Sendo este um  espaço de marés, a inconstância delas reflectirá a intranquilidade do mundo.
Ficar-nos-á este imperativo de respirar o ar em grandes golfadas.

A convite da Direcção da Associação 25 de Abril, irei realizar uma sessão de poemas – a que chamei Abril com Todos – no próximo dia 09 de Outubro (5ª feira), na sede da Associação (Rua da Misericórdia, 90, em Lisboa), sessão essa antecedida por um jantar onde a confraternização é pedra de toque e apanágio destas iniciativas.
Muito gostaria de vos ver por lá, pois, como é sabido, estas coisas sem vocês não têm graça nenhuma… Em baixo têm os contactos. Até lá, o meu abraço. 

para memória futura…

O passeio, não sendo longo, é infinito enquanto dure, como diria Vinícius de Moraes. Cá ficam algumas imagens para memória futura:

Na Sociedade Portuguesa de Autores, comemorando a cerimónia e o galardão entregue pelos 50 anos de carreira de Carlos Mendes, no passado dia 29 de Setembro de 2014 – alguém tem a fotografia do meu abraço ao Carlos Mendes?

No Bar Buédalouco, no Bairro Alto, Lisboa, no passado dia 01 de Outubro de 2014, em sessão organizada por Arthur Santos, que teve como convidado um tal  poeta Jorge Castro e como poeta celebrado José Fanha.

Nas Caldas da Rainha, Biblioteca Municipal, no passado dia 04 de Outubro de 2014, com a Comunidade de Leitores das Caldas da Rainha (Palmira e Carlos Gaspar), também com Ana Freitas e o grupo Um Poema na Vila, de Coruche, bem como o grupo coral Stella Maris, celebrando a Lusofonia, em exposição a esse propósito.
Sempre muito bem acompanhado, como fica evidenciado. E assim vai acontecendo…

ainda as 100 noites… com poemas

Será, se quiserem, um exercício de imodéstia que nem me importo de assumir. Mas é, muito mais, a retribuição pelo abraço que várias amizades fizeram questão em me dar, na forma de poema, durante a sessão comemorativa das 100 Noites e que aqui faço questão de dar realce.
– de MARIA DO ROSÁRIO FREITAS:
(Na 100ª sessão, um abraço com amizade – 19 de Setembro de 2014)
Noites com poemas
Noites brilhantes
Onde o calor
Irmana da amizade
Transpõe fronteiras
Envolve
Sussurra afectos
Constrói pontes
Oferece
Magia
Poética
Opera
Encanto
Música
Arte
Sabores sonhados
– de ANA FREITAS:
(para ti, Amigo, um grande abraço – 20-09-2014)
É com muita alegria e consideração que estou aqui hoje, aliás como sempre estive, mas hoje é especial, é a sessão 100.
Sou filha das Noites com Poemas, foi aqui que iniciei a minha aventura na poesia em 2009.
E isto porque encontrei um grupo de pessoas que sempre me acolheu bem e incentivou. Sempre senti uma satisfação e orgulho enormes em pertencer a este grupo. Muito obrigada a todos.
E tudo isto porque um dia conheci Jorge Castro, um poeta e dezedor fantásticos, um comunicador por excelência que me falou das suas andanças na poesia pelo simples prazer da palavra e por levar aos outros os seus ideais, sem qualquer retorno económico. Julgo que era este mundo que eu procurava, o da partilha pela partilha. E convidou-me a vir até aqui.
Grata para sempre, Jorge Castro.
E a Jorge Castro, um amigo de convicções e de luta, dedico este meu poema Abril em mãos (24-03-2014):
demos as mão por Abril
tomemos Abril nas mãos
que as mãos que fizeram Abril
têm o sabor a pão
tantas mãos hoje abertas
inertes
dolentes
onde a liberdade não mora
por onde a esperança se esvai
fechemo-las com garra
agarrando Abril
cantando um novo sol
demos as mãos por Abril
tomemos Abril nas mãos
que as mãos que fizeram Abril
têm o sabor a pão
– de FRANCISCO JOSÉ LAMPREIA:
Semearam poemas e sorrisos durante nove anos
– Os poemas não dão votos, concluíram.
Quando estas novas chegaram os poemas secaram, os sorrisos voaram
E a Terra ficou mais triste. 
– de EDUARDO MARTINS:
«Noites com Poemas», sessões cem…
E mais de cem razões para aqui estar.
Mas infelizmente, há sempre alguém,
Paa quem, melhor que resistir… é ignorar.
– de CARLOS PERES FEIO:
Amigos, afinal, 
presto-te uma homenagem
companheiros na mesma margem,
deste voz ao homem e à mulher
todos somos poucos para te agradecer 
– de DAVID SILVA:
«Quando as vozes não são ocas
e ão ardendo os mundos num grito
100 ainda são poucas
E para cada um nasce um mito»
– de LUÍS PERDIGÃO:
Mestre Jorge controla o tambor
Faz as palavras terem sabor
Quem sente aquilo que diz
vive sempre sempre mais faliz
– de ANA FREITAS:
um cento vivo de sessões
na bagagem poemas e afectos
pela partilha fomos
e o longe se fez perto
o tempo mais leve ficou
na voragem da vida que passou
Noites com Poemas
o futuro sem ti
seria o vazio que não queremos
– de LOURDES CALMEIRO:
Ao meu-senhor-de-mim
Por cumplicidade
Por afecto
Só por isso
e tudo mais
100 sorrisos
– de JOÃO BAPTISTA COELHO:
O mar da vida, um veleiro
vela panda em cada mastro.
Cem noites, e a tempo inteiro,
Dá-lhe o rumo… Jorge Castro!
Corolário deste afã de nove anos que não se esgotou, muito longe disso, nas sessões das Noites com Poemas, mas que se replicou e vai replicando em inúmeras manifestações a desvendar o «mistério de todas as coisas» – e que um poema é – estes companheiros de jornada porfiam, ainda, pelos amanhãs que cantam e por isso me são tão próximos. A cada um deles direi, então:   
dos demais não sei
que a vida nos desgasta
sei porém que tu me deste
o que te dei
e isso me basta!

