o CM tão rasteiro quão rasteiro se pode ser…

Não sei se o título da notícia também é da autoria do José Rodrigues… Também não sei porque só António Costa e Francisca Van Dunem têm direito a nome… Estou, até, com dificuldade em perceber porque cargas de água ser-se primo de conhecida figura ou filho de ex-ministro ou – veja-se lá -, de ex-presidente do Tribunal de Contas pode constituir circunstancialismo plural ou integrador… ou limitador, sequer, de exercício de cargo governamental… 
Mas parece-me saber que o título e, até, a própria mensagem é tão rés, rés o nível de uma subcave pútrida e lamacenta que, ao ler-se tal, dá vontade de ir a correr à esquina do vómito. 
Eu sei que o exercício da Liberdade nos traz estas abencerragens e nada há a fazer. Ou talvez haja, caros concidadãos: pensem que talvez constitua um acto de dignidade não comprar um jornal que se dê a estes desvarios.
E que o contrário de ser digno é ser indigno. A escolha é mesmo de cada um.  

um ligeiríssimo contributo…

Tanto se fala (mais à direita, claro) de legitimidades democráticas e outras coisas a modos que assim, que me lembrei de lançar mão de umas contitas que aqui partilho, para ver se se percebe o que está a acontecer na Assembleia da República, à luz de uma outra coisa que se chama Constituição da República Portuguesa:
Resultados eleitorais em Outubro de 2015:
PàF – PSD+CDS (tudo somadinho…) – 2.082.511 votos


– PS      – 1.747.685 votos
– BE     –    550.892 votos
– CDU  –   445.980 votos
– PAN –      75.140 votos
                      TOTAL destes 4 grupos – 2.819.697 votos

A dúvida que se me coloca:

– Qual é a parte da Democracia que os senhores da coligação fundida, que andam tão desesperados e exaltados, não está a perceber?

Tanta dor, senhor doutor…!

(retirado de Yronikamente, com a devida vénia)

O apego cego e tão pouco democrático ao poder, o argumentário, que de tão contraditório é esquizofrénico, a raiva incontida que desce, com frequência, ao insulto político ao nível de disputa entre vizinhas histéricas, a futurologia catastrófica… que dizer mais de quantos notabilíssimos comentadores da chamada direita portuguesa arrepelam os cabelos, por estes dias, qual coro dos aflitos de novo tipo, em face de uma possível modificação das passadas a que o baile mandado do sacrossanto «arco da governação» nos habituou? 

Eu, cidadão, muito se me dá, hoje, que um possível governo de esquerda… governe. Quer gostem ou não as sumidades do comentário televisivo, isso decorre do regime democrático, ponto final! Se possível, que esse governo, como se espera, assuma diferente feição daquela conhecida a que nos votou a perversão neoliberal (onde alguns «socialistas da oportunidade» também navegam…) – que, essa sim, meteu a social-democracia não na gaveta, mas nos esconsos mais pútridos de tantas subcaves de interesses. 
E é vê-los que, ao longo de quatro anos, com arrogância inaudita mas atoleimada, cuspiram, espezinharam, ignoraram ou, sempre que lhes ocorria, gozaram à fartazana com tudo quanto é oposição, com o PS incluído e em destaque, estarem agora a perorar amarguras e crocodilinas lágrimas perante o desprezo olímpico com que António Costa os mimoseou na Assembleia da República.
Entretanto, recorrem à habitual castração pelo medo: ele é os mercados, ele é o Banco Central, ele é a conjuntura internacional… ele é o Diabo, como prova aparentemente inequívoca (para esta gente) de que «Deus nem sempre é bom para os homens», conforme Calvão dixit.
O que sobressalta é tentar apurar em que recôndita parte da anatomia – aquela onde, porventura, o próprio Deus é Diabo – é que esta gente guarda o conceito de Democracia. Talvez tão-só onde o Sol não brilhe… 
Enfim, como pedra cimeira deste arco imperfeito da governação, ainda não estou convencido de que o senhor presidente da República não se assuma mais como o conjurado de Boliqueime e dê luz verde ao governo proposto por António Costa. Só nos faltava mesmo este para transformar em cinza este sol radioso que hoje, em São Martinho antecipado, teima em nos iluminar…

pequeno apontamento…

Para além do que o futuro nos traga, para além da encruzilhada complexa do presente e porque nem só do «bota-abaixo» vive um homem, aqui se declara, com aplauso, o reconhecimento pela acção dos intervenientes políticos que estão a tentar dar um novo rumo à política portuguesa. 
Em partes iguais a distribuir pelas três forças políticas envolvidas, este meu reconhecimento pela coragem da iniciativa, ainda antes mesmo de saber em que vai resultar.

A verdade é que se gostamos de dizer que o mundo é feito de mudança e que só assim ele pula e avança, será bom  pensarmos no como, no quando e no porquê.