by OrCa | Mai 8, 2013 | Sem categoria |
O assunto desta denúncia é aquilo a que os defensores do actual sistema (de ladroagem, claro) chamam “o mercado a funcionar”.
Acontece que, pelo menos neste país, não há concorrência e não há quem defenda o cidadão.
Para além do que aqui diz este BOM CIDADÃO (não é português, claro está), é fácil verificar que em Portugal alguns produtos têm o mesmo preço, até ao cêntimo, em várias cadeias de supermercados. Como neste país não há cartelização de nada, só pode ser milagre…
Aconselha-se vivamente a leitura das cartas remetidas ao jornalista José Gomes Ferreira e à DECO, a propósito deste mesmo assunto
– Exposição dirigida à DECO:
GEORGES STEYT
Quinta do Outeiro – Rua José Baptista Canha, 7 – 2565-116 Carmões
Tel.: 261 743 34 – georgessteyt@yahoo.fr
Carmões, 8 de Abril de 2013
DECO – Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor
R. de Artilharia Um, n.º 79, 4.º
1269-160 Lisboa
Exmas./os Senhoras/es,
Queiram encontrar em anexo um quadro comparativo de preços demonstrativo da política discriminatória de preços praticada pela LIDL em relação a Portugal, implicando a constatação de o nível de preços ao consumidor em Portugal se situar num patamar escandalosamente elevado.
Os portugueses não têm apenas os salários mais baixos e dos impostos mais elevados da UE, mas ainda, as práticas da Grande Distribuição obriga-os a pagar as suas compras a preços totalmente abusivos.
Não compreendo como é que uma organização como a vossa, em princípio existente para a defesa dos consumidores, permanece silenciosa sobre um tema tão crucial. Em Agosto de 2009, enderecei a V.Exas. uma correspondência similar (vide cópia anexa), sugerindo uma comparação sistemática entre os preços praticados pelas cadeias europeias (Auchan, Intermarché, Lidl, Aldi …) nos seus países de origem e em Portugal.
Tanto quanto é do meu conhecimento, tal comparação nunca foi por vós feita. Ora, certamente que se trataria dum modo bem simples de exercer pressão sobre o cartel dadistribuição que se permite este tipo de abusos.
Se a Lidl se dá ao luxo de abusar de forma tão descarada do consumidor português, fá-lo muito simplesmente porque o ambiente (não)concorrencial lho permite. Neste contexto, será interessante fazer notar que, de forma quase sistemática, o abuso de margens praticado pela Lidl, em relação aos preços na Bélgica, se repete ao cêntimo na Aldi, o que deixa claramente entender existir aqui um acordo de preços.
Tendo em conta o facto de os preços praticados na Bélgica e noutros países do Norte pela Lidl (e Aldi) incluirem já uma margem que torna as suas operações perfeitamente rentáveis, somos levados a constatar que estas empresas se regalam em Portugal com uma margem SUPLEMENTAR perfeitamente exorbitante, acima dos 50%. Ora, os custos variáveis da distribuição são constituídos essencialmente pela mão de obra e pelos custos imobiliários, dois tipos de despesa claramente menos onerosos em Portugal. Este tipo de prática abusiva encontra a sua única explicação no poder dos interesses monopolistas instalados. A Lidl não é o único réu, o que está em causa é o conjunto da distribuição.
Se, a nível da Comunicação Social, a DECO, que se presume ter por vocação tal tarefa, não denunciar um tal escândalo, quem o fará?
Dedica a vossa Associação largo tempo a comparar as diferenças de preço, por vezes pouco significativas, entre as cadeias de distribuição em Portugal, perdendo de vista que é a totalidade da distribuição que é abusivamente cara. Deveriam atacar o problema a fundo denunciando este escândalo. Para tal, bastaria que procedessem às comparações por mim sugeridas.
