Sendo este um  espaço de marés, a inconstância delas reflectirá a intranquilidade do mundo.
Ficar-nos-á este imperativo de respirar o ar em grandes golfadas.

Outros poemas, outras menagens,
alegremente pelas Caldas da Rainha

Antes de mais, o aquecimento, pois a prova adivinhava-se exigente. Para tanto, contou-se com um cozido à portuguesa, ali pelo restaurante O Selim, nas Caldas da Rainha, em boa companhia de comes e bebes.

As hostes encontravam-se já reforçadas por briosos mancebos vindos do norte, em romaria…

Depois, rumou-se à Biblioteca Municipal das Caldas da Rainha, para a programada apresentação dos meus Outros Poemas de Menagem, com distribuição livre, apenas com a sugestão de donativo voluntário em favor da Associação Humanitária dos Bombeiros de Carcavelos e São Domingos de Rana, como tem sido hábito no trajecto que este livro tem vindo a percorrer.

A sala apresentava-se confortavelmente preenchida, à nossa chegada… 

..e melhor ainda foi ficando ao longo da sessão.

Coube a Palmira Gaspar a abertura solene mas informal da sessão, proporcionando aos presentes uma visão global daquilo com que poderiam contar…

… logo depois sequenciada por Carlos Gaspar, ambos da Comunidade de Leitores e Cinéfilos das Caldas da Rainha
e incansáveis organizadores deste e de tantos outros eventos; Carlos
Gaspar que nos apresentou os quatro jovens músicos do Conservatório de
Música das Caldas da Rainha
, que amavelmente se associaram a esta apresentação, inaugurando-a: 

Beatriz Morais (violino)

Ruben Tavares (acordeão)

Catarina Oliveira (violino)

Helena Caldas Lopes (piano)

Na «ordem natural das coisas», passou a palavra para a minha querida amiga e editora, Fernanda Frazão, que me proporcionou – se os demais presentes me perdoam o egoismo – uma dessassombrada quanto emocionante apreciação do meu percurso, nestas e noutras lides… que o pudor me impede de mais comentar. Apenas isto: outra vez e sempre, o meu grande abraço, Fernanda!

Logo mais, e após providenciar a distribuição do livro pela sala, coube-me a mim continuar…

… através da exposição das minhas razões – obviamente muito ponderosas – que justificaram a feitura de mais um livro de poemas – estes de bem-dizer – em percurso alongado sobre as referências muitas da minha vida, que me ajudam a ser aquilo que sou… enfim, para o melhor como para o pior, dir-se-á.

A discurseta foi sendo entremeada com a leitura de alguns poemas do livro, dando-se realce maior àqueles que, de algum modo, colhem sugestão ou referência nas Caldas da Rainha, nas muitas passagens que por lá já conto.

Foi a vez de entrarem em cena o Mário Piçarra

… e a Heloisa Monteiro, amigos e companheiros que trouxeram de si do melhor que têm para dar: algumas composições originais do Mário – algumas até com poemas meus -, além de outras das suas superiores referências musicais, belamente acompanhadas pela Heloisa, que também a solo nos proporcionou uma prazenteira viagem, preenchendo a sala de afectos.

Ia boa a tarde e a cumprir-se o dia, quando, em boa hora, desafiei os compinchas da Tuna Meliches, que se encontravam presentes e com quem desfrutei, gloriosamente, dos momentos mais galhofeiros da minha vida, a darem um ou vários arzinhos da sua graça, já que se encontravam musicalmente equipados – refira-se, a talhe de foice, que tendo eles feito a sua deslocação às Caldas da Rainha de comboio, aproveitaram (como sempre) o ensejo de dar música durante a viagem a quem com eles partilhasse a carruagem…

Os desafios multiplicaram-se…

… e a fotógrafa estava lá!

… A récita alargou-se…

… do Alentejo chegou um passarinho que cantou, assobiando, e ainda não eram as quatro da madrugada…

… e vá lá saber-se como, o coro alargou-se à plateia…

… em memorável comunhão de gritaria!