O meu abraço.

100 Noites com Poemas

Dizer que foi bonita a festa, pá, é verdade, mas é insuficiente. Estamos perante uma das flagrantes situações das quais se dirá que só presencialmente se poderá avaliar justamente o que se passou.
Dia 20 de Setembro, pelas 17h30, na Biblioteca Municipal de Cascais, em São Domingos de Rana.
Corolário de nove anos de porfiados caminhos nas sendas da cidadania participativa, nesta sessão tivemos todos o grato prazer de apurar a dimensão da resposta que colhemos.

A recepção constou de um beberete da iniciativa da Biblioteca Municipal da Câmara Municipal de Cascais, enriquecido por generosos (e doces) acréscimos que alguns dos presentes decidiram, por alta recreação, trazer – também sinal do espírito festivo e solidário com que abordaram o evento.   

Cristina Pacheco, responsável pela Divisão do pelouro da Cultura, deu as simpáticas boas vindas e honrou todos os presentes com o cumprimento espontâneo por tamanha ter sido a comparência, na enorme sala que, progressivamente, se ia revelando, exígua para o afluxo de amigos.    

Valter Amaral, que dirige actualmente a Biblioteca de São Domingos de Rana, como sempre em sóbria mas assertiva economia de palavras, louvou também a iniciativa e todos os presentes, deixando por referir a excelente e muito empenhada colaboração que dele sempre contámos e que culminou no afã em tornar esta 100ª sessão das Noites com Poemas um caso sério no panorama dos eventos de cariz cultural neste concelho de Cascais.  

Coube-me, de seguida, fazer um extenso historial desta actividade que, tendo sido iniciada em Setembro de 2005, cresceu até Setembro de 2014… e tudo leva a crer que irá prosseguir.

Tarefa difícil, porquanto muitos companheiros há a referir nesta caminhada, cabendo a cada um a sua parte dos louros, pois que dúvidas não haja quanto ao facto de este edifício ter sabido contar com a quota-parte empenhada e interessada das muitas centenas de convidados, com quem contámos nas 99 sessões que precederam a presente e cujos nomes foram divulgados em folheto a tal destinado.