Esperando a melhor atenção de V.Exas. para o exposto, subscrevo-me com os melhores cumprimentos,
Georges Steyt
Anexos:
Quadro comparativo preços Lidl Bélgica / Portugal
Cópia da minha carta à DECO de …
– Exposição a José Gomes Frerreira:
GEORGES STEYT
Quinta do Outeiro – Rua José Baptista Canha, 7 – 2565-116 Carmões
Tel.: 261 743 34 – georgessteyt@yahoo.fr
Carmões, 8 de Abril de 2013
Exmo. Senhor Dr. José Gomes Ferreira
a/c SIC NOTÍCIAS
LISBOA
Exmo. Senhor,
Admiro a forma como V.Exa. não cessa de denunciar os efeitos perniciosos da prevalência da corrupção, em Portugal. Não o faz de forma fanática, mas sim, persistente, e baseando-se em factos. Daí lhe advém a força de saber convencer.
Gostaria de acrescentar um pequeno mosaico à sua argumentação, e como tal, permito-me enviar-lhe cópia de uma correspondência endereçada à DECO. Isto tanto mais porque duvido que esta associação irá dar aos factos que exponho a divulgação que merecem. Acontece que os abusos de margens de comercialização que denuncio são perfeitamente exorbitantes.
De nacionalidade belga, vivo em Portugal há mais de 15 anos. Desde o início, fiquei estupefacto com as diferenças de preço entre Portugal e o norte da Europa. Verdade é que alguns bens são claramente menos caros: restaurantes, hotéis e, dum modo geral, todos os bens ou produtos com uma forte componente de mão de obra. Facto, aliás, muito lamentável para o povo português simples, pois implica que os seus rendimentos sejam francamente inferiores.
Dito isto, o mesmo não se passa com todos os serviços, visto que estes, oferecidos pelas classes educadas (médicos, engenheiros, advogados, arquitectos, etc.) são nitidamente superiores aos preços praticados nos países da Europa do Norte. Facto que tende a comprovar a força do espirito corporativo existente nestas profissões, o qual lhe permite estes preços exagerados. Assim, enquanto uma consulta num médico generalista na Bélgica custa cerca de € 30,00, dos quais a Segurança Social reembolsa, no mínimo, € 20,00, uma consulta a um médico particular em Portugal custa, no mínimo dos mínimos, € 60,00, sem reembolso. Uma vez mais, é a população modesta que paga.
No que diz respeito aos bens alimentares, é certo que a carne, o peixe, a fruta e os legumes costumam ser menos dispendiosos por cá. Em contrapartida, os produtos embalados são nitidamente mais caros, como se comprova pelo quadro comparativo referente à LIDL. E, se tivermos em conta que a LIDL é habitualmente menos cara que as cadeias portuguesas, podemos concluir que o consumidor português desembolsa valores excessivos pelos produtos em questão. Creio, aliás, que a diferença entre o nível de preços dos produtos frescos e os produtos embalados resulta muito simplesmente do facto de a distribuição dos primeiros contar ainda com um número considerável de distribuidores independentes, enquanto que a Grande Distribuição conseguiu praticamente monopolizar a distribuição dos produtos acondicionados.
Garanto-lhe a autenticidade dos números que avanço. Fiz em 2009 uma primeira comparação deste tipo para a DECO, tendo na altura remetido cópia à LIDL que tentou (com argumentação absurda) justificar as diferenças, sem, no entanto, as contestar minimamente.
As práticas de entendimento monopolista na distribuição constituem igualmente uma forma de corrupção. A única forma de defesa é a divulgação dos factos, tal como V.Exa.o faz, de forma tão brilhante, em matéria de política e administração pública.
Grato pela atenção que o assunto lhe possa merecer, apresento a V.Exas. os meus melhores cumprimentos.
Georges Steyt
Anexos:
Carta à DECO/Proteste
Quadro comparativo preços LIDL Bélgica / Portugal
by OrCa | Abr 11, 2013 | Sem categoria |
O que eu mais aprecio, mas aprecio mesmo, neste atoleiro do qual não há modo de sairmos, é a disfunção sistémica de que enfermam os «serviços» na sua relação com o povo.
Vejamos: o cidadão sai cedo do seu emprego; corre para casa, através do trânsito urbano abstruso. Arma o estendal papeleiro em casa, avisando a família de que, hoje, o jantar deve atirar para mais tarde. Tudo avisado, arregaça as mangas, limpa os óculos, cata a máquina de calcular, distribui criteriosa e ordenadamente os incontáveis papelinhos que coleccionou, religiosamente, toda a família durante um ano.
