Sendo este um  espaço de marés, a inconstância delas reflectirá a intranquilidade do mundo.
Ficar-nos-á este imperativo de respirar o ar em grandes golfadas.

Festas de aniversário da Freguesia de Carcavelos
– reportagem (I)

Integrada nas Festas de Aniversário da Freguesia de Carcavelos teve lugar a
BIENAL DE ARTES DE CARCAVELOS,
cuja iniciativa remonta a 2010, sob o patrocínio de
Carlos Peres Feio
que, do mesmo modo, encabeçou a organização da presente mostra, contando com a colaboração de
Eduardo Martins,
Francisco José Lampreia,
Jorge Castro,
Lourdes Calmeiro
e Vítor Miranda.
A presente exposição teve lugar entre os dias 20 e 27 de Outubro p.p.,
 na Sociedade Recreativa Musical de Carcavelos,
sob a égide da Junta de Freguesia de Carcavelos
 e com a amável colaboração da Direcção da Sociedade. 
Eis as obras presentes na mostra (com o nome do autor seguido do título da obra, sempre que disponível, em itálico):   
– Isabel Anselmo – o par

– Vítor Paz

– Helena Fernandes – as caretas

– Alice Gamboa – a paz no feminino

– Ana Real – o homem do Bailundo

– Ana Teixeira Freitas – vibrações

– Eduardo Martins – a construção saloia em Carcavelos

– Fernando Leoncio Mendonça – rosto

– Ana Cassiano – microtonalidades

– Tomiça Menezes – líquenes

– Edith Lopes – variações

– Alzira Carrilho – as tulipas

– Virgínia Castel-Branco – tulipas

– Ana Camilo – se me amas não chores

– Ryta – (out) Paint 121

– Manuela Maurício – Lagoa de Óbidos

– António Loureiro – cavalgando a onda

– Kina – onda

– Maria Augusta Cortes – o amolador de tesouras

– Jorge Castro – alentejando

– Dário Antunes – além do Tejo

– Carlos Peres Feio – António Feio

– Eduardo Barata – repousando

– Artur S.

~
– Mary Lou –

– Conceição Cabral – construção

– Guida Maldonado – Sintra

– João Cotta Guerra – Corto
– Arnaldo Pereira Coutinho – idade do anjo

– Vítor Marques – Ela

– Carlos Figueira

– Alberto Simões de Almeida – o maestro careca

– Amílcar Silva – adega

– Susana Bianchi – Porto Santo

– Artur Vilhena – Ribeira da Lage
 
– Susana Resende – Viagens por Portugal

– Fernanda Paz – flores

– Leonor Pego – chelon labrosus (taínha)

– Fernando Carvalho – fez-se luz

– Sérgio Guerreiro – no caminho das horas

– Fernanda Frazão – Romance das noites de Lisboa

– Vera Coutinho

– Margarida Costa – a atenção

– Filipe Bianchi – mundos paralelos

– Maria Calmeiro – reconstrução dos dias

– Francisco José Lampreia – estudo para a Justiça…

– Rosa Maria – menina das flores

– José Mateus – janelas para o vale

– Vítor Miranda – Quinta dos Lilases (Lisboa)

– Isabel Cristovão – flores

– Lídia Fidalgo – tonalidades

– Rodrigo Sequeira

– Jorge Aragão

– Jesus Caeiro – tecendo tormentos

NOTAS explicativas – A sequência acima definida corresponde à ordem de cada peça na exposição, sem qualquer outra lógica subjacente para além da estética, em articulação com o espaço disponibilizado. Não se referem as técnicas utilizadas em cada objecto artístico… Enfim, algo terá de ficar de património para quem assistiu presencialmente, nem que seja para o chamado património imaterial… 

viagem a Cabo Verde
nas noites com poemas

No passado dia 19 de Outubro, teve lugar mais uma sessão – a 79ª – das Noites com Poemas.
Desta vez celebrou-se Cabo Verde e a sua cultura, pela mão de Heloisa Monteiro e um belo grupo de amigos, que proporcionaram um excelente passeio  pelo arquipélago das dez ilhas, que tanto nos diz… 
Houve uma pequena exposição: artesanato, livros, CDs, instrumentos musicais etc…

… bem como uma feira do livro caboverdiano que nos chegou pela mão de Inês Ramos

Se tem sido uma constante, a boa moldura humana com que vimos contando, de sessão para sessão…

… para esta foram excedidas muitas das expectativas e o salão nobre da Biblioteca Municipal de Cascais – São Domingos de Rana foi pequeno para responder a tanta afluência.