Do livro comemorativo da efeméride com que contávamos para lançamento nesta sessão – e cujo conteúdo se encontra concluído – se falou, para referir o adiamento de tal projecto por alegada e/ou consabida escassez de verbas… Enfim, um projecto a retomar em melhores dias. 

Entretanto e por iniciativa e criação de Lourdes Calmeiro, foi sendo projectada uma apresentação evocativa das 99 sessões decorridas, com exibição dos respectivos cartazes, nome de convidados e temas, bem como profusa documentação fotográfica, para memória futura – para cima de 750 slides  com milhares de fotografias.

De algum modo, esses convidados e amigos foram sendo, assim, a sombra tutelar da iniciativa.

Alexandre Castro expôs as razões que o levaram, com a Marta Casaca, a criar o muito original cartaz desta sessão, que haveria de vir a ser distribuído, unidade a unidade, com a funcionalidade de marcador de livros e, no seu verso, com os elementos essenciais da orgânica desta iniciativa, por todos quantos, na assistência, se mostraram interessados em reter este testemunho.
Afinal, um cartaz-metáfora do que têm vindo a ser, mês após mês, estas nossas Noites.  

De seguida, Luís Filipe Coelho, como representante da editora Apenas Livros e director da colecção Literatralha Nobelizável, apresentou sucintamente o livro de João Baptista Coelho, Filosofia Quadrada, preparado para comemorar, também, esta sessão e que se encontrava disponível na sala.
Disse Luís Filipe Coelho do autor que o equiparava a António Aleixo, referindo logo a seguir que considerava Aleixo um dos maiores nomes da poesia do século passado… E, muitas vezes, não é preciso dizer-se muito, para se dizer o que é preciso!

A par deste livro um outro, de autoria ignota, mas com o qual Luís Filipe Coelho lavrou o seu cunho peculiar de desassombro ao anunciar como outra obra presente na sala e criada para o efeito: Aporias da Pachacha.

Durante um breve intervalo, os assistentes foram convidados a deslocarem-se até ao cartaz criado para esta sessão por Alexandre Castro e Marta Casaca, a fim de obterem um dos marcadores de livros em que o mesmo se decompunha, num puzzle original, contendo no verso a referência (numerada) a esta 100ª sessão, constituindo assim um objecto único e marcante para todos aqueles que corresponderam à iniciativa.  

Os autores autografando cada peça original.

Também João Baptista Coelho não teve mãos a medir para os autógrafos solicitados à sua Filosofia Quadrada, cuja primeira tiragem, segundo julgo saber, se esgotou nesta sessão.

Deram, de seguida, entrada os coros, começando com o  Grupo Coral Estrelas do Guadiana, de Tires… 

… cuja presença nestas aventuras vai sendo costumeira, com a alta qualidade a que nos habituaram e sempre com reportório variado. 

José Colaço, o porta-voz do grupo.

Eduardo Martins, maestro do segundo grupo em presença…

… o Grupo Coral ViVa Voz, constituído pelos antigos alunos do Liceu de Oeiras e amigos… 

… do qual se poderá destacar o apurado e tão diversificado reportório, que têm artes de adequar às mil maravilhas a cada evento em que comparecem, a que aliam uma polifonia complexa, trabalhada e com efeitos surpreendentes, de excelente resultado final.   

Logo mais, lugar ao CRAMOL, grupo feminino de cantares tradicionais, sediado na Biblioteca Operária Oeirense, companheiras de tantas andanças em prol desse quase nada-quase tudo… 

… que são as melhores tradições culturais que nos enformam

Destas magníficas e poderosas vozes deixo aqui um comentário que me foi feito, durante a sessão, por alguém que mal as conhecia: «- Olha lá, tu tens a certeza de que elas não têm amplificação das vozes…? É que até parece impossível…!» 

E assim foi acontecendo, sem que a sala esmorecesse ou alguém arredasse pé.

Terceira parte inaugurada por uma surpresa orquestrada por Lourdes Calmeiro e todos os amigos e companheiros de lides poéticas neste espaço das Noites com Poemas, que constituem o chamado «núcleo duro», companheiros com os quais sempre soube contar para a elevação e enriquecimento deste espaço, no que se refere à participação qualificada, como na gestão dos afectos e cumplicidades… 

… sem os quais, é bem sabido, não chegamos nunca a lado nenhum. 

