Sendo este um  espaço de marés, a inconstância delas reflectirá a intranquilidade do mundo.
Ficar-nos-á este imperativo de respirar o ar em grandes golfadas.

Nice, em dia de opróbio

Em Nice morreu hoje, um pouco mais, o racional da Humanidade. Tal como vai morrendo, em cada dia, em toda a parte, pela aparente impossibilidade do ser humano ser capaz de conviver consigo próprio. 

10 de Julho com pernas para andar, correr, saltar e etc.!

Patrícia Mamonamedalha de ouro no triplo salto 
nos Campeonatos da Europa de Atletismo 2016, em Amsterdão, 
(fotografia obtida em: https://www.publico.pt/desporto/noticia/)

Sara Moreira medalha de ouro na meia maratona
 nos Campeonatos da Europa de Atletismo 2016, em Amsterdão.  
Jessica Augusto conquistou, nesta mesma prova, a medalha de bronze.
(fotografia obtida em: https://www.publico.pt/desporto/noticia/)
 A Selecção Portuguesa de Futebol sagrou-se Campeã da Europa
no Stade de France, em Paris, a jogar na final contra a Selecção Francesa.
 (fotografia obtida em: http://www.dn.pt/desporto/euro-2016/)

Algumas notas, mesmo só para dizer alguma coisa:

1 . No final do jogo, a Torre Eiffel não se iluminou com as cores de Portugal, ao contrário do que ocorrera em jogos anteriores, relativamente a equipas vencedoras. A Torre Eiffel deve estar a funcionar às ordens de Wolfgang Schäuble, o que não indicia nada de bom para os franceses…
2. Confirma-se que algum frio holandês relativamente a Portugal não tem incidência especial nas pernas das atletas portuguesas.
3. Congratulemo-nos pela França que, ao contrário do que dizem alguns maus-pensadores quanto ao racismo que por lá proliferará, apresentou uma selecção de futebol que quase poderíamos chamar megrebina, o que é sempre um sinal de grandeza e largueza de vistas.
4. Esperemos que a euforia que, muito legitimamente, nos inunda os corações, potencie muito rapidamente uma substancial diminuição da taxa de desemprego, acompanhada de céleres medidas de regulamentação do mercado do trabalho e melhoria geral da condição de vida dos cidadãos portugueses mais carenciados.

E, já agora, VIVA PORTUGAL!

breve nota sobre passeio a Arouca e Serra da Freita
… e que Portugal temos!

Ora, bem… Arouca, ali como quem vai para o Porto, vindo de Lisboa, e em vez de virar para o mar e Aveiro, vira para dentro, passa por Vale de Cambra e já lá está – claro, passados que foram trezentos e tantos quilómetros, quase todos em auto-estrada (onde se recomenda a A17, pela calmaria de trânsito):

Com um bom  e bem dimensionado grupo de companheiros de viagem, assentámos teres e haveres no Hotel São Pedro, já em Arouca – que recomendo – e partimos para a satisfação da primeira necessidade básica, nestas aventuras: onde jantar e, muito preferencialmente, bem.  

Sem desprimor dos demais e porque o tempo sempre escasso não nos permitiu visitar todos, aqui vos deixo uma magnífica sugestão: o Restaurante Tasquinha da Quinta, no centro da localidade.

Apenas uma breve nota: a prancha de entradas e a vitela arouquesa deixaram-nos absolutamente convencidos.

Tempo ainda para uma espreitadela à Capela da Misericórdia…

… e ao Mosteiro de Santa Mafalda, ambos em Arouca, onde guias de ocasião nos prestaram informações preciosas para entendimento do que nos rodeava.

Um dos destinos previstos era o Museu das Trilobites (em Canelas, muito próximo de Arouca). 

Para além dos esclarecimentos científicos que podem ser profusamente colhidos no local e que não têm lugar neste breve apontamento de viagem, não quero deixar de divulgar que se trata de fósseis com 500 milhões de anos e dos maiores do mundo, colhidos numa pedreira ali localizada e que, por sinal, por uma gestão esclarecida e interessada, deu origem à criação deste espaço cultural, ponto de encontro já da comunidade científica internacional que se dedica a estas coisas…

A sua dimensão – gigantesca em termos comparativos com as que se encontram um pouco por todo o mundo – dever-se-á a razões várias, mas onde os cientistas ainda divergem. Certo é que, com tal dimensão, apenas se encontram outras manifestações no Canadá, não deixando de ser curioso o facto de que, na Pangeia (previamente à deriva de continentes), quando na Terra existiria um único continente (aí por volta de 200 a 540 milhões de anos atrás) – essa região do actual Canadá e a região do actual Portugal, que visitámos, se encontrarem muito próximas. 

