradições de Portugal

Convidado: António Vermelho do Corral, com o apoio da Editora Apenas Livros;

Dados biográficos: Antropólogo. É dirigente da Associação de Arqueólogos Portugueses; na Sociedade de Geografia integra diversas secções (Antropologia, Etnografia, Estudos do Património História e Filosofia das Ciências).

É autor de três obras de referência:

– Medicina Popular Tradicional. Religião, Superstições na Cultura Ribacudana, 2 vols.

– Processo Ritual e Tradição em Portugal a Partir da Cultura da Zona de Riba Côa. Figueira de Castelo Rodrigo. 2 vols. (2º vol. a sair em 2013).

– Quinta-Feira da Ascensão ­– Quinta-Feira da Espiga. Festa do Leite.

Sinopse: Em vias de desaparecimento total, os velhos costumes, rituais e tradições – que presidiram à vida dos portugueses desde o nascimento até à morte – constituem um património cultural imprescindível ao modo de ser português, que nenhum de nós deve desconhecer.

Eis, pois, mais um belíssimo e eficaz antídoto contra a crise que propomos a todos, cuja é – a crise, claro – a modos que uma gripe pandémica ainda sem vacina à vista, a não ser este SERMOS e ESTARMOS aqui e agora, lindos e grandes, por mais que vozes de burro nos queiram desmerecer.

Já sabem, venham, tragam um amigo e, já agora, um poema…

aprouvera que me fosse mais fagueiro este tempo…

(Adiro à greve do dia 14 de Novembro, sim senhores. Porquê? Ora, ainda é preciso dizê-lo…? )

aprouvera que me fosse mais fagueiro
este tempo só de impostos e ameaças
que de tudo preservasse o costumeiro
e vivesse sem me cuidar de pirraças

que bastasse p’ra ter luz um candeeiro
que de protecção sobrassem as vidraças
e por dar cá uma palha ser inteiro
peito aberto aos ardores das arruaças

porque roubam tudo ao pobre esfomeado
tão esganado à míngua de um seco pão
quando a alguns sobra pão por todo o lado

e assim fazem de mim o refilão
truculento ferrabrás e desbocado
não calando a aleivosia do ladrão

nem ao rico lhe desculpo o exagero
de viver só na riqueza… e das misérias
ao colher benefício ao desespero

de quem vive sem viver e sem dar férias
à vontade de comer e sem tempero
só lhe darem p’ra comer algumas lérias

e é neste entretém feito fumaça
que medramos num talvez-não adverso
sem passarmos do cuidado que esvoaça
fracamente na candura de algum verso

e se a cor ou o ser nos é diverso
que se apure que o Sol nasce p’ra quem passa
e se é nosso o mar todo e o universo
fomos todos moldados na mesma massa.

– soneto e seu simétrico da autoria de Jorge Castro

Festas de aniversário da Freguesia de Carcavelos
– Lançamento do II Volume de Carcavelos dos Cinco Sentidos
– Inauguração da Bienal de Artes
– reportagem (II)

Em 20 de Outubro de 2012, tiveram início as festividades do aniversário da Freguesia de Carcavelos.
Procedeu à abertura Isabel Martinho Feio, presidente da Assembleia da Freguesia…

… a que se seguiu o anúncio/apresentação, que me tocou em sorte como coordenador do projecto, do II Volume do livro Carcavelos dos Cinco Sentidos (edição da Apenas Livros e da Junta de Freguesia de Carcavelos), obra monumental onde é relatada a História desta povoação contada pelos seus habitantes e amigos. Duzentas e setenta e seis páginas a cores, de onde é também mister que se realce as colaborações com que tive o prazer de contar: 

– Lourdes Calmeiro

– Joaquim Maria da Costa

– Licete Sequeira

– Carlos Peres Feio

– Eduardo Martins

Zilda Costa da Silva, presidente da Junta de Freguesia, de quem partiu a ideia original deste projecto e de quem colhemos constante apoio e estímulo, anuncia a inauguração oficial das comemorações, fazendo o elenco dos inúmeros eventos que iriam decorrer ao longo de toda a semana seguinte.    

– O coordenador e participante do livro, feliz da vida, no momento em que é agraciado com um troféu de reconhecimento, entregue pela Junta de Freguesia de Carcavelos, simpática homenagem que foi, aliás, extensiva a todos os demais colaboradores, acima referidos, bem como aos outros dois co-organizadores da Bienal de Artes, Francisco José Lampreia e Vítor Miranda.    

– O senhor vereador da Juventude e da Gestão Financeira e Patrimonial da Câmara de Cascais, Nuno Piteira Lopes, sauda também a iniciativa. Estiveram, ainda, presentes neste evento os vereadores Ana Clara Justino (da Cultura) e Frederico Pinho de Almeida (Acção Social), o responsável pela Divisão da Cultura e Turismo da Câmara de Oeiras, Manuel Machado, e o presidente da Junta de Freguesia de S. Domingos de Rana, Manuel Mendes.

Numa sala que veio a revelar-se demasiado exígua para a enorme afluência de público e no encerramento desta primeira parte das festividades, contámos com o Trio Scherzo, composto por Mercedes Cabanach (piano), Luís Sá Pessoa (violoncelo) e José Pereira (violino), que nos levaram a passear, magnificamente, de Johann Strauss a Astor Piazzolla, cereja no topo do bolo…
… que melhor seria chamar-lhe, afinal, aperitivo, pois logo mais teve lugar, na Sociedade Recreativa Musical de Carcavelos, a inauguração da Bienal de Artes de Carcavelos, de que se dá conhecimento alongado no post anterior, sob a égide de Carlos Peres Feio, a que nos associámos desde o primeiro momento. 

Por fim… mas um fim prolongado: um Cacavelos de honra, com pompa e circunstância, que contou com a mestria de food designer Inês Milagres, através de mil e um mimos condimentados e apresentados a preceito…  
… que impediu os mais vacilantes a rumarem às respectivas casas, até porque os deuses também se congregaram para nos proporcionar…
… uma noite magnífica, onde fiquei com dúvidas em apurar se prevaleceu o convívio entre os presentes ou o presente que constituíram os tais mimos a que acima me refiro…

Agora, sim, com parabéns a você, dona Junta de Freguesia, demos por terminado este início de aventura, que se prolongaria pelos dias seguintes…
Todas as coisas têm o seu mistério
e a poesia
é o mistério de todas as coisas
– Federico García Lorca

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