Um imenso abraço a todos, sem destrinça de qualquer ordem pela percepção nítida da riqueza diversificada de personalidades, mas com uma emoção muito grande!

E os demais amigos de sempre, marcando presença e engrossando o património imaterial desta nossa acção colectiva.

Nas Noites com Poemas havia que dar voz à poesia, desta feita, contudo, e por óbvias razões de tempo, sem tempo para a ronda pelo público que tem sido matriz das 99 sessões passadas.

Aberta apenas a excepção ao grupo de jograis Oeiras Verde, conduzido por Ana Patacho, que tantas vezes marcaram presença em diversas sessões e grupo que cheguei a integrar durante cerca de dois anos.
Logo depois, a palavra poética ao «naipe glorioso» – nunca assim foram chamados, mas agora apeteceu-me:

– Ana Freitas

– Carlos Peres Feio

– Eduardo Martins

– Francisco José Lampreia

– David Silva

Lídia Castro, dizendo um poema de Maria Francília Pinheiro

– João Baptista Coelho

– Jorge Castro

– Luís Perdigão

Houve, até, insuspeitos «observadores estrangeiros» que manifestaram a sua admiração por tão intensa e ilustrada comemoração…

Os autores do cartaz, em registo para memória futura do «estado de carência» a que ficou reduzido o mesmo. Espera-se, como ficou dito, que cada uma das peças transportadas pelos assistentes venham a servir de esteio para que nos voltemos todos a encontrar daqui a uma década, para celebração deste evento e de tantas cumplicidades.

O aplauso final e alegre de quem gostou e nos acompanhou até ao final, passava já das 21 horas. Aplauso que retribuímos e retribuiremos sempre pois, como sempre ficou dito, tudo isto pouca graça teria sem a graça de quem assiste e apoia, de corpo e alma, iniciativas deste teor… em que, afinal, o país é fértil, realidade que os poderes instituídos fingem ignorar. Mas nós cá estamos!
fotografias de Lourdes Calmeiro e de José Freitas

Tudo começou em Setembro de 2005… e, poema a poema, nove anos são passados e estamos a cumprir a 100ª sessão das Noites com Poemas! Será no próximo dia 20 de Setembro (sábado), com início às 17 horas e 30, na Biblioteca Municipal de Cascais, em São Domingos de Rana
Sessão esta que será, obviamente, uma sessão comemorativa. De confraternização, também, como sempre, que a poesia quer-se na rua, mas com gente dentro. Se possível, de comer, como diria a Natália, mas de chorar por mais. E rir, sempre.
Teremos connosco, a ajudar à festa, três excelentes grupos corais:
– Estrelas do Guadiana
– Grupo Coral ViVa Voz
– CRAMOL
João Baptista Coelho, companheiro constante ao longo das 99 sessões, honrar-nos-á com o seu livro Filosofia Quadrada – cem quadras elaboradas, cada uma com a mestria e intenção que lhe conhecemos, integrando obra sugerida como marco desta efeméride e com a edição da Apenas Livros.  
Alexandre Castro propôs-nos, também, uma «surpresa gráfica» para memória futura.
Durante a sessão, contaremos com uma exibição simultânea de imagens evocativas das 100 sessões, da autoria de Lourdes Calmeiro
Luís Filipe Coelho vai trazer-nos, também, um ar da sua graça.
Muitos foram os demais companheiros de viagem desta saga, desde os convidados aos participantes, tornando-se impossível, obviamente, nomeá-los a todos, condignamente. Como breve apontamento, será distribuída durante a sessão a grelha-resumo de todas as sessões, para essa memória futura, com a nomeação individualizada dos convidados e de cada tema proposto.
Tudo isto se fez convosco. Tudo o que vier a ser feito sê-lo-á em colectivo de afectos. Nem a poesia tem muita graça se assim não for.  
Como sempre vos digo, o vosso lugar lá está, reservado. A vossa presença é, no entanto, necessária e conveniente.

postais de férias (4)

Ericeira, em demanda de uma incursão aos frutos do mar, que por ali são de boa frescura. 
Logo à chegada, uma boa recomendação, com vista para o mar:
Depois, um percurso pelo dédalo de ruínhas onde há muito para cuscuvilhar…

E, por falar nisso, há sempre uma invenção do amor a subverter os ditames de tempos obscuros:

Os veraneantes, pluralmente uniformes, colhem os benefícios do sol, ainda sem carga fiscal associada:  

Num outro recanto uma versão expositiva, talvez menos romântica, mas, ainda assim, evocativa:
«- São alhos, meu senhor…», que nem é usual ter rosas brancas à venda na região saloia.  