Aida Reis, enquanto responsável por aquele espaço e nossa muito amável anfitriã, encerrou a sessão…

… que estava já muito para além da sua hora de encerramento aprazada, congratulando-se com a alegria e vivacidade que todos emprestaram à festa – que o foi, na verdade e para além de outra qualquer coisa.

Finalmente,o inevitável mas devido exercício a favor da tendinite, aproveitando-se o tempo para os últimos abraços… até à próxima.
E, assim, Outros Poemas de Menagem se cumprem, dando azo a outros mais, em espiral de eterno retorno, que é, afinal, a razão de ser desta aventura.

Bem hajam e podem ir contando comigo, como eu conto convosco.


(Nota de remate, fora do contexto mas contextualizável: por pudores que assumo, não vos referirei o montante recolhido através do tal dinativo a que acima se faz referência e que os Bombeiros de Carcavelos agradecerão, mas sempre posso avançar que também ele excedeu as expectativas.Nada faltou, pois, até ao remate feliz deste evento.)

– Fotografias de Lourdes Calmeiro… além de outras três da Tuna Meliches

outros poemas de menagem
nas Caldas da Rainha

No próximo sábado, dia 15 de Fevereiro, pelas 15 horas, na
Biblioteca Municipal das Caldas da Rainha, terei oportunidade de
apresentar o meu mais recente livro de poemas – Outros Poemas de Menagem -, pela mão e iniciativa da Comunidade de Leitores e Cinéfilos das Caldas da Rainha.


Terei comigo Fernanda Frazão, da editora Apenas Livros, terei
também alunos do Conservatório de Música das Caldas da Rainha, pela boa colaboração da sua directora, Fátima Cotrim, que nos trará as participações de Beatriz Morais (violino), Helena Caldas (piano) e Ruben Tavares (acordeão); contarei também com os meus amigos Heloisa Monteiro (guitarra clássica) e Mário Piçarra
(composição e canto), em precioso auxílio a esta minha apresentação.

Poemas de menagem, um espaço ainda para se dizer bem daquilo e
daqueles que contam mais para a história da vida, quando temos em nosso
redor tanto malefício de desviver.

Entretanto, pela generosidade da Junta de Freguesia de
Carcavelos-Parede, o meu livro não tem preço. Quem quiser, poderá
deixar, como contrapartida, um donativo em favor da Associação
Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Carcavelos e São Domingos de
Rana – também esse, absolutamente voluntário.

Por mim e para já, vou indo bem, obrigado. Faltar-me-á, apenas, a vossa presença.
 

tudo por coisa nenhuma…
ou talvez a busca de um sentido para a vida

O tempo voa  e voando arrasta as nossas vidas. Há nele sempre um tempo para tudo, até para o descanso tão necessário, aquele dolce far niente que tem artes de nos redimir com quase tudo… 
Chegou Janeiro, cheio de frio e com a graça dos deuses – esses mesmos, os das coisas pequenas, com que nos transcendemos. Por cá, com jeitinho e vontade de acordar, talvez se vislumbrem ainda as celebrações de antanho a festejar o solstício.
E assim fui, em 05 de Janeiro, assistir ao concerto do CRAMOL, na Igreja Matriz de Oeiras, sempre uma coisa de nos fazer crescer asas nos pés, elevando-nos sem riscos de queda, que aquele mulherio faz-nos sempre voar alto e bem. 

Logo depois, em hábito que se vai enraizando ano após ano, lá fomos ruas afora, pelo velho centro da vila, cantando as Janeiras, mesmo se poucas portas ou janelas se abrissem… Se calhar, também, porque toda a população já estivesse na rua…

Janeiro intenso, calcorreando o areal de Carcavelos, o mais belo do concelho de Cascais e arredores, com a presença tutelar do Forte de São Julião da Barra, dia após dia sem que o horizonte nos canse ou sem que a paisagem magnífica das nuvens se repita.

Esses passeios pelo areal, invariavelmente acompanhados por passaredo migratório, às vezes já residente, porventura por ter sucumbido, também como nós, à beleza da paisagem, como à garantia do sustento.