E o objectivo primeiro desta passeata: os Passadiços do Paiva que, apesar do incêndio registado há cerca de um ano, foram prontamente reabilitados e ali estão, para nosso deleite. 
Recomenda-se a caminhada, ao longo de um trajecto de um pouco mais de oito quilómetros, em dia de semana, pois aos fins de semana, conforme nos constou, a romaria é infindável e algum encanto ficará beliscado pela enorme afluência de interessados… e a paisagem sente-se melhor com alguma tranquilidade em nosso redor.

A ponte, lá em baixo, assinala de algum modo, o início do percurso… 

O grupo de jovens caminheiros.

Dois trechos dos passadiços, obra de notável engenharia e de uma estabilidade contrária à aparentemente enganadora fragilidade da estrutura.

Pelo caminho, a maravilha de uma Natureza ainda não alterada pela mão humana. Aqui, claramente, o curso de água dirigido ao rio Paiva, ofereceu-nos o desenho inusitado daquilo que me pareceu ser um coração de filigrana… Apreciem vocês mesmos.

A maravilha da digitalis purpurea – dedaleira ou campaínha, para os amigos…

… espreitando as «marmitas» escavadas pelo sobressalto do Paiva no duro granito, esculturas autênticas e sempre de elegância imbatível.

Algures, a meio do percurso, uma ponte pênsil, a desafiar medos de vertigens, dando ainda mais tempero à caminhada. Enfim, opcional, para tranquilidade daqueles a quem a vertigem é mais forte do que eles.

E cada trecho mais belo e apaziguador do que aquele já transposto.

Um habitante apenas da profusa diversidade que por lá de vai vendo. Aqui vo-la deixo, à amiga lesma, pela pouco vulgar coloração (negro retinto), bem como pela dimensão – cerca de 12 cm em repouso contraído…
E mais não mostro, pois aquilo é para ser visto no local e cada imagem rouba a dimensão do encanto. É ir, senhores. A inscrição faz-se na net e custa 1 €.

No dia seguinte uma visita ao Museu do Convento de Santa Mafalda, cujo espólio ou recheio é muito digno de ser visto.

Depois, rumo à Serra da Freita, mesmo ali mais à frente, tanto mundo para ver. Desde os vestígios, ancestrais ou mais recentes, que os humanos foram por lá deixando, até à magnífica paisagem, que tem um ponto alto (na verdadeira acepção do termo), na Panorâmica do Detrelo da Malhada – nome que, por si só, já é um poema…

Aí travámos conhecimento com um grupo de simpáticos exemplares arouqueses – a quem, aliás, já tínhamos prestado outro tipo de honras no dia anterior, na Tasquinha da Quinta, nomeadamente.

A paisagem, serrana e montanhosa, em paletas que sempre nos surpreendem e inspiram…

… mesmo se condimentadas com alguns «tem-de-ser» que a constrangem.

Logo mais, a Frecha da Mizarela, segundo parece a maior queda de água da Europa… E mesmo que o não seja, ponto obrigatório para lavar os olhos cansados das rotinas citadinas.

E, de seguida, mais uma originalidade muito nossa: as pedras parideiras da aldeia de Castanheira. Quase-quase único no mundo, este fenómeno geológico, apesar de ter ali já o seu centro interpretativo, mereceria talvez outro resguardo…  Mas isso, serão outros cantares. 

As covinhas que se avistam na rocha granítica eram o leito parideiro das pedras paridas, também chamadas, localmente, de ovelhas ou de jogas, mas a que os geólogos chamam encraves.
Por mim, fico-me pelo encanto das paridas, para não enjeitar o esforço enorme das suas parideiras.
Enfim, cá me vai ficando a sensação, cada mais enraizada, 
de que não chega uma vida para saber de Portugal todo. 

e a Islândia aqui tão perto…

Desde que me conheço que utilizo recorrentemente, em termos de desabafo contido e a propósito de alguma coisa que, em Portugal, se me depare de violência social intransponível, a seguinte expressão: «ainda estou a tempo de emigrar para o Canadá!».

