by OrCa | Mar 16, 2014 | Sem categoria |
Na nossa próxima sessão das Noites com Poemas – no próximo dia 21 de Março, também Dia da Poesia, pelas 21h30 – na
Biblioteca Municipal de Cascais – São Domingos de Rana -, teremos, como convidada, Regina Correia, que nos trará, com edição da Editora Alphabetum, o(s) livro(s) de poemas, de sua autoria, Sou Mercúrio, Já Fui Água (e Noite Andarilha – reeditado).
Como se respiga da obra em presença e sobre a autora: «Sua escrita é marcada pela experiência de vida pendular entre Portugal e
Angola durante a infância e a juventude, sendo a prosa e a poesia exemplos de mestiçagem, a nível do imaginário, da linguagem, da sintaxe e do ritmo».
Para além da apresentação das obras, a sessão incluirá um recital poético-musical,contando com a participação especial de vozes cabo-verdianas:
Abílio Alves, Adalberto Fonseca, Alexandre Conceição (Xan), Carlota de Barros, Filomena Lubrano, Heloisa Monteiro (violão),
Luís Tomar, Jorge Rodrigues, Mário Piçarra (compositor/intérprete), Paula Martins,Teresa Noronha, Tonecas Lima (violão), Zenaida Chantre (mornas).
Um programa tão completo será, por si só, bastante para preenchimento dos espíritos. Ainda assim e como sempre, sou capaz de vos sugerir que surpreendam os circunstantes com algum poema… enfim, daqueles que vos estejam mesmo, mesmo a apetecer. Afinal, trata-se, também, de celebrar o Dia Mundial da Poesia, pelo que a noite se quer cheia de vozes. De acordo?
Lá vos esperamos. A presença de cada um, como sempre, será necessária e fará diferença.
by OrCa | Mar 12, 2014 | Sem categoria |
Com que então, adeus e até 2035? Valha-nos a todos um gato esfolado, até ele miar… E o Dia Mundial da Poesia que já lá vem…
é dia da poesia
meus senhores quanta alegria
traz calor aos corações
e às unhas dos pés também
se chaminés de aflições
fumegam como convém
os dias são de maleitas
presentes mais que imperfeitas
e nós cá vamos ficando
mas as veredas estreitas
nem permitem que correndo
mas apenas vegetando
e assim lá vamos andando
sem sabermos os porquês
nem sabermos até quando
gratos a vossas mercês
se não morrermos de vez
no viver em lume brando
à proa – à proa gajeiro
vê lá se chegas primeiro
se te ajeitas em trepando
que nós voando baixinho
damos jeitos ao jeitinho
nos jeitos que vão calhando
é dia de poesia
meus senhores que bizarria
soltar o estro na praça
quanto menos se estremeça
menor será a desgraça
ou talvez nem aconteça
assim somos nós senhores
no mundo todo maiores
se menores não mais houvera
pioneiros seniores
damos ao mundo os melhores
e damos milho à quimera
esta quimera de pombos
que transportamos aos tombos
num pombal feito enxovia
onde se arvoram penachos
destinados aos borrachos
tendo cartas de alforria
houve uma ilha de amores
que premiou destemores
de quem ao mar fez caretas
hoje fazemos negaças
chiquelinas e umas tretas
em carnaval sem caraças
meu Portugal terra amada
sem saber porquê sem nada
que nos traga um acalanto
e eu pr’àqui sem saber
deste morrer-se a viver
o porquê de tanto pranto
é dia de poesia
meus senhores e esta azia
que não sai do meu caminho
neste meu país de espanto
p’ra ter por nação meu ninho
quanto eu dou… daria quanto…
– Jorge Castro
by OrCa | Mar 8, 2014 | Sem categoria |
Dar Voz à Palavra, eis a fórmula escolhida para nomear uma iniciativa em curso na Escola Secundária de Peniche – um concurso de leitura e poesia – e que, conforme se anuncia nos seus objectivos, se destina a:
1. estimular o contacto dos jovens com o texto poético;
2. tornar o acto de proferir o texto poético num momento artístico;
3. dar voz interpretativa ao texto poético;
4. celebrar a língua portuguesa.
