Sendo este um  espaço de marés, a inconstância delas reflectirá a intranquilidade do mundo.
Ficar-nos-á este imperativo de respirar o ar em grandes golfadas.

brevíssimas reflexões interrogativas…

– O ensino privado, em Portugal, quer o quê? Ser público? 
– Porque é que as comissuras dos já de si estreitos lábios de Passos Coelho lhe estão a cair mais do que o cabelo?
– Quem é o ex-primeiro ministro de Portugal que um dia foi brincar às guerras, aos Açores, e veio de lá como moço de fretes, tendo sido recompensado, concomitantemente, com um alto cargo europeu?
– Alguém viu, alguma vez e porventura, o Passos Coelho numa inauguração de qualquer coisa, enquanto primeiro ministro? Como ele diz que não, nunca fez tal coisa, então, quem já viu, que lhe atire a primeira pedra…

1º de Maio
um cravo entre boninas

Se mão amiga me fez chegar a imagem abaixo, com açúcar e com afecto e apenas porque sim, aqui partilho convosco a  privacidade dessa partilha, a que juntei a minha resposta, assim em jeito de duas pessoas que têm de Maio um olhar muito seu mas que, vendo bem, está ao alcance de todos… 

– fotografia de Suzana G. Amorim
Nasce um cravo entre boninas
por entre um olhar da Suzana, espreita um ar de Jorge de Sena
nasce um cravo entre boninas
rubro o quanto o verde quer
grandes coisas pequeninas
margarida ou malmequer
de um mar de verde desponta
o rubro feito verdade
verde e vermelho que aponta
quais as cores da liberdade


– Jorge Castro

Memórias do 25 de Abril na Primeira Pessoa
– breve crónica

Numa iniciativa conjunta da EMACO – Espaço e Memória Associação Cultural de Oeiras
e A25A – Associação 25 de Abril, concretizámos a evocação do nosso Abril libertador, 
contando também com o apoio da Câmara Municipal de Oeiras, 
que nos cedeu, para o efeito, o Auditório Municipal César Batalha.  

Joaquim Boiça, em representação da EMACO…

… e Mário Simões Teles, pela A25A, deram as boas vindas aos presentes 
e promoveram a abertura da sessão

Em breve mas intensa Evocação de Abril

João Sobral, pela voz… 

… e Walter Lopes, com guitarra clássica, trouxeram-nos alguns momentos emblemáticos
 daquele dia inteiro e limpo…

 … com projecção de imagens alusivas, que contaram com o apoio de Eduardo Martins.
Aqui fica um destacado aplauso para estes amigos que tão desinteressada quanto empenhadamente, responderam ao desafio feito e que, assim, marcaram uma presença que engrandeceu o evento. 

Foi, como é bom de ver, diminuta a sala para o público que acorreu a estas nossas Memórias.

Coube, de seguida, a Martins Guerreiro dar início à mesa redonda – conduzida com notável mestria – através da apresentação de cada um dos nossos convidados:

Victor Birne (Marinha)

José Carlos Nascimento (fotógrafo), cujas imagens, de sua autoria, recolhidas em 25 de Abril de 1974, acompanharam a nossa sessão

Nuno Santos Silva (Força Aérea)

António Borges Coelho (historiador)

Menino Vargas (Exército)

Carlos Costa (professor)

Deste rico painel, rico em vivências como em poder comunicativo, tivemos o que seria de esperar (e merecíamos): uma partilha de  de experiências, contadas na primeira pessoa, que afinal, tantos anos passados, sempre nos surpreende pela diversidade vivida e multifacetada. Conclui-se, então, que desta visão popular do 25 de Abril de 1974 urge fazer-se a recolha e divulgação da miríade de histórias de vida que tornam tão mais intensas e brilhantes as cores do arco-íris desse dia.   

Por fim, a Poesia. 

Com Ana Patacho Jorge Castro

… excelentemente acompanhados por Walter Lopes

… provámos – todos –  que de Abril se espera, ainda e sempre, um modo de ser!
– Fotografias da autoria de Lourdes Calmeiro

celebrar o 25 de Abril…

… no próximo dia 23 de Abril (sábado), pelas 10 horas da manhã, no Auditório César Batalha (Galeria Alto da Barra – Oeiras) com a EMACO – Espaço e Memória Associação Cultural de Oeiras e a A25A – Associação 25 de Abril. 
Dar uma vez e sempre voz ao Abril que queremos, ao Abril que fizemos, ao Abril por que ansiamos – esse o objectivo desta sessão de que vos faço chegar o respectivo programa, em anexo.
O tema: Memórias do 25 de Abril na Primeira Pessoa
Para não esquecer: o Abril é feito de gente e de actos concretos. Porventura tantos como quantos, por tantas e tão desvairadas motivações, se emocionam ou vibram ao ver um cravo rubro de esperança. E por esses outros tantos a quem nos compete transmitir o testemunho.
Apareçam, pois. Sem a vossa presença, Abril fenece…
Abraços.

Nota – A imagem que compõe o programa é da autoria de Alexandre Castro

olha, é dia do beijo…

Destas manias desvairadas de se criarem dias de qualquer coisa por dá cá aquela palha, este caiu-me no goto. Então, sai uma quadra a propósito, esperando que todos façam o favor de ser felizes, beijando-se muito:
da
comissura dos lábios
acendeste-me
o desejo
de
te contar sonhos sábios
no
improviso de um beijo
– Jorge Castro

dia mundial da poesia
nas Caldas da Rainha

É como o Natal, como se sabe, a poesia – sempre que um homem quiser.
Próximo sábado, pelas Caldas da Rainha e a partir das 14h30, lá estarei. Quem puder vir, apareça. 
Será, decerto bem vindo.

limpezas

– a propósito da investigação jornalística a que se chamou Panama Papers , de que já todos
sabíamos, mas da qual nunca sabemos nada
lavam o dinheiro
sanguessugado
como Pilatos lavou as mãos
e enxugam-no na toalha do nosso
desinteresse
o seu riso alvar de gozo
nem tropeça
naquela criança ranhosa de choro
a quem uma explosão de ódio
matou a mãe
estropiou o pai
e já não tem mais nada a que se possa
chamar humanidade
lavam o dinheiro
e riem-se de ti
de nós
pobres crentes pagadores
de promessas
e de impostos
como se assistissem a um circo de
pulgas
no desespero dos seus saltos sem
sentido
lavam o dinheiro
e não têm pátria nem chão
nem cores de arco-íris que lhes animem
um olhar
têm um negrume apenas
que os rodeia
e nos impede de lhes definir os contornos
mas todos sabemos onde moram
onde estão
com quem se dão
e
ainda assim
não os conhecemos
mas eles
sim
conhecem-nos bem demais
a todos
e
assim
continuam a lavar o dinheiro
com que nos matam.

mas que merda!

Nota (que não tem nada a ver com isto… ou talvez não):

Carais! Só para contrariar e redescobrir as cores do arco-íris, irei hoje participar em jantar de homenagem a Hélder Costa, na Associação 25 de Abril, pelas 20 horas. 
Que venha, também, quem vier por bem!
Todas as coisas têm o seu mistério
e a poesia
é o mistério de todas as coisas
– Federico García Lorca

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