Perante algumas evidências a que vou assistindo, creio oportuno alterar essa expressão para «ainda estou a tempo de emigrar para a Islândia!».

fios que tecem a fala das mulheres
na BOO, em Oeiras

«Um grupo de jovens mulheres decide aprender e reencontrar um canto primevo de muitas sonoridades. Assim, em 1979, nasce o Cramol – Grupo de canto de mulheres da Biblioteca Operária Oeirense.
Cantamos o que herdámos. Um canto que nasce da terra, da natureza, do trabalho, da morte e da vida, de ritos ancestrais a que as mulheres quiseram e souberam dar voz. São falas onde se inscreve o traço da tradição.
Cantamos por gosto e por uma vontade partilhada de salvaguardar as raízes, de preservar e de valorizar, no presente, o património comum. É este o nosso trabalho há mais de 35 anos!
A partilha e reflexão desse património são a razão de ser destes encontros. Com eles procuramos novos trilhos que outros olhares possam revelar. Alicerçados no ciclo da natureza, fiando e desfiando fios, teceremos as falas ou o canto que na recriação presente se faz futuro.
São quatro encontros anuais, como quatro são as estações do ano. Em cada um deles dois convidados – uma mulher e um homem –para abordar o aspecto musical e o contexto em que este canto habita – um canto feito de quotidiano, história e criação permanente.
Começámos com a Primavera. Estamos agora no Verão em pleno solstício.
Os convidados deste encontro: Rosário Pestana e Luís Pedro Faro, têm percursos bem diferentes. A primeira, é uma estudiosa das práticas músicas tradicionais que articula, nomeadamente, com as questões de género. O segundo, conhece bem o trabalho do Cramol que dirigiu artisticamente durante 11 anos. Estudioso da voz, tem aprofundado a construção da sonoridade no canto tradicional das mulheres. Cruzam-se assim outros olhares que propiciam tecer falas que cremos amadurecidas e folgadas-»

CRAMOL
A não perder!

a orfandade nas praias

É um «fenómeno» que cresce a olhos vistos na praia de Carcavelos. Mal chega o Verão e centenas (se não milhares) de camionetas de passageiros despejam milhares (se não dezenas de milhares) de crianças, de proveniências as mais desvairadas, no areal desta praia.
Presumo negócio chorudo. Pais pouco vocacionados para o serem, seja por (de)formação e/ou desinteresse pessoal, seja por imperativos do emprego-nosso-de-cada-dia entregam a prole a umas organizações estranhas que passam as manhãs ou as tardes a invadirem a praia com meninos e meninas todos verdes, ou todos vermelhos, ou todos amarelos, ou todos azuis…
E – vá lá saber-se porquê… – aqueles grupos, muito encarreirados, muito encarneirados, enquadrados por um ou dois latagões e duas ou três meninas vestidas da mesma cor, que brincam formatadamente na areia e tomam o seu banho de mar em pacote, provocam-me uma profunda impressão e auguram-me que o futuro não parece nada risonho com exemplos destes.  
Também assisto, nas poucas vezes em que tenho oportunidade para pôr na areia o meu pé, a exemplos de grandíssima falta de preparação daqueles acompanhantes que, por exemplo, promovem o assalto e mortandade a tudo que é rochedos (e são tão poucos), à cata da pocinha e de quanta fauna lá possa resistir.
Ainda há dois dias foi isto: apesar da praia ainda estar desimpedida, foi exactamente no leito da ribeira  que desagua na praia, conspurcado de tudo e permanentemente revolvido por máquinas que diariamente (grande negócio!) atacam, vai para alguns anos, já, o areal com intuitos que não lembrarão ao Diabo, que os «orientadores» consideraram ser o melhor local para depositar as criancinhas para as suas brincadeiras na areia. Será que informaram os pais? Será que colocariam ali os próprios filhos? Se calhar, sim. E é isso o que me entristece, com tanto areal livre, senhores.

