fotografando o dia (60)

círculo de fogo que fazes
quando voas nas palavras
rubra a brisa que me trazes
bailando no chão que lavras

vibra o vento e a brisa arde
no teu voo que me leva
no calor do fim da tarde
entre a giesta e a esteva

e a voluta te enforma
rubro o sangue tal um jogo
num enleio a que dás forma
em diálogos de fogo.

– foto e poema de Jorge Castro

fotografando o dia (59)

quando entro mar adentro
e me sustento
o mar alto mal repara
mal me sente

ai de mim
que de sôfrego desejo
ter do mar por fim
o sal só do seu beijo

– foto e poema de Jorge Castro

fotografando o dia (57)

tanto mar
filho
e tanta a vontade de voar!

vês ao longe o barco?
quantos sonhos que nos traz
com as ondas do futuro
mas ele há-de aportar
se houver porto seguro
e vontade de voar.
– foto e poema de Jorge Castro
Tem de haver mais mar para além do oceano de barbárie que assola e avassala o ser humano.
Foi executado um ditador, um torcionário, uma besta humana – humana, sim, como nós… E daí? De onde me vem este desconforto de sentir que de nada me serve mais uma – esta – morte?
Tal como todo esse tanto sangue derramado em cada dia no longínquo Iraque, feito tão perto.
E a vida vai decorrendo neste teatro imenso de marionetas e fantoches, em que falamos com a voz alheia e cada gesto nosso nos é imposto. Como um riso de lágrimas pintado na face.
E, no entanto, vejam lá a extensão do mar!… Tem de haver mais mar!

fotografando o dia (56)

muito cuidado com o fogo!
que o fogo afaga a folha
e a folha que nele se enrola
já se evola
se enovela
num ápice ardeu a folha
mas que bela
qual estrela
fez-se uma chama amarela
e agora o céu é dela!
– foto e poema de Jorge Castro