O convite chegou-me através da professora Noémia Machado, responsável pela Biblioteca Escolar, organizadora do evento, em parceria com o grupo de Portugês da Escola.
Esta sessão, como respigo do seu cartaz de anúncio, «com bons exemplos de diseurs, tem a finalidade de ajudar a preparar a prestação dos nossos alunos representantes das turmas para a final do concurso de leitura de poesia Dar Voz à Palavra que irá ocorrer no dia 21 de Março (Dia Mundial da Poesia)».
Contámos com a participação especial de alunos da Escola: Bruno Colaço (música), Joana Rosado e Mariana Rodrigues (dança).
– Bruno Colaço (piano)
– Os convidados: Rogério Cação, Ângela Malheiros e Jorge Castro
Após a apresentação do evento, a cargo da professora Noémia Machado – a quem devo manifestar o meu agradecimento pela cordialidade no acolhimento, tanto quanto pela muito amável apresentação – cumpriu-me prosseguir a sessão dissertando sobre o que tenho vindo a aprender, ao longo da vida, sobre a arte de divulgar poesia e comunicar com um público, exemplificando sob a forma de vários poemas de minha autoria e esperando que o que ficou dito e feito se venha a revelar útil para os presentes que, já agora e a propósito, compunham em muito significativo número o grande auditório.
Grande, também, o prazer por mim sentido ao ser de imediato sequenciado por vibrantes e suculentos desempenhos por parte dos meus companheiros de painel: Ângela Malheiros e Rogério Cação, ambos provando serem senhores de muitos saberes nestas vidas de partilhar poemas.
Com eles contei para o desafio lançado aos assistentes e que consistiu em entoarmos em coro e animosamente a Procissão, de António Lopes Ribeiro, seguindo a conhecida versão de João Vilaret.
– Ângela Malheiros
– Rogério Cação
– Joana Rosado e Mariana Rodrigues
Após um breve intervalo, com chá, bolos e convívio, avançámos para a segunda parte do evento que voltou a contar com os desempenhos dos alunos, já mencionados, e com um novo painel composto, agora, com elementos do corpo docente da Escola, a começar no seu Director, José Diniz, e as professoras Laura Diniz e Célia Pereira.
– José Diniz
– Célia Pereira
– Laura Diniz
Uma excelente sessão de poemas, pois. Um exemplo mais e tão bem conseguido, dessa arte maior de se ser professor, militante pela causa do Ensino e da transmissão de conhecimentos, que se consubstancia no que chamamos preparação para a vida, mas uma vida recheada de humanidade.
Por mim, foi uma honra ter recebido tal convite e espero bem ter sido capaz de corresponder satisfatoriamente ao que me foi proposto.
Por tal noite… nem se deu pelo tempo passar.
– Fotografias de Carlos Peres Feio
by OrCa | Fev 24, 2014 | Sem categoria |
Embrenhando-se por um território que tanto influenciou a vida portuguesa ao longo de centenas de anos e que se encontra tão escassamente desbravado e ainda menos divulgado, Bruno Lopes trouxe-nos, de facto, um novo olhar sobre a Inquisição.
Um novo olhar, feito de outros conhecimentos, laboriosamente investigados e recolhidos ao longo de vários anos, em preparação de tese de doutoramento sobre os pilares financeiros da Inquisição e que partilhou connosco, abrindo janelas de outro entendimento, afinal, daquilo que somos mas, muito particularmente, digo eu, sobre alguns porquês de assim sermos.
Entretanto, esta nossa sessão contou também com o apoio de Fernanda Frazão, da Apenas Livros, que do nosso convidado Bruno Lopes já publicou O Castelo de Arraiolos (2008), Contributos para a História dos Tapetes de Arraiolos (2009, co-edição com a Terramar), Conversas à volta de Santana do Campo (org., 2010) e A Inquisição em Terra de Cristãos-Novos. Arraiolos 1570-1773 (2013).