E Janeiro lá prossegue, dia a dia, com denodo. Chegados a dia 09, hora de fazer as Tempestades no Cantarinho, no restaurante Al Cântaro, em Lisboa, pela mão da Fernanda Frazão, sempre amiga e sempre presente, em sessões de desvairada temática, servidas à mesa, iniciadas a faca e garfo e rematadas com a força da palavra ou do argumento, que mais não é que um encadeado de palavras onde julgamos plantar algum nexo.   

A Tempestade de Janeiro foi de me dar a vez. Levei até lá Alguns Poemas de Graça, espraiando-me pelos catorze anos que já me leva esta saga de ajuntar palavras, afecto a afecto vividas, sessão a sessão ditas, livro a livro escritas.

Depois, chegados ao dia 12, o rumo foi Coruche, também já destino habitual. Ana Freitas e todos os amigos de Um Poema na Vila receberam-nos com o costumeiro abraço e deram as boas vindas, em sessão sobre a Poesia Popular… 

… na Biblioteca Municipal (dita do Mercado)…

… contando ainda com a mestria e os saberes do professor José d’Encarnação, que aceitou trilhar estes caminhos tão afastados na geografia como próximos dos afectos, por trilhos, veredas, ruas e avenidas onde o tal saber que não ocupa lugar não deixa, entretanto de nos encher o coração. 

E como se não bastasse, eis que surge José Fanha, acompanhado por Daniel Completo, dando a todos os ares da sua graça e abrindo aquelas portas que Abril abriu e por onde tanto me apraz passar quando o momento se ajeita, em
procuras intermináveis da liberdade que temos e da liberdade que somos.

 

Eis chegado o dia 15. Um dia de férias metido a propósito para dar um salto até Abrantes e apurar o que há tanto tempo não via. De súbito…

… mesmo no centro da povoação, uma exposição de escultura que se
iniciava na rua e remetia para interiores desconhecidos, conduziu-me até uma digníssima Biblioteca Municipal,
cujo nome homenageia António Botto, erigida no antigo Convento de São Domingos, através da intervenção do arquitecto Duarte Castel-Branco.
Permitam-me um destaque: se passarem por Abrantes visitem este edifício. Não sei o que se passará convosco. Eu sei que fiquei embevecido… e ainda cheguei a perguntar a quem por lá vi se não seria possível dotar aquele espaço com umas rodinhas e rebocá-lo até terras de Carcavelos. Mas não, não era possível, lamentavelmente.

Da exposição que preenchia bom espaço da Biblioteca, deixo-vos um nome que, do alto da minha ignorância, eu desconhecia, confesso, mas pela obra do qual me passeei com o maior agrado: Santos Lopes e os seus Quarenta Anos de Escultura

… de quem vos deixo um muito pálido testemunho da beleza da exposição (IsadoraMomento 9: «se fecho os olhos, posso ouvir o som duma completa sinfonia e dançar» – Da série Isadora Duncan – 1984, bronze) .
Mas deixo-vos também esta sempre recriada sensação de que há tanta gente a FAZER tanta coisa que seria tão bom que nós todos conhecêssemos e, tantas vezes, apenas por um fortuito tropeção do acaso, vislumbramos. Pensarmos, logo depois, em quanto mais desperdiçamos por desconhecimento… Ou, pior, não percebermos porque se desconhece tanto…

Uma constante de quem ainda possa aventurar-se em algumas «avarias» desvairadas, a busca de um restaurante que vá com a nossa carteira, mas que tenha também artes de nos transportar ao bom sabor dos velhos tempos.

E tive, ou melhor, tivemos sorte. Ou nariz, que sempre ajuda. O restaurante é o Santa Isabel, ali perto da Biblioteca. As entradas, as que se podem vislumbrar acima e, depois, umas enguias fritas muito frescas acompanhadas com uma açorda de ovas… Só mesmo experimentando! Tenham paciência, mas não sobraram para vos trazer. Talvez para a próxima. 

