Sendo este um  espaço de marés, a inconstância delas reflectirá a intranquilidade do mundo.
Ficar-nos-á este imperativo de respirar o ar em grandes golfadas.

outros poemas de menagem
na Junta de Freguesia Carcavelos-Parede

Outros Poemas de Menagem nasceram, de parto natural e sem dor, em ambiente de afectos e convergência de sentires, em busca de alento e tentando contribuir, com tal nascimento, para que se desenvolvam outros paradigmas e enlaces, apesar do ar rarefeito em que vivemos.
Na Junta de Freguesia de Carcavelos e Parede, em 18 de Outubro de 2013, fundindo a 90ª sessão das Noites com Poemas com as Comemorações do Dia de Carcavelos, a noite foi festiva, alegre, emotiva, com alguns arrebatamentos, mesmo, e recheada de cumplicidades.

Isabel Martinho, presidente da Assembleia de Freguesia, abriu a sessão…

… logo seguida da intervenção da presidente da Junta de Freguesia, Zilda Costa da Silva, enquadrando a actividade não apenas com as comemorações do Dia da Freguesia mas, também, como exemplo do cunho cultural que tem sido e continuará a ser apanágio da acção desta instituição autárquica, no que ela representa de comunhão com a comunidade onde se integra.

Ana Paula Guimarães, a quem com toda a propriedade e muito justamente atribuo o cognome de madrinha de escrevinhações, partilhou com os presentes a sua viagem através do livro, com o poder comunicativo que tanto a caracteriza, com uma enganadora ligeireza plena de profundidade, que sempre me faz sentir melhor pessoa do que serei…

Pelo caminho, lá foi desafiando uns e outros para trazerem ao encontro o som de outras vozes, de outros enlaces, para que a diversidade funcione como elemento enriquecedor do convívio…

… como foi o caso de Lídia Fidalgo, do CRAMOL, ali «apanhada ao virar da esquina» e instada a cantar, para nosso deleite, mesmo que não quisesse…

Pela minha parte, cumpriu-me a apresentação do livro, suprindo também a ausência circunstancialmente inevitável da nossa amiga e editora, Fernanda Frazão, da Apenas Livros, irremediavelmente ocupada noutras lides, mas presente sempre… por muitas razões e mais uma. 

Como referi, então, estes Outros Poemas de Menagem estão, como se vê, repletos de gente, por dentro e por fora. Pessoas todas elas e nenhuma descartável, com quem tive ensejo, nalgum momento da minha vida, de me cruzar e que, por essa elementar ocorrência, moldaram as condições para que, também, eu fosse assim como sou.

Dir-me-ão que este é quase um lugar-comum. Será. Mas é a minha verdade.

Pessoas à maior parte das quais me ligam mais estáveis ou fugazes relações de amizade. E, por isso, eu tenho para mim que este livro é subversivo. Subversivo pelo que ele testemunha sobre este elementar e algo esquecido facto de que o homem é um animal social e que é na conjugação com os seus pares que ele cresce, melhora e se transcende.

Relembrando Manuel António Pina, assumamos, então, que «a amizade é talvez a forma mais radical de resistência».

A sala, pequena para tanta afluência, deixa-me inevitavelmente naquele limbo entre o envaidecido e orgulhoso, onde tão bem nos sabe estar. 
Convém, entretanto, destacar aqui que a Junta de Freguesia de Carcavelos-Parede fez questão de oferecer este livro, situação a que contrapus a proposta aos assistentes que, assim sendo, em troca da oferta, deixassem um donativo a uma instituição da terra, no caso a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Carcavelos e São Domingos de Rana. 
A sugestão foi bem aceite e de resultado… simpático. Enfim, os amigos são para as ocasiões, lá se diz.
   

Coube-me, de seguida, a apresentação de quem se dispôs a acompanhar-me com outras artes, neste lançamento:

Primeiro, o grupo de jograis Oeiras Verde, que já integrei, e que nos presenteou com uma mão-cheia de poemas onde foi dado a primado a uma selecção de textos bem-humorados e que colheram forte e espontâneo aplauso da sala.

Como surpresa mais «violenta» para o público – porque aqui eu devo interpretar grande parte do poema cantando… – e com o auxílio (e perdão!) de Gedeão, relembrámos a parceria que tivemos através da Silvininha, que sempre foi prato forte deste grupo. 