Seguindo-se a uma breve explicação sobre o tema deste nosso encontro…

… teve lugar o visionamento do filme “Uma viagem a Cabo Verde”
Logo mais, o lugar dado aos muitos e diversificados intervenientes, pelos caminhos da poesia e da música:  Carlota de Barros, Regina Correia, Xan, Sissi, Mário, Fátima, Lulú, Heloisa, Tonecas

… que nos encheram a noite das suaves e mornas cadências nascidas e criadas em Cabo Verde…

… excelentemente interpretadas por um naipe de músicos de muito boa craveira.

Como seria de esperar, dançou-se e cantou-se em toda a sala cheia de Sodade

Inês Ramos falou-nos sobre a sua estadia por terras de Cabo Verde e das experiências editoriais a que se entregou, integrando e integrando-se nas comunidades que a acolheram.  

Por fim e como sempre é apanágio destas sessões…

… muitos dos presentes devolveram, em forma de poema, a dádiva recebida dos nossos convidados…

… todos comungando em mais uma sessão memorável, também ajudados pelos docinhos «diabo dentro», por sua vez acompanhados por algumas bebidas de que diria que melhor é experimentá-las
– fotografias de Lourdes Calmeiro

enquanto não tenho tempo…

… para postar algo do muito em que tenho andado envolvido, aqui deixo, a título de mero intervalo introspectivo na emissão, pois de certeza o programa seguirá dentro de momentos….

A informação não é recente, é verdade. No entanto, tenho para mim que, a ser actualizada, ainda seria pior.

É com estas certezas que percorremos os nossos incertos caminhos…

Então, e esta? Fresquinha…:

Economia (Editorial de mediacapital ) – 30 edifícios das Forças Armadas à venda
Decisão foi tomada em conselho de ministros
PorRedacção 2012-10-25 15:55 ·

Cerca de 30 edifícios das Forças Armadas, entre quartéis, terrenos e palácios, vão ficar à venda. A decisão foi tomada esta quinta-feira em conselho de ministros, visando atender às necessidades do fundo de pensões das Forças Armadas.
Ficaram ainda mandatados os ministros da Defesa Nacional, Aguiar Branco, e das Finanças, Vítor Gaspar, para «poder indicar outros imóveis» a vender.
«O mecanismo de rentabilização é a venda ou constituição de direito de superfície por hasta pública ou negociação nos termos da lei», explicou o secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, Marques Guedes, em conferência de imprensa no final da reunião.
O objetivo é «gerar receita passível de colmatar as necessidades de curto prazo, que a descapitalização do Fundo de Pensões dos Militares das Forças Armadas tem vindo a evidenciar», cita a Lusa.
Questionado sobre qual é a estimativa de encaixe, Marques Guedes disse não ter conhecimento desses dados, referindo apenas que «dependerá da recetividade do próprio mercado».
Da lista, divulgada aos jornalistas, fazem parte o palácio e quinta de Caxias, em Oeiras, palácio e quinta da Alfarrobeira, Lisboa, quartel de Penafiel, quartel da Azeda de Baixo, Setúbal, quartel de Sá, Aveiro, quartel da Lapa, Figueira da Foz, prédios habitacionais e terrenos.
Recorde-se que, já em setembro, o Governo decidiu libertar Portugal de património «desactivado» em várias cidades do mundo para arrecadar 22 milhões de euros.

E, por fim, uma adivinha: qual das duas personagens gradas abaixo já tratou dos papéis para a reforma?

CARTA DE DESPEDIDA AO PRESIDENTE DA REPUBLICA” – Pedro Marques

Solidário, no geral, com o testemunho do Enfermeiro Pedro Marques e com a cara coberta de vergonha por cada momento em que colaborei, por cada passo que não dei mais além,  com este estado de coisas…. Este é um poema, como punhos!