A boa companhia nem deu para sofrer esperas, as quais, aliás, nem foram nada de cuidado. E saímos ambos assim-como-quem-diz: quando viermos a Abrantes eu já te digo…

Mas a ida a Abrantes prendia-se, afinal, com uma sessão evocativa a António Feio, por convite de Carlos Peres Feio, o seu (dele) mano mais velho, acompanhado por José Proença de Carvalho, que decorreu na EPDRA – Escola Profissional de Desenvolvimento Rural de Abrantes (situada na povoação de Mouriscas) e com organização local do professor Hugo Sampaio.

Outro universo diverso, dir-se-ia, onde, através dos poemas que nos trouxeram a companhia sempre viva de António Feio, descobrimos, não sem surpresa, uma plateia atenta e interessada, com a graça não prevista de ser proveniente dos quatro cantos do mundo onde se fala Português.

Esta a equipa que ficou na fotografia. Mas a imagem das «bancadas» dar-vos-ia uma visão muitíssimo mais alargada.

E pronto, lá cheguei (chegámos) a mais uma sessão das Noites com Poemas. Pouco mais de metade de Janeiro decorrido – estávamos a dia 17 – e fomos, pela mão ilustre, tranquila e sapiente de Manuel Dias Duarte

… apoiado com não menor sapiência pelo professor António Monteiro, no nosso poiso costumeiro, a Biblioteca Municipal de Cascais em São Domingos de Rana, passeando pelas vidas e obras de filósofos pré-socráticos ilustres…

… tendo todos nós a honra de assistir ao lançamento, em primeira mão, da obra com o mesmo nome, da autoria do nosso convidado, como em entrada anterior se anuncia mais em pormenor.

Isto, indo o mês a pouco mais de meio e desdobrando o tempo com uma actividade profissional, em tudo diversa destas lides, e a tempo inteiro. Enfim, o tempo também pode render-nos. Vaidades? Com certeza. Mas, como digo lá para o início, tenteando assim um sentido para a vida…

Um abraço sublinhado para quantos me vão acompanhando nesta luta – é luta, não é…? – de quem destacaria, por não estarem ainda nomeados, o Eduardo Martins e o Francisco José Lampreia. Se calhar é mesmo pelo sonho que vamos…
– Fotografias de Lourdes Calmeiro, José Cordeiro – aquele abraço ! – e Jorge Castro

Manuel Dias Duarte, António Monteiro e os pré-socráticos
nas noites com poemas

Se a loucura é a raíz da filosofia ou, melhor dizendo, recorrendo ao Marquês de Maricá, a razão dos filósofos é muitas vezes tão extravagante como a imaginação dos poetas,  partimos para esta viagem no tempo e no saber, pelas mãos desses «loucos» do amor ao conhecimento que, com o auxílio agora de Virgílio Ferreira, não buscam um meio de descobrir a verdade, mas que a utilizam, como a arte, como um processo de a «criar».
E estávamos bem providos, na sala, com o nosso convidado, o professor Manuel Dias Duarte, o autor da obra em lançamento nesta sessão: Vidas, Doutrinas e Sentenças de Pré-Socráticos Ilustres (com edição da Fonte da Palavra), apresentados ambos, o autor e a obra, com empenho e brilhantismo, pelo professor António Monteiro.

Dadas as boasvindas a quantos ilustres resistentes arrostaram – e não foram poucos – contra uma noite de intempéries e de «avisos laranja», com o objectivo liminar de partilharem a arte do encontro em redor da mesa dos saberes…

 … passámos, de imediato à apresentação dos nossos convidados. 

O livro, cuja autoria, num exercício de partilha e de homenagem, 
Manuel Dias Duarte torna extensiva a Diógenes Laércio

Disponíveis nesta sessão dois romances, também, da autoria de Manuel Dias Duarte: O Professor Simão Botelho e Barco Encalhado na Areia

 – o professor Manuel Dias Duarte
– o professor António Monteiro

António Monteiro proporcionou-nos uma viagem pela Filosofia e pelos seus cultores – se aqui o termo é de aplicação pacífica – estabelecendo as pontes com o presente que se consubstanciam na obra apresentada por Manuel Dias Duarte, em dissertação de fácil entendimento, ainda que sem recurso a facilidades, assumindo, também, essa objectividade subjectiva que, necessariamente, enforma cada um de nós, em cada momento, temporal e circunstancialmente considerado.