Depois, Mafra… já sem reis, mas também sem carrilhões… mas com feira, onde o pão, afinal, ostenta tantos buracos interiores como qualquer pão citadino sem tantos pergaminhos. O meu reino por um pão sem buracos, onde se possa fazer uma torrada com manteiga, sem ficarmos todos besuntados de escorrências…

– fotografias de Jorge Castro

postais de férias (3)

Carcavelos é a minha praia. Não no sentido figurado em que a expressão tem vindo a ser utilizada, mas no sentido literal. Dois ou três quilómetros de distância é quanto preciso de percorrer para desfrutar do melhor areal do concelho de Cascais, pelo que não posso deixar de me sentir um privilegiado. 
E quando me esqueço de tal, lá vem o IMI a lembrar-mo. Não que as demais infraestruturas sejam de espavento. Na verdade há mais e melhor por esse país fora. Também não tenho graaaandes razões de queixa… mas o que é verdade é que esta magnífica proximidade ao mar nos traz outras ânsias de navegar.
Como é evidente, não sou eu o único a ter essa opinião e por isso, desde inícios de Julho até meados de Agosto é ver a imensidão de «romagens» de autocarros carregados de criancinhas vestidas ora de amarelo, ora de verde, ora de vermelho, etc., enxameando a praia, sob o olhar tutelar de meia-dúzia de jovens, e provenientes de tudo quanto é localidade da Grande Lisboa. 
Não sei se a autarquia colhe algum benefício com o imenso negócio instalado, mas o certo é que eu , munícipe pagador de IMI de zona privilegiada, passei a ter a minha qualidade de vida balnear algo perturbada por esta circunstância.  
Enfim, malhas que o império tece, direi, tal como entretece na praia, pelo menos desde Janeiro do corrente ano, incontável maquinaria pesada, os seus rodados na areia.
Deve ser para meu bem, claro, que eu, nestas coisas, acredito sempre que há-de haver alguém, algures, a zelar pelos meus interesses, mesmo que eu não saiba quais eles sejam. Mas a verdade é que mais me parece que algum estaleiro de construção civil enviou para ali os seus aprendizes de condução de escavadoras, bulldozers e outros machimbombos, para melhoria de práticas, acartar toneladas de areia de um lado para o outro, sem objectivo aparente, todos os dias de todo o ano.
Ele é um afã, uma correria, um labor de abelha-formiga, de um lado para o outro, sem que eu, do alto da minha ignominosa ignorância, consiga perceber qual o objectivo da coisa, para além do dispêndio óbvio de rios de dinheiro… que devem ser públicos, digo eu. 
Cuidei que fosse apenas durante o inverno e primavera, para preparar a bela praia para o verão e para os veraneantes. Mas não. Continua verão fora e já estamos em meados de Setembro, numa arquitectura na areia que é coisa de pasmar.
Mas é uma chatice, porque esmagam as conchinhas todas que a maré-cheia nos traz e com que tantos de nós se entretêm, nas suas passeatas areal fora, a colher. Talvez compensar com outra máquina, atrás, a atirar conchinhas inteiras para o areal. Aqui fica, à consideração superior… 
Entretanto, o mar que é, seguramente, uma força de bloqueio, todos os dias subverte estes arranjos desarranjados no areal. É uma impertinência! E, então, quando chegam as marés vivas, nem vos conto! O que vale é que lá estão as máquinas, no dia seguinte, a providenciar novo restauro.
Eu julgava que – tirando as estultícias da construção civil à balda – as praias tinham uma «respiração» própria, umas vezes com mais areia e outras menos. Mas, pelos vistos, não, há que redistribuir o jogo em cada dia que passa, e dir-se-ia neste caso, com toda a propriedade, contra ventos e marés… 