Com Ana Patacho, Filomena Vale, Francisca Patrício, Ilda Ferreira, Magnólia Filipe e Luzia Pinto da Costa, só posso evocar, pois, a bem-aventurança de me encontrar, assim, entre mulheres!

De seguida, tivemos o trio La Farse Manouche – formado por Alcides Miranda (guitarra), Nuno Serra (guitarra) e Nuno Fernandes (contrabaixo), ao conhecimento do qual cheguei – e em boa hora – através do Nuno Serra e a quem ouço uma e outra vez sem me cansar de ouvir e sempre expectante quanto à próxima audição. Gipsy jazz, uma expressão musical que tem o condão de me deixar alegre, feliz e inspirado. Deles se aguarda, também, com ansiedade um cd, para conforto presente e memória futura. 

Procurem-nos no YouTubeaqui e aqui – ou no Facebook e  terão uma aproximação ao excelente momento de muito boa música que nos proporcionaram, culminando este serão que se revelou tão bem concorrido.

Um Carcavelos de honra, que caiu às mil maravilhas no goto de todos… Havendo ainda muitos para quem esta foi uma estreia no apaladar deste néctar.

É, então, em dias cinzentos e tão estranhos ao ser humano como os que vamos percorrendo, com responsabilidades partilhadas mas tão insondáveis… que talvez resida a superior arte de procurarmos dar as mãos – a que podemos chamar solidariedade, altruísmo, comunhão ou cumplicidade – e que nela resida uma porta de salvação para a Humanidade que somos.

Sei, entretanto, que é nestes caminhos da arte do encontro, de que Vinícius falava, onde mais facilmente deparo com as estradas que quero percorrer. Nos bons, nos menos bons e nos maus momentos, um amigo, a sua palavra ou a mera companhia podem gravar-nos, sem darmos sequer por isso, uma marca indelével que nos acompanhará pela vida fora.

Fotografias e vídeos de Lourdes Calmeiro

Será, desta vez, no edifício da Junta de Freguesia de Carcavelos, a título excepcional, a nossa próxima sessão das Noites com Poemas. No próximo dia 18 de Outubro (sexta-feira), a partir das 21 horas, a sessão – que se integra nas comemorações da Freguesia – constará da apresentação do meu livro de poemas intitulado Outros Poemas de Menagem, com edição da Apenas Livros.
  

Sequencia o meu anterior livro de poemas – Poemas de Menagem
– nascido em 2008, e percorre os mesmos caminhos de afectos, embora com
outros enlaces, com outras caras e, daí, com amizades diversas, pois em
cinco anos de andanças muita e desvairada coisa nos pode acontecer.
Para além do empenhado apoio da Junta de Freguesia de Carcavelos,
nas pessoas dos elementos que a integram, terei a acompanhar-me a minha madrinha de escrevinhações e amiga de sempre sem itálicos, Ana Paula Guimarães. Terei também o grupo de jograis Oeiras Verde e o trio de gipsy jazz, La Farse Manouche, para todos partilharmos alguns bons momentos.
Terei, também, comigo um belíssimo naipe de amizades díspares,
diversificadas, diversas, provenientes das quatro partidas da vida, que
sempre percorremos melhor quando acompanhados. A essas amizades é este
livro dedicado. 
Se quiseres e/ou puderes, junta-te ao grupo. O teu lugar, como se sabe, ninguém o ocupa.

– Capa e contracapa do livro, da autoria de Alexandre Castro, 
baseado em acrílico sobre tela de Jorge Castro

hoje, pós-eleições e de feriado roubado, acordei assim: caceteiro!
E viva a República!

Neste dia de encerramento do feriado do 5 de Outubro, sinto pena do povo português. Logo e como corolário, sinto pena de mim. Ora, porquê?

Nada de muito especial ou novo. Atente-se:

– José Luís Vaz, autarca Sátão, que, por não ser Camões, pode abrir sem poesia os dois olhos para a vida e, principalmente, para a vidinha, atingido que foi o seu limite de mandatos, manda a mulher concorrer; o povo vota nele através dela; ela ganha e abdica em favor dele e o Luís Vaz que não é Camões, enquanto vice da mulher, assume de novo a presidência da autarquia. Elementar, meu caro Luís Vaz.

Não é ilegal? Não foi aqui contornada a lei com uma chiquelina indecente? Não é um expediente indigno, até pelo papel da mulher neste processo?