Coube-me, como habitualmente, dar as boasvindas aos presentes e iniciar a sessão…
… dando a palavra a Fernanda Frazão, que teve a incumbência de fazer a apresentação do nosso convidado, pelo tempo que leva já de cumplicidades com ele e com a sua obra.
Depois, Bruno Lopes levou, na sua visita guiada, uma plateia atenta e interessada às tais descobertas que acima se referem e que hão-de incorporar obra a editar oportunamente.
No final da apresentação, seguiu-se um pequeno debate com o maior interesse e abrindo outras pistas e, porventura, outros caminhos a desbravar dentro da temática proposta, onde vários foram os presentes a tecer o seu comentário .
Por fim, tivemos a participação dos presentes, como sempre pagando o seu tributo ao convidado em forma de poema, desta feita através de um tema nada fácil, como era o desta sessão…
– Jorge Castro
–Fernando Alves
– Ana Patacho
– Davd Zink
– Eduardo Martins
– João Baptista Coelho
– Jograis do Atlântico – Edite Gil e Francisco Félix Mahado
… mas do qual todos deram boa conta… nem que fosse dando a volta ao texto, como sói dizer-se.
Grão a grão, chegámos à 94ª Sessão! Nunca é tarde nem demais sublinhar quanto do seu bom sucesso fica a dever-se a esta comunhão na partilha.
– Fotografias de Lourdes Calmeiro
by OrCa | Fev 19, 2014 | Sem categoria |
No próximo dia 21 de Fevereiro (sexta-feira), pelas 21h30, como
sempre na Biblioteca Municipal de Cascais, em São Domingos de Rana,
contaremos, nesta nossa 94ª sessão, com a presença do historiador e investigador Bruno Lopes que
nos falará sobre um tema cuja poética se nos deparará aparentemente
estranha, mas que não deixa de constituir, entretanto, um interessante
desafio para quem dela pretenda fazer tal abordagem (e aqui ocorre-me
António Serrão de Crasto e Os Ratos da Inquisição…): Um novo olhar sobre a Inquisição, eis o tema proposto.
Tema já desenvolvido em obra escrita pelo nosso convidado, que nos refere: Os
estudos históricos sobre o tribunal da Inquisição têm longa tradição em
Portugal. Desde o século XIX que este objecto de estudo tem despertado
interesse. No entanto, a forma de olhar para o Santo Ofício tem-se
centrado, sobretudo, na repressão das minorias religiosas e no controlo
comportamental. Contudo, aquele tribunal teve outras facetas que
marcaram profundamente a sociedade portuguesa. Daí, nos últimos anos ter
passado a tema das agendas historiográficas nacionais e internacionais.
Desta instituição, que tanto lastro terá deixado no ser e estar
da sociedade portuguesa enquanto teve existência oficial, mas cuja
influência se projectará até aos dias de hoje, em mecanismos de que
todos somos feitos – ainda que talvez uns mais do que outros… -, muito
haverá a apurar e a conhecer, porventura para melhor nos conhecermos a
nós próprios.
E mais se dirá nesta sessão onde, também como sempre, contaremos com a vossa presença.
by OrCa | Fev 16, 2014 | Sem categoria |
Antes de mais, o aquecimento, pois a prova adivinhava-se exigente. Para tanto, contou-se com um cozido à portuguesa, ali pelo restaurante O Selim, nas Caldas da Rainha, em boa companhia de comes e bebes.
As hostes encontravam-se já reforçadas por briosos mancebos vindos do norte, em romaria…
Depois, rumou-se à Biblioteca Municipal das Caldas da Rainha, para a programada apresentação dos meus Outros Poemas de Menagem, com distribuição livre, apenas com a sugestão de donativo voluntário em favor da Associação Humanitária dos Bombeiros de Carcavelos e São Domingos de Rana, como tem sido hábito no trajecto que este livro tem vindo a percorrer.
A sala apresentava-se confortavelmente preenchida, à nossa chegada…
..e melhor ainda foi ficando ao longo da sessão.