Logo mais, a palavra ao autor, que com bonomia assertiva, discorreu sobre os comos e os porquês da obra feita, estabelecendo um curioso paralelismo entre o período de transição de um modo de sociabilidade para outro, conforme o viveram os pré-socráticos objectos do seu estudo, e os nossos dias….

… mas que também nos brindou com a leitura de poemas de Parménides (Sobre a Natureza das Coisas) e de fragmentos de autores vários referidos  na obra.
Estes, conforme se respiga da contracapa destas Vidas, Doutrinas e Sentenças de Pré-Socráticos Ilustres, terão sido «não só os críticos mais consequentes da anterior formação económica e social como os ideólogos de uma outra concepção do mundo e da vida. Deles se pode dizer que não se limitaram a interpretar, antes quiseram e conseguiram revolucionar e legitimar as novas relações sociais de prodção e de reprodução. Nisto consistiu o ‘milagre grego’.»
E, por fim mas não menos relevante, diz-se: «Numa época de éticas sem moral alguma e de comportamentos e hábitos sem qualquer eticidade, a releitura dos seus textos pode sem dúvida contribuir para repensarmos os arquétipos da cultura europeia
Pessoalmente, nada mais me resta do que subscrever tal recomendação, com sublinhados.

De seguida, a «segunda parte» da sessão onde, como sempre, tentamos traduzir em forma de poema o que o convidado e o tema trazidos nos suscitaram.

Contámos com o empenho interessado de muitos e bons amigos, como sempre. Permitam-me, entretanto, que acrescente aos adjectivos merecidos o espírito de scrifício e solidariedade que nos chega dos participantes que se deslocaram propositadamente de Coruche, em noite de tal quilate, para nos honrarem com o seu companheirismo, que tantas vezes enriquece ainda mais as nossas sessões… Grupo este cuja actividade, por terras de Coruche e com Ana Freitas como timoneira, está em vias de cumprir o seu segundo aniversário, já em Fevereiro próximo. 
– Ana Maria Patacho

– Carlos Pedro

– Alzira Carrilho

– Francisco José Lampreia

– Ana Freitas

– Ana Neves

– Eduardo Martins
– João Baptista Coelho

– Idália Silva
A homenagem e o agradecimento ao nosso convidado por nos ter proporcionado mais uma excelente sessão, a 93ª das Noites com Poemas .
E uma bela surpresa para o encerramento:

– Síbila Aguiar

E, como sempre, o convívio final, com a imprescindível sessão de autógrafos, oportunidade única e, por contraditório que pareça, sempre reiterada de estabelecer novos contactos, promover novos desafios, estabelecer novos conhecimentos ou restabelecer antigos. 

– Fotografias de Lourdes Calmeiro

convite – noites com poemas
com Manuel Dias Duarte

No
próximo dia 17 de Janeiro (sexta-feira), pelas 21h30, convido-vos a
participarem na nossa 93ª sessão das Noites com Poemas, que contará como
convidado com Manuel Dias Duarte, que nos trará o seu mais recente livro:
Vidas, doutrinas e sentenças de pré-socráticos ilustres“,
cuja apresentação estará a cargo do professor António Monteiro
A obra incide naqueles, como Xenófanes e Parménides – autores de
longos poemas de que restam fragmentos -, que viveram num período de transição de um modo de sociabilização para outro
e que não se limitaram a interpretar,
antes quiseram e conseguiram revolucionar e legitimar as novas relações sociais
de produção e de reprodução. Nisto consistiu o «milagre grego…
», (extracto
da contracapa da obra citada).
Manuel Dias Duarte,
professor de Filosofia e orientador de estágio em formação de
professores, tem um extenso currículo enquanto docente; foi, ainda,
co-autor de manuais escolares para os 10º, 11º e 12º anos; colaborou em
jornais e revistas, desde os antigos República e Diário de Lisboa… e por aí fora. Autor, também, de já extensa obra de ficção, desde 1999, bem como de Filosofia…
Enfim,
creio bem ser esta uma excelente oportunidade para conhecermos um homem
de saberes e a sua obra ou, para quem já o conheça, uma não menos
excelente oportunidade para retomar um contacto sempre enriquecedor.
Lá estaremos, à vossa espera, em caminhos que sempre conduzirão a Poesia.

