Sendo este um  espaço de marés, a inconstância delas reflectirá a intranquilidade do mundo.
Ficar-nos-á este imperativo de respirar o ar em grandes golfadas.

quotidiano delirante (10)
– votações na A.R.

Diz-se que as boas acções ficam com quem as pratica. E eu, que até nem tenho filiação partidária, mais não digo.

Votações:

23 de Setembro de 2011
VOTAÇÃO NA GENERALIDADE

1. Projecto de Lei n.º 44/XII/1.ª (PCP) – Determina a aplicação extraordinária de uma taxa efectiva de IRC de 25% ao sector bancário, financeiro e grandes grupos económicos (Altera o Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 442-B/88, de 30 de Novembro);

Rejeitado

Favor – PCP, BE e PEV
Contra – PPD/PSD, PS e CDS-PP

2. Projecto de Lei n.º 45/XII/1.ª (PCP) – Tributação adicional sobre a aquisição e a detenção de automóveis de luxo, iates e aeronaves (13.ª alteração à Lei n.º 22-A/2007, de 29 de Junho, que aprovou o Código do Imposto sobre Veículos – ISV – e o Código do Imposto Único de Circulação – IUC);

Rejeitado

Favor – PS, PCP, BE e PEV
Contra – PPD/PSD e CDS-PP

3. Projecto de Lei n.º 46/XII/1.ª (PCP) – Tributa as mais-valias mobiliárias realizadas por Sociedades Gestoras de Participações Sociais (SGPS), Sociedades de Capital de Risco (SCR), Fundos de Investimento, Fundos de Capital de Risco, Fundos de Investimento Imobiliário em Recursos Florestais, Entidades não Residentes e Investidores de Capital de Risco (ICR) – (Altera o Estatuto dos Benefícios Fiscais, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 215/89, de 1 de Julho);

Rejeitado

Favor – PCP, BE e PEV
Contra – PPD/PSD, PS e CDS-PP

4. Projecto de Lei n.º 47/XII/1.ª (PCP) – Cria uma nova taxa aplicável às transacções financeiras realizadas no mercado de valores mobiliários;

Rejeitado

Favor – PCP, BE e PEV
Contra – PPD/PSD, PS e CDS-PP

5. Projecto de Lei n.º 48/XII/1.ª (PCP) – Cria uma sobretaxa extraordinária em sede de IRC (Alteração ao Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 442-B/88, de 30 de Novembro);

Rejeitado

Favor – PCP, BE e PEV
Contra – PPD/PSD e CDS-PP
Abstenção – PS

6. Projecto de Lei n.º 49/XII/1.ª (PCP) – Fixa em 21,5% a taxa aplicável em sede de IRS às mais-valias mobiliárias (Altera o Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 442-A/88, de 30 de Novembro);

Rejeitado

Favor – PS, PCP, BE e PEV
Contra – PPD/PSD e CDS-PP

7. Projecto de Lei n.º 50/XII/1.ª (PCP) – Cria um novo escalão para rendimentos colectáveis acima de 175000 euros e tributa de forma extraordinária dividendos e juros de capital (Altera o Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 442-A/88, de 30 de Novembro);

Rejeitado

Favor – PCP, BE e PEV
Contra – PPD/PSD, PS e CDS-PP

8. Projecto de Lei n.º 51/XII/1.ª (PCP) – Tributação adicional do património imobiliário de luxo (Alteração ao Decreto-Lei n.º 287/2003, de 12 de Novembro, que aprovou o Código do Imposto sobre Transacções Onerosas – IMT – e o Código do Imposto Municipal sobre Imóveis – IMI);

Rejeitado

Favor – PCP, BE e PEV
Contra – PPD/PSD e CDS-PP
Abstenção – PS

Vik Muniz
exposição no CCB, em Lisboa

chocolate derretido…

diamantes – pormenor a seguir

recomposição de uma fotografia através de retalhos de papel

peça esculpida com brinquedos de plástico

o planisfério através de lixo informático

Medusa comestível
Rendido à originalidade e ao labor pacientíssimo deste fotógrafo (?), Vik Muniz, no CCB, em Lisboa, aqui vos deixo uma sugestão de uma hora bem passada.

quotidiano delirante (9)
– serviço público – o (des)acordo ortográfico é ilegal?

Soube agorinha mesmo desta curiosidade que considero da maior utilidade partilhar convosco, mas o atropelo é tanto e tão desvairado que damos por nós sem saber lá muito bem com que linhas é que nos cozemos, como diriam as avozinhas.
Ora, o certo é que existe um Decreto, datado de 08 de Dezembro de 1945, mas muito em vigor, dado não ter sido revogado, que regulamenta o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa. É ele o Decreto 35228 que, salvo melhor opinião, está vivinho da costa.
Acontece que, estando ele em vigor, e se ainda estamos num estado de direito, ele retira toda a legitimidade ao mais recente «Acordo Ortográfico» que, apesar de novo, é já de tão má memória e que tanta celeuma tem causado. 
E (mais) esta, hem?
– Claro que, se houver quem saiba mais e melhor o que se está a passar, muito se agradece conveniente esclarecimento.

expecta dores

I – Pois é… tenho cá para mim que, à força de tanta dose de acabrunhamento e propostas para a miséria que os centrões do desgoverno têm vindo a implantar, em Portugal, nas últimas duas dezenas de anos, o bom povo português cada vez esteja mais reduzido à triste e vil condição de expecta dores.
Será neologismo ou corruptela linguística, como melhor vos aprouver. Mas receio muito mais que seja uma empobrecedora realidade.
Assistimos impávidos ou anestesiados ao esbulho das nossas fracas posses e esperamos que o amanhã ainda nos seja pior. Expecta dores, pois então…  
II – E, ainda a propósito da malfadada mudança da hora, lá anoiteceu ontem às cinco da tarde. E lá acordei hoje às 5h30, aue seriam as 6h30 de anteontem.
Menos dia para brincar, menos tempo para dormir, eis o resultado imediato desta «novidade» semestralmente renovada e sempre incomodativa, que nos chega, porventura, do tempo da revolução industrial e para a qual parece que ninguém, hoje, sabe muito bem para que serve, mas que se mantém com a constância de um metrónomo de um quotidiano delirante. 