Ora, que se lixem as eleições e, por extensão, a democracia, já lá dizia o outro, e os bons exemplos vêm de cima, etc. e tal…

Se o povo de Sátão tivesse ainda a consciência, mesmo vaga, do que é um pingo da mais elementar dignidade ou decência teria zurzido o energúmeno espertalhóide por elementar falta de respeito ao povo e pespegado com ele e mai-la mulhezinha, cúmplice da palhaçada, no pelourinho da terra, exposto o seu opróbio à tomatada da populaça e tudo haveria de acabar em bem e num ambiente bem menos poluído para os lados de Sátão.

Mas não. Estão todos bem com as respectivas consciências, desde o voto à aceitação do caso e como burro velho não toma andadura, dificilmente se imaginará que alguma coisa boa nos venha de Sátão, pelas gerações mais próximas. Que isto pega-se, de pais para filhos…

Não será despiciendo apurar que este Luís, noutras carnaduras, foi professor. Pode imaginar-se o extraordinário magistério exercido durante o cargo e a passagem de testemunho de tão elevado exemplo de pendor cívico.

– Já no concelho de Portugal com mais licenciados e outras coisas ainda mais tremendas, Oeiras, um ex-presidente de Câmara, Isaltino Morais, a quem se pode admitir obra feita mas que só não se alcandora à postura de Marquês de Pombal do século XXI por vivermos em mal-amanhada república, actualmente condenado e preso por fraude fiscal ou lá pelo que muito bem seja, mas ainda assim condenado pelos Tribunais portugueses, ganha as eleições por Vistas entrepostas e recebe, ainda que da lonjura da sua cela prisional, uma manifestação de regozijo do povão, mal concluída que foi a contagem de votos.

Ora, as manifestações «espontâneas», sendo ilegais, não costumam ser objecto de cacetada policial? Lembram-se da recente marcha sobre a Ponte 25 de Abril? Vejam bem o que agora se perdeu…! Manifestação de apoio e regozijo a um preso condenado? Porquê? Deveria ter continuado a fazer aquilo que o fez condenar? E por alma de quem? A bem da nação? Ou da carteira dele e dos amigos? A alegada «obra feita» pode justificar o crime?

O povo não tem, necessariamente, pudor, já se sabe, até por ser entidade sem partes pudendas específicas ou explícitas. Mas supõe-se, geralmente, que tem decência e a sua ética enquanto entidade colectiva é o paradigma comportamental do indivíduo.

Aqui, não. Pelos vistos e pelas vistas. De onde se concluirá, no contexto, qual a transcendência da paisagem.

– Também apurei que os três partidos mais votados contabilizaram menos 800.000 votos do que nas anteriores eleições e que a abstenção se situou nos 47% dos votantes, ou seja, em números arredondados, cerca de metade da população de Portugal considera que votar é perda de tempo e, portanto, a alternativa é tratar da vidinha ou ficar a coçar os atributos ou a falta deles no sofá da sala.

Imagino-me, por este caminho, a assistir, em eleições autárquicas daqui a uns vinte anitos, a resultados do tipo:

« – Na freguesia de Alpendurada da Coxa o partido X obteve uma retumbante vitória de 100% nas eleições, como claro e indesmentível indício do apoio esmagador do eleitorado, reflexo da obra transcendente levada a cabo na moradia de residência do actual e já anterior presidente, que tanto enriquece o património da freguesia… O partido X contou com dois votos: o do único residente que se dignou ser levado às urnas, transportado pelo carro dos bombeiros do lar onde se encontrava internado, por sinal o progenitor do presidente da Junta, e o do próprio presidente em funções e candidato, que no-lo confidenciou com um sorriso maroto mas esclarecido… A própria Coxa que deu o nome à freguesia encontra-se com residência incerta no estrangeiro, pelo que não terá votado, e o marido, dono do restaurante O Cantinho Central da Coxa, conforme nos confidenciou, por desgosto ocasionado pelo abandono da extremada esposa, do qual, aliás, responsabiliza o governo em funções e os três anteriores, nunca mais exerceu o seu direito de votar, em sinal muito íntimo e respeitável de protesto democrático».

Entretanto e até que melhores dias venham, que havemos de fazer senão dar vivas à República!?