“Vossa Excelencia,
Não me conhece, mas eu conheço-o e, por isso, espero que não se importe que lhe dê alguns dados biográficos. Chamo-me Pedro Miguel, tenho 22 anos, sou um recém-licenciado da Escola Superior de Enfermagem do Porto. Nasci no dia 31 de Julho de 1990 na freguesia de Miragaia. Cresci em Alijó com os meus avós paternos, brinquei na rua e frequentava a creche da Vila. Outras vezes acompanhava a minha avó e o meu avô quando estes iam trabalhar para o Meiral, um terreno de árvores de fruto, vinha (como a maioria daquela zona), entre outros. Aprendi a dizer “bom dia”, “boa tarde”, “boa noite” quando me cruzava na rua com terceiros. Aprendi que a vida se conquista com trabalho e dedicação. Aprendi, ou melhor dizendo, ficou em mim a génesis da ideia de que o valor de um homem reside no poder e força das suas convicções, no trato que dá aos seus iguais, no respeito pelo que o rodeia.

Voltei para a cidade onde continuei o meu percurso: andei numa creche em Aldoar, freguesia do Porto e no Patronato de Santa Teresinha; frequentei a escola João de Deus durante os primeiros 4 anos de escolaridade, o Grande Colégio Universal até ao 10º ano e a Escola Secundária João Gonçalves Zarco nos dois anos de ensino secundário que restam. Em 2008 candidatei-me e fui aceite na Escola Superior de Enfermagem do Porto, como referi, tendo terminado o meu curso em 2012 com a classificação de Bom. Nunca reprovei nenhum ano. No ensino superior conclui todas as unidades curriculares sem “deixar nenhuma cadeira para trás” como se costuma dizer.

Durante estes 20 anos em que vivi no Grande Porto, cresci em tamanho, em sabedoria e em graça. Fui educado por uma freira, a irmã Celeste, da qual ainda me recordo de a ver tirar o véu e ficar surpreendido por ela ter cabelo; tive professores que me ensinaram a ver o mundo (nem todos bons, mas alguns dignos de serem apelidados de Professores, assim mesmo com P maiúsculo); tive catequistas que, mais do que religião, me ensinaram muito sobre amizade, amor, convivência, sobre a vida no geral; tive a minha família que me acompanhou e me fez; tive amigos que partilharam muito, alguns segredos, algumas loucuras próprias dos anos em flor; tive Praxe, aquilo que tanta polémica dá, não tendo uma única queixa da mesma, discutindo Praxe várias vezes com diversos professores e outras pessoas, e posso afirmar ter sido ela que me fez crescer muito, perceber muita coisa diferente, conviver com outras realidades, ter tirado da minha boca para poder oferecer um lanche a um colega que não tinha que comer nesse dia. Tudo isto me engrandeceu o espírito. E cresci, tornei-me um cidadão que, não sendo perfeito, luto pelas coisas em que eu acredito, persigo objetivos e almejo, como todos os demais, a felicidade, a presença de um propósito em existirmos. Sou exigente comigo mesmo, em ser cada vez melhor, em ter um lugar no mundo, poder dizer “eu existo, eu marquei o mundo com os meus atos”.

Pergunta agora o senhor por que razão estarei eu a contar-lhe isto. Eu respondo-lhe: quero despedir-me de si. Em menos de 48 horas estarei a embarcar para o Reino Unido numa viagem só de ida. É curioso, creio eu, porque a minha família (inclusive o meu pai) foi emigrante em França (onde ainda conservo parte da minha família) e agora também eu o sou. Os motivos são outros, claro, mas o objetivo é mesmo: trabalhar, ter dinheiro, ter um futuro. Lamento não poder dar ao meu país o que ele me deu. Junto comigo levo mais 24 pessoas de vários pontos do país, de várias escolas de Enfermagem. Somos dos melhores do mundo, sabia? E não somos reconhecidos, não somos contratados, não somos respeitados. O respeito foi uma das palavras que mais habituado cresci a ouvir. A par dessa também a responsabilidade pelos meus atos, o assumir da consequência, boa ou má (não me considero, volto a dizer, perfeito).