E insisto!

Cá nos chegou, então, a semestral incomodidade, vulgo «mudança da hora», da qual não consigo vislumbrar vantagem de qualquer espécie.

Claro está que o país e o mundo se debatem com questões bem mais ponderosas, mas esta é uma questão, também. E, como tantas mais, interfere no nosso quotidiano, sem que alguém, alguma vez, tivesse questionado os cidadãos quanto à sua apetência ou vontade de a aturar.

Por mim, para além da perturbação, cada ano mais agravada, que esta manobra me provoca no já de si escasso tempo de sono, garanto-vos que não atino com qualquer espécie de benefício que daqui decorra.
Por estas e por outras, juntei-me ao Paulo Moura e a uns quantos mais numa petição para acabar com este malabarismo semestral .
E vocês? O que pensam disto? Espreitem as informações sobre o assunto no blog PersuAcção e, se estiverem de acordo connosco, assinem a petição, para ser remetida à Assembleia da República com maior consistência.    

Consulta e assina a petição

convite
Crónicas do Avô Chico
de Pedro Jardim

Aqui deixo uma sugestão para uma tarde de sábado (próximo), ali por Carcavelos, no Salão Nobre da Junta de Freguesia, pelas 16h30, em matérias que não se prendem rigorosamente nada com crises, nem meias crises. 
Vivências, isso sim. E vontade de respirar que é, como sabem, uma coisa que até fazemos naturalmente, sem pensar nisso. Ou, como diria a minha avó, porque nos está na massa do sangue. 

Fernanda Frazão e as Cartas de Jogar
nas Noites com Poemas

Tem ainda o condão de nos surpreender, a cada passo, a dimensão abissal da nossa ignorância sobre as coisas do mundo e, de entre estas, aquelas que nos são mais próximas e, de algum modo, sustentam a nossa identidade cultural e, daí, a nossa dimensão humana no concerto das nações.
Foi, pois, mais uma destas «fendas no conhecimento» que a Fernanda Frazão nos ajudou a recompor na mais recente sessão das Noites com Poemas, no passado dia 21 de Outubro.

Será já um imodesto um lugar comum referir que a sala se encontrava muito confortavelmente preenchida… mas o certo é que estava, o que muito gozo nos dá.

A divulgação das cartas de jogar feitas pelos mareantes portugueses feita por esse mundo fora confere, também, um outro sentido à expressão sete partidas… Sete cantos, sete jogos… 

Segunda parte, após um debate interessante e esclarecedor, com o costumeiro espaço à poesia e a todos quantos se afoitem a partilhá-la…

… e, como fica provado, muitos foram os que deram cartas!

– Antigos baralhos portugueses recriados pela Imprensa Nacional – 
– fotografias de Lídia Castro e de Lourdes Calmeiro

mataram um ditador

– no dia da morte de Muammar Kadafi

hoje mataram um ditador
com as mãos nuas e sangrentas de vingança
a populaça e os seus algozes
arrastaram pelas ruas um ódio desvanecido
por cada morte que sentiram na carne

no seu olhar sem olhos
toldados pelo sangue da afronta
e da ignomínia
o ditador não descortina os sorrisos de amazonas
nem há valquírias na poeira de Sirte
apenas o esgoto fétido
onde desceu à condição humana que criou

o seu corpo
saco de despojos
esventrado e mudo
varre as ruas da terra-mãe cheias de infâmia
corpo entre os corpos
morto entre os mortos

os mandantes do mundo ocidental respiraram aliviados
alguém
perto de Sirte
matou um mandante da morte
que o mundo ocidental
arquitectou.

– Jorge Castro
20 de Outubro de 2011

– cartaz de Alexandre Castro

Quero dar-vos anúncio e fazer convite para a nossa próxima sessão das Noites com Poemas, no próximo dia 21 de Outubro de 2011, pelas 21h30, na Biblioteca Municipal de Cascais, em São Domingos de Rana.

Teremos coomo convidada a nossa amiga Fernanda Frazão, que acumula essa muito extraordinária qualidade com as de historiadora, investigadora, editora… eu sei lá!
Sempre um prazer ouvi-la. Sempre um prazer saber mais, levados pela sua mão aos diversos jardins de encantamento que ela cultiva.
Desta feita, teremos como tema as Cartas de Jogar – Um património desconhecido. E, como a própria nos informa:
Em Portugal, desprezam-se, em geral, as cartas de jogar. Utilizam-se e deitam-se fora. No entanto, tivemos um baralho de tipo português que, desde o séc. XVI, partiu pelos mares fora, nos bolsos dos marinheiros e ainda hoje se mantém vivo no Japão. Negócio monopolista desde 1600, foi o garante da Impressão Régia e muitos ministérios, a partir do Marquês de Pombal. É um património desconhecido que toca muitíssimos aspectos da vida do nosso país no decorrer da História.
Sabiam? Ora venham lá, então, saber mais. A documentadíssima obra, entretanto publicada sobre o tema, da autoria de Fernanda Frazão, estará disponível na sessão para os interessados. 
Todas as coisas têm o seu mistério
e a poesia
é o mistério de todas as coisas
– Federico García Lorca

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