by OrCa | Jul 22, 2013 | Sem categoria |
Vieram mais cinco e outros cinco e outros cinco, ainda, ao anfiteatro da aula magna até ser muito difícil de contar todos. Mas isso nem era muito importante.
José Afonso era o homenageado e a evocação decorreu sob a égide dos 50 anos da criação d’Os Vampiros.
António de Sampaio da Nóvoa abriu a sessão com chave de ouro. José Fanha, Rui Pato, Francisco Fanhais, Manuel Freire, João Afonso, Ensemble VOCT, Luís Pastor, Lourdes Guerra, Pedro Fragoso…
… preencheram-nos a alma de conforto. Ao lado de Fanha, na foto acima, a guitarra com que Rui Pato compôs Os Vampiros, há 50 anos, e com a qual voltou, hoje, à liça.
É sempre um manancial de saúde que jorra nestes concertos de encher corações. E mais não digo, para além da consabida frase em que se diz ser preciso, imperioso e urgente mais flores. Mas que elas sejam cravos vermelhos. Só assim será poema, só assim terá razão, só assim te vale a pena, passá-lo de mão em mão…
by OrCa | Jul 15, 2013 | Sem categoria |
Amizades,
Concluir-se-á mais uma «temporada» das nossas sessões, no próximo dia 19 de Julho de 2013 (sexta-feira), pelas 21h30, na Biblioteca Municipal de Cascais – em São Domingos de Rana, com mais uma ronda pelos Poetas da Apenas Livros, editora que tem, contra ventos e marés, sustentado a irreprimível vontade de partilha que a tantos move, em modo e forma de poesia. Por lá estaremos e estamos, também, a contar convosco.
Eis um esboço, não exaustivo, do programa previsto:
– Por certo tenho eu que nos visitará, de novo, o poeta asturiano José Luis Campal, a trazer-nos um amor para além da vida, Los Poemas de la Aurora, e que abrirá a sessão.
– Contaremos, também, com a companhia de valente representação de elementos que alimentam a tertúlia Um Poema na Vila, em Coruche, pela mão de Ana Freitas, sua dinamizadora, grupo este em que a pujança criativa não cessa de nos surpreender. Essa surpresa consubstancia-se já na produção de dois livros: A Minha Rua e O Montado – Um Lugar Poético, que estarão disponíveis nesta sessão.
Surpresas várias nos reserva, ainda, esta «delegação» de Coruche… Talvez não me fique mal desvendar que, entre poemas, gastronomia, danças e outros desvarios, a noite decorrerá cheia de vida. Presumir-se-á, também, que o salão da Biblioteca não seja demais para abarcar tão prazenteira confraternização…
Façam, então, o favor de entrar. Esta casa é nossa.
by OrCa | Jul 6, 2013 | Sem categoria |
Então,
vamos lá a contas. Contas de nós tão mal prontas que nos sufocam a voz…
Mas
tu, aí, que me contas? Eu que venho desse tempo em que se pagava em contos as
contas que alguém fazia. E não era nada bom mas o que de mau havia tinha rosto,
cara à vela, e nem usava à lapela bandeiras de fantasia… ou de lata que, também,
se bem virmos, vendo bem, há gente desta que avonde e vem nem se sabe de onde,
a caminho de Belém.
Hoje,
paga-se em histórias, dá-se de troco umas lérias quando há demais demasia. Será
isto Literatura de braço dado à Matemática, alto voo de cultura? Ou laparoto na
lura, cheio de manha e de astúcia, contrariando a urdidura?
Lá
vão dando ao BPN, ao BCP, ao BANIF, a um patife que lhes dê a palha e o bom
sustento. Dão às PPP, ao vento, dão tanto que nem aguento contar contas de
rosário quando tanto salafrário vive à custa de salário com o qual mal me
governo pois vai todo para o governo, sem haver qualquer retorno nesta vida
feita inferno.
O
mandante a tempo inteiro, papagaio garganeiro, vai de ministro a banqueiro e de
banqueiro a ministro, sempre num jogo sinistro, sempre em dourado poleiro e,
perdoem-me se insisto, à custa do meu provento – que digo eu? – do nosso, que
estou pr’àqui que nem posso, de bolsos cheios de vento.
Já
viste? Fizeste as contas? Soma lá esses milhões e, sem mais ideias tontas,
apura o quanto a ganância desses tais senhores do mundo te afasta, aos
tropeções, p’ra tão longe da abundância, a este abismo sem fundo.
Conto-vos
contos de encanto, em cantochão, desencanto de ouvirmos tanto poltrão em
matraqueio de socos. E debaixo do colchão voltei a guardar uns trocos, poucochinhos,
só uns poucos, uns centavos taralhoucos, para dias de aflição, pois eu, com tais
saltimbancos, já nem confio nos bancos, em perpétuos solavancos, sem saber para
onde vão.
Em
redor lá cresce a fome, adição vil e sem nome, que subtrai o viver. E a divisão
que fazem multiplica esta maleita da vida feita a morrer.
Ocorre-me
aqui a outra, a caridosa esmoler, a dar quanto se quiser ao pedinte e à
desgraça. Mas, antes, a encher bem a carteira desse alguém que é o dono da
praça… E quem precisa lá come o pão que o Diabo amassa, pois tem a fome dos
filhos numa urgência que não passa.
E
só nos faltará ouvir que tanta gente a pedir por uma côdea de pão assim é
porque Deus quer mas, que o diga quem souber, sempre a bem da nação.