Apresta-se a cumprir esse ritual de cidadania, ainda mais urgente nesta «terrível crise que atravessamos», mas ritual que tem tanto de imperativo cívico como de masoquismo penitente… e liga o computador portátil.
Passwords e o camandro, ei-lo a digitar… ou melhor, a tentar digitar as permissas de acessibilidade. E eis-nos no reino do Serapião, que é uma coisa que ninguém sabe o que é e eu também não:
(NOTA – acabadinho de ocorrer num sítio perto de mim…)
Pois eles serão «o mais breve possível», seja lá isso o que for no mau português que esta gente (ab)usa. Eu é que me sinto, subitamente, muito abaixo do corno da história!
E escusam de clicar aqui ou ali ou na pata que os pôs, que aquilo não abre para lado nenhum. Vais ver que isto tudo é por culpa do chumbo do Tribunal Constitucional…
Vá, agora cantemos todos:
meninos, vamos à tróica, ó ai,
que a tróica é maravilha
metei o IRS, ó ai,
ali onde o Sol não brilha!
Raismaparta mais esta incomodidade constante de não ter nascido no Canadá, carais!!!
by OrCa | Mar 7, 2013 | Sem categoria |
o grande problema do nosso governo
é ter este povo que não foi eleito
é ter por defeito o não ser eterno
é viver no inferno de jamais ter jeito
ninguém lhe parece que lhe valha a pena
para além da corja que traz à ilharga
gentalha contada e à boca pequena
que come e que medra e que vive à larga
o grande problema do nosso governo
é ser da matriz dos biltres sem terra
que nunca beberam no leite materno
esse amor ao chão a que a raiz se aferra
à seiva do povo que a corja traiu
no meio do lodo tal qual sanguessuga
que mal se empanturra – ávida e febril –
abandona o barco – mísera trânsfuga
o grande problema do nossos governo
é não ser do povo nem dele ser guarida
mas se em cada dia lhe atiça o inferno
o dia virá da paga merecida
assassinam velhos – desprezam os novos
matam o presente – hipotecam futuros
e nós só cantando e atirando ovos
esperamos que caiam todos de maduros
Conclusão:
o grande problema que nós temos com este governo
é que enquanto aguardamos tranquilos que ele passe
o que acontece – como outrora se diria –
é que ele assumiu uma clara opção estratégica de classe…
– Jorge Castro
by OrCa | Fev 28, 2013 | Sem categoria |
– a propósito do movimento de cidadania que tem boicotado as intervenções de governantes, mormente de
um tal Relvas, este e outros quejandos os verdadeiros fautores actuais do desgoverno e da desobediência civil, os agentes do «mercado» que eles bajulam e alimentam ao arrepio de toda a Humanidade.
tu aqui não tens nada p’ra dizer
pá
nem de ti tenho nada para ouvir
a palavra
esse dom de humanidade
e de livre pensamento
não se colhe no entulho da aldrabice
nem a queremos ver medrando entre a miséria e o lamento
com que tu e os teus pares nos vão cercando
sempre ao mando e ao desmando
e da pulhice
e não venhas com plangências democráticas
porque em ti tudo teu é fraco e falso
e nem mesmo de algumas almas erráticas
vais a tempo de fugir ao cadafalso
a palavra é um direito
é um dever
é o abraço que nos une e nos irmana
mas trânsfugas que o povo tomam de assalto
uma só me ocorre agora
e é «sacana»
e sacana é aquele que eu não quero nem ouvir
lobrigar sequer por perto
e assim sendo se falar queres
podes ir
p’ràs profundas mais remotas do deserto
aqui não
que não és tu cidadão
mas ladrão que me assalta a descoberto
e em ti cada palavra é a facada
que se paga sempre em sangue e agonia
nesse dia que constróis com injustiças
atropelos
violência
e vilania
e assim medras
tu e toda essa canalha
que na sede deste sangue te igualha
e se amanha no seu sinistro porvir
tu aqui não tens nada p’ra dizer
pá
nem de ti tenho nada para ouvir
nada tens afinal mais p’ra dizer
de ti já se ouviu toda a missa farta
e se vieres que seja só p’ra acontecer
a providência de um raio que te parta!