Verdade seja que o tempo nem estava muito balnear, mas o negócio fala mais alto e ir à praia é bom para a saúde, diz-se…
Será que alguém controla esta florescente actividade, que dá tanto jeito para a sobrevivência das empresas de camionagem? Quero eu dizer com isto, por exemplo, que tenho cá as minhas dúvidas quanto a que, das importâncias que os paizinhos desembolsem para formatar assim as suas crianças, alguém passe recibo. Passará? Não me digam que são borlas… 

Medalha de Ouro de Mérito Cultural (CM Lisboa)
atribuída a José Meco

Aqui se dá conhecimento, com regozijo, da atribuição da Medalha de Ouro de Mérito Cultural atribuída ao professor José Meco, ilustríssimo companheiro da EMACO – Espaço e Memória – Associação Cultural de Oeiras:
Muitos parabéns, José Meco! A Espaço e Memória congratula-se pelo reconhecimento público do elevado mérito cultural e pelo prémio atribuído ao Prof. José Meco, pela Câmara Municipal de Lisboa – a Medalha de Ouro de Mérito Cultural.
EMACO
MEMÓRIA DE SÍTIO COM AZULEJOS E UM ABRAÇO FRATERNAL A JOSÉ MECO. 
Só podemos congratular-nos com o sucesso científico e profissional de José Meco, «o bom gigante da História da Arte». Ao ser condecorado com a Medalha Municipal de Mérito Cultural de Ouro, só posso dizer que ele bem o merece, tanto pela sua obra pioneira, como pela defesa das suas causas de sempre em prol do Azulejo e das artes nacionais, como ainda pela sua postura humana e fraterna, sempre aberto a intervir e a ‘patrimonializar’, com tudo e todos, em prol dos saberes da cultura portuguesa… Já agora, a exposição por si comissariada no Museu de Lisboa, FRAGMENTOS DE COR, também merece ser visitada ! 
Vitor Serrão



reflexão para o dia da criança
escola privada – público esbulho


que gestores e pais sem escrúpulos se destrambelham na mobilização de crianças
para manifestações de carácter absolutamente político, falacioso e oportunista, julgo ter também o
direito de aqui lavrar alguns comentários a propósito:

Com que então, se me apetecer andar num ferrari,
o estado tem a pouca vergonha de NÃO me atribuir um subsidiozito para o efeito?
Parece impossível! Isto já não há liberdade de escolha para um cidadão, mesmo
que se vista de amarelo! Isto é, sem margem para dúvidas, um claro ataque aos meus
mais elementares direitos! E, quem sabe, aos meus esquerdos, também…
Bom,
como tem sido largamente difundido pelas televisões, é de vómito o argumentário
dos queques defensores do ensino privado às custas dos impostos de todos.
Apetece-me
sempre, nestas ocasiões, atirar-lhes para o colo com o cadáver de uma das inúmeras
crianças mortas por afogamento no Mediterrâneo, por um lado porque isto anda
tudo ligado e, por outro, apenas para apurarem qual o possível sentido da vida
e da sua concomitante relatividade.
Um
único argumento, entretanto, prevalece, subliminarmente escondido naquele
argumentário: não temos pago, não pagamos
e não queremos pagar! Mas queremos usufruir.
E insistem os gestores dessas escolas privadas e alguns dos papás dos meninos compulsivamente
de amarelo: não nos apetece, pois, abdicar do inalienável direito de acharmos
melhor que os nossos filhos usufruam de condições a que a grande parte das
demais crianças não tem acesso
– lá nos vão dizendo estas atrabiliárias
criaturas… – e estamo-nos nas tintas para isso e para vocês! Mas queremos que
nos paguem, pronto!
Assim,
sim, se vê o quão socialmente solidárias são estas bizarras criaturas. E espertas
que elas são, que ele, o chico-espertismo, pelos vistos campeia sem freios nestas
hostes.    
– Grande lata! Então, paga-a, porra!
Não queres, antes e por exemplo, ó palerma, discutir a vida dos alunos cujos pais não têm dinheiro para os alimentar e cuja única refeição é obtida na cantina da escola?
Todas as coisas têm o seu mistério
e a poesia
é o mistério de todas as coisas
– Federico García Lorca

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