fotografando o dia (83)
e tu vês
há um espartilho de espelhos
Vemos mais do que mostramos
do que vemos dos enleios
Ah se um dia espreitarmos
por aqueles olhares alheios
seremos talvez de nós
mais completos
mais inteiros
Vemos mais do que mostramos
do que vemos dos enleios
Ah se um dia espreitarmos
por aqueles olhares alheios
seremos talvez de nós
mais completos
mais inteiros
ficam-lhe mãos que voam
e as penas cheias de sol
descem à terra insegura
são assim as aves
também elas vivem
a aventura.
Tentando não matutar muito no assunto, para não subverter a espontaneidade, eis o que me ocorre, não com a preocupação da obra de arte literária, mas como, na verdade, momento marcante e influente na minha vida – tanto quanto um livro possa ser:
– Um Estranho Numa Terra Estranha – de Robert A. Heinlein
– A Última Fome – de Pierre Boule
– Uma Campanha Alegre – de Eça de Queirós
– O Nariz – de Nikolai Gógol
– A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado – de Friedrich Engels
– Os cães ladram e o Charrua passa.
– Vale mais um Charrua na mão que duas DREN a voar.
– Processo a processo, enche o Charrua o papo.
– Charrua que vai à frente alumia duas vezes.
– Se um Charrua incomoda muita gente, dois Charruas incomodam muito mais.
– Mais vale Milu que me leve, que Charrua que me derrube (lamentação dreniana).
– Diz-me com quem andas… e eu contar-te-ei a história do Charrua.
– Fia-te na DREN e não corras e verás o tombo que levas.
– Milu és, DREN terás.
– Amigo que não presta e DREN toda torta, que se percam pouco importa.
– Ir buscar Charrua e sair lavrado.
– Por São Charrua se vê que a DREN vai nua.
– Por um Charrua perdeu a DREN o mundo.
– Perde-se a DREN por não poder e a Milu por não saber.
Ah, pois, ainda a propósito, que tal uma questão retórica? Assim: face aos últimos desvarios linguísticos de Jardim relativamente à não aplicação da legislação sobre a IVG na Madeira, se José Sócrates enviar, em comissão de Serviço, a Directora da DREN para o arquipélago, a quem irá a senhora aliar-se?
em redor do verdor daquela mesa
onde cartas se debatem sem destino
cada trunfo tem a cor do desatino
cada mão fecha o ciclo da certeza
voam naipes num volteio com leveza
paus espadas ouros copas como um sino
cujo timbre quase soa como um hino
ecoando pelos cantos da incerteza
cada par se entendendo frente a frente
entre voltas feitas de quatro intenções
nos olhares cada qual o mais ausente
e por fim ao somar pontuações
num ensejo de preguiça mais ridente
volta a vida a sorrir com marcações.

Acabei de receber um exemplar do meu livro “Auto das Danações” – em edição especial de lançamento, com o apoio da inefável Funda São e a condescendência aventureira da Editora Apenas Livros – que me traz, no seu interior, os autógrafos de todos os actores que o levaram à cena na Quinta do Panasco, em Caria, com o brilhantismo destemperado que noutros locais e em devido tempo já foi referido (e se documentou fotograficamente).
De actores amadores se fala aqui. Amadores porque fazem o que fazem amando, em coreografia de afectos.
Neste caso, amando a fruição, a partilha… dando assim novos mundos ao mundo, que é aquela corrente de loucura que nos atravessa, de vez em quando, sem marcação de lugar nem de hora e de resultados tão imprevisíveis, como dar a volta a esse mundo ou descobrir novos caminhos marítimos para tantas Índias.
Bem hajam, Amigos da Tuna Meliches e restante seita… Só por vós já teria valido a pena escrever o livro!