Nem que seja só para chatear!

noites co poemas
com Jorge Nuno Silva e o Livro de Jogos de Afonso X

Jorge Nuno Silva, o maior especialista português em jogos, trouxe-nos, pela mão de Fernanda Frazão e da Apenas Livros, a sua recente obra O Livro de Jogos de Afonso X, edição em português, do primeiro livro europeu de regras de
xadrez,datado do séc. XIII. Salvo erro, terá sido, mesmo, a apresentação inaugural da obra! 

Numa belíssima noite de Lua Cheia e desafiando possíveis cálculos de probabilidades, um acidente de trânsito bloqueou quase completamente o acesso à Biblioteca. Ainda assim, muitos resistentes conseguiram dar o salto por cima do bloqueio e marcar presença em confortável número. 

Feitas as apresentações e anúncios de eventos futuros, a palavra foi dada a Fernanda Frazão…

… que misturou, sabiamente, as vertentes da amizade, da carreira académica e de cumplicidades várias em projectos comuns, ao discorrer sobre o nosso convidado. 

Este, personagem afável, segura, companheira, parecendo-me até algo surpreendido e agradavelmente pela presença do livro que não esperaria tão prontamente concluído, levou-nos em passeio pelas artes múltiplas do xadrez, bem documentadas neste livro, que surge como um transporte no tempo, trazendo aos nossos dias e em linguagem por todos perceptível, a génese e evolução do jogo que atravessou os séculos, sempre apelativo, desafiante e actual.       

 O que nos disse e ensinou? Pois, um pouco daquele mundo que um livro sempre encerra e que se abre para nós ao passeá-lo página a página. É entrar, senhorias…

Chegada a hora da matemagia, Jorge Nuno Silva brindou-nos com alguns daqueles truques com cartas de jogar, cuja explicação é sempre elementar para um matemático mas que não deixa de conservar uma aura de mistério e de inexplicável ao comum dos mortais… Sim, sim, esse mesmo, ali ao lado do Matemágico,  a fazer um ar de inteligência muito para lá do seu verdadeiro entendimento da coisa…

 … e, como é patente, nem havia nada na manga… aliás, nem havia manga!

Com grande pena nossa, Jorge Nuno Silva encontrava-se empenhado noutras responsabilidades, o que o levou mais cedo da nossa sessão, havendo, no entanto, ainda um tempo dedicado a autógrafos e dois dedos de conversa, apontando a projectos futuros. 

Depois e como costume e matriz destas nossas sessões – onde apenas se lamentou, desta feita, a ausência do convidado para receber o devido tributo dos participantes – decorreu a sessão de poemas avulsos, trazidos pela mão dos mais afoitos e empenhados.

 – Carlos Pedro

 – Eduardo Martins

 – David Zink

 – João Baptista Coelho

 – Francisco José Lampreia

– Luís Perdigão

 – Ana Freitas

 – Mário Baleizão

– Jorge Castro

E assim foi concluída a 89ª sessão das Noites com Poemas. Uma nova época começa, novos desafios se nos deparam. E pela Poesia é que vamos!
– Fotografias de Lourdes Calmeiro

noites com poemas
com Jorge Nuno Silva

Naquilo que, por caminhos trilhados, tende a tornar-se um eterno retorno, reiniciaremos as sessões mensais das Noites com Poemas, no próximo dia 20 de Setembro (sexta-feira), pelas 21h30, na Biblioteca Municipal de Cascais – São Domingos de Rana.

Como convidado para esta sessão, contaremos com o matemático Jorge Nuno Silva, o maior especialista português em jogos, que apresentará a sua recente obra O Livro de Jogos de Afonso X.

Trata-se da edição em português, do primeiro livro europeu de regras de xadrez,datado do séc. XIII. No final, o autor apresentar-nos-á, ainda, alguns truques de matemagia.

Entre os jogos de espelhos em que vamos evoluindo e a necessidade urgente de se buscar, também, o lado lúdico da Vida, esta proposta surge-nos, pois, com uma actualidade óbvia.


