Sendo este um espaço de marés, a inconstância delas reflectirá a intranquilidade do mundo.
Ficar-nos-á este imperativo de respirar o ar em grandes golfadas.
convite
– Abril – Um Modo de Ser
dia 23 de Maio nas Caldas da Rainha
No próximo dia 23 de Maio (sábado), pelas 15 horas, na Biblioteca Municipal das Caldas da Rainha e com o apoio da Comunidade de Leitores e Cinéfilos das Caldas da Rainha, farei a apresentação do livro Abril – Um Modo de Ser, de minha autoria, com prefácio de Vasco Lourenço e de Joaquim Boiça, respectivamente, presidentes da Associação 25 de Abril e da Espaço e Memória – Associação Cultural de Oeiras, instituições que, a par da empresa gráfica Norprint, apoiaram a confecção deste livro, que teve o seu lançamento no Congresso da Cidadania, patrocinado pela Associação 25 de Abril em Março passado, na Fundação Calouste Gulbenkian.
No evento terei o prazer e a honra de ser acompanhado pelo Coral das Caldas da Rainha, por Walter Lopes, músico e professor de música, e por Heloisa Monteiro (viola) e Mário Piçarra (composição e voz). Quanto aos temas previstos, é por Abril que vamos, obviamente. O Grupo Coral das Caldas, nomeadamente, trará as Heróicas de Fernando Lopes Graça. Mais surpresas…? Talvez contemos ainda com mais alguma…
Do livro Abril – Um Modo de Ser consta um conjunto de fotografias, de minha autoria, obtidas em Lisboa, no dia 25 de Abril de 1974, imagens que são pano de fundo de 26 poemas, também de minha autoria, alusivos à data ou ao tema.
A obra conta com uma arrojada composição gráfica concebida por Alexandre Castro, acompanhado por Cristiana Fertuzinhos, e teve impressão na referida empresa gráfica Norprint.
Lá vos espero, mormente àqueles amigos mais instalados na região centro de Portugal, com um abraço, vários afectos… e o livro.
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vejam bem… (II) – pequeno desenvolvimento
No seguimento da entrada, em 15 de Maio p.p., com este mesmo título (vejam bem…), um amigo meu – a quem vou nomear apenas como JF por reserva de confidencialidade – contactou-me por telefone e com habitual e esperada frontalidade, legitimamente agastado por aquilo que ele considerou – e com alguma razão, a meu ver – eu ter «deixado no ar» uma crítica social de que transpareceria ser o valor da obra de arte a causa da minha diatribe…
Estou, obviamente a simplificar a densidade da conversa telefónica, cordialíssima, aliás, como se espera de bons amigos que – oh, curiosidade! – ainda para mais se respeitam, mas sim para obstar ao sofrimento dos meus improváveis leitores para me aturarem neste desenvolvimento.
Tive, assim, oportunidade de esclarecer que, muito de acordo com a opinião de que uma obra de arte, em si, terá até um valor incalculável ou imaterial enquanto património da humanidade, o artista necessita de comer e de beber todos os dias e, daí, haver de se lhe atribuir – à obra de arte produzida – um valor muito material que o sustente.
Até aqui, estamos em enormíssimo acordo.
A minha reflexão – onde também contraponho e sublinho a minha própria situação de privilégio em relação a imensas maiorias de cidadãos por esse mundo fora – é tão-só o alerta possível relativamente a esse mundo em que um qualquer indivíduo, cidadão como os demais, se pode guindar ao estatuto de transaccionar um bem como o quadro de Picasso de que aqui se fala por aquele valor anunciado – do qual convirá também referir que o próprio autor já não está em condições de usufruir a mais ínfima parte.
E se Picasso, em vida, não teve desmesurados problemas de sustento, isso não ocorre com uma imensa maioria de artistas de desvairadas disciplinas, por esse mundo fora.
A distorção social a que chegamos – e da qual quase nem damos conta – que subjaz à capacidade do indivíduo ou da instituição dispor de tais astronómicas verbas, a despeito do mundo à sua volta se encontrar imerso na desgraça da fome, no meio da sociedade da abastança, isso sim é que reputo de irracional e obsceno.
Outro aspecto a considerar tantas vezes, é que a
apropriação particular ou privada da obra de arte vai, afinal, sonegar
do grande público o seu acesso, encerrada que fica em catacumbas securitárias
pelo incomensurável valor que lhe foi atribuído por corpos estranhos ao acto
criativo.
apropriação particular ou privada da obra de arte vai, afinal, sonegar
do grande público o seu acesso, encerrada que fica em catacumbas securitárias
pelo incomensurável valor que lhe foi atribuído por corpos estranhos ao acto
criativo.