Também deixei de perceber a política de colocação dos caixotes do lixo para educação e benefício dos utentes e que estão sempre a várias centenas de metros dos locais onde apanham sol esses mesmos utentes, no areal escaldante (ver as setas a vermelho, na imagem acima – eh, pá, nem te vejo…), quando eles e eu precisamos de vazar o entulho particular. E nem sequer estão próximos dos locais de acesso à praia, pelo que devem inserir-se numa campanha apoiada pelas tais entidades superiores no sentido de promoverem o exercício físico junto da população – o que, a ser assim, acho pois muito bem.
A mim, então, que me incomoda sobremaneira o mínimo vidro partido, qualquer que seja o areal, e que recolho afanosamente, a bem do meu pé desprotegido e do do camarada concidadão incauto, vejo-me aflito para despejar todos os fragmentos que encontro – vá lá saber-se se não porfiadamente esmagados pela maquinaria pesada que se referiu – e desgasto-me num corre-corre aos sacos de lixo, o que me deixa esfalfado e de pés a arder. Podia guardá-los no bolso do fato de banho… mas sempre seria um risco acrescido.
O que vale é que descobri que também passam levas sucessivas de jovens, com redes e luvas e tudo e, até, funcionários da câmara, sistematicamente ao longo da praia, a apanhar o lixo que os utentes e o mar nos vão trazendo.  
Agora já sei: quando apanho um daqueles vidrinhos, em vez de me esfalfar e escaldar até aos caixotes do lixo, colecciono-os na minha toalha e entrego a recolecção aos limpadores da praia, quando algum passa por mim, o que acontece amiúde, e muito mais próximo do que os caixotes do lixo. Isto, sim, é um trabalho limpo e até ajudo os moços a apresentarem serviço…  
Enfim, para que não se diga que estou só no bota-abaixo, aqui fica uma sugestão colhida junto do senhor dom infante Henrique: e que tal dedicarmo-nos todos à pesca? Realmente, ali sempre a olhar para o rio…
– fotografias de Jorge Castro

postais de férias (2)

De Joaquim Magalhães de Castro e com edição da Parsifal (Junho de 2014), 
Os Filhos Esquecidos do Império
um livro que nos transporta até aos confins longínquos da Birmânia, por onde os portugueses, navegantes, aventureiros, soldados da fortuna andaram e onde deixaram rasto identitário que permanece até hoje, ainda que cada vez mais desgastado pelo nosso total abandono e desinteresse, sequer sem um gesto, durante séculos a fio, que reforçasse ou restabelecesse  os ténues laços culturais que esses filhos esquecidos do império teimam em preservar. Aqui, sim, podemos dizer, contra tudo e contra todos. 
Recomendo a leitura, quanto mais não seja para ilustração de uma realidade que ignoramos. Muitos de nós. Quase todos, a começar por quem se alcandorou ao governo deste país tão perdulário em termos de cultura.
Na herança genética, no vocabulário e na religião, pequenos resquícios de Portugal ainda ali permanecem, ainda que esses descendentes nem sequer saibam o que ou quem é Portugal.
Depois, um salto até à Fundação EDP, aproveitando sempre o passeio à beira-Tejo, para ver a exposição de Alexandre Farto (aka Vhils) – com entrada livre, já agora -,  autor de obra já espalhada pelos quatro cantos do mundo ou pelas sete partidas do mar, como quiserem, e um pouco como antítese do postal anterior. Muito digna de ser vista!

Aproveitando a estada, uma visita aos demais recantos deste Museu, com muito para ver e aprender, sublinhando o cuidado e qualidade patentes em todos os elementos expostos. 