Esse assumir de uma consequência, a pro-atividade para fazer mais, o pensar, ter uma perspetiva sobre as coisas, é algo que falta em Portugal. Considero ridículas estas últimas semanas. Não entendo as manifestações que se fazem que não sejam pacíficas. Não sou a favor das multidões em protesto com caras tapadas (se estão lá, deem a cara pelo que lutam), daqueles que batem em polícias e afins. Mais, a culpa do país estar como está não é sua, nem dos sucessivos governos rosas e laranjas com um azul à mistura: a culpa é de todos. Porquê? Porque vivemos com uma Assembleia que pretende ser representativa, existindo, por isso, eleições. A culpa é nossa que vos pusemos nesse pódio onde não merecem estar. Contudo o povo cansou-se da ausência de alternativas, da austeridade, do desemprego, das taxas, dos impostos. E pedem um novo Abril. Para quê? O Abril somos nós, a liberdade é nossa. E é essa liberdade que nos permite sair à rua, que me permite escrever estas linhas. O que nós precisamos é que se recorde que Abril existiu para ser o povo quem “mais ordena”. E a precisarmos de algo, precisamos que nos seja relembrado as nossas funções, os nossos direitos, mas, sobretudo, principalmente, com muita ênfase, os nossos deveres.

Porém, irei partir. Dia 18 de Outubro levarei um cachecol de Portugal ao pescoço e uma bandeira na bagagem de mão. Levarei a Pátria para outra Pátria, levarei a excelência do que todas as pessoas me deram para outro país. Mostrarei o que sou, conquistarei mais. Mas não me esquecerei nunca do que deixei cá. Nunca. Deixo amigos, deixo a minha família. Como posso explicar à minha sobrinha que tem um ano que eu a amo, mas que não posso estar junto dela? Como posso justificar a minha ausência? Como posso dizer adeus aos meus avós, aos meus tios, ao meu pai? Eles criaram, fizeram-me um Homem. Sou sem dúvida um privilegiado. Ainda consigo ter dinheiro para emigrar, o que não é para todos. Sou educado, tenho objetivos, tenho valores. Sou um privilegiado.

E é por isso que lhe faço um último pedido. Por favor, não crie um imposto sobre as lágrimas e muito menos sobre a saudade. Permita-me chorar, odiar este país por minutos que sejam, por não me permitir viver no meu país, trabalhar no meu país, envelhecer no meu país. Permita-me sentir falta do cheiro a mar, do sol, da comida, dos campos da minha aldeia. Permita-me, sim? E verá que nos meus olhos haverá saudade e a esperança de um dia aqui voltar, voltar à minha terra. Voltarei com mágoa, mas sem ressentimentos, ao país que, lá bem no fundo, me expulsou dele mesmo.

Não pretendo que me responda, sinceramente. Sei que ser político obriga a ser politicamente correto, que me desejará boa sorte, felicidades. Prefiro ouvir isso de quem o diz com uma lágrima no coração, com o desejo ardente de que de facto essa sorte exista no meu caminho.

Cumprimentos,

Pedro Marques”

Bienal de Artes de Carcavelos


Carcavelos e a sua Junta de Freguesia comemoram mais um aniversário, desta feita com um extenso programa de actividades que abrangem toda a semana de 20 a 27 de Outubro. Para uma total elucidação da oferta existente nestas comemorações, nas quais me encontro também grandemenete envolvido, integrando uma equipa de amantes de Carcavelos, podem consultar www.jf-carcavelos.pt.

Podem, também, consultar programação mais abaixo.

Entretanto, permitam-me, sem detrimento dos demais eventos, que aqui realce o dia da inauguração, a 20 de Outubro, com início pelas 17 horas, com o lançamento do II Volume do livro Carcavelos dos Cinco Sentidos, nas instalações da Junta de Freguesia, a História de Carcavelos contada num mosaico colorido de abordagens pelos seus habitantes. De seguida, e logo após a actuação do Trio Scherzo – que nos tem habituado a excelentes interpretações! – será inaugurada a Bienal de Artes de Carcavelos (exposição de pintura, escultura, cerâmica, fotografia…), a qual estará patente ao longo de toda a semana, na Sociedade Recreativa e Musical de Carcavelos.

Mas há muito mais: uma sessão de fados, com excelentes intérpretes, canto tradicional português, com Cramol e Estrelas do Guadiana, sessão de poemas… etc., etc., etc. – aí está o programa para acompanhamento dia a dia.

Local aprazível, belo acolhimento… A vossa presença é imprescindível para compor ainda mais o ramalhete. Contamos convosco!

