by OrCa | Ago 19, 2007 | Sem categoria |

inter-lúdico
quanto vale barriga cheia
quando a vida corre amena?
brinquemos pois tenho ideia
de que assim mais vale a pena
mas se voares junto ao chão
por muito que alguém te diga
ter mais olhos que barriga
há dias sim outros não…
– foto de Lourdes Calmeiro– poema de Jorge Castro
by OrCa | Ago 17, 2007 | Sem categoria |
Se eu percebesse alguma coisa do assunto era capaz de me atrever a dizer que esta 69ª Volta a Portugal em bicicleta foi uma metáfora da nossa postura ibérica: pedalamos como uns desalmados, colhemos para cima de uma dúzia de vitórias morais e outras que tais e, no fim… ganha um espanhol!
E porquê? Ora, melhor gestão dos diversos elementos circunstanciais em presença. Melhor estudo e aproveitamento do conceito de equipa versus esforço individual. Quiçá melhores condições – de cima a baixo – para a prossecução e obtenção dos objectivos definidos.
Por acaso, como eu percebo tanto de ciclismo como de futebol, esta minha avaliação não deve ter fundamento nenhum e planará a anos-luz da realidade…
by OrCa | Ago 14, 2007 | Sem categoria |
Meu Portugal!…
Dizia, há pouco, um cidadão ao ser entrevistado para a tv enqunto testemunha de um assalto à mão armada à dependência de um banco, que “felizmente não houve violência…”.
Entende-se o que o homem quereria dizer. Mas estranha-se, ao mesmo tempo, toda esta confusão de conceitos que anda no ar. Para aquele cidadão, bem composto e engravatado, um assalto à mão armada, porventura porque não meteu derramamento de sangue ou pancadaria grossa, já não é uma violência. Apenas uma aventura, quiçá um devaneio, um estremecimento no quotidiano delirante em que se sobrevive.
Como não é violência o governo não se ter feito representar nas celebrações do centenário do nascimento de Miguel Torga.
Torga? Quem é o gajo? Pertence a algum lobby conhecido? É pedreiro livre? Está na Obra? Tem ligações à construção civil? Ou aos futebóis? É teu primo?…
Ah, é só escritor? E já morreu? Eh, pá, então passou à História!… Aqui a malta preocupada com coisas sérias e vêm estes tipos falar de um gajo morto e enterrado.
Ainda para mais, um chato. Um resmungão. Um daqueles que não gosta de vir comer à mão do dono e passa a vida a ter opiniões!
E era médico? Vais ver, algum joão-semana, a correr as capelinhas dos pobrezinhos… E isso é o quê em termos de economia de mercado e de escala e tal? Ora, deixem-se lá de brincar com coisas sérias!
Pois é assim… por que cargas de água haveria o governo eleito pelo bom povo português homenagear um chato de um subversivo, um tipo lá das estevas e p’ra trás das serras? Ora, adeus…
by OrCa | Ago 12, 2007 | Sem categoria |

há cem anos, Torga…
crestada em sol e neve
e nalgum grito
levado ao sabor da ventania
a torga é breve e brava à brisa leve
de dureza talhada sem mais fito
ressoando montes fora em litania
e num dia de raiz feita em granito
como se ao corpo assomara uma tal febre
lança o olhar sempre em busca do infinito
– poema e foto de Jorge Castro
– foto sobre escultura de Francisco Simões, no Parque dos Poetas, em Oeiras
by OrCa | Ago 9, 2007 | Sem categoria |