Aos
dias somam imposto, taxa, coima sem ter rosto, espécie de fogo posto sem nos
dar margem de fuga, sequer de respiração. E o portuga lá vai, cordeiro, manso,
tal cão a dar ao rabo ao serão, sem um ai e sem tostão; um ai de nós ou de
peito, de tanto estarmos a jeito deste fado violento:
Ai,
meu Deus, que não me aguento!
Ai,
patrão, e o meu sustento?
Ai,
ó mãe, quem nos acode?
Talvez
voltar a ser cão mas aquele que bem sacode, que coça, morde e escorraça a pulga
como a carraça, à dentada e à unhada, a ver se a coceira passa.
O
avô ao filho dá e o filho dá ao neto e, se hoje há, amanhã já vivem todos sem
tecto. E tantas necessidades, vos digo em pobre rima, porque uns quantos se amanham, quanto mais
alto se apanham, muito além e muito acima das nossas possibilidades.
Então,
vamos lá a contas…?
Diz-me
lá tu que remontas a passados de eleição, dos Lusíadas de antanho, com quantos
cantos faremos, hoje em dia, o nosso amanho?
Ou
será que já só contas, que só és de corpo inteiro, quando, fugindo de afrontas,
das maleitas destas seitas, és português no estrangeiro?
Enfim,
eu cá te conto, por fim, não ser dado a equações que não passem de travões à
vida que é tão nossa. Assim sendo, aqui declaro que não é nosso este fado nem a
letra é confiável. Porque ele há um mar arável e uma terra ondulada onde o
porvir é fecundo e neles – vê lá bem, por todo o lado – há uma rede, um arado,
que deram mundos ao mundo.
Do
desgoverno aos vilões, tal como nos diz Junqueiro, em preceito que se aplica à
cáfila de aldrabões que assola o mundo inteiro
, à «
truculenta manada obesa de hipopótamos, ó
Humanidade, enxota-mos!».
Está
em ti, em mim, em nós darmos a volta outra vez criando outro mundo novo, onde a
História de alguns é coisa de pouca monta e bem vista pouco conta.
Mas
vale a História do povo.
E
nela, somados todos, abriremos a janela para entrar o Sol a rodos!
E
conclui-se a equação mesmo que a solução contra esta praga daninha, muito mais do que a galinha, para criar homem
novo esteja ainda no ovo…
by OrCa | Jul 5, 2013 | Sem categoria |
… nas instalações da Biblioteca Municipal de Coruche, ali onde se situava o antigo mercado, mesmo juntinho ao Sorraia, pelas 21h30, os poetas de Um Poema na Vila, homenagearão os amigos.
Como prato forte contarão com o Oeiras Verde – onde, ocasionalmente, também participo – que nos convida a fazer, entre outras desvairadas coisas, um passeio por diversas canções do José Afonso, com preponderância pelo tema desta sessão: Amigo, maior que o pensamento.
by OrCa | Jul 1, 2013 | Sem categoria |
Imaginem uma necessidade premente de contactarem telefonicamente os serviços da Segurança Social em nome de um familiar que, por razões de doença, não está em condições de o fazer. Sei lá… por exemplo, para tratar de uma isenção em taxas moderadoras que tarda em efectivar-se…
Sabem o que vos vai acontecer? Uma senhora simpática, do outro lado, diz-vos que poderá transmitir a informação necessária, também telefonicamente, mas apenas mediante a autorização, outra vez telefónica, do próprio beneficiário.
Então, mesmo sem desligar a chamada, vocês chamam o tal próprio beneficiário – que pode mesmo ser ele ou talvez não – que, ainda uma vez mais e sempre ao telefone, confirma que, sim senhora, está a autorizar a prestação da informação a terceiro.
E a informação é-vos transmitida.
Se isto não é a manifestação cabal de que estamos a viver num regime de estupidez institucionalizada, então é o quê?
Claro que vos serão solicitados alguns dados identificativos. Mas esses obtêm-se em qualquer lado e sobre qualquer cidadão, sem grande esforço.
Pessoalmente, até considero aligeirado o procedimento, que nos alivia de deslocações sempre incómodas. Mas, por outro lado, onde é que mora a reserva de confidencialidade que se deve esperar em matérias onde ela é ponderosa?
Vejamos: estas coisas têm sempre por trás um despacho regulamentar interno qualquer, que alivia os funcionários de responsabilidades espúrias. Assim sendo, também neste caso, terá existido uma inteligência qualquer que definiu que, a bem do cidadão, esta confirmação telefónica seria útil e necessária e, seguramente, muito mais simplex.
Mas a verdade é que, pelo menos enquanto os telefones não reproduzirem a imagem de cada utente, qualquer um pode dizer, ao telefone, que é o senhor fulano de tal e que confirma tudo e mais alguma coisa… ou não será?
Colocada perante esta dúvida, a senhora funcionária simpática, em resposta, riu-se muito simpaticamente. Eu também. Mas agradeci muito a informação que me foi transmitida.
by OrCa | Jun 29, 2013 | Sem categoria |
Apresentando como mote Santo António está pasmado/Milagre já paga imposto, os Amigos de Lisboa promoveram um concurso de quadras alusivas, onde obtive uma Menção Honrosa com o seguinte desenvolvimento:
Santo António está pasmado:
Milagre já paga imposto
E o povo está calado…
Mas se ficar mal disposto?
– Figuras típicas das cascatas de S. João,
em imagem recolhida na casa de artesanato Memórias, na Rua das Flores, no Porto,
que podem acompanhar perfeitamente a quadra acima,
em saudável comunhão norte-sul