Depois, se olharmos para a progressiva indigência em que vai mergulhando, por toda a parte, o mundo da arte e da cultura, onde o autor hoje miserável e a viver de amigos, tem a sua obra incensada e finalmente valorizada depois da sua morte, mais arrepiante se me depara aquela obscenidade…
Por fim, dir-se-á que tudo isto tem muito que ver com a
«natureza humana», expressão com as costas largas de acolher os desmandos que
passem pela cabeça e pelo poder de compra de cada um. Mas em que parte dessa
«natureza» fica, depois, a destruição do património da humanidade a que estamos
a assistir, quase impávidos, por parte de uma aberrante seita numa guerra insensata
(como todas são, ainda que umas mais do que outras, se me perdoarem a
contradição…) que foi suscitada e é alimentada por esta magnífica sociedade
ocidental em que estamos e somos?
«natureza humana», expressão com as costas largas de acolher os desmandos que
passem pela cabeça e pelo poder de compra de cada um. Mas em que parte dessa
«natureza» fica, depois, a destruição do património da humanidade a que estamos
a assistir, quase impávidos, por parte de uma aberrante seita numa guerra insensata
(como todas são, ainda que umas mais do que outras, se me perdoarem a
contradição…) que foi suscitada e é alimentada por esta magnífica sociedade
ocidental em que estamos e somos?
A obra de arte, como tal reconhecida, integra o nosso património
e dela, numa sociedade da Utopia, apenas deveria colher benefício material
imediato o seu autor, enquanto elemento fundador dessa sociedade.
e dela, numa sociedade da Utopia, apenas deveria colher benefício material
imediato o seu autor, enquanto elemento fundador dessa sociedade.
Para todos os demais, mormente após a inexorável morte do
autor, interessaria assumir a consciência de que a obra de arte pertence ao
mundo e dela deveriam desfrutar todos e por ela todos deverem ser atentos responsáveis
e os mais fiéis guardadores.
autor, interessaria assumir a consciência de que a obra de arte pertence ao
mundo e dela deveriam desfrutar todos e por ela todos deverem ser atentos responsáveis
e os mais fiéis guardadores.
Falta aqui Escola, muita Escola, claro, para que esta
Utopia se materialize. E sobra, por outro lado, muita cegueira do lucro parasitário. Mas, já
diria Galileu, contudo a Terra move-se
e, assim sendo, o mundo pula e avança…
Estes títulos matam-me…
vejam bem…
Um quadro de Picasso (As Mulheres de Argel – versão O) tornou-se na segunda-feira a tela mais cara alguma vez vendida em leilão, ao ser adjudicada por 179,3 milhões de dólares (161 milhões de euros). Mas houve mais recordes em Nova Iorque (…).
(In http://www.dn.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=4562831)
Há qualquer coisa de admirável no mundo que todos ajudamos a construir. Vejamos:
Hoje, eu, afortunado cidadão de um país do mundo ocidental, almocei. Pedi uma dose de coelho grelhado (e metade do animal vinha na travessa), acompanhado com esparregado e batatas a murro; reguei tudo com um belo tinto (reserva), comi um pão e bebi o café e, chegado ao fim, custou-me esta aventura qualquer coisa como 12 (doze) euros. O restaurante é normal, bem frequentado por clientes normais. Enfim, interessa o que interessa: satisfeito, eu paguei 12 euros.
E dei por mim a magicar nestas extraordinárias transcendências:
– 161.000.000 € – e, notem bem, por UM simples quadro, ainda que de Picasso -, a 12 € por refeição, dariam para 13.416.666 refeições idênticas ou, dito de modo mais prosaico e considerando que o ser humano poderá ingerir duas refeiçõezitas destas ao dia e que o ano tem, geralmente, 365 dias (logo 630 refeições destas), 21.296 seres humanos poderiam alimentar-se, durante um ano, só com este quadro.
Por outro lado
– 161.000.000 € – e sempre o mesmo quadro de Picasso – se considerarmos que, em África, o rendimento diário per capita, em vários países, ronda UM €, poderá levar-nos à seguinte contabilização: 50 anos são 18.250 dias e, assim sendo, aquele montante permitiria que 8.822 seres humanos pudessem sobreviver durante 50 anos… e, outra vez, apenas com este quadro.