Coube a Palmira Gaspar a abertura solene mas informal da sessão, proporcionando aos presentes uma visão global daquilo com que poderiam contar…
… logo depois sequenciada por Carlos Gaspar, ambos da Comunidade de Leitores e Cinéfilos das Caldas da Rainha
e incansáveis organizadores deste e de tantos outros eventos; Carlos
Gaspar que nos apresentou os quatro jovens músicos do Conservatório de
Música das Caldas da Rainha, que amavelmente se associaram a esta apresentação, inaugurando-a:
– Beatriz Morais (violino)
– Ruben Tavares (acordeão)
– Catarina Oliveira (violino)
– Helena Caldas Lopes (piano)
Na «ordem natural das coisas», passou a palavra para a minha querida amiga e editora, Fernanda Frazão, que me proporcionou – se os demais presentes me perdoam o egoismo – uma dessassombrada quanto emocionante apreciação do meu percurso, nestas e noutras lides… que o pudor me impede de mais comentar. Apenas isto: outra vez e sempre, o meu grande abraço, Fernanda!
Logo mais, e após providenciar a distribuição do livro pela sala, coube-me a mim continuar…
… através da exposição das minhas razões – obviamente muito ponderosas – que justificaram a feitura de mais um livro de poemas – estes de bem-dizer – em percurso alongado sobre as referências muitas da minha vida, que me ajudam a ser aquilo que sou… enfim, para o melhor como para o pior, dir-se-á.
A discurseta foi sendo entremeada com a leitura de alguns poemas do livro, dando-se realce maior àqueles que, de algum modo, colhem sugestão ou referência nas Caldas da Rainha, nas muitas passagens que por lá já conto.
Foi a vez de entrarem em cena o Mário Piçarra…
… e a Heloisa Monteiro, amigos e companheiros que trouxeram de si do melhor que têm para dar: algumas composições originais do Mário – algumas até com poemas meus -, além de outras das suas superiores referências musicais, belamente acompanhadas pela Heloisa, que também a solo nos proporcionou uma prazenteira viagem, preenchendo a sala de afectos.
Ia boa a tarde e a cumprir-se o dia, quando, em boa hora, desafiei os compinchas da Tuna Meliches, que se encontravam presentes e com quem desfrutei, gloriosamente, dos momentos mais galhofeiros da minha vida, a darem um ou vários arzinhos da sua graça, já que se encontravam musicalmente equipados – refira-se, a talhe de foice, que tendo eles feito a sua deslocação às Caldas da Rainha de comboio, aproveitaram (como sempre) o ensejo de dar música durante a viagem a quem com eles partilhasse a carruagem…
Os desafios multiplicaram-se…
… e a fotógrafa estava lá!
… A récita alargou-se…
… do Alentejo chegou um passarinho que cantou, assobiando, e ainda não eram as quatro da madrugada…
… e vá lá saber-se como, o coro alargou-se à plateia…
… em memorável comunhão de gritaria!
Aida Reis, enquanto responsável por aquele espaço e nossa muito amável anfitriã, encerrou a sessão…
… que estava já muito para além da sua hora de encerramento aprazada, congratulando-se com a alegria e vivacidade que todos emprestaram à festa – que o foi, na verdade e para além de outra qualquer coisa.
Finalmente,o inevitável mas devido exercício a favor da tendinite, aproveitando-se o tempo para os últimos abraços… até à próxima.
E, assim,
Outros Poemas de Menagem se cumprem, dando azo a outros mais, em espiral de eterno retorno, que é, afinal, a razão de ser desta aventura.
Bem hajam e podem ir contando comigo, como eu conto convosco.
(Nota de remate, fora do contexto mas contextualizável: por pudores que assumo, não vos referirei o montante recolhido através do tal dinativo a que acima se faz referência e que os Bombeiros de Carcavelos agradecerão, mas sempre posso avançar que também ele excedeu as expectativas.Nada faltou, pois, até ao remate feliz deste evento.)
– Fotografias de Lourdes Calmeiro… além de outras três da Tuna Meliches