convite para amanhã, no Al Cântaro, em Lisboa

Pois é… Amanhã, dia 09 de Janeiro, calha-me a mim a vez de fazer as vezes de digestivo no jantar promovido pela Apenas Livros no restaurante Al Cântaro – vide mais informações no cartaz acima – com o distintíssimo título de Tempestades no Cantarinho.
Alguns Poemas de Graça e algumas das razões que me têm levado a percorrer este caminho de poemas, que leva já uma mão-cheia de anos de «estrada», serão os ingredientes propostos. Na verdade, o tempo voa…
Espero também eu conseguir, amanhã, levantar-me do chão e voar um pouco com ele sobre  esta Lisboa até vislumbrar Portugal inteiro, com muito, muito mar em volta …  
Se me quiserem acompanhar, pois ficarei muito honrado…. Mas, atenção, que os lugares são relativamente poucos.

a renovação
necessária e urgente

Acredite quem quiser: ao abrir um limão colhido no meu limoeiro e que apresentava já indícios vários de que estava a ir desta para melhor, ao seccioná-lo pelo meio em busca do aproveitamento possível, deparei com outro limão, no seu seio, menor, mas completamente são.
Não acredito em «sinais». Mas apeteceu-me levar esta ocorrência à conta de metáfora premonitória do que poderá acontecer-nos no futuro próximo.
Um belo modo de começar o ano de 2014! 

2014 também será muito o que fizermos dele…

Uma vez mais me intrometo nos vossos espaço e tempo, mas apenas para vos
manifestar que, independentemente de 2014 não ser coisa de rima fácil – o que
rimará, afinal, com catorze…? – , ele será, no entanto, um ano igual aos
outros E, por isso mesmo, completamente único.

De resto, uns quantos morrerão, uns quantos nascerão, mas há-de haver uma
data de nós que… vamos vivendo. Assim mesmo: vamos vivendo.

Sem jogo de palavras: vamos e vivendo. O que nos acarreta a
responsabilidade enorme de respirarmos, comermos, bebermos, criarmos… Vivendo,
enfim, em cada um dos 365 dias que se antevêem mais próximos .

De preferência, vivendo uns com os outros. De preferência, vivendo,
agradando-nos o que fazemos.

É só e é bastante.

Que 2014 seja, então, um bom ano para o concretizarmos.

E havemos de nos encontrar por aí, para um apetecido abraço. Basta
querermos. É isso o que eu tenho por mais certo.
– Jorge Castro

há sempre outros natais

do Natal perdi o jeito de o trazer junto ao peito
num abraço de família
dou por ele num canto estreito cheio de compras a eito
o que atrapalha a mobília

um Natal de facebook a desdobrar-se no truque
de ser fácil de gostar
gostar a torto e a direito clique dado a preceito
que nada custa a «clicar»

o Natal da hipocrisia onde damos demasia
para matarmos a fome a alguns só por um dia
que alimenta a mordomia
de quem tudo tem e come

o Natal primordial
raiz de cada reinício
das festas do solstício
esse sim será Natal

onde o eterno retorno
o culto da Terra-Mãe
com os amigos em torno
nos prova sermos alguém

Natal seja este o nosso brindado como quem diz
que sou feliz quanto posso
e sou feliz quanto quis de braço dado com o vosso
este meu Natal feliz.

