Sendo este um espaço de marés, a inconstância delas reflectirá a intranquilidade do mundo.
Ficar-nos-á este imperativo de respirar o ar em grandes golfadas.
Núcleo familiar matricial (9)
Simplicidade nos materiais: cápsulas de sementes de jacarandá e pequenos pedaços de cortiça. Autor desconhecido.

Núcleo familiar matricial (8)
Júlio Alonso, com a sua louça de Bisalhães, é o autor da presente peça.

Núcleo familiar matricial (7)
Este prima pela sua incontornável leveza.
Da autoria de Simone Grecco, uma brasileira paulista radicada no Porto, deve esclarecer-se que esta escultura em arame começa, verdadeiramente, numa ponta e acaba na outra, sem interrupções pelo caminho.

Núcleo familiar matricial (6)
Autoria: Manuel Ferreira Machado, mais conhecido por Pinha, alcunha que herdou do pai e avô, é um artesão que nasceu em Celeirós, Braga, em 1962, e desde os 15 anos que começou a trabalhar o ferro na oficina do pai.
Este, quanto a mim, notável exemplo de criatividade é uma das peças que considero mais conseguidas da série que venho apresentando.

Núcleo familiar matricial (5)
Autoria: Lourdes Calmeiro. Material de construção: folhas de dragoeiro açoriano e folhas e barbas de milho. Na base, à esquerda, singela representação das concelabradas cracas dos Açores.

Núcleo familiar matricial (4)
Ao jeito das lapinhas dos Açores, mas em edificação caseira tão rigorosa quanto possível. A redoma de vidro foi retirada para evitar reflexos indesejados.

Núcleo familiar matricial (3)
O nascimento alegre e ruidosamente celebrado por um conjunto das chamadas roncas de Elvas, instrumento popular que acompanha os cânticos de Natal.
Autoria: Isabel Catarrilhas Pires, Bonecos de Estremoz, certificado nº 4673 (Unesco – Património Cultural Imaterial da Humanidade). Extraordinária a sua rica e cuidada exuberância decorativa.

Núcleo familiar matricial (2)
Desta feita documenta-se uma situação – dita de visitação – quando, após o anúncio do nascimento do pimpolho, todos os familiares, amigos e vizinhança (cães, gatos, periquitos e outros incluídos) aparecem para desejar os melhores augúrios.
Projecto artesanal doméstico.

Núcleo familiar matricial (1)
Enfim, assim lhe chamemos…
Religiosidades à parte, ainda que muito respeitáveis, aqui se documenta uma dessas representações:
Autoria: João Antunes, do Crato – peça adquirida na Sala Lúdica do Mosteiro de Santa Maria de Flor da Rosa. Trata-se de uma caixa em cartolina com técnica de encadernação que, abrindo-se, nos apresenta este resultado.

Hoje, apetece-me Camões
Passam 500 anos e a malta esquece-se de que tem (devia ter…) à mão de semear um dos nomes maiores da poesia mundial.
Também porque a poesia é (pode/deve ser…) um momento de reflexão sobre a vida e nem sempre com flores, rodriguinhos ou mariposas, mas com a nudez crua da verdade.
Relembrem – mas saboreiem cada palavra, se fizerem o obséquio – estas suas breves palavras
Ao Desconcerto do Mundo
Os bons vi sempre passar
No mundo graves tormentos;
E para mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado:
Assim que só para mim
Anda o mundo concertado.
– Luís Vaz de Camões