Outubro de 2012 – FESTAS DA FREGUESIA
BIENAL DE ARTES DE CARCAVELOS
PROGRAMA

Dia 20 (Sábado)
Local: Junta de Freguesia
17 horas
Abertura das Comemorações do Aniversário da Freguesia
Lançamento do livro “Carcavelos dos Cinco Sentidos – Volume II
18 horas
Música – actuação do Trio Scherzo

(piano Mercedes Cabanach, violoncelo Luís Sá Pessoa, violino José Pereira)
Local: Sociedade Musical Recreativa de Carcavelos
19 horas
Abertura da Exposição de Artes Plásticas “Carcavelos” de honra

Dia 21 (Domingo)
Celebração do dia de Nossa Senhora dos Remédios
Local: Jardim da Quinta da Alagoa
11.30 horas
Missa Campal celebrada pelo Cardeal Patriarca, D. José Policarpo
16.30 horas
Procissão com saída do Jardim da Quinta da Alagoa

Dia 22 (Segunda)
Local: Sociedade Musical Recreativa de Carcavelos
21 horas
Música – Vocal da CAPO

22 horas
Vamos falar de artes radicais – Grafitis versus Street Art”.
Moderador – Adilson Lima de Auxiliador Oradores – (Graffiti) Nomem– (Street Art) Leonor Morais

Dia 23 (Terça)
Local: Centro Paroquial (no edifício da Igreja da Carcavelos)
21 horas
Música – Noite de Fado
Voz – António Pinto BastoIsabel FigueiredoIsabel Costa de Sousa
Cordas – Ricardo RochaJaime SantosTó Moliças

Dia 24 (Quarta)
Local: Sociedade Musical Recreativa de Carcavelos
21 horas
Representação – “dez anos (de)mente aberta” Simbiose – Nuno Pardal

Dia 25 (Quinta)
Local: Sociedade Musical Recreativa de Carcavelos
18 horas
Recomposição dos dias” – colagens e reutilização de
materiais – Lourdes Calmeiro
21 horas
Música – CRAMOL – Canto Tradicional de Mulheres
Grupo Coral Estrelas do Guadiana

Dia 26 (Sexta)
Local: Sociedade Musical Recreativa de Carcavelos
21 horas
noite com poemas
– quatro dizedores/poetas

Carlos Peres Feio
Eduardo Martins
Francisco José Lampreia
Jorge Castro
21.45 horas
Musica – Mário Piçarra
(Sessão aberta a alguns dizedores/poetas que queiram fechar a sessão com Poesia)

Dia 27 (Sábado)
Local: Sociedade Musical Recreativa de Carcavelos
21 horas
Musica – Trio de Brahms:

Alexei Eremine – Piano; Alexandre Delgado – Violeta; Guenrikh Elessine – Violoncelo

Nota – Exposição – na Sociedade Musical, todos os dias
(21 – 27 Out, das 16h00 às 20h00)

convite
– viagem a Cabo Verde
com Heloisa Monteiro e amigos


A nossa 79ª sessão das Noites com Poemas – na Biblioteca Municipal de Cascais em São Domingos de Rana, no próximo dia 19 de Outubro de 2012, pelas 21h30 – terá como convidada: Heloisa Monteiro, que se constituirá como maestrina da acção “Viagem a Cabo Verde – Roteiro Poético-Musical”.

Terá como objectivo viver a cultura cabo-verdiana através da música, da palavra dita e de uma pequena mostra de alguns aspectos das tradições das ilhas. Como metodologia proposta, teremos:

a) Visionamento do filme “Uma viagem a Cabo Verde” (cerca de 15 minutos)
b) Introdução/pequena explicação sobre a temática
c) Manifestações culturais: poesia, música, dança e gastronomia

Como convidados da nossa convidada, contaremos com Carlota de Barros, Regina Correia, Xan, Sissi, Mário e Lulú (poesia); Heloisa, Tonecas, Mário, etc… (música); (batucadeira).

Contaremos ainda com uma pequena exposição: artesanato, livros, CDs, instrumentos musicais etc… E, por fim, o saborear de uns pastelinhos “Diabo dentro”, de milho recheado com atum, regado com ponche e licor …

Pois é, caros amigos: que mais vos poderemos dar, além de afectos, em troca de alguns poemas? Sim, que na parte final, haverá o tempo a eles destinado, como sempre. E o vosso lugar lá está reservado… nem que tenhamos de descobrir mais umas quantas cadeiras.

Abraços e até lá.

O problema não é a falta de coerência no discurso de Gaspar;
o nosso problema é essa coerência.