Os lugares, como sempre, aguardam-vos e há sempre lugar para cada um. Apareçam, então, para que o jogo se enriqueça…

palavras para quê…? Há os que os têm no sítio (aos argumentos, claro) e outros que mal deles se lembram…

26 de Maio de 2013

Exmo. Senhor PRIMEIRO-MINISTRO
A/C do Senhor Secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Ministro
Rua da Imprensa à Estrela, 4
1200-888 LISBOA

ASSUNTO: PENSÕES DE REFORMA DO REGIME GERAL

Verificando que os críticos têm ignorado a vertente mais importante da questão, decidi vir hoje junto de V. Exa., chamar a atenção para um atropelo que tem vindo, escandalosamente, a ser, feito pelo Governo que dirige. Trata-se do esbulho de que as Pensões de Reforma têm vindo a ser alvo. 
Na verdade, sou daqueles que compreendem muito bem que este Governo recebeu uma herança verdadeiramente dramática, dos Governos que o precederam: dramática pela gravidade da situação para que se arrastou o País, e dramática, para nós, cidadãos portugueses. Por isso sei bem que o único caminho a percorrer, por quem governa, seja o da redução profunda das despesas do Estado e o do aumento, dentro de parâmetros socialmente aceitáveis, das receitas. E também sei compreender que se trata de uma tarefa penosa e desagradável, para quem tem de a desempenhar para salvar Portugal do fosso para onde foi empurrado, sobretudo, pelos consulados despesistas e inconscientes, dos socialistas. 
Por outro lado, sei bem, tendo pelo meu lado toda a legislação aplicável, que o dinheiro com são pagas as Pensões de Reforma do Regime Geral, não é, de modo algum, uma despesa do Estado. O Estado é apenas o fiel depositário das prestações que os trabalhadores e as empresas, mensalmente foram entregando para prover àquilo que a lei chama de pensões diferidas. 
Esclarecendo com o exemplo da minha situação, já que ela é típica. 
Trabalhei durante 37 anos numa grande empresa do Norte do País e, todos os meses ela depositava cerca de 1/3 da minha remuneração, – 8,5%+21,5% -, o que, feitas as contas, representa, durante esses 37 anos, mais de 12 anos do meu vencimento, – 148 meses. Esta enorme quantia foi entregue ao Estado para que este a aplicasse da forma mais rentável possível, e de modo a com ela me pagar os benefícios imediatos, (doença, sinistro, abono de família, etc.) e, quando eu atingisse os 65 anos, me entregasse, mensalmente, o valor das pensões diferidas, (Pensões de Reforma, de Invalidez, de Sobrevivência e Subsídios por Morte e de Funeral), tal como o Estado tinha estabelecido através de Lei própria. Muitas foram a vezes que os governos usaram esse dinheiro, para se financiarem, pagando-o, mais os respectivos juros, até ao 25 de Abril. Depois, segundo o Dr. Bagão Félix, a dívida tem aumentado, atingindo já as dezenas de milhões de euros. O que prova, de modo inquestionável, que esses montantes não eram, e não são, pertença da Finanças Públicas. Ninguém pede emprestado a si próprio! 
Se as pensões fossem criadas, ao longo do tempo, por contrato com uma Companhia Seguradora – tal como acontece em muitos Países -, tais empresas privadas, fosse qual fosse a sua situação financeira, teriam de cumprir o que fora contratado pelas partes. E, se o não fizessem voluntariamente, os Tribunais as obrigariam, indo até à penhora dos seus bens, para o efeito.
Assim como os Bancos, são fieis depositários do dinheiro dos cidadãos, mas sempre que estes dele precisem, são obrigados a entregar-lho. 
Portanto, e perante o que expus, fica perfeitamente claro que o Governo, ao tirar-me vultuosas quantias da minha Pensão de Reforma, desde 2011, tem estado a abusar do seu poder, ultrajando a legislação em vigor. Tomou como seu, o que não o é. 
Os pareceres, quer do Tribunal Constitucional, quer de antigos ministros ou de comentadores especializados, não têm contemplado este facto insofismável que, só por si, torna inúteis os restantes fundamentos que têm aparecido na comunicação social. A questão da equidade levantada pelo TC, é perfeitamente lógica, tal como a questão do tom confiscatório das medidas tomadas, também está correcta. Como está perfeitamente certa, a alegação de que o Governo está esmagar os reformados por estes não terem qualquer tipo de força para se lhe opor. 
Mas o fundamental é saber se o Estado é, ou não é, uma “Pessoa de Bem”. E se o Estado pode usar, para os seus próprios gastos, dinheiro que pertença aos cidadãos. 
Foi com um justificado espanto que, tomei conhecimento que V. Exa. teria dito, acerca da legitimidade ou ilegitimidade dos cortes nas Pensões de Reforma, que a maioria dos pensionistas não tinha contribuído completamente, para o valor das pensões que estava a receber. Só se o Senhor 1º Ministro tivesse em mente as reformas dos políticos, se justificaria tal afirmação. Os pensionistas do regime geral auferem, no momento da sua reforma, uma percentagem equivalente 2% por cada ano de trabalho, aplicada sobre um salário médio calculado com base nos 10 últimos anos, e que é corrigida (negativamente) pelo valor médio de toda a sua vida contributiva, devidamente actualizado por índices que o Ministério da Finanças anualmente publica. Deste modo, o valor da pensão está intrinsecamente ligado ao número de anos de trabalho que o pensionista apresenta à data da sua reforma. Que as pensões políticas devam ser, de imediato normalizadas ou até, em muitos casos extintas, julgo que não há ninguém que não esteja de acordo. Mas no regime geral todos os pensionistas pagaram, antecipadamente, o direito à sua pensão. 
Não deixa de ser pouco compreensível que os Ministro deste Governo ignorem a Regulamentação da Segurança Social, sendo evidente que os senhores da “troika” a ignoram completamente. Teriam, eles, pensado que as pensões eram uma liberalidade do Estado e, como tal, uma despesa de tesouraria? Só desse modo se pode entender a sua determinação em mandar cortar nas Pensões de Reforma. 
Os comentadores, críticos das inimagináveis políticas de usurpação dos bens privados levada a cabo pelo Governo, têm baseado as suas críticas na injustiça que delas decorre para aqueles que, após uma longa vida de trabalho, vivem exclusivamente da sua pensão de reforma. Embora sendo evidente que assim é, esquecer, no entanto, toda a fundamentação legal, que aqui citei, será ver os pensionistas como um grupo de “coitadinhos” a quem o Governo está a tratar mal. E é óbvio que não isso que está em causa. Os pensionistas não precisam da “caridade” do Estado, mas sim, que este se comporte como uma “Pessoa de Bem”. 
Para os efeitos julgados necessários, mais informo que irei dar a publicidade possível a esta carta. 
Esperando a compreensão de V. Exa., subscrevo-me, apresentando os meu respeitosos cumprimentos 
Fernando Mota Ranito
Contribuinte Nº 110738489
Praceta José Fernandes Caldas, 162 5º F 4400-480 Vila Nova de Gaia”