Nunca sei de que lado vem o tempo
dias há que está no ar
outros que vem cá de dentro
e eu por ele a passar
e ele por mim
violento
quanto mais quero esperar
mais ele me deixa
sem tempo
nada se ganha em ficar
à espera
que mude o vento
fez-se o leme para o mar
e quando a vela enfunar
ganha-se o vento e o tempo.
– foto e poema de Jorge Castro
*
Citando Ricardo Araújo Pereira, a propósito da crise no BCP, sublinho, da revista Visão desta semana: “É bom não esquecer que, no primeiro semestre deste anos os lucros do BCP foram de apenas 307,9 milhões de euros. É natural que aquela gente ande transtornada…”.
Não se entende lá muito bem a disputa entre católicos tão fiéis e que tão pressurosamente têm seguido o preceito do “venha a nós o vosso reino”, como são Jardim Gonçalves e Paulo Teixeira Pinto.
Enfim, lembrar-lhes-ia, se me fosse dado ir à conversa com ambos, que faz escassos dois meses morreu o patriarca Guy de Rothschild e, nesta mesma semana, faleceu também o barão Elie Robert de Rothschild, por ataque cardíaco. Confesso que desconheço qual a confissão religiosa que professavam. Mas estou em crer que ambos morreram riquíssimos…
O epitáfio é conhecido: sic transit gloria mundi. Quanto à moral da história, que fique cada um com a sua.
by OrCa | Ago 6, 2007 | Sem categoria |
Não restarão grandes dúvidas, a quem vá seguindo as notícias sobre o famigerado “concurso dos professores titulares”, que a senhora ministra da Educação e a sua comandita sujaram, uma vez mais, um pé todo nesta confusão baralhada a que só à força de algum esforço criativo se poderá chamar o Ensino em Portugal.
É claro para todos que o concurso promove as habilitações – mesmo aquelas que saem na farinha Amparo – em detrimento do mérito comprovado no terreno. Perpetua-se assim a lusa pecha do “canudo” a suplantar tudo e todos. Agora ajudado pela ansiedade manifesta de Sócrates em combater, a martelo, a alegada falta de formação dos portugueses. Veja-se a aplicação do Processo de Bolonha em lusas paragens…
No entanto, para ajudar à corda do sino tocando a rebate pelas acções da senhora ministra, vem também o senhor provedor da Justiça, Nascimento Rodrigues, alertar para aquilo que chama “flagrante injustiça no quadro legal do concurso”. Denuncia, ainda, a subversão grosseira das classificações dos professores, entretanto em vigor, sedimentadas em anos e anos de dedicação do quadro docente das escolas públicas, e que este concurso varreu, sem escrúpulo nem comedimento, esquecendo que as regras que vigoravam foram estabelecidas pelos sucessivos Ministérios e não pelos professores, que a elas apenas se submetiam.
Até para os mais renitentes, para aqueles que cultivam a dúvida metódica como meio de nunca chegarem a lado nenhum a não ser o que lhes aproveita, já foram enunciados sobejos argumentos provando à saciedade que a metodologia seguida para o nefasto concurso não é séria nem honesta, tendo originado mais uma infinidade de situações anómalas e iníquas no enorme pântano em que os sucessivos governos transformaram o Ensino.
Pior, criaram um elemento de clivagem entre professores do qual não se vislumbra qualquer efeito salutar para o melhoramento da transmissão de conhecimentos, promovendo a desmotivação, o deixa-andar e… – não me custa muito deitar-me a adivinhar – a naturalíssima atitude do “porquê eu? Os titulares que façam…”.
Algumas dúvidas, pelo caminho, se me colocam:
– A lógica dos “titulares” e “não titulares” também incidirá nos estabelecimentos de ensino privados? E, se sim, a quem e como competirá certificar habilitações?
– Espanta-me que os professores (e os sindicatos, claro!) tenham tido a falta de visão de alinhar neste engodo. Afinal, o “concurso” nem era obrigatório. Não teria sido mais avisado ter-se verificado um boicote generalizado a uma iniciativa com a qual todos estavam em desacordo? Vamos lá ver o quanto custará a todos este egoismozinho néscio ou, convenhamos, algo cobardola.
Esclareçamos: no lugar do professor isolado, confrontado com o facto consumado, eu também teria, provavelmente, concorrido. O que não se percebe é como, havendo tanta rejeição de todos, ainda assim o concurso avance, sem que alguém tenha sequer esboçado um acto colectivo… que poderia ter passado pela palavra de ordem de recusa ao concurso. Assim se clarificaria, pelo menos, o lado em que cada um se encontra. Mas isto é impensável em Portugal, com cada um a orar para a sua capelinha e mais preocupado com a dimensão do próprio umbigo. Ainda se algum grupo de militares tivesse apoiado tal movimento…
– E os papás? De agora em diante vão querer saber quantos “titulares” é que lhes caem em sorte nas turmas dos petizes? E como será se “a turma do meu filho tiver menos titulares do que a do teu”? Ou será – como já se receia, aliás – que os tais “titulares” se dedicarão a tempo inteiro aos cargos directivos das escolas, mais ou menos burocratizados, abandonando as funções de docência?
Entre TLEBS, exames de aferição, atitudes censórias e cursos de conveniência, estou, muito lamentavelmente, cada vez mais convencido de que se promove o triunfo dos porcos neste “nosso” sistema de ensino!…