Estrebucharam mil opiniões – muitas delas supostamente da própria cor ou muito chegada – por reacção à discurseta do ministro Gaspar quanto à inevitabilidade do aumento da carga fiscal que sua excelência propõe no Orçamento de Estado para 2013, em ordem a «manter o capital de credibilidade e confiança de Portugal no estrangeiro», seja lá isso o que for.
Estrebucharam mal e porcamente, quase sempre. Ah, porque ele devia ter deixado uma margenzita de manobra aqui; porque deveria contemplar uma finta de corpo acolá; ou até porque uma leve condescendência corporativa, aqui ou ali, só lhe ficariam bem…
Néscios, mentecaptos, líricos ou vendidos os que tal propõem.
De facto, o discurso de Gaspar é de uma coerência gritante que assusta. De uma clareza chã que apavora. De uma desfaçatez que aterroriza.
Gaspar sabe bem o que quer e ao que vem. Sabe o como e o porquê. Sabe o quanto e até onde. Gaspar sabe bem o que quer! E quando se pretenda contestá-lo usando a mesma argumentação ou trilhando os mesmos caminhos, quem o fizer estará votado ao fracasso, tão límpida, clara e intransponível é a sua dialética.
Mesmo que não seja a dialética de mais ninguém – para além dos seus amigos mais chegados – é a SUA dialética.
Olhai-o, irmãos, vestido de burel e de baraço ao pescço, que pretende até restituir ao País o quanto o País nele investiu com artes de o moldar ao gosto do seu estereotipado desígnio… mas, ainda assim, desígnio.
Não veio de Santa Comba. Mas poderia muito bem ter vindo. Salvará a Pátria com a mesma inatacável perseverança e determinação com que o Botas a salvou, quase até à nossa extinção.
Porque o Gaspar sabe muito bem o que quer.
Interessa é saber se o que ele quer é coincidente com o que eu quero. Com o que tu queres. Com o que nós queremos. E, isso, o Gaspar nunca curou de saber. Porque ele sabe o que sabe e isso lhe basta.
O Gaspar é pois um presuntivo ditador, que apenas não o é efectivamente, porque a História lhe é adversa. Ainda assim, presume poder interromper a vigência da Democracia em Portugal – como alguém antes dele lhe sugeriu – pelos meses ou anos que muito bem entender.
O Gaspar é o principal agente da rotura do contrato social em Portugal. O Gaspar será o responsável por cada montra quebrada. Por cada empresa falida. Por cada cabeça partida. Por cada alma estilhaçada.
O Gaspar terá contas a prestar à História, disso não me restam dúvidas algumas.
Mas lá que ele é coerente, disso também não tenho dúvidas nenhumas.
Apenas falta apurar quem o sugeriu, quem o impôs, quem o chamou. Apenas falta, afinal, apurar quando e como seremos, outra vez, um povo livre.

até sempre, Victor Duarte!


Foi com o maior constrangimento que recebi a notícia do falecimento do Victor Duarte.

Excelente companheiro e amigo, dentro e fora do SINDEL, um militante empenhado na causa sindical, com um profundo conhecimento da realidade de cada local de trabalho, bem como dos desafios que o combate sindical tem pela frente, tinha artes de aliar essa vertente a uma gestão de afectos que o tornava sempre próximo, à distância de um abraço, jamais se furtando a um apelo de índole sindical ou pessoal, em qualquer lugar e em qualquer hora que a sua complexa agenda permitisse…

De alguns se diz que o seu desaparecimento tem, em nós, o peso de uma montanha. Este é, seguramente, o caso do Victor Duarte.

Na impossibilidade de ter estado presente na sua derradeira despedida, o que muito lamento, aqui lhe deixo, em jeito de pobre homenagem, o abraço que não tive tempo para lhe dar.

Luiz Goes – é preciso acreditar!

Luiz Goes (1933-2012) deixou-nos uma voz identitária. Ao ouvi-la, em qualquer recanto, por mais recôndito do globo, um português reconhece-a e reconhece-se. É assim e de algum modo uma voz que representa a consciência de uma cultura.
E porque uma evocação faz-se sempre que um homem quiser e porque, ao ouvi-lo, há palavras que se mantêm de sentido tão actual, agora me apeteceu fazer esta:


A nós, sobrevivos, fica a missão de o trazer ao nosso convívio em cada momento em que essa voz faça sentido… O que o mesmo é dizer-se sempre.
Todas as coisas têm o seu mistério
e a poesia
é o mistério de todas as coisas
– Federico García Lorca

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