Este raciocínio é tão pornográfico, tão escabroso, tão obsceno que estou em crer que desta vez é que me encerram o blog…
ramal da Lousã finalmente reaberto após intervenção de elemento do elenco governamental…
Sugestões/convites para este fim de semana
Aqui vos deixo duas sugestões, que terão lugar em Oeiras, e que reputo do maior interesse:
– No dia 08 de Maio, pelas 21 horas, na Biblioteca Operária Oeirense, a sessão anual de Madrugada de Poesia:
MADRUGADA DA POESIA NA BIBLIOTECA OPERÁRIA OEIRENSE
(Rua Cândido dos Reis, 119 – Oeiras)
Sexta feira dia 08 de MAIO 2015 A PARTIR DAS 21H00
INSCREVA-SE JÁ!
(tel: 21 442 66 91 / 962050304 – dias úteis das 15h00 às 19h00)
TRAGA OS SEUS AMIGOS!
– No dia 09 de Maio (sábado), também em Oeiras e com a presença de José António Barreiros, o programa (que pode ler-se abaixo) e que é proposto pela Espaço e Memória – Associação Cultural de Oeiras.
Chamo-vos a atenção para o facto de a Assembleia Geral e o almoço proposto serem dois actos distintos e diferenciados, sendo que o almoço está aberto a quem nele queira participar, associado ou não, bastando para tal inscrever-se, conforme dados indicados.
Imperdível, digo eu.
Caros Associados,
Aproveitando o ensejo de nos reunirmos em Assembleia Geral no próximo dia 9 de Maio, vamos dar inicio às nossa tertúlias à volta dum livro. Desta vez vamos começar com o, sobejamente conhecido, advogado e autor, Dr. José António Barreiros e um tema e um período muito interessantes, a Neutralidade e a Duplicidade: o jogo das sombras na guerra secreta em Portugal (1939-1945) e o seu livro Traição a Salazar.
O almoço terá lugar às 13h, a realizar no restaurante AERLISCafé, nas instalações da AERLIS (onde também é a Assembleia Geral), em frente ao shopping Oeiras Park e do parque dos Poetas, ao lado da CM Oeiras e tem estacionamento à volta do edifício. Espero que estejam na AG, que se realiza antes mas se não estiver presente e se vier de transportes (se não tiver uma boleia) existem transportes públicos directos, desde a estação da CP de Oeiras e de Paço d’Arcos.
Aceda ao croqui de localização da AERLIS
Conheça o percurso através do Googlemaps
Coordenadas GPS: Latitude – 38º 42´ 12´´ N – Longitude – 09º 18´ 02´´ W;
É necessária a inscrição prévia para o almoço (nome, telefone e email se possível).
Prato de Carne: Carne assada no forno com batata, arroz e salada , ou
Prato de Peixe: bacalhau a gomes de Sá
Sobremesa: bolo encharcado
Inclui: Vinho, Sumos, Água e Café
PREÇO – 15,00€ para Sócios, 20€ para Não sócios
(Nota: Quem quiser algum prato vegetariano ou de dieta deve avisar previamente)
Esperamos pelos Vossos emails com as preferências gastronómicas e por favor, avisem os amigos que não têm email ou possam andar distraídos.
Os melhores cumprimentos
Associação Cultural de Oeiras
Rua Professor Mota Pinto, Loja N.º 10,
Bairro do Pombal,
2780-275 OEIRAS
Apartado 184
2781-851 Oeiras
Tel: +351 21 441 99 51
apoio, obviamente, António Sampaio da Nóvoa
na sua candidatura à Presidência da República
Está dito e está feito.
Motivação: esperar a mudança, que urge, em qualquer das suas vertentes, tendo sempre no centro das preocupações a mulher e o homem – que eu sou e que tu és.
Como «relatório preliminar» um brevíssimo comentário: assisto com incredulidade à imensidão de comentadores «preocupados» com a falta de conhecimento que o povo terá relativamente ao candidato Sampaio da Nóvoa. Muito bem, divulguem-no, então.
Mas de quantos candidatos a qualquer coisa se poderá dizer o mesmo? Muito mal comparado, quem conhecia Cavaco Silva aquando da sua rodagem do carrito até Aveiro, rodagem que, aliás, ainda hoje continua? E não se alcandorou, logo a seguir, a uma maioria em eleições?
Deixemo-nos, pois, de tretas e avancemos sem medo nem mentores ideológicos, que a cabeça de cada um, salvo erro e omissão, foi feita para pensar.
25, 26, 27… de Abril, sempre que se souber e quiser!
Uma efeméride, um etapa de um caminho a percorrer, a arte do encontro, um grande abraço, a congregação de espíritos em comunhão de sentimentos… enfim, o que melhor interpretarmos deste 25 de Abril organizado pela Espaço e Memória – Associação Cultural de Oeiras, com o apoio da Associação 25 de Abril e de quantos amigos quiseram partilhar esta evocação.