Jorge Castro

com votos de boas festas
e alento novo para encarar 2014,
também o Natal é o que um poema trouxer…

Que seja, então este o meu melhor voto a quantos fazem o favor de me visitar: que tenham artes de reinventar o presente, alento e ânimo para encarar o futuro, sacudindo as funestas grilhetas dos medos e da inacção. O futuro vem aí, quer queiramos, quer não… Melhor, então, encará-lo de frente, mostrando que somos gente e, ainda mais do que isso, todos juntos somos nação.
 Por aqui e junto de tantos afectos, cumprimos a 92ª sessão das Noites com Poemas.
Como sempre, o abraço de boas vindas aos que se disponibilizaram a aceitar o convite para enriquecerem com a sua presença estes nossos encontros…
… e, desses, um especial abraço a José Colaço e com ele aos Estrelas do Guadiana com quem, em boa hora, temos vindo, uma e outra vez, a cruzar caminhos, dando corpo e voz às palavras na dolência única do cante alentejano.

Dolência que a todos embalou através da magia que nos transporta, intrépida por vezes, combativa, meiga tantas vezes, ou brejeira, de uma alegria contida a que, se me permitem a fraqueza de uma confissão, não encontro formas de resistir.

E, depois, a cadência fraternalmente abraçada, a entoar cânticos de muitas vozes unidas num só sentir… Ah, só nos faltou mesmo a paisagem alentejana em fundo. Ainda que, para quem quisesse semicerrar os olhos, nem isso lhe faltaria.

Logo a seguir, num contraste ainda assim preenchido pelas cumplicidades que a música acarreta, o violinista Luís Morais, acabadinho de chegar de Viena de Áustria, com a presença de quem já tivemos oportunidade de contar, sempre em inesqueciveis momentos, presenteou-nos com a sua mestria e virtuosismo, com trechos de música erudita.  

De personalidade simpática mas discreta, tanto quanto arrebatador é o seu desempenho, Luís Morais encheu a sala e preencheu-nos o espírito…
… escandalizando quem o ouviu pela primeira vez, por esse elementar facto, tão nosso conhecido, de não serem divulgados os grandes valores culturais do país. De facto, o desconhecimento da existência e da obra de gente portuguesa desta estirpe, só nos empobrece. E, por vezes, irremediavelmente!
Grande Luís! Por aqui, meu caro, terás sempre o tempo e o espaço que te são devidos… por nossa causa e para nosso gáudio.
Logo mais, alguns dos amigos mais fiéis e constantes, a dizerem presente, com o tal poema que nos trouxesse os diversos e desvairados modos do Natal:  
– João Baptista Coelho
– Carlos Pedro
– Tina
– Rosário Freitas
– Eduardo Martins
– Ana Freitas
Francisco José Lampreia
– Maria Maya
– José Colaço (Um abraço, grato, pela distinção…)
– Emília Azevedo
E, após outra notável audição da arte de Luís Morais, chegou a hora de anunciar encerramento da sessão, não sem que antes se cumprisse um passeio pelo bolo-rei e vinho do Porto, a compõr os corpos dos espíritos bem preenchidos.
Um passeio também por algumas originalidades editadas pela Apenas Livros e, como tantas vezes acontece nestas sessões…

… mesmo já passada a festança, permanece o convívio. Desta feita, com belas vozes na sala, rapidamente se organizou um despique de cantorias de encantar…

… e lá fomos ficando, sem vontade de terminar o que sempre começamos!

Que as nossas vozes, enfim, nunca nos doam nestes caminhos fraternos.

– Fotografias de Lourdes Calmeiro

Por fim… não comprei nada este Natal e, ainda assim, vou oferecendo sempre qualquer coisa, o que me traz invariavelmente riquezas acumuladas, que nem sei onde guardar no armário dos afectos. Felizmente, não tem portas este armário…

Votos meus, para quantos por aqui passem, de boas festas e de um ano de 2014 em que saibamos sempre de nós, quem somos e porque somos, celebrando a vida também pela voz do poeta José Gomes Ferreira ao dizer-nos que penso nos outros, logo existo.

Quanto ao mais, rabanadas, filhós e azevinho, feitas e colhido pelas nossas mãos, mais presépio menos presépio, alguns minutos dedicados a acender as nossas memórias, principalmente as que nos chegam dos lugares não preenchidos em redor das nossas mesas, com um brinde a todos… de preferência com um vinho português, pois que não há-de haver gosto como o nosso!

Todas as coisas têm o seu mistério
e a poesia
é o mistério de todas as coisas
– Federico García Lorca

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