Assim é, nem sempre o tom será de bota-abaixo. O que deve ser dito, diz-se. E assinala-se. 
E, enquanto passeamos à beira rio-mar, coalhado de turistas e canas de pesca em busca de melhores dias, tropeçarmos com aquilo em que sempre nos mantemos pródigos: o desmazelo. Ali, mesmo em frente da casinha do mais alto representante da nação, este estado de coisas: 

A lápide assim reza: «A Administração do Porto de Lisboa investiu no arranjo desta zona ribeirinha para lhe proporcionar um espaço de identificação com o incomparável estuário do Tejo, berço de relevantes feitos da História de Portugal – Dia do Porto de Lisbboa, 31-X-1991».
A calçada destruída, as pedrinhas amontoadas a esmo, o lixo e a incontornável evidência de que somos exímios a tratar-nos mal, sem precisar de contar com os outros…
– fotografias de Jorge Castro  

postais de férias (1)

Finalmente, as férias, com início oficial a 30 de Agosto!
Primeiro, uma visita ao Borboletário de Rana, logo aqui ao virar da esquina, e que ainda não tivera oportunidade de visitar… 
Fico com a sensação de que se trata de um interessante espaço didáctico, com ar de dispor de muito poucos recursos. Ele há muitos «concertos» no concelho de Cascais, que não deixam margem de «manobra» para estes outros desconcertos, dir-se-ia… 
Depois, cumprindo alegremente compromissos, uma visita à Fábrica das Cores, um muito interessante e curioso espaço onde uma mão-cheia de gente com iniciativa luta em busca de saídas mais airosas que o cinzento dos dias. Os meus votos de bom sucesso ao projecto.
Por lá partilhei, com a companhia da Fernanda Frazão, os meus Contos Conversos, num agradável e muitíssimo bem apaladado serão.

Domingo, rumei a Setúbal, onde fiz as honras a umas ameijoas e a um choco frito que antecederam uma caldeira de peixe – sim, sim, culminando com  o respectivo caldo.. – no restaurante da nossa amiga Gilda ( o Ti Prudência, assim mesmo, com publicidade e tudo!), e que  nos deixaram completamente redimidos com o mundo (pelo menos durante aqueles momentos de felicidade, que já sabemos serem sempre momentâneos e ocasionais).
Isto apesar dos inúmeros prédios daquela Avenida Todi a reclamarem, em altos gritos, uma intervenção urgente, para a qual, também lá, nem haverá verbas, nem ideias de futuro… 
Neste país de tantas portas fechadas (até as inventadas)…. 

… valham-nos os poetas para ainda proporcionarem alguma cor à vida, mesmo se o seu ar sugere alguma melancolia.

Mas o nosso destino era, também, visitar a rua que foi recheada de composições desvairadas e marítimas… em crochet.  É assim, somos pródigos em originalidades.

Claro que todas as lojas estavam encerradas. Era domingo. Dia de santos e de anjinhos, digo eu. Ainda para mais, Agosto, com a malta toda a encher-se de sal e de sol pelas praias fora. 

A mostra, entretanto, até estava com graça. Mas fica-me a dúvida se não seria muito mais inteligente – e mesmo que fosse a título excepcional – ter o comércio aberto, para aproveitar do acréscimo de circulantes. Assim, todos iam olhando para o ar, pois mais rente ao chão só havia portas fechadas.

Mas, volto a dizer, pareceu-me uma boa ideia – pelo menos, aos domingos desperdiçada – e digna de uma visita de lazer, com passagem pelos vários espaços culturais de que a baixa de Setúbal dispõe.

Pelo caminho e ao longo da caminhada descobrir grafitagens que, entre outras coisas, me proporcionaram uma prazenteira digestão!

 – fotografias de Jorge Castro

sugestão para o próximo dia 30 – Contos ConVersos
na Fábrica das Cores, em Sassoeiros

A convite da Fábrica das Cores (Sassoeiros), irei partilhar (com os pais da gente nova que frequenta aquele espaço), no próximo dia 30 de Agosto (sábado), pelas 21h30, algumas opiniões acerca das escrevinhações para gente mais nova, por se considerar que o testemunho entre gerações deve ser transmitido, agora e sempre, para que o futuro nos faça sentido.
A sessão terá o apoio da editora Apenas Livros… e apenas desejaremos que a conversa venha a revelar-se útil e profícua. Apareçam…  

Ver mais Fábrica das Cores aqui.

Todas as coisas têm o seu mistério
e a poesia
é o mistério de todas as coisas
– Federico García Lorca

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