Aconteceu no auditório da Escola Secundária Sebastião e Silva (antigo Liceu de Oeiras).
Acordai, com poema de José Gomes Ferreira e música de Fernando Lopes Graça, que foi cantado num grande ensemble, com o Cramol, o Grupo Coral VivaVoz e os assistentes, no final da sessão, como encerramento com chave de ouro.
O meu livro Abril – Um Modo de Ser, apresentado nesta sessão e criado a pensar só em Abril, com composição gráfica concebida por Alexandre Castro, com o apoio de Cristiana Fertuzinhos.
Os amigos que foram chegando…
A composição da mesa, da esquerda para a direita:
Jorge Castro, Joaquim Boiça, Vítor Manuel Birne e Domingos Nunes Pereira
– Joquim Boiça, na alocução de abertura, fazendo também, a apresentação dos convidados, além de uma breve resenha desta mesma acção, ocorrida em 2014, e promovida pela EMACO, e que se espera repetição constante em anos vindouros.
– Jorge Castro, na apresentação de Abril – Um Modo de Ser, já lançado no Congresso da Cidadania organizado pela Associação 25 de Abril, em 13 e 14 de Março passado…
… propondo, em vários momentos, a leitura acompanhada de alguns dos poemas que integram o livro.
– Heloisa Monteiro e Mário Piçarra, num excelente momento e
com uma mão-cheia de canções de Abril…
… que nos revigoraram os espíritos.
– Logo de seguida, o coronel Domingos Nunes Pereira e…
… o capitão-de-mar-e-guerra Vítor Manuel Birne trouxeram-nos evocações várias
(e nunca demais) desse dia inteiro e limpo,
culminando com a leitura da Mensagem da Associação 25 de Abril
destinada às comemorações desta efeméride em 2015.
Seguiu-se o Grupo Coral VivaVoz, dirigido pelo maestro Eduardo Martins e constituído por alunos do antigo Liceu de Oeiras e alguns amigos, local onde decorria este evento.
Também eles encheram a sala com os sons de Abril, em arranjos musicais de grande originalidade e excelente interpretação, e que colheram grande agrado por parte da assistência que, em diversos momentos da actuação não resistiu a alargar a dimensão do Grupo a toda a sala.
Logo a seguir, foi dando entrada o Cramol…
… cuja encenação, à sua chegada, logo preparou os ânimos, para o que havia de se seguir.
Margarida Silva, do Cramol, trouxe-nos, também, o seu (nosso) Abril…
… e a sala perturbou-se com a intensidade dos seus cantares.
Em encerramento da sessão, o Grupo Coral VivaVoz e o Cramol, a que se associaram todos os presentes, entoaram o Acordai, qual hino tão cheio de actualidade.
Depois, seguiu-se almoçarada e alegre convívio, com cantes, descantes e poemas à ilharga, em círculo de amigos e em confraternização, sempre necessária e urgente… e saudável exercício digestivo.
E, sim, também assim se cumpre Abril. Sempre!
– fotografias de Lourdes Calmeiro
25 de Abril
Amizades,
Aqui vos deixo, esperando a vossa companhia, sempre, o cartaz para a sessão evocativa do 25 de Abril, promovida pela Espaço e Memória – Associação Cultural de Oeiras, da qual vos dei recente conhecimento e que terá lugar no Liceu de Oeiras, amanhã, dia 25 de Abril, a partir das 10 horas da manhã, também com o apoio da Associação 25 de Abril… E assim escrevi 25 de Abril por quatro vezes num só parágrafo!
mediterrâneo
– sem saber, de todo, quanto vale a vida humana,
qualquer que seja a cor, o credo ou a idade,
sei melhor a lonjura da Utopia
e vivo na amargura da vergonha.
entre a terra e a terra
fica o mar
e fica a sorte
entre o mar e a terra
fica o norte
e fica a morte dos sem sorte
dos sem terra
entre o norte e a morte
fica a sorte
e à sorte fica a guerra
e os sem terra
no desterro
pelo erro
de viver que a morte encerra
e há um mar imenso
e o consenso sem conteúdo
e há um grito incontido
um bramido
que não é do mar
mas é de tudo
de tudo o que não vemos
nem sabemos
mas acima de tudo
acontecer
o nem querermos saber
que a cor do mar
é por vezes tão vermelha
quanto valha
por se querer chegar ao norte
e assim morrer.
– Jorge Castro




