sugestão
– homenagem a António Feio

Para hoje, ao iniciar-se a noite, evocaremos António Feio, no Palácio do Egipto, em Oeiras, no espaço Chá da Barra Villa e com organização do mano, Carlos Peres Feio.
Porque aquilo que de nós resta é a memória e os caminhos trilhados pelos sobrevivos têm mais cor e sabores quando se sedimentam no legado que nos deixaram aqueles cujo exemplo nos orgulha por sermos quem somos, enfim, por sermos gente, lá estaremos. Com gosto, por afecto. 
Por sermos gente.

sensualidades
poesia de Maria Mamede

Saturado até ao indizível com as notícias dos «noticiários», foi com prazer maior que acolhi o novo livro de poemas de Maria Mamede, Sensualidades (edição da VersBrava, Março de 2013), trazendo-me fragmentos vários da outra vida (talvez com maiúscula, aqui…?) que devemos saber viver.
Deixo-vos uma breve amostra que, espero, atice o imaginário de cada um… Também para tanto deve servir um poema!
Dentro de mim
há algo de bravio
que acalma
com teu beijo
sensual
e faz crescer
em ânsias sem igual
o enorme desejo
o desafio
do regresso
ao pecado original!

uma flor na madrugada

– Em homenagem aos bombeiros mortos nos incêndios de 2013 e na hora em que nos morreu mais uma jovem de 21 anos, Cátia Pereira Dias, combatendo por nós um estéril e criminoso incêndio.
uma flor
apenas despontada
na negrura desolada da colina

uma flor só
e assim bem mais que nada
no silêncio agora frio de neblina

uma flor que nos grita
e à madrugada
a coragem de estar viva que a anima

uma flor tão ridente
e esperançada
que jamais deixará de ser menina.

– Jorge Castro
29 de Agosto de 2013
Nota – Sugiro uma visita a http://bombeirosparasempre.blogspot.pt/, onde poderemos colher informação importante sobre esta realidade.
Presumo, também, que face aos contornos de toda esta tragédia, alguém de bom senso deveria ter já decretado luto nacional. Seria um mínimo de humanidade…
Todas as coisas têm o seu mistério
e a poesia
é o mistério de todas as coisas
